Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
Padres, revolucionários de esquerda e poetas lunáticos

Nunca mais me esqueço do que, há muitos anos, um colega mais velho de Matemática, entretanto reformado, me disse na sala de professores da escola onde ainda ensino. Esse colega era conhecido por assumir frequentemente uma atitude provocadora e até politicamente incorrecta, como agora se diz. Estava então eu a lamentar-me baixinho pelo facto de tantas pessoas pensarem que os filósofos são aqueles que procuram saber tudo sobre coisa nenhuma quando o colega se virou para mim e disse: «olha lá, pá, ainda não cheguei a perceber se tu és dos padres, dos revolucionários de esquerda ou dos pseudo-poetas lunáticos.» Leia mais aqui.
Um argumento de Alexandre Machado
Alexandre Machado, colega e amigo da UFBA, apresenta aqui um argumento simples e certeiro contra a ideia de que é possível defender um realismo robusto, como Quine quereria, e ao mesmo tempo defender a subdeterminação das teorias pelos factos (ou verdades observacionais, para fugir da metafísica dos misteriosos factos).
Secção:
Filosofia,
Metafísica
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008
A natureza da filosofia e o seu ensino, de Desidério Murcho
Neste artigo defende-se duas idéias principais. Primeiro, que compreender a natureza aberta e especulativa da filosofia é uma condição necessária para uma compreensão fecunda do seu ensino. E segundo, que para se ter uma compreensão fecunda do ensino da filosofia é necessário distinguir cuidadosamente as competências estritamente filosóficas da informação histórica, e a leitura filosófica ativa dos textos dos filósofos da sua mera compreensão. Ler mais...
Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
Mário Santos: Por Que Escrevo e Outros Ensaios, de George Orwell
George Orwell (1903-1950) é fundamentalmente recordado como autor de duas famosas alegorias políticas do século XX: os romances Mil Novecentos e Oitenta e Quatro e A Quinta dos Animais. Mas foi também um fértil ensaísta (acolhendo aqui esta designação os mais variegados artigos jornalísticos). Foi sobretudo um comprometido publicista (como antigamente se dizia). Essa qualidade é evidente no volume que a editora Antígona acaba de publicar. Ler mais...
Secção:
Livros
Popper e a verdade
Há dias estava eu de viagem quando apanhei alguém na rádio a dizer o seguinte: «como Popper mostrou, uma teoria científica é verdadeira até se provar que é falsa». Não é primeira vez que ouço alguém atribuir isto a Popper.
Trata-se, contudo, de uma grande incompreensão daquilo que Popper defende e Popper não poderia ter afirmado uma coisa tão manifestamente falsa. É daqueles comentários que revelam falta de subtileza filosófica e que consiste em tratar uma questão epistémica como se fosse uma questão metafísica. O que Popper defende é que temos boas razões para acreditar que uma teoria é verdadeira enquanto não se provar que ela é falsa, caso o tentemos fazer seriamente. Ora, ter boas razões para acreditar que P não é o mesmo que P ser verdadeiro. Popper nunca diria que a teoria geocêntrica foi verdadeira enquanto não se provou que era falsa. A teoria geocêntrica sempre foi falsa, mesmo quando acreditávamos justificadamente que era verdadeira.
Custa entender por que razão este tipo de confusão é assim tão persistente.
Custa entender por que razão este tipo de confusão é assim tão persistente.
Domingo, 16 de Novembro de 2008
O Básico da Filosofia, de Nigel Warburton

Tive uma boa surpresa ao passar pela livraria: a José Olympio acaba de publicar no Brasil o excelente O Básico da Filosofia, a que em Portugal dei o título Elementos Básicos de Filosofia. Trata-se de uma introdução muito simplificada à filosofia, ideal para o ensino médio (Brasil) ou secundário (Portugal). Infelizmente, a tradução agora publicada vem com atraso: é a tradução da terceira edição inglesa, ao passo que já saíu entretanto uma quarta edição, que deu origem à segunda edição portuguesa.
Na badana do livro afirma-se que a mesma editora publicou o Pensar de A a Z, do mesmo autor, mas deve ser um erro, pois não encontrei o livro no site do editor, nem nas principais livrarias. Presumo todavia que será publicado em breve.
Sábado, 15 de Novembro de 2008
Promoção FNAC

As livrarias FNAC estão a fazer uma promoção aqui, vendendo Os Problemas da Filosofia, de Bertrand Russell, por apenas 27,30 reais (o preço normal é de 39 reais). (Agradeço a Mário Nogueira a informação.)
Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
contra a psicofoda linguística
Hoje apresento uma proposta simples para obviar à manipulação mental tácita que se transmite através da linguagem, nem sempre conscientemente (aliás, na maioria dos casos não é consciente, creio). Hoje venho embirrar com uma palavrinha que há muito faz carreira no modo ideológico de oprimir o pensamento das pessoas, forçando-as a concordar implicitamente com coisas que elas, caso pensassem claramente no assunto e sem fantasmas na imaginação, jamais aceitariam. Essa palavrinha é a expressão "povo" e o seu plural, "povos".
Na sequência do texto do Desidério, sobre a linguagem mistificadora do "Outro", com que se transformam as pessoas em anúncios de uma etnia, credo ou instituição, venho aqui partilhar um hábito que adoptei há algum tempo: evito à força toda a palavra "povos" a menos que a omissão implique infidelidade gritante com o original. Ao invés, uso a palavra "população" e "populações". Passo a explicar.
Um "povo" remete precisamente para uma etiqueta, um anúncio de credo, instituição ou etnia, para os costumeiros berloques místico-nacionais que desumanizam as pessoas e as transformam em rótulos com pernas de uma religião. Veja-se o exemplo triste da ex-Jugoslávia, em que se pode nascer em Zagreb e ainda assim ser "sérvio": basta ser ortodoxo. Conversamente, pode-se nascer em Belgrado e ser "croata": basta ser católico. Já conhecemos sobejamente o que destas oposições tem saído ao longo dos anos. Faz-nos desejar que a próxima geração de miúdos pudesse crescer livremente sem apanhar com os popes de um lado e os padres do outro. Tão-pouco com os líderes demagógicos que prontamente se aliam aos primeiros.
Uma população é algo diferente. Numa população pode haver de tudo: alentejanos, americanos, ingleses, escoceses, croatas, sérvios, russos, ciganos, pretos, brancos, amarelos, travestis, transsexuais, vendedores de enciclopédias de meia-idade, jogadores de xadrez, filatelistas, poetas embriagados, professores de piano, tradutores armados em filósofos... enfim! É uma festa. A expressão "população portuguesa" ou a "população da Nova Zembla" (seja o que for) não remete para uma "ideia" de indivíduo, donde se retirou toda a individualidade e já só restam tolices nacional-religiosas ("o judeu", "o americano", o...", "o...") referências obscuras a um mítico paraíso perdido que em tempo algum existiu.
Assim: a menos que estejamos a traduzir um autor xenófobo, racista ou nacionalista, um platónico religioso ou um místico pós-moderno... Ponhamos de parte a palavra "povo" e usemos antes "população". Deixemos de ser "recursos humanos" de ideologias e tentemos ser pessoas, para variar.
Secção:
Opinião
Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008
Terça-feira, 11 de Novembro de 2008
Os Problemas da Filosofia, de Bertrand Russell
Está já à venda em Portugal (no Brasil está à venda desde Agosto, se não estou em erro) a minha tradução (com introdução e notas) deste saboroso livrinho de Bertrand Russell, originalmente publicado em 1912.Agradeço ao editor das 70, Pedro Bernardo, o amável convite para fazer esta tradução, que tanto prazer me deu: traduzir um clássico de um dos maiores filósofos de sempre é um privilégio. Traduzi com muito carinho, e procurei explicar alguns aspectos mais profundos, na introdução, que está articulada com várias notas que espero sejam oportunas.
O livro de Russell permite duas leituras: como obra introdutória à filosofia e como obra de autor. É sobretudo quanto a este segundo aspecto que procurei apresentar alguns esclarecimentos.
O livro é excelente para quem quiser compreender o que é a filosofia, pois ao invés de Russell fazer listas algo anódinas das ideias dos outros, apresenta com vivacidade alguns problemas centrais da filosofia (sobretudo da teoria do conhecimento e da metafísica), explorando de seguida diversas tentativas de resposta, cuidadosamente argumentadas.
Russell é um autor muito inteligente e cheio de humor. Há uma passagem em que fala de um triângulo a jogar futebol que é inesquecível.
Espero que este trabalho seja útil para professores, estudantes e público em geral interessado em filosofia.
E fica aqui um agradecimento à Palmira e ao Carlos, que me ajudaram a escrever melhor uma passagem da minha introdução que refere as relações de Einstein com o éter. Agradeço também ao meu colega e amigo Sérgio Miranda, que prontamente se dispôs a traduzir do alemão o prefácio de Russell à tradução alemã desta obra.
Aqui encontra-se uma apresentação do livro e dois excertos.
Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
Logosfera

O Logosfera é um blog da autoria de Carlos Marques e Helena Serrão e que tem despertado a atenção, sobretudo pela quantidade de textos muito úteis ao ensino da filosofia e inéditos em língua portuguesa, traduzidos para o blog. É curioso que o panorama da blogosfera nos últimos tempos, para a filosofia, tem dado passos significativos, tirando da caverna muitos autores com qualidade.
Secção:
Filosofia
Desobediência civil

O recurso à desobediência civil por parte dos professores é um cenário cada vez mais provável. A desobediência civil é, por definição, uma ilegalidade. Mas será que devemos obedecer a toda e qualquer lei? O Dúvida Metódica em boa altura lançou a discusssão. Vale a pena acompanhar e mostrar mais uma vez que a filosofia e os filósofos são fundamentais no esclarecimento e na discussão de problemas com consequências tão práticas como este.
Quem quiser seguir a discussão sobre como deviam os professores ser avaliados, pode ver o post de Carlos Pires, também no Dúvida Metódica.
Quem quiser seguir a discussão sobre como deviam os professores ser avaliados, pode ver o post de Carlos Pires, também no Dúvida Metódica.
Na imagem acima pode ver-se Bertrand Russell apelando à desobediência civil.
Secção:
Filosofia política,
Ética
Subscrever:
Mensagens (Atom)