2 de Setembro de 2010

Contra Kivy

Em resposta ao artigo de Kivy anteriormente publicado, Pillow argumenta que Goodman tem razão. E o que pensa o leitor?

Galinhas apressadas...

...põem ovos podres. Os números de leitores da Crítica divulgados anteriormente estavam errados, porque o sistema não tinha ainda actualizado as estatísticas de acesso. Na verdade, houve acréscimo de leitores, relativamente ao mês de Julho: tivemos cerca de 78 mil leitores únicos. Já corrigi o artigo anterior. As minhas desculpas pelo lapso.

1 de Setembro de 2010

Leitores e novidades

No mês de Agosto, a Crítica recebeu cerca de 78 mil leitores (em Agosto de 2009, 54 mil leitores), um acréscimo substancial relativamente ao mês de Julho, com cerca de 50 mil leitores.

Os artigos que mais leitores receberam em Agosto foram os seguintes, por ordem decrescente:
  1. Argumentos sobre o Aborto, de Pedro Madeira
  2. Três Teorias da Arte, de Aires Almeida
  3. O Que é o Conhecimento, de Elliott Sober
  4. Como Fazer Exercícios de Lógica, de Desidério Murcho
  5. Ética e Relativismo Cultural, de Harry Gensler
A partir do próximo Domingo, por ser o primeiro deste mês de Setembro, começarei a publicar crónicas semanais, na secção Opinião da Crítica. Para já, estas crónicas serão asseguradas por quatro autores: Vítor Guerreiro, Aires Almeida, Matheus Silva e eu. Tratando-se de textos de pequena dimensão, visam esclarecer e fazer pensar. Espero que a iniciativa tenha bom acolhimento.

31 de Agosto de 2010

Como falsificar uma obra musical?

Goodman explica aqui por que razão é impossível falsificar uma obra de arte musical, apesar de ser possível falsificar uma pintura. Mas Kivy discorda aqui. E a procissão ainda nem vai no adro, como veremos.

27 de Agosto de 2010

Paleolítico pós-estruturalista


Visitei recentemente, na minha terra natal, o interessante Museu do Côa, acabadinho de inaugurar. Fiquei agradavelmente surpreendido, sobretudo com o que vi lá dentro, pois a fabulosa paisagem envolvente é algo a que já estou habituado desde pequeno. 

O museu é pequeno, mas bastante informativo e atraente, recorrendo de forma adequada às novas tecnologias, mas sem aparatos despropositados. Desde o som ambiente, que reproduz o que se pensa ser o ambiente característico de há cerca de 15 mil anos, à catalogação de indícios geológicos e à apresentação virtual de todo o parque, a impressão que fica é muito boa. Conversei durante algum tempo com uma das guias do parque arqueológico, que me pareceu bastante bem preparada e sobretudo muito entusiasmada com o seu trabalho. Só senti falta de informação mais detalhada e esclarecedora sobre a delicada questão dos diferentes métodos de datação da arte rupestre, nomeadamente das gravuras. 

Uma semana depois visitei o museu de Altamira e, embora este tenha uma dimensão muito maior, não vi grande diferença (não estou a incluir aqui a impressionante réplica da gruta original com as famosas pinturas de Altamira). Acresce que o próprio edifício do Museu do Côa é uma coisa despojadamente estranha. Chega a parecer um achado arqueológico no alto do monte sobranceiro aos rios Côa e Douro. Um achado contemporâneo, que ora se confunde com o próprio solo onde está implantado ora (visto do rio) sugere um megalito moderno a perturbar as alturas. 

Há, contudo, algo no interior do museu que me deixou francamente decepcionado e que mostra até que ponto  as ciências humanas se encontram nos últimos tempos expostas às mais delirantes leviandades académicas. Numa das salas do museu encontra-se um enorme painel a esclarecer o visitante sobre as várias formas de estudar ou compreender as gravuras paleolíticas. São, então, apresentadas as quatro diferentes abordagens ou formas de interpretação das gravuras: uma delas é interpretar as gravuras do ponto de vista da arte pela arte; outra é a abordagem xamanística; a terceira é a abordagem simbólica; a quarta é a interpretação... estruturalista e pós-estruturalista. 

Conversei com a guia sobre o que fazia o estruturalismo e pós-estruturalismo ali (ainda por cima trata-se frequentemente de coisas incompatíveis), ao que me respondeu que a maioria dos estudos recentes sobre arte paleolítica partem de uma perspectiva estruturalista e pós-estruturalista. Enfim, pós-estruturalismo paleolítico. 

O que pensa disto o leitor?

A primeira foto é da entrada do museu, a segunda uma projecção numa parede interior e a terceira é a vista do exterior do museu para o rio Douro.

20 de Agosto de 2010

Fim à vista

No que respeita ao destino final do universo, havia três hipóteses.
  1. O universo poderia atingir um ponto estacionário, em que a força de expansão seria neutralizada pela gravidade, mantendo-se o universo mais ou menos como é agora. 
  2. Ou a força da gravidade acabaria por vencer a força da expansão, e o universo acabaria por se contrair, dando origem a um Big Crunch (a que talvez se seguisse outro Big Bang). 
  3. Ou a força da expansão seria superior à da gravidade, continuando o universo a expandir-se para sempre, acabando toda a matéria por se dispersar cada vez mais. 
Esta última hipótese parece agora ter sido confirmada.

16 de Agosto de 2010

Definir a arte

Acabo de publicar a minha tradução do pequeno mas informativo artigo "A Definição da Arte", de Kathleen Stock.

Bertrand Russell em quadrinhos

Logicomix - Uma Jornada Épica Em Busca Da Verdade é um delicioso romance de idéias em formato de quadrinhos que narra a vida do filósofo Bertrand Russell (1872-1970) e sua grande paixão pela lógica e os fundamentos da matemática. Russell foi um dos maiores defensores do logicismo: a tese de que a matemática poderia ser reduzida à lógica. Inúmeras celebridades da filosofia e da matemática como Frege, Cantor, Gödel, Wittgenstein e Hilbert são apresentadas de modo vívido - a figura neurótica de Wittgenstein é simplesmente hilária. A auto-referência dos narradores dentro do livro é interessante e a visão romântica de que o gênio é um doido varrido e os lógicos são heróis na batalha de vida ou morte pelos fundamentos da matemática é bem explorada. Há intencionalmente algumas imprecisões históricas, mas as questões de lógica não são abordadas de maneira leviana. Não deixe de ler este livro!

Filosofia no NYT

O New York Times inaugurou um blog de filosofia, chamado The Stone. Destaque para o impressionante artigo de Tim Williamson sobre a imaginação. No meu artigo "Pensamento Selvagem" argumento que um valor que pelo menos alguma ficção tem é o alargamento cognitivo que possibilita. Faltou-me dizer que isso se faz por via da imaginação.

13 de Agosto de 2010

Definições

Acabei de publicar o artigo "Definição", extraído da Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos. É uma boa ideia complementar o estudo com o artigo "Definições: Disjunção Significa Disfunção?", de Justine Kingsbury e Jonathan McKeown-Green.

12 de Agosto de 2010

O embuste de Sokal

Acabo de publicar uma recensão de Roberto Fernández do livro Imposturas Intelectuais, de Alan Sokal e Jean Bricmont.

4 de Agosto de 2010

Randolph Mayes

Um espantalho espanta corvos porque a maioria dos corvos é estúpida o bastante para pensar que ele é um homem de verdade. Similarmente, um homem de palha lógico é uma interpretação imprecisa do que alguém tenha dito. Mas, assim como o espantalho, é similar o bastante à coisa verdadeira para que as pessoas ignorantes, desinformadas e desatentas não percebam. Assim, do mesmo modo que um dos mais espertos dos corvos pode ganhar a admiração de seus colegas ao apanhar com o bico os olhos de um espantalho, alguém que lida com interpretações de homens de palha pode parecer estar refutando o raciocínio de alguém, quando ele está na verdade apenas distorcendo-o. (Violations of the Principle of Charity: The Straw Man Fallacy)

3 de Agosto de 2010

Submissões

A partir de agora passarei a divulgar estatísticas trimestrais simples de submissões de artigos para a Crítica, feitas pelo Rolando Almeida, a quem muito agradeço.

No trimestre de Maio a Julho, recebemos 28 submissões, das quais foram rejeitadas 21. Duas foram aceites e cinco ainda estão por decidir. Como se vê, o índice de rejeições, presumindo que os que estão por decidir terão uma decisão favorável à publicação, é de 75%. Se os que estão por decidir forem rejeitados, o índice será de cerca de 92%.

Apesar de estes números dizerem respeito apenas ao último trimestre, não são muito diferentes do que aconteceu em trimestres anteriores. Mas agora passaremos a poder comparar estes números, publicamente.

2 de Agosto de 2010

A filosofia é um disparate?

É improvável que o leitor pense que a filosofia é um disparate -- pois nesse caso não estaria aqui. Mas o que responder a quem o pensa? E como descobrir se as pessoas o pensam sem se aperceberem disso? Enviando-me a módica quantia de apenas 500 dólares, terá a resposta para todas estas perguntas, e muitas mais, além da solução do velho problema de saber se devemos mudar o óleo do carro quanto o carro está frio ou quando o carro está quente. Mas se não tiver agora aí o dinheiro à mão, leia à mesma o meu artigo "A Possibilidade da Filosofia", e pague depois.

Concurso filosofia da música


O resultado do concurso filosofia da música é o seguinte:

vencedor - Filicio M.

Devo referir que ponderei a hipótese de transferir este concurso para o fim das férias, quando a probabilidade de haver mais concorrentes seria maior, e também porque a generalidade dos textos apresentados deixa muito a desejar. Sei que pedi textos curtos, mas algumas contribuições são demasiado breves, não tanto em caracteres mas quanto à ausência de discussão, limitando-se a listar teses, a fazer referências históricas, ou a aderir com força adjectival a uma tese qualquer que intuitivamente parece mais pacífica. Um exemplo do que pretendo seria o seguinte: começar por uma ideia, digamos, a de que a experiência de ouvir música é uma experiência emotiva, e ver se isso é ou não indício suficiente para pensar que a música representa emoções. Apresentar uma das principais ideias que contrariam esta tese.

Creio que o Filicio M. no seu texto está a fazer uma confusão. Quando fala de expressão e expressividade está a tentar falar na diferença entre expressão e representação. Por exemplo, se fizer um gesto enfurecido este gesto exprime fúria mas não a representa, não é acerca da fúria, do modo como um manual de psicologia ou um poema lírico pode ser acerca de emoções como esta. Ainda assim, decidi atribuir-lhe o prémio porque o seu texto foi, pelo menos para mim, o mais claro de todos, além de que há nele um esforço real de "problematizar" (como se tornou moda dizer), ainda que eu pense que a distinção entre expressão e expressividade seja um equívoco, como já referi.

Quanto aos outros, houve demasiada ênfase na erudição histórica, na listagem de referências ou em mostrar a adesão prévia a uma tese qualquer. Assim que possível, farei alguns comentários nos posts originais e não aqui, sobre os textos, embora de momento esteja algo ocupado com uma revisão. Talvez o melhor seja os concorrentes que estiverem interessados em discutir a sua contribuição contacterem-me por email. Ou talvez faça um post à parte com esse fim. Logo veremos.

Haverá uma reedição deste concurso em Setembro, onde serão sorteados outros livros de filosofia da música, mas nessa ocasião usarei parâmetros mais específicos para a escrita dos textos.

Entretanto, peço ao vencedor que me envie por email o endereço para o qual deseja que envie o seu prémio.

Bom Verão a todos.

Música para as férias



Dois discos recentes com duas excelentes vozes femininas francesas: Zaz, que cantava nas ruas de Paris acompanhada por um guitarrista e um contrabaixista e que, com este primeiro disco, se tornou num caso de sucesso bem merecido; Patricia Petitbon, o soprano cheio de frescura e personalidade que se tem vindo a impor como uma das mais agradáveis cantoras líricas da actualidade. 
Zaz é um disco que nos faz pensar que afinal a moderna canção popular francesa ainda existe. Só que a música de Zaz soa a século XXI e não aos anos 60 do século passado. Tem o perfume das ruas de Paris, que ouvíamos em Edith Piaf, mas com um toque de pop, de hip hop e de jazz. Não se pense, contudo, que se trata de colagens ou de reciclagem de material antigo. Pelo contrário, é música nova em todos os sentidos e cheia de autenticidade. As letras são vaga e suavemente interventivas, mas o que mais se destaca é a invulgar musicalidade e desenvoltura da voz de Zaz. Uma voz de rua, por vezes inesperada e deliciosamente rugosa nas notas mais agudas, normalmente acompanhada por guitarra, contrabaixo, bateria e piano.
Rosso é o mais recente disco de Petitbon, com árias barrocas italianas (em que se destacam algumas árias de óperas de Händel), acompanhada pela Orquestra Barroca de Veneza, dirigida por Andrea Marcon. A voz de Petitbon impõe-se cada vez mais como uma das melhores da actualidade no seu registo. Mas o que torna este disco cativante é que Petitbon não se importa de arriscar oferecendo-nos interpretações com uma carga emocional muito pessoal, mas sem excessos nem exibicionismos fúteis. Consegue conferir à música barroca uma frescura a que não estamos habituados.   

1 de Agosto de 2010

As escolhas dos leitores

Durante o mês de Julho a Crítica recebeu aproximadamente 50 mil leitores, cerca de metade do que é habitual. Isto ficará talvez a dever-se às férias de Verão, em Portugal, e ao intervalo das aulas, no Brasil. Note-se que estes números não incluem este blog. Os artigos mais visitados foram "O Que é a Arte?", de Aires Almeida, "Argumentos sobre o Aborto", de Pedro Madeira, "O Que é o Conhecimento?", de Elliot Sober e por fim o meu artigo "Como Fazer Exercícios de Lógica".

29 de Julho de 2010

Willard Price

A densidade populacional é necessária para criar uma civilização. Tem de haver pessoas suficientes suficientemente próximas para que cada uma possa beneficiar do conhecimento dos outros, e para que todos possam cooperar. Só então pode um homem especializar-se num tipo de trabalho e tornar-se um especialista. É esta especialização que faz uma civilização.

28 de Julho de 2010

Para ler melhor a Crítica

O novo navegador Safari oferece um instrumento espantoso, que melhora em muito a leitura de artigos na Internet. O mesmo tipo de instrumento está também disponível para quem usa o navegador Chrome, ou o Firefox, usando uma extensão chamada iReader. Infelizmente, o iReader não existe, tanto quanto sei, para o Internet Explorer, nem para o Opera.

Do que se trata? O navegador detecta quando estamos numa página que tem um artigo. Clicando no lugar apropriado, o navegador elimina menus, publicidade, etc., escurece o ecrã, e destaca o artigo, colocando-o em letras maiores, e permitindo a sua impressão ou envio por email. Veja como fica o último artigo que publiquei na Crítica (clique na imagem para ver melhor):


Depois de experimentar isto, nunca mais quererá ler artigos de outro modo. No meu caso, foi o que me fez abandonar o Internet Explorer a favor do Chrome. Para leitores menos à vontade com a informática, aconselho a instalação do Safari, que já oferece este instrumento, sem ser necessário instalar extensões do navegador. Boas leituras!

PS: Para o Internet Explorer e para o Opera existe isto, mas não se compara com o iReader.

Somos todos bestas

Há um dualismo persistente que nos faz falar de animais, como se isso não nos incluísse. Mary Midgley é uma das filósofas que se tem oposto a este erro. Acabo de publicar um excerto do seu popular livro Beast and Man, em tradução de Ana Beatriz de Katina Katinsky e Regina Andres Rebollo.

Disputatio 28

Está já disponível o número 28 da revista Disputatio

27 de Julho de 2010

Paulo Varela Gomes

Aqui. Apesar de o autor não se dar conta, os misticismos linguísticos que denuncia são normais, em todas as línguas, porque a linguagem é usada não apenas para comunicar, mas também para impressionar socialmente. Do mesmo modo que no séc. XIX era fino usar expressões francesas, hoje é fino usar expressões inglesas. Claro que quem valoriza mais a clareza de expressão do que as territorialidades sociais acha ridícula essa maneira de usar a língua. E tem razão.

26 de Julho de 2010

Aristóteles

A pessoa adequadamente formada procura em cada área apenas com aquele grau de precisão que a natureza do tema permite. Aceitar de um matemático asserções que sejam meras probabilidades é como exigir demonstrações lógicas de um retórico.

25 de Julho de 2010

Homenagem a M. S. Lourenço

Coloquei ontem online a Disputatio 27, que é um número especial de homenagem a M. S. Lourenço.