15 de Julho de 2014

Superinteligência


Imagem retirada da Amazon


Apresentado como material original de novas investigações e como sendo escrito por um dos líderes neste domínio, “Superinteligência” é o livro mais recente de Nick Bostrom e reflecte sobre questões como: “será possível construir uma semente da Inteligência Artificial ou de qualquer outra forma engendrar condições iniciais a fim de provocar uma explosão da inteligência que sobreviva? Como poderemos alcançar uma detonação controlada?”

Este livro aborda assim o passado, o presente e o futuro da Inteligência Artificial, cuja pesquisa Bostrom acredita poder levar a uma superinteligência em fuga, que pode ameaçar a existência da civilização humana – e ele sublinha as precauções que podemos ter.

29 de Junho de 2014

A chimpanzé Julie e o especismo



Quando um animal apresenta um comportamento que aparentemente não tem qualquer valor adaptativo, isso coloca-nos perante o tipo de comportamentos que associamos à complexidade de ser uma pessoa. Ora se este tipo de comportamentos surge nos animais não humanos isso pode fazer vacilar convicções especistas.

Então o que dizer da capacidade dos chimpanzés lançarem uma moda?

Agora, em vez de pensarmos “como é ser um morcego”, poderemos pensar como é ser a Julie, a chimpanzé criadora de brincos.

20 de Junho de 2014

Pensar bem, argumentar bem





Vieses cognitivos e juízos falaciosos parecem andar de mãos dadas. Se assim for, não será melhor compreender a nossa natureza para, invitando os primeiros, evitar também os segundos?

Aqui fica uma lista de 58 vieses cognitivos e os estudos que os identificam e analisam.

19 de Junho de 2014

100 Argumentos

















Eis uma ótima novidade: a Cultrix lançou Os 100 Argumentos mais Importantes da Filosofia Ocidental, tradução de Just the Arguments: 100 of the Most Important Arguments in Western Philosophy, de Michael Bruce e Steven Barbone. São 100 artigos curtos, escritos por diversos filósofos contemporâneos, cada um apresentando um influente argumento filosófico. Acresce-se aos artigos dois apêndices: um sobre o jargão da lógica básica e outro sobre algumas regras inferenciais básicas. O volume está divido em seis partes: 1) Filosofia da Religião, 2) Metafísica, 3) Epistemologia, 4) Ética, 5) Filosofia da Mente, e 6) Ciência e Linguagem. Cada texto segue basicamente a seguinte estrutura: começa pela indicação das fontes primárias onde o argumento aparece, apresenta o problema filosófico em questão e a estrutura geral do argumento e, por fim, apresenta o argumento formalizado premissa a premissa. A tradução, de Ana Lúcia da Rocha Franco, parece-me adequada. 
Certamente é uma tarefa difícil selecionar os 100 argumentos mais importantes. A escolha dos editores, contudo, foi bastante razoável. Só para citar algumas: o argumento ontológico a favor da existência de Deus, o problema do mal, o argumento de Lewis a favor dos mundos possíveis, o argumento da consequência contra o compatibilismo, a hipótese do cérebro numa cuba, os contraexemplos de Gettier, o problema da indução, o argumento de Quine contra a distinção analítico-sintético, o argumento da questão em aberto, o argumento do violinista, de Judith Thomson; o argumento dos zumbis, de David Chalmers; o argumento do milagre a favor do realismo científico, o argumento da linguagem privada, dentre muitos outros. A maior falta, talvez, tenha sido a não inclusão de dois argumentos importantíssimos à história da filosofia recente: a resolução dos puzzles no "On Denoting" de Bretrand Russell e o argumento a favor do necessário a posteriori, de Kripke. 
O volume é útil a muitas pessoas: a quem está começando a estudar filosofia; aos professores; e mesmo para os estudantes mais avançados. Vale a pena conferir. O índice e a introdução podem ser lidos aqui

18 de Junho de 2014

Como fazer escolhas difíceis


 
Poderá esta palestra mudar a sua vida? Tem alguma escolha difícil que não consegue resolver? Deve continuar a viver na cidade ou mudar-se para o campo? Deve ser artista ou banqueiro? Deve casar-se com a Maria ou com o Manel?

A filósofa Ruth Chang diz que estas escolhas normalmente nos trazem uma enorme angústia porque pensamos nelas do modo errado. Assim, propõem-nos um novo enquadramento que, com a resposta a essas escolhas difíceis, nos definirá como pessoas (e que a própria sintetiza nestes dois cartoons).

14 de Maio de 2014

Conferência de Robert C. Bishop

O professor Robert C. Bishop dará uma conferência em Lisboa no próximo dia 20 às 15h, a convite do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, intitulada "Free Will and the Causal Closure of Physics".
Para mais informação ver aqui.

12 de Maio de 2014

Mais um Clássico em Português



Depois da publicação do excelente Representar e Intervir, de Ian Hacking, a EDUERJ lança um clássico da filosofia da ciência, A teoria física: seu objeto e sua estrutura, do físico, historiador e filósofo da ciência, Pierre Duhem (1861-1916). É nesta obra, de 1906, que Duhem apresenta a tese da subdeterminação (que mais tarde foi popularizada e fortalecida por Quine): para qualquer teoria que dê conta das nossas experiências (ou dos fenômenos), sempre haverá outra teoria (possivelmente incompatível) que igualmente dá conta das mesmas experiências. Essa tese provém da ideia de que as previsões feitas por uma teoria são consequências da conjunção dos enunciados dessa mesma teoria mais um conjunto de hipóteses auxiliares. Assim, se a previsão for verdadeira, não podemos saber exatamente qual parte da conjunção é confirmada; do mesmo modo, se for falsa, não podemos saber exatamente quais enunciados são falsos. A subdeterminação surge justamente porque é sempre possível alterar alguns enunciados da teoria (ou rejeitar algumas hipóteses auxiliares) de modo a serem compatíveis com as nossas experiências.  
Outra ideia defendida por Duhem é o instrumentalismo sintático não-eliminativista. Ele sustenta que o objetivo da ciência não é fornecer explicações da realidade observável. É, antes, fornecer uma estrutura matemática, ou modelo, que organize e classifique as nossas experiências; ou seja, salvar os fenômenos. A razão disso é que ele pensa que explicar um fenômeno envolve sempre o apelo à realidade por trás dos fenômenos, algo que está fora do alcance do nosso poder de observação. Os enunciados teóricos (sobre inobserváveis), como não podem ser confirmados pela experiência, têm um papel apenas instrumental: são convenientes ou não para a construção de um modelo. Esse instrumentalismo é não-eliminativista porque Duhem rejeita a ideia de que poderíamos eliminar os enunciados teóricos fazendo-se paráfrases contendo apenas termos observáveis. Em suma, tudo o que importa para uma teoria é a sua adequação empírica, i.e., a verdade dos enunciados observacionais. 
O livro é muito bem argumentado e recheado de exemplos históricos. Leitura obrigatória. 

O último livro de Peter Singer





Depois da recente tradução para português da obra principal de Henry Sidgwick ("Os Métodos da Ética", por Pedro Galvão), Peter Singer apresenta-nos esta nova contribuição para o entendimento da filosofia moral. Este livro pretende mostrar que o utilitarismo deste filósofo do século XIX se mantém apelativo e vigoroso mesmo nos nossos dias, destacando-se alguns pontos: 


O que é que a ideia de tomar em consideração “o ponto de vista do universo” nos pode dizer sobre a ética? Henry Sidgwick usou esta metáfora para apresentar aquilo que acreditava ser uma verdade moral auto-evidente: o bem de um indivíduo não tem mais importância do que o bem de qualquer outro. Defendeu que os julgamentos éticos são verdades objectivas que podemos conhecer pela razão. Os axiomas éticos que ele considerou serem auto-evidentes fornecem uma base para o utilitarismo. Ele complementa esta justificação com um argumento que nada, excepto os estados de consciência, tem valor definitivo, o que o levou a afirmar que o prazer é a única coisa que é intrinsecamente boa.

Serão estas reivindicações defensáveis​​? Katarzyna de Lazari-Radek e Peter Singer testam-nas contra uma variedade de pontos de vista defendidos por escritores contemporâneos em ética, e concluem que são. Este livro é, portanto, uma defesa do objectivismo na ética, e do utilitarismo hedonista. Os autores também exploram, e na maior parte dos casos apoiam, as visões de Sidgwick sobre muitas outras questões fundamentais da ética: como justificar uma teoria ética, a importância de uma explicação evolutiva dos nossos juízos morais, a escolha entre o utilitarismo das preferências e o utilitarismo hedonista, o conflito entre o interesse próprio e a benevolência universal, se algo que seria errado fazer abertamente pode estar certo, se for mantido em segredo, quão exigente é o utilitarismo, se devemos desconsiderar o futuro, ou favorecer aqueles que estão em pior situação, o estatuto moral dos animais, e o que é a população ideal.


(Informação retirada daqui)

Adenda: pode ler-se aqui o prefácio desta obra (via Domingos Faria) 

29 de Março de 2014

Melhor conselho de escrita

“Deve-se escrever de modo que, se se cometer um erro, qualquer pessoa que conheça o assunto, será capaz de identificá-lo imediatamente."


(Via Desidério Murcho – retirado daqui.)