2 de janeiro de 2017

Anular o Acordo Ortográfico

​Imagem retirada daqui e transformada (autor desconhecido).

"Agora é mais fácil subscrever a Iniciativa Legislativa de Cidadãos para anular o Acordo Ortográfico, que nos obriga em Portugal a escrever de uma maneira inaceitável.

E faltam apenas 5 mil assinaturas para conseguirmos legislar juntos sobre a matéria.

Subscreva aqui (só para cidadãos portugueses)."
 Desidério Murcho


O AO90 no Blogue da Crítica:

2013
O golpe de estado ortográfico

2012
Que seria de nós sem o acordo?

2011
Quatro ortografias, ou duas apenas?

2010
Mentira ou ignorância
Mentir é feio
Vamos brincar à unificação
Proposta para uma nova ortografia
Horto-grafias
Agência Lusa adopta nova ortografia
Ortografia, de novo
Mentiras ortográficas

2009
Jornal Público não adopta acordo ortográfico
Ortografia e memória
Ortografia, gramática e estado

8 de dezembro de 2016

(Cont.) O Tesouro perdido de Wittgenstein?



  LUDWIG WITTGENSTEIN | NCMallory Flickr

Como alguns dos leitores terão reparado a notícia do último post é de 2011. Por essa altura foram também publicadas estas duas notícias:

Em 2013 o Boletim Philosophy at Cambridge (pág. 6 e 7) e depois o Boletim British Wittgenstein Society, detalhavam assim os nove manuscritos que constituem o arquivo encontrado:
  1. O próprio Livro Castanho original, com frases novas nas suas páginas introdutórias, até então desconhecidas na escrita de Wittgenstein. (Também exibe um número significativo de parágrafos ou frases alemãs escritas à mão por Wittgenstein, nas páginas que estão de frente para o texto em inglês. Estas são muitas vezes traduções variadas, ou, às vezes, estendem a noção aí expressa em inglês.)
  2. Um Livro Cor-de-Rosa, intitulado Livro I e Livro II (composto de 14 200 palavras, bem como muitas ilustrações visuais). Parece ser uma cópia exacta, com revisões e parágrafos ocasionais adicionados por Wittgenstein. É muito diferente dos fragmentos do Livro Amarelo que Alice Ambrose publicou, com apenas algumas sugestões ocasionais de justaposição superior. Há motivos para supor que é o que Wittgenstein desejava escrever em vez do Livro Amarelo ou para o substituir.
  3. "Comunicação de Experiência Pessoal" (com 12 000 palavras, isto compreende a extensão até então desconhecida após o término da versão publicada do Livro Castanho), em forma de cópia exacta, com uma revisão finamente matizada de detalhes escritos à mão por Wittgenstein, e com referências cruzadas com o Livro Castanho.
  4. "Palestras sobre Filosofia" (este manuscrito tem 20 352 palavras, está repleto de datas de conferências, a primeira das quais é declarada como "4.ª f., 17 de Jan." [1934]). É uma série de notas cuidadosamente elaboradas com argumentos e estratégias contínuas que não correspondem a qualquer narrativa publicada.
  5. "Imagem Visual no seu Cérebro" (composto de 3 600 palavras, era provavelmente um ditado particular para Skinner). Observações refinadas em forma de notas de conferência.
  6. "Lições sobre auto-evidência e lógica" (20 544 palavras). Notas de aula com algum detalhe, com evidências de revisão antes da sua forma final. Compreende as palestras de um semestre, com evidências de que o manuscrito foi trabalhado e re-formatado no sentido de se transformar num manuscrito unificado. Embora volte à questão da auto-evidência no Tractatus e esteja preocupado em desafiar as visões de Russell sobre lógica e matemática pura, mesmo assim não é uma repetição de pontos de vista anteriores. Em vez disso, ele desenvolve novamente a negação da auto-evidência.
  7. «Caderno Norueguês» (4 400 palavras) em forma de projecto. Isto foi ditado talvez a Skinner na sua visita a Wittgenstein na Noruega, embora terminado em Cambridge.
  8. "Uma Investigação Matemática". Este manuscrito é inteiramente constituído de formas precisas e incomuns de cálculos. Uma vez que não tem a mão de Wittgenstein expressa nele de forma óbvia, há um problema de atribuição. No entanto, dado que faz parte de um Arquivo que o próprio Wittgenstein reuniu como uma expressão do seu trabalho em conjunto com Skinner, devemos pelo menos deixar espaço para que seja veiculado. Compreende 12 353 símbolos matemáticos — sem qualquer narrativa. Explora questões envolvendo o pequeno teorema de Fermat. O seu desvio das rotas usuais de cálculo complementa explicitamente como a própria filosofia de Wittgenstein expõe possibilidades inesperadas no uso de "regras".
  9. Uma cópia incompleta do Livro Azul. É o único texto dactilografado no Arquivo. Significativamente, termina de forma prematura, aproximadamente no mesmo ponto que uma cópia posterior manuscrita por Skinner.

Numa entrevista em Setembro de 2016, aquele a que chamam o homem mais inteligente do Reino Unido, Arthur Gibson, e que estava responsável pelo conteúdo deste arquivo, disse:
   
"Fiquei impressionado, porque é um arquivo inteiro nunca visto antes e, a maior parte, inteiramente nova. Fornece uma visão dos seus processos de pensamento – é quase como se espiássemos a sua mente".

Mas aparentemente ainda persistem algumas dúvidas sobre o material descoberto, para além das novidades:
"Isto pode ou não ser o item ausente chamado o livro cor-de-rosa ou livro amarelo que os académicos esperam há muito tempo. Há também uma série de milhares de cálculos matemáticos nos quais Wittgenstein examina o pequeno teorema de Fermat. É uma série de cálculos extraordinária, até mesmo bizarra, e ainda assim original"
 E dá a entender que uma avaliação definitiva ainda está por fazer:

"O arquivo mostra que questões revolucionárias imprevistas e novas ainda nos esperam na filosofia de Wittgenstein e no conhecimento científico que nós pensamos incorrectamente que já entendemos."

Em 2013 a nota biográfica de Arthur Gibson no Boletim Philosophy at Cambridge já referia que o arquivo estava preparado para ser convertido num livro cujo título seria "Ludwig Wittgenstein Dictating Philosophy: to Francis Skinner", mas aparentemente este livro ainda não foi publicado.

21 de novembro de 2016

O Tesouro Perdido de Wittgenstein?



   LUDWIG WITTGENSTEIN | NCMallory Flickr

A notícia fala de um arquivo até aqui perdido e que supostamente dará uma nova visão da forma de pensar deste filósofo, do relacionamento com o seu secretário e sobre a importância deste último nesta investigação.

Sobre as mais de 170 mil palavras e equações matemáticas agora reveladas o académico de Cambridge, Arthur Gibson, responsável por este estudo, diz: "Fiquei impressionado porque é um arquivo inteiro, nunca visto antes, e na sua maior parte inteiramente novo. Fornece uma visão dos seus processos de pensamento – quase que espiamos a sua mente". 
Gibson adianta ainda a seguinte possibilidade: "Isto pode ou não ser o item ausente chamado o livro cor-de-rosa ou o livro amarelo que os académicos há tanto tempo esperavam." 
Quanto a uma série de milhares de cálculos matemáticos nos quais Wittgenstein examina o pequeno teorema de Fermat, Gibson diz: "É uma série extraordinária de cálculos, até mesmo bizarra, e ainda assim original."
E conclui: "O arquivo mostra que questões revolucionárias imprevistas e novas ainda nos esperam na filosofia de Wittgenstein e no conhecimento científico que nós entendemos incorrectamente que já entendemos."

Ver a notícia aqui.

16 de outubro de 2016

Utilitarismo para breve (introdução)

Imagem retirada daqui.

Está para breve a saída de mais uma Very Short Introduction e desta vez é Peter Singer e Katarzyna de Lazari-Radek que escrevem uma introdução ao Utilitarismo. A descrição do livro é a seguinte:
O utilitarismo pode muito bem ser a teoria ética secular mais influente no mundo de hoje. É também uma das mais controversas. Colide, ou pensa-se amplamente que colida, com muitos pontos de vista morais convencionais, e com os direitos humanos quando estes são vistos como invioláveis. Será que, por exemplo, é correcto torturar um suspeito de terrorismo, a fim de evitar um ataque que poderia matar e ferir um grande número de pessoas inocentes?

Nesta Very Short Introduction, Peter Singer e Katarzyna de Lazari-Radek fornecem um relato confiável da natureza do utilitarismo desde as suas origens no século XIX, à sua justificação e às suas variedades. Considerando como os utilitaristas podem responder às objecções que são muitas vezes vistas como devastadoras, eles exploram a resposta utilitarista à questão de saber se a tortura pode alguma vez ser justificada. Também discutem o que é que os utilitaristas devem procurar maximizar, prestando especial atenção à visão utilitarista clássica de que apenas o prazer ou a felicidade têm valor intrínseco. Singer e de Lazari-Radek concluem analisando a importância contínua do utilitarismo no mundo, indicando como este é uma força para um novo pensamento sobre os desafios morais contemporâneos, como a pobreza global, o tratamento dos animais, as alterações climáticas, a redução do risco de extinção humana, as decisões de fim de vida para pacientes terminais, e a mudança para uma avaliação do sucesso das políticas governamentais em termos do seu impacto na felicidade.

Ver mais informação aqui.

24 de agosto de 2016

Inteligência Artificial (Desfazer Mitos)

Clicar na imagem para ampliar | Imagem retirada daqui.


Texto original aqui (tradução em Português aqui).


Lista de Referências Sobre IA




Vídeos


Artigos nos Média


Ensaios por Pesquisadores de IA


Artigos de Pesquisa


Colecções de Pesquisas


Estudos de Caso


Publicações em Blogues e Palestras


Livros


Organizações




Fonte: Future of Life Institute - The Top Myths About Advanced AI

22 de julho de 2016

15 de abril de 2016

Desidério Viral no Facebook


Desidério Murcho


A publicação na página da Crítica no Facebook que foi mais vista até há bem pouco tempo, foi aqui destacada do seguinte modo: “teve um alcance cerca de 7 vezes superior à média das outras publicações (registando, até ao momento, 18 partilhas)”.

Mas este número foi agora largamente superado. Isso aconteceu com um meme do Desidério Murcho sobre os 8 princípios para um debate público melhor, do seu livro “Pensar Outra Vez”.

Esta é a estatística apresentada pelo Facebook:

Às 15:00 do dia 15 de Abril de 2016

Portanto, em apenas 2 dias, este meme foi partilhado mais de 280 vezes e foi visto por mais de 60 mil pessoas.

Lançamos a seguinte questão: este meme tornou-se viral porquê?

[Actualização a 12 de Setembro de 2016: Até ao momento este meme foi partilhado 469 vezes e alcançou 85 600 pessoas.]


6 de abril de 2016

Em Abril, Crítica a 5 mil



A Crítica está prestes a cumprir 20 anos (1997-2017) e a essa data pode juntar-se ainda outras duas que muito influenciaram a sua divulgação: 7 de Agosto de 2008, com a criação do Blogue da Crítica e, há quase 6 anos atrás, a 15 de Agosto de 2010, a criação da Página no Facebook da Crítica.

Ora hoje a Crítica chegou aos 5000 na sua Página do Facebook. O número é muito significativo visto tratar-se de uma página que se dedica exclusivamente a divulgar a filosofia em língua portuguesa. Agradecemos a todos os nossos colaboradores e a todos os nossos leitores. 

12 de fevereiro de 2016

Partilha ilegal (e grátis) de conhecimento

"O Conhecimento Liberta" (Imagem retirada daqui)


Será que as vantagens do acesso sem restrições ao conhecimento é uma boa razão para se recorrer à desobediência civil?

Uma investigadora Russa, pensando que sim, tornou acessíveis mais de 48 milhões de artigos científicos na Internet e, mesmo depois da decisão desfavorável do tribunal, continua a recusar-se a fechar o seu site.

Assim, em 2011, a neuro-cientista Alexandra Elbakya, frustrada por não conseguir pagar o acesso aos artigos de que necessitava para a sua investigação, criou esta espécie de Pirate Bay do mundo científico, alegando que todos, independentemente do seu rendimento ou filiação, deveriam ter livre acesso ao conhecimento. O site entretanto tornou-se viral, com centenas de milhares de artigos a serem descarregados diariamente. O site em questão é o Sci-Hub.

Do lado oposto a esta Robin dos Bosques dos tempos modernos estão as editoras que, ao providenciarem uma revisão científica dos artigos e a sua divulgação ‒ o que antes da Internet era crucial à disseminação do conhecimento ‒ alegam que se um investigador quiser ter reconhecimento e construir uma carreira, precisa ainda de publicar neste tipo de revistas científicas.

Mas quando até as universidades começam a ter dificuldade em subscrever estas publicações, Alexandra Elbakya questiona a própria legalidade das editoras por estarem a impedir o livre acesso ao conhecimento.



(Ver mais aqui).

25 de novembro de 2015

Kit para detecção de disparates

Carl Sagan




"Na ciência é possível começar com resultados experimentais, dados, observações, medidas e «factos». Inventamos, se isso for possível, uma lista interminável de explicações plausíveis e confrontamos sistematicamente cada uma delas com os factos. No decurso da sua formação, os cientistas recebem um kit para detecção de disparates, a que recorrem sempre que se confrontam com novas ideias. Se a nova ideia resiste à análise com os instrumentos do kit, recebemo-la de braços abertos, embora com cautela. Se uma pessoa estiver na disposição de não engolir disparates, ainda que seja tranquilizador fazê-lo, há precauções que pode tomar; há um método comprovado pela experiência.

Que contém o kit? Instrumentos para o pensamento céptico. O pensamento céptico é o meio de construir e compreender um argumento racional e — o que é particularmente importante — de reconhecer um argumento fraudulento ou falacioso.

A questão não é se gostamos da conclusão que resulta de uma série de raciocínios, mas se decorre de uma premissa e se esta é verdadeira.

Alguns dos instrumentos referidos são os seguintes:

· Sempre que possível deve haver uma confirmação independente dos «factos».

· Encorajar o debate substantivo das provas por parte dos proponentes de todos os pontos de vista.

· Os argumentos apresentados por autoridades na matéria têm pouco peso — as «autoridades» cometeram erros no passado e voltarão a cometê-los no futuro. Talvez uma maneira melhor de dizer isto seja afirmar que em ciência não há autoridades quando muito há «especialistas».

· Pense em mais de uma hipótese. Se há qualquer coisa a explicar, pense em todas as maneiras diferentes de o fazer. Depois pense em testes através dos quais possa refutar sistematicamente cada uma das alternativas. O que subsiste, a hipótese que resiste à refutação nesta selecção darwiniana entre «hipóteses de trabalho múltiplas», tem uma probabilidade muito maior de ser a resposta certa do que se se tivesse simplesmente aceitado a primeira ideia que nos agradou.

· Tente não ficar muito preso a uma hipótese só porque é sua, ela não passa de uma estação de paragem no caminho da procura do conhecimento. Pergunte a si mesmo porque lhe agrada. Compare-a com as alternativas. Veja se consegue encontrar motivos para a rejeitar. Se não consegue, outros conseguirão.

· Quantifique. Se o que está a explicar tem alguma medida, se envolve alguma grandeza numérica, estará muito mais bem equipado para escolher entre as várias hipóteses possíveis. O que é vago e qualitativo está aberto a muitas explicações. Claro que há verdades a ser procuradas nas muitas interpretações qualitativas que somos obrigados a confrontar, mas encontrá-las ainda é mais estimulante.

· Se há uma cadeia de argumentos, todos os seus elos têm de funcionar (incluindo a premissa) — e não apenas a maior parte.

· A navalha de Occam. Esta excelente regra prática incita-nos, quando confrontados com duas hipóteses que explicam dados igualmente bem, a escolher a mais simples.

· Pergunte sempre se a hipótese pode ser, pelo menos em princípio, refutada. As proposições impossíveis de verificar e refutar não valem grande coisa. Considere a ideia grandiosa de o nosso universo e tudo o que este contém serem apenas uma partícula elementar — por exemplo um electrão — num cosmos muito maior. Mas, se é possível que nunca venhamos a obter informações exteriores ao nosso universo, será a ideia susceptível de refutação? Temos de ser capazes de verificar a validade das afirmações. Os cépticos inveterados têm de ter oportunidade de seguir o seu raciocínio, de repetir as suas experiências e de ver se estas obtêm sempre o mesmo resultado."



Carl Sagan, “Um Mundo Infestado de Demónios”, pp. 266 a 268

Sobre este assunto a Crítica também já publicou dois artigos de Michael Shermer (aqui e aqui), bem como 1 excerto deste livro (Excerto 1).