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Mensagens

A mostrar mensagens de 2008

John Shand: O que é a filosofia?

Há uma anedota recorrente entre muitos filósofos profissionais, que envolve um deles a ser encurralado durante uma festa por alguém que ao saber que se trata de um filósofo lhe pergunta: "Bom, o que é então a filosofia?" A piada reflecte na verdade o desconforto de muitos filósofos e a desconfortante consciência de não serem capazes de dar uma resposta directa e clara. Mais...

Rui Daniel Cunha: Últimos Escritos sobre a Filosofia da Psicologia, de Ludwig Wittgenstein

Quando iniciei a licenciatura em Filosofia, em meados dos anos 80, não existia em Portugal — sinal do nosso atraso filosófico — uma única obra de Wittgenstein traduzida para a nossa língua (embora no Brasil, honra lhe seja feita, já existissem algumas edições). Foi a Fundação Gulbenkian quem quebrou esta lamentável situação e inaugurou as traduções portuguesas de Wittgenstein, com a publicação do Tractatus e das Investigações Filosóficas, mesmo no final de 1987, e é desta mesma editora que nos surge agora, em edição modelar, os Últimos Escritos sobre a Filosofia da Psicologia. Mais...

William James

Se acreditamos que não há em nós quaisquer sinos a tocar a rebate quando a verdade está perante nós, parece que pregar tão solenemente que temos o dever de aguardar pelo toque do sino não passa de uma excentricidade vã.

O Pai Natal e a filosofia

P
“É moralmente errado dizer às crianças que o Pai Natal existe? Independentemente da imensa alegria e excitação de que os miúdos usufruem por acreditar no mito do Pai Natal, trata-se de uma mentira descarada! Quando estão crianças em causa, devemos colocar-nos sempre num patamar moral superior, ou devemos contemplar a possibilidade de excepções? Quando eles descobrem a verdade, não estaremos a ensinar aos nossos filhos que não se pode confiar em ninguém, nem mesmo nos próprios pais?”

R
MARK CRIMMINS: É uma pergunta interessante, sobre a qual não tenho uma posição definitiva: fiquei aliviado quando o nosso filho cedo, e com ardil, nos levou a admitir a verdade. É provável que quando os miúdos descobrem a Grande Mentira do Pai Natal a disposição deles para partir do princípio de que os pais lhes dizem sempre a verdade completa e literal sofra um certo abalo. Mas decerto a grande questão da confiança não se coloca ao nível de saber se se pode contar com o facto de os pais dizerem sempre a…

Da miséria da vida estudantil

Apesar de não constituir o propósito principal deste blog, acontece que ocasionalmente, principalmente nos comentários, acabamos por referir a nossa experiência de licenciatura em universidades portuguesas. Para mim essa questão está já um pouco consolidada mas reveste-se de particular interesse se pensar que a licenciatura em filosofia constitui na maioria dos aspectos uma forte desilusão para as expectativas que eu tinha do curso. Não foram raras as vezes em que me convenci que não conseguia ler os textos dos filósofos já que eles só eram acessíveis ao professor, que até lia alemão, e àquela meia dúzia de alunos que frequentavam o seminário de alemão. Normalmente quando abordava um ou outro aspecto do filósofo “o tal”, respondiam-me que não era nada disso, que eu não estava a compreender o problema. Parecia que existia sempre algo mais profundo que eu era incapaz de alcançar. Naturalmente resvalei para outros quadrantes com alguma facilidade, nomeadamente com a hipótese bastante pla…

Avaliar argumentos indutivos

Gostaria de lançar aqui um desafio muito simples, que é avaliar cada uma das seguintes previsões indutivas, tendo em conta as regras de avaliação de argumentos indutivos. A primeira previsão é a seguinte:

José Sócrates nunca teve uma dor de cabeça até hoje.
Logo, José Sócrates não terá uma dor de cabeça amanhã.

A segunda é a seguinte:

No último ano José Sócrates teve todos os dias dor de cabeça.
Logo, José Sócrates terá dor de cabeça amanhã.

Vamos supor que as premissas dos argumentos são verdadeiras e que, portanto, não há contraexemplos. O curioso é que a amostra indicada na premissa do primeiro argumento é maior do que a do segundo. Contudo, aceitamos mais facilmente o segundo argumento do que o primeiro. Ou não? Porquê?

Um pedido de ajuda

Alguns dos nossos leitores conhecem a terminologia espírita? Os termos ingleses que não sei como se dizem em português são os seguintes: Sitter: uma pessoa que quer contactar com um morto e que para isso contacta com um médium.Proxy sitter: uma pessoa que faz os preparativos e se encontra com um médium em nome do sitter.Control: o espírito associado ao médium, que lhe permite contactar com o mundo dos mortos.Communicator: o espírito do morto com o qual o sitter quer comunicar. Sitting: uma sessão espírita. Seance: isto presumo que se diz "sessão espírita", mas não tenho a certeza.Agradeço a ajuda! Esta terminologia ocorre num livro de filosofia da religião de Rowe que estou a rever.

Peter Cave e paradoxos

Comprei este livro esta manhã. Nem sabia da sua publicação, mas apressei-me a ir a uma livraria assim que o leitor Luís Gonçalves o incluiu na sua lista de preferências dos melhores livros do ano. Já conhecia o nome de Peter Cave, um habitual da revista Philosophy Now da qual sou subscritor e dos seus livros que vi na Amazon. Mas nunca tinha lido qualquer dos seus livros. Estranhamente não me lembrava que o autor tivesse escrito um livro com o título Duas vidas valem mais que uma?. E não escreveu mesmo. Quando peguei no livro na livraria, mesmo sabendo que o ia comprar e analisar em casa, fiz algo que sempre faço quando pego em qualquer livro que é ver quem o traduz e saber qual a edição original que serviu de base à tradução. Curiosamente a edição portuguesa não menciona o original. Li o prefácio e introdução e apercebi-me que, apesar do livro ter tido revisão, merecia outra já que escaparam algumas gralhas. Ainda que não me pareça muito importante dadas as características do livro e…

Empirismo e filosofia da mente, de Wilfried Sellars

Acaba de ser publicado no Brasil o livro Empirismo e Filosofia da Mente, de Wilfried Sellars, pela Vozes, com tradução de Sofia Stein (Universidade de Caxias do Sul).

A voz dos leitores: Os 10 mais de 2008

Dando voz aos nossos leitores relativamente ao desafio lançado há dias pelo Rolando, aqui vai a lista que Luís Gonçalves nos enviou com aqueles que ele considera os melhores dez de 2008.

10 Mais de 2008 – Luis Gonçalves

Informação empírica para a discussão da ÉTICA AMBIENTAL

Calma - Cool it!, Bjorn Lomborg (Estrela Polar)
Lomborg, depois do seu “ O Ambientalista céptico – Revelando a real situação do mundo”, de 2002, na Editora Campus, volta a reafirmar a sua análise crítica do debate sobre o aquecimento global, mostrando de uma forma clara, realista e baseada em dados científicos, como enfrentar os dilemas da discussão climática, dando o seu forte contributo para enfrentar as posições ecologistas radicais, nomeadamente aquilo a que ele chama a “ladainha ambientalista”.

Quente, Plano e Cheio, T. Friedman (Actual Editora)
Friedman, depois de “O Mundo é Plano – Uma história breve do século XXI”, de 2005, também na Actual Editora, onde já deixara a sua marca na análise do mundo contemporâneo, …

Sugestões musicais

Eis, para variar, algumas sugestões musicais. Sugiro três discos que me parecem exemplificar diferentes tipos de beleza musical. Nenhum deles apresenta música que possa ser considerada revolucionária ou inovadora; trata-se antes de música que foi capaz de levar fórmulas já bem conhecidas quase ao seu mais alto grau de perfeição. E isto não está ao alcance de todos.
A primeira sugestão é a gravação das Quatro Últimas Canções, de Richard Strauss, por Jessye Norman, acompanhada pela Gewandhausorchester de Leipzig, dirigida pela maestro Kurt Masur. Richard Strauss escreve para orquestra como poucos conseguiram fazer, dando brilho a todas as suas secções sem dar a impressão que está a abrir um mostruário. A sua música é incrivelmente melodiosa, mas as melodias são quase sempre imprevisíveis e sinuosas - por vezes parece até que vão descambar e que nos estamos quase a perder, o que faz parte do seu encanto. As Quatro Últimas Canções são o exemplo mais perfeito disso e são das canções mais be…

Wikicensuras

Verifiquei agora que o texto reformulado do Desidério no Wikipedia (ver post anterior) foi novamente censurado. Desta vez não o apagaram, pois isso entraria em contradição gritante com a existência de uma entrada inglesa no mesmo site. A técnica usada corresponde às minhas expectativas: usar directamente o termo inglês, para tentar suavizar o impacto. Contudo, o que salta mais à vista é a perda significativa de conteúdo e o português de cortar à faca, com frases mal construídas e uma «espansão» para traduzir «expanding» (De uma banda chamada «IncredibleExpandingMindfuck»).
O argumento do censor, segundo o qual "psicofoda" peca por referir um mero acontecimento mental é refutado pelos exemplos de palavras "consagradas": psicotrópico - substância que altera estados mentais e não "mudança mental" (seguindo a sua lógica). Nada há de "imaginário" ou "meramente mental" na "psicologia" ou na "psiquiatria". O "psicossoc…

«Psicofoda» censurada na Wikipédia

O mundo português está ainda a milhas de se libertar das psicofodas linguísticas e culturais que nos afligem e tolhem o passo. Há muito que existe uma entrada para o termo «Mindfucking» no site da Wikipedia. Esta entrada é referida pelo próprio McGinn no seu livro: Mindfucking, a Critique of Mental Manipulation. Hoje o Desidério publicou um Wiki português para «Psicofoda», que foi apagado por um administrador, dando lugar a uma segunda publicação pelo Desidério, desta vez contendo a ligação para o Wikipedia inglês. Será que a censura se vai manter? Seria curioso tentar explicar a atitude argumentativamente.
Este post é uma versão abreviada do que publiquei aqui.

Generalizações e previsões

Descobri hoje numa aula do 11º ano que alguns alunos, ao avaliar argumentos, confundiam sistematicamente os argumentos indutivos por generalização com as previsões (que também são argumentos indutivos). Na verdade, eles sabiam distinguir perfeitamente generalizações de previsões. O problema surgia quando se tratava de os avaliar. Por exemplo, a generalização
Até hoje o Sol nasceu todos os dias.
Logo, o Sol nasce todos os dias.
foi por eles avaliada como um mau argumento, o que considero correcto. Mas também a previsão
Até hoje o Sol nasceu todos os dias.
Logo, o Sol irá nascer amanhã.
foi por eles avaliada como um mau argumento, o que é incorrecto. Diziam alguns deles que ambos os argumentos eram maus pelas mesmíssimas razões. Mas o conhecimento científico disponível mostra que a premissa da generalização é irrelevante para o que se quer concluir, ao passo que não o é para a conclusão da previsão.
O que acha o leitor?

2008 Best Of

A filosofia é o meu trabalho. Nesta lista inclui livros que me dão muito prazer conhecer e ler, mas também que me são muitos úteis para proceder aos devidos upgrades profissionais.

1 – Bertrand Russell, os problemas da filosofia,Ed. 70 ( trad Desidério Murcho)
Era inevitável que a tradução do Russell não viesse à cabeça desta minha lista, já que se trata de uma renovada tradução de um dos clássicos da filosofia contemporânea que pode ser lida tanto pelos profissionais da filosofia como pelos não especialistas.

2 – Michael Lacewing, Philosophy for AS, Routledge
O ensino da filosofia está no centro das minhas preocupações pelo que é natural que alguns dos livros de filosofia mais significativos para mim sejam manuais. Para além de tudo aprende-se muita e boa filosofia por manuais quando eles são bem feitos. Este de Michael Lacewing, apesar de não estar traduzido na língua portuguesa, foi um dos melhores livros que comprei em 2008 e certamente é uma útil e sempre presente ferramenta de traba…

Ideias e letras

A editora brasileira Idéias & Letras, divulgada por um leitor, tem alguns títulos muito importantes para o ensino. Destaco os seguintes: Filosofia Medieval, org. por McGrade. Trata-se da tradução do Cambridge Companion to Medieval Philosophy. É uma obra crucial para preparar boas aulas de graduação de filosofia medieval.Primórdios da Filosofia Grega, org. A. A. Long. Mais uma tradução, desta feita do Cambridge Companion to Early Greek Philosophy, que abrange os chamados pré-socráticos (designação algo enganadora porque alguns deles são ou contemporâneos ou posteriores a Sócrates). Crucial para aprofundar este período da filosofia num curso de graduação, quer numa cadeira de Filosofia Grega, quer numa cadeira electiva dedicada apenas aos pré-socráticos.

Os melhores de 2008 no Brasil

Eis uma lista do que considero que de melhor se publicou no Brasil de filosofia em 2008. A lista tem com certeza muitas omissões por puro esquecimento meu. Além disso, a lista não tem em conta a qualidade ou falta de qualidade das traduções. Uma Nova História da Filosofia Ocidental: Filosofia Antiga, de Anthony Kenny (Loyola)Uma Nova História da Filosofia Ocidental: Filosofia Medieval, de Anthony Kenny (Loyola) Com estes dois primeiros volumes da nova história da filosofia, estudantes e professores podem preparar melhores aulas de graduação de história da filosofia. Os volumes dividem-se sempre em duas partes: na primeira, faz-se uma apresentação histórica mais geral das ideias e contextos históricos do período em causa; na segunda, discute-se em maior profundidade, e tematicamente, os problemas, teorias e argumentos do período em causa.Estética: Fundamentos e Questões de Filosofia da Arte, org. Peter Kivy (Paulus). Trata-se da tradução do Blackwell Guide to Aesthetics. Com artigos so…

O melhor de 2008

Respondendo à sugestão do Rolando, aqui vai a minha lista dos melhores livros de filosofia publicados em Portugal neste ano de 2008 (era bom que o mês que falta para o ano terminar trouxesse boas surpresas neste campo, mas isso não costuma acontecer).

A lista inclui apenas um livro de autores portugueses, pois é o único que conheço (ainda não li o livro do Pedro Galvão, pelo que não me posso pronunciar, se bem que tenha muito boas razões para acreditar que deve ser filosofia de excelente qualidade).

Dada a escassez de bons livros de filosofia publicados no nosso país, a lista que elaborei deve ser algo relativizada: alguns deles só aparecem na lista por falta de competição. A lista não está ordenada de forma rigorosa, mas os que considero mais importantes estão nos primeiros cinco.

1. Bertrand Russell, Os Problemas da Filosofia(Ed. 70, trad., introd. e notas de Desidério Murcho).
Este é um clássico que já estava a merecer uma tradução que fizesse jus ao estilo de Russell e à subtileza fil…

2008 - Os melhores

Estamos praticamente a findar mais um ano, o de 2008. Não nos prende razão especial alguma para assinalar esta convenção, mas é uma boa altura para fazermos o balanço de actividades. Uma coisa que resolvemos fazer é a nossa lista dos melhores livros de filosofia do ano de 2008. Cada um dos colaboradores do blog apresentará a sua lista, mas o blog é também o apêndice da revista Crítica onde a interactividade com os leitores é possível de modo que convidamos os nossos leitores a enviar-nos as suas listas que teremos gosto em publicar em post no blog. Precisamos apenas da lista sem que esteja sujeita a quaisquer regra restritiva e do nome do autor de cada lista. Ficamos a aguardar e enquanto isso vamos nós próprios pensando nos livros de filosofia que mais nos entusiasmaram durante o ano que agora termina.
Enviem as vossas listas para: rolandoa@netmadeira.com

Indução e filosofia da ciência, de Stephen Law

A filosofia da ciência é uma das mais velhas subdivisões da filosofia, remontando pelo menos a Aristóteles. Está hoje em rápido crescimento, uma vez que os grandes avanços científicos do último século têm levado os filósofos a pensar mais cuidadosamente sobre a ciência. Estes filósofos poderão vir a influenciar o futuro da ciência. Ler mais...

Pós-graduação lato sensu em Filosofia

Estão abertas as inscrições para o curso de pós-gradução lato sensu em Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto. O curso oferece uma qualificação intensiva de nível superior, de caráter informativo e reflexivo, sobre os problemas, teorias e argumentos da filosofia antiga, moderna e contemporânea. Os destinatários são graduados em áreas afins e professores da rede pública e privada das áreas de Ciências, Humanas e Artes. Ultimamente temos tido uma afluência particularmente feliz de professores de filosofia do ensino médio que procuram actualizar os seus conhecimentos.

Carga horária: 360 horas. Número de vagas: 30. O curso decorre em dois meses apenas: Janeiro e Julho, em regime intensivo nos dois meses, de segunda a sexta-feira, das 08 às 12h e das 14 às 18h.

O curso decorre no centro da cidade histórica de Ouro Preto, MG, no Instituto de Filosofia, Artes e Cultura, que alberga o Departamento de Filosofia da UFOP. Mais informações...

desafio aos leitores

Esbarrei aqui numa "aporia" da tradução.

Tenho a expressão "pushingone's buttons", que explicado contextualmente, significa algo do género: quero ir ao cinema com Fulano, que não tem vontade de sair de casa. Sei que Fulano tem uma inveja danada de Sicrano e uma forte compulsão a imitar tudo o que Sicrano faz. Então digo-lhe: "Eh pá, Sicrano disse-me que foi ontem ver o filme tal-e-tal, não queres vir?"
Pronto, "premi os botões certos" para obter uma reacção psicológica (e física) que pretendo, da parte de Fulano.
À partida os candidatos óbvios em português são: "puxar os cordelinhos" ou "tocar na ferida". Mas isto não funciona porque se pode "puxar os cordelinhos" sem estar a manipular psicologicamente (por exemplo, manipulação política ou financeira, em que o manipulado está perfeitamente conscicente do que lhe fazem mas não tem alterantiva). Por outro lado "tocar na ferida" tem um significado demasiado …

Determinismo

Se o determinismo fosse verdadeiro, tal que todas as acções estivessem fixadas desde o momento inicial do universo pelas leis da natureza, estaria a moralidade posta em causa? Seria Hitler moralmente equivalente a Gandhi, na medida em que ambos foram determinados para agir como agiram? Deve esta constatação afectar a indignação que sentimos por pessoas «imorais»?

R
PETER LIPTON: É uma grande questão, mas vou contar-lhe apenas uma história familiar a aos filósofos que trabalham nesta área. Um homem é acusado e condenado por ter cometido um crime, sendo-lhe permitido fazer um pequeno discurso antes de ser decidida a sentença. Ele admite ter cometido o crime, mas alega ser não só criminoso, como também filósofo, um filósofo que está plenamente convencido da verdade do determinismo. Uma vez que tudo o que faz é determinado por causas que decorreram antes de ele próprio ter nascido, segue-se que não poderia ter feito outra coisa que não cometer o crime, o que faz com que, seguramente, não me…

A Filosoficamente oferece livros

Para assinalar o lançamento em Portugal de Introdução à Estética, de George Dickie, a Bizâncio resolveu oferecer três exemplares desta obra aos autores das três melhores respostas a esta pergunta: “O que é afinal uma obra de arte?”

Regras do passatempo: 1) o passatempo está aberto até às 00:01 do próximo dia 28, sexta-feira; o que conta é a data e hora do comentário; 2) o passatempo está aberto apenas aos residentes em Portugal, para onde o prémio será enviado gratuitamente pela Bizâncio; 3) sou eu que avalio as respostas, sem recurso, e escolho as três melhores.

A Filosoficamente é a nova aposta da Bizâncio na filosofia. A colecção publica obras de carácter introdutório e avançado sobre todas as áreas da filosofia. Inaugurada em 2007, publicou já livros de McGinn, Warburton, Pojman e Dickie.

Joelson Santos Nascimento: Epicteto, Testemunhos e Fragmentos

Mais uma vez o Grupo de Pesquisa em Filosofia Clássica e Helenística, Viva Vox (DFL/UFS), agora em parceria com o Mnemosyne (DHI/UFS), Grupo de Estudos de História Intelectual e das Idéias, traz à baila o filósofo romano Epicteto. Após a tradução do Manual de Epicteto, temos a tradução bilíngüe (em grego, latim e em português do Brasil) dos fragmentos epictetianos apresentada neste opúsculo, organizado por Aldo Dinucci, doutor em filosofia clássica pela PUC-RJ e professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Sergipe, e Alfredo Julien, doutor em História pela USP e professor adjunto do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe. Ler mais...

Fazer filosofia é fazer coisas

Frequentemente sou confrontado com uma observação que me causa algum incómodo, a de que determinada pessoa até gosta de filosofia, mas que precisa de fazer algo mais prático e, em razão disso, prefere estudar psicologia ou medicina. A perplexidade que me causa este tipo de observação é só uma: é que escolhi estudar filosofia precisamente por me considerar uma pessoa muito prática. Penso que é bom procurar definir aquilo que estamos a pensar quando nos referimos ao que é e não é prático. No sentido comum em que esta afirmação é feita, a característica de “prático” não pode ser atribuída a quase nenhum saber. Por prático entendem as pessoas, “fazer coisas”. Ora, na filosofia aquilo que fazemos é pensar como fazer coisas, por exemplo, como fazer ciência na filosofia da ciência. Claro que enquanto estamos a pensar como fazer coisas, não estamos, na verdade, a fazer coisas. Mas o que cabe aqui perguntar é se é possível fazer coisas sem antes pensar como as fazer? Claro que é, mas tem de ex…

Aires Almeida na Visão

Padres, revolucionários de esquerda e poetas lunáticos

Nunca mais me esqueço do que, há muitos anos, um colega mais velho de Matemática, entretanto reformado, me disse na sala de professores da escola onde ainda ensino. Esse colega era conhecido por assumir frequentemente uma atitude provocadora e até politicamente incorrecta, como agora se diz. Estava então eu a lamentar-me baixinho pelo facto de tantas pessoas pensarem que os filósofos são aqueles que procuram saber tudo sobre coisa nenhuma quando o colega se virou para mim e disse: «olha lá, pá, ainda não cheguei a perceber se tu és dos padres, dos revolucionários de esquerda ou dos pseudo-poetas lunáticos.» Leia mais aqui.

Um argumento de Alexandre Machado

Alexandre Machado, colega e amigo da UFBA, apresenta aqui um argumento simples e certeiro contra a ideia de que é possível defender um realismo robusto, como Quine quereria, e ao mesmo tempo defender a subdeterminação das teorias pelos factos (ou verdades observacionais, para fugir da metafísica dos misteriosos factos).

A natureza da filosofia e o seu ensino, de Desidério Murcho

Neste artigo defende-se duas idéias principais. Primeiro, que compreender a natureza aberta e especulativa da filosofia é uma condição necessária para uma compreensão fecunda do seu ensino. E segundo, que para se ter uma compreensão fecunda do ensino da filosofia é necessário distinguir cuidadosamente as competências estritamente filosóficas da informação histórica, e a leitura filosófica ativa dos textos dos filósofos da sua mera compreensão. Ler mais...

Mário Santos: Por Que Escrevo e Outros Ensaios, de George Orwell

George Orwell (1903-1950) é fundamentalmente recordado como autor de duas famosas alegorias políticas do século XX: os romances Mil Novecentos e Oitenta e Quatro e A Quinta dos Animais. Mas foi também um fértil ensaísta (acolhendo aqui esta designação os mais variegados artigos jornalísticos). Foi sobretudo um comprometido publicista (como antigamente se dizia). Essa qualidade é evidente no volume que a editora Antígona acaba de publicar. Ler mais...

Popper e a verdade

Há dias estava eu de viagem quando apanhei alguém na rádio a dizer o seguinte: «como Popper mostrou, uma teoria científica é verdadeira até se provar que é falsa». Não é primeira vez que ouço alguém atribuir isto a Popper.
Trata-se, contudo, de uma grande incompreensão daquilo que Popper defende e Popper não poderia ter afirmado uma coisa tão manifestamente falsa. É daqueles comentários que revelam falta de subtileza filosófica e que consiste em tratar uma questão epistémica como se fosse uma questão metafísica. O que Popper defende é que temos boas razões para acreditar que uma teoria é verdadeira enquanto não se provar que ela é falsa, caso o tentemos fazer seriamente. Ora, ter boas razões para acreditar que P não é o mesmo que P ser verdadeiro. Popper nunca diria que a teoria geocêntrica foi verdadeira enquanto não se provou que era falsa. A teoria geocêntrica sempre foi falsa, mesmo quando acreditávamos justificadamente que era verdadeira.

Custa entender por que razão este tipo de …

O Básico da Filosofia, de Nigel Warburton

Tive uma boa surpresa ao passar pela livraria: a José Olympio acaba de publicar no Brasil o excelente O Básico da Filosofia, a que em Portugal dei o título Elementos Básicos de Filosofia. Trata-se de uma introdução muito simplificada à filosofia, ideal para o ensino médio (Brasil) ou secundário (Portugal). Infelizmente, a tradução agora publicada vem com atraso: é a tradução da terceira edição inglesa, ao passo que já saíu entretanto uma quarta edição, que deu origem à segunda edição portuguesa.

Na badana do livro afirma-se que a mesma editora publicou o Pensar de A a Z, do mesmo autor, mas deve ser um erro, pois não encontrei o livro no site do editor, nem nas principais livrarias. Presumo todavia que será publicado em breve.

Promoção FNAC

As livrarias FNAC estão a fazer uma promoção aqui, vendendo Os Problemas da Filosofia, de Bertrand Russell, por apenas 27,30 reais (o preço normal é de 39 reais). (Agradeço a Mário Nogueira a informação.)

contra a psicofoda linguística

Hoje apresento uma proposta simples para obviar à manipulação mental tácita que se transmite através da linguagem, nem sempre conscientemente (aliás, na maioria dos casos não é consciente, creio). Hoje venho embirrar com uma palavrinha que há muito faz carreira no modo ideológico de oprimir o pensamento das pessoas, forçando-as a concordar implicitamente com coisas que elas, caso pensassem claramente no assunto e sem fantasmas na imaginação, jamais aceitariam. Essa palavrinha é a expressão "povo" e o seu plural, "povos".
Na sequência do texto do Desidério, sobre a linguagem mistificadora do "Outro", com que se transformam as pessoas em anúncios de uma etnia, credo ou instituição, venho aqui partilhar um hábito que adoptei há algum tempo: evito à força toda a palavra "povos" a menos que a omissão implique infidelidade gritante com o original. Ao invés, uso a palavra "população" e "populações". Passo a explicar.
Um "povo&quo…

Os Problemas da Filosofia, de Bertrand Russell

Está já à venda em Portugal (no Brasil está à venda desde Agosto, se não estou em erro) a minha tradução (com introdução e notas) deste saboroso livrinho de Bertrand Russell, originalmente publicado em 1912.

Agradeço ao editor das 70, Pedro Bernardo, o amável convite para fazer esta tradução, que tanto prazer me deu: traduzir um clássico de um dos maiores filósofos de sempre é um privilégio. Traduzi com muito carinho, e procurei explicar alguns aspectos mais profundos, na introdução, que está articulada com várias notas que espero sejam oportunas.

O livro de Russell permite duas leituras: como obra introdutória à filosofia e como obra de autor. É sobretudo quanto a este segundo aspecto que procurei apresentar alguns esclarecimentos.

O livro é excelente para quem quiser compreender o que é a filosofia, pois ao invés de Russell fazer listas algo anódinas das ideias dos outros, apresenta com vivacidade alguns problemas centrais da filosofia (sobretudo da teoria do conhecimento e da metafísi…

Logosfera

O Logosfera é um blog da autoria de Carlos Marques e Helena Serrão e que tem despertado a atenção, sobretudo pela quantidade de textos muito úteis ao ensino da filosofia e inéditos em língua portuguesa, traduzidos para o blog. É curioso que o panorama da blogosfera nos últimos tempos, para a filosofia, tem dado passos significativos, tirando da caverna muitos autores com qualidade.

Desobediência civil

O recurso à desobediência civil por parte dos professores é um cenário cada vez mais provável. A desobediência civil é, por definição, uma ilegalidade. Mas será que devemos obedecer a toda e qualquer lei? O Dúvida Metódica em boa altura lançou a discusssão. Vale a pena acompanhar e mostrar mais uma vez que a filosofia e os filósofos são fundamentais no esclarecimento e na discussão de problemas com consequências tão práticas como este.

Quem quiser seguir a discussão sobre como deviam os professores ser avaliados, pode ver o post de Carlos Pires, também no Dúvida Metódica.
Na imagem acima pode ver-se Bertrand Russell apelando à desobediência civil.

Sugestão

Alguns leitores passaram pela má experiência de escrever um comentário com alguma articulação que, infelizmente, acabaram por perder porque a Internet ou o servidor falhou. A minha sugestão é que os leitores escrevam as respostas num processador de texto, como o Word ou outro, fazendo depois Copiar & Colar na caixa de comentários. É mais prático também porque o Word ou outro processador de texto que seja bom tem correctores ortográficos e outras ajudas que tornam a escrita mais rápida e eficiente, o que torna o processo de comentar mais rápido. Fica a sugestão!

I Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFOP

O I Encontro Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFOP é uma iniciativa dos alunos da graduação do curso de Filosofia e conta com o apoio do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura, do Departamento de Filosofia e da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). O encontro ocorrerá entre os dias 10 e 14 de novembro de 2008 no IFAC, localizado na Rua Coronel Alves 55 Centro, Ouro Preto, Minas Gerais. O encontro reune graduandos, graduados e pós-graduandos, estimulando o debate filosófico e promovendo a interação entre universidades. O evento consiste em palestras ministradas por professores convidados, mini-cursos, debates sobre temas filosóficos e apresentações de comunicações em mesas redondas temáticas.

Calendário

Segunda-Feira, 10/11/2008

10:00 - Inscrições Finais
14:00 - Comunicações - ÉTICA 1
16:00 - Comunicações - METAFÍSICA 1
19:30 - Palestra: Necessidade, Factividade e Negação
Com o professor Desidério Murcho

Terça-Feira, 11/11/2008

10:00 - ÁGORA debates: Filosofia Analítica e Filosofia Co…

O paradoxo dos corvos

O "Paradoxo dos Corvos", um dos mais conhecidos paradoxos da Teoria da Confirmação, será o tema da primeira MLAG Lecture (Mind, Language and Action Group) a realizar-se no Estúdio de Videoconferência da Universidade do Porto. Acontece já no próximo dia 7 de Novembro de 2008, pelas 17h30, no Edifício da Reitoria, à Praça Gomes Teixeira. O conferencista convidado é António Zilhão, da Universidade de Lisboa. A conferência será transmitida online. Mais informações...

1.º Workshop Luso-Brasileiro de Filosofia Analítica

1.º Workshop Luso-Brasileiro de Filosofia Analítica Departamento de Filosofia da Universidade de Lisboa Instituto Filosófico de Pedro Hispano

Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa LanCog: Language, Mind and Cognition Group

21 de Novembro de 2008
Departamento de Filosofia da FLUL Sala Mattos Romão
09:00 -- Adriana Silva Graça, Universidade de Lisboa e LanCog, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
Os Nomes da Ficção: Solução na Pragmática ou na Semântica? Nesta apresentação, irei debruçar-me sobre qual a melhor solução para o problema
dos nomes vazios (em particular, dos nomes da ficção) não subscrevendo qualquer
forma de fregeanismo relativamente ao sentido de nomes próprios nem qualquer
versão da admissão de um terceiro reino de entidades. Irei discutir duas
alternativas viáveis, uma de índole semântica, outra de índole pragmática, ambas
as quais apelativas, analisando os seus custos e benefícios. 10:20 -- Marco Ruffino, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Componentes Proposicionai…