26 de agosto de 2008

D. H. Mellor

A filosofia [...] é lida por pessoas estranhas a ela, que não querem avaliá-la, mas antes confiar nela e usá-la, como os físicos usam a matemática. Mas não há muitas pessoas estranhas à filosofia que a queiram para fazer física; na sua maior parte, querem que a filosofia forneça uma espécie de substituto secular para a religião. Por outras palavras, querem que os seus filósofos sejam gurus. E a última coisa que os discípulos querem dos gurus é que tenham sentido de humor; o sentido de humor é contrário ao ar de autoridade que faz os gurus atrair discípulos. Assim, quando os gurus filosóficos levantam poeira ao dizerem coisas sem sentido que parecem importantes, os seus discípulos, longe de se queixarem de que não podem ver, ficam ainda mais impressionados pela obscuridade profunda da visão oferecida. Em filosofia, portanto, tal como na religião e na medicina, um público crédulo dará muitas vezes fama e fortuna aos adoradores de mistérios.

1 comentário:

  1. Hmmm... nem todos os gurus (no sentido religioso) são desprovidos de humor. Veja-se o caso do Ghandi. Apesar de todo o seu ascetismo e fleuma, de quando em vez soltava umas piadazitas. O mesmo ocorre com o actual Dalai Lama.

    Um líder religioso, um guru no sentido habitual do termo, não se opõe necessariamente ao sentido de humor. Muitas vezes, utiliza-o para melhor expor a sua crença.

    (Um pequeno aparte: isto lembra-me a discussão Guilherme de Baskerville X Jorge de Burgos em O Nome da Rosa, acerca do valor da comédia)

    Um professor ou um filósofo honestos também sabem - ou deveriam saber - utilizar o humor. Pessoalmente, os melhores professores que tive possuiam esse wit, que muitas vezes é tomado - erradamente - por cinismo, e não se furtavam a expor as suas teses de uma forma leve, descontraída e bem-humorada. Mas também há "gurus" assim, creio eu.

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