10 de Agosto de 2008

Ontologia contingente, cinema e sexo

Lacrimae Rerum é o título de uma compilação de ensaios do esloveno Slavoj Zizek, recentemente traduzidos para português. Não li o livro, mas li a propósito disso uma entrevista com o autor no Ípsilon — o suplemento das sextas-feiras do jornal Público — que me deixou razoavelmente esclarecido.

A conversa é, tal como o livro, sobre filmes — que Zizek classifica como objectos pensantes — e é conduzida por Luís Miguel Oliveira. Zizek começa por ser apresentado como um dos grandes pensadores do momento: filósofo, psicanalista lacaniano e cinéfilo.

Este pensador muito em voga revela-se um porreiraço que não se assusta com as palavras. Dá a impressão de poder falar de tudo com o mesmo à vontade do fadista que canta à desgarrada. Qual mágico das palavras, na boca dele qualquer termo ou expressão pode significar o que ele bem entender, sem qualquer necessidade de explicação. Por isso pode dizer que os filmes são objectos pensantes e outras coisas do género.

Que os filmes são objectos que dão que pensar ou que estimulam o pensamento é algo que qualquer pessoa sabe. Mas não é isso que Zizek diz. Ele diz que os filmes são coisas que pensam, que é mais ou menos o mesmo que dizer que as pedras sonham e que os cheiros têm cor. Perante uma afirmação tão improvável, seria de esperar que o entrevistador o interrogasse sobre isso. Mas não! Como qualquer oráculo, Zizek não precisa de explicar o que diz e ninguém lhe pede tal coisa.

No início da entrevista Zizek descreve assim o modo como encara os filmes:

«Em primeiro lugar, focamo-nos na noção lacaniana do Real, não o “real” da “realidade”, mas o Real como um ponto traumático ausente».

Entendido? Vejamos, o pensador em voga diz-nos que há dois reais, o real da realidade e o real ausente. Este é um ponto traumático que, por estar ausente, não está ali. Mas ali, onde? No filme, certamente. Portanto, quando vemos o filme focamo-nos no que não está no filme.

Ok, vamos interpretar isto caridosamente e vamos imaginar que os realizadores decidem fazer filmes porque têm alguma coisa para esconder. Bom, até é divertido, tentar descobrir no filme o ponto traumático que não está lá, apesar de ser naturalmente muito difícil de encontrar. No fundo é uma espécie de jogo das escondidas, em que o que se procura é o trauma que nos leva para um outro real.

Mas como é que isso se faz? Zizek exemplifica de forma magistral:

«Como é que esse Real se estrutura numa narrativa cinematográfica? Vou dar um exemplo: Short Cuts, de Robert Altman, um dos melhores filmes de Hollywood das últimas décadas. Como é que costuma ser lido? Como uma descrição das vidas desesperadas e alienadas da classe média suburbana. Isto é a narrativa. Mas se olhar com atenção para a textura do filme, vê outra coisa: umas sete ou oito linhas paralelas, uma espécie de ontologia contingente e aberta.»

Ah, afinal o Real ausente estrutura-se na narrativa cinematográfica. Portanto, não está ausente, está ali no filme. Talvez esteja ali disfarçado, pois só aparece quando olhamos para a textura do filme. Bom, mas a textura é o mesmo que a trama ou o enredo. Mas, nesse caso, continuamos no domínio da narrativa, mesmo que se descubram sete, oito ou uma dúzia de linhas, sejam elas paralelas ou perpendiculares. Ou será que Zizek usa a palavra «textura» num sentido peculiar?

Talvez queira dizer que num filme não conta só a história que está a ser contada, mas também a forma como é contada e aspectos como o uso da cor e o contraste, o tipo de planos, a montagem, o som, os ambientes criados, etc. Mas isso é uma banalidade e podia tê-lo dito de forma bem mais simples e directa, sem precisar de falar de texturas e de linhas paralelas.

Mas os oráculos são mesmo assim: enigmáticos, mesmo quando declaram banalidades.

A propósito, se as linhas fossem perpendiculares em vez de paralelas, a ontologia contingente passaria a ser fechada em vez de aberta? É uma questão que Zizek não esclarece na entrevista, o que pode comprometer a compreensão de tudo o resto. Ficamos, contudo, a saber uma coisa: quando nos dizem que Short Cuts de Robert Altman descreve as vidas desesperadas e alienadas da classe média suburbana, não ficamos a saber grande coisa acerca do filme de Altman, ao contrário do que acontece quando nos explicam que o filme revela uma espécie de ontologia contingente e aberta.

Isto é que tem interesse, pois não deve ser assim tão fácil observar espécies de ontologias contingentes e abertas. Só quem não souber o que é uma espécie de ontologia contingente e aberta é que não vai reconhecer isto, o que duvido que aconteça com o leitor destas linhas.

Claro que há outros tipos de ontologias interessantes, como as ontologias precisas, como nos revela Zizek a propósito de Hitchcock:

«Há toda uma teologia negativa em Hitchcock: Deus é mau, estúpido, ignorante. É uma ontologia precisa, que é também o que me interessa em David Lynch. O princípio de Veludo Azul: a câmara mergulha na relva e vemos a textura nojenta da superfície da realidade... agora vou parecer um velho estalinista... o que me interessa, como problema filosófico, é a estreita linha entre materialismo e idealismo. Materialismo não no sentido vulgar, mas como aceitação da contingência do mundo, emergindo daí o sentido, como em Altman.»

Mais uma vez, Zizek utiliza o vocabulário filosófico de forma criativa. Verificamos que, para ele, uma teologia negativa é uma concepção de Deus em que Deus é o diabo. Bom, é ainda pior do que o diabo, pois é suposto este ser mau, mas não propriamente estúpido e ignorante.

Verificamos também que uma ontologia precisa é o mesmo que uma teologia negativa. E um exemplo de uma ontologia precisa é uma câmara a mergulhar na relva e a mostrar a textura nojenta da realidade, como nos mostra Veludo Azul, de David Lynch. Note-se que aqui a textura já nada tem que ver com linhas paralelas; agora trata-se de algo visual.

Seja o que for, é isso que interessa a Zizek nos filmes de Lynch. E se interessa a Zizek, deve ser simplesmente interessante, pelo que deve interessar ao mundo inteiro. Caso contrário não precisava de o referir, tal como não refere se se interessa por filatelia ou se prefere antes a numismática. Tudo o que interessa ao oráculo tem interesse cósmico, como é óbvio.

E também é óbvio que a textura nojenta da realidade ilustra perfeitamente o problema filosófico que, mais uma vez, interessa Zizek, a saber, a linha estreita entre materialismo e idealismo. Mas como Zizek detesta utilizar as palavras no seu sentido filosófico vulgar, o materialismo de que fala não é outra coisa senão a aceitação da contingência do mundo. Isto torna evidente a necessidade de um bom dicionário filosófico zizekiano, caso contrário não seremos capazes de usufruir completamente dos filmes de Altman.

Aliás, esta aversão de Zizek ao sentido comum do vocabulário filosófico não é gratuita. Zizek detesta também escrever sobre o que os outros escrevem. Isso parece diminuí-lo como pensador e como artista das ideias. Ele quer falar do que lhe interessa e não do que interessa aos outros. Envergonha-se mesmo de escrever sobre o que interessa a muita gente, como confessa:

«Toda a gente fala de Hitchcock, já quase tenho vergonha de escrever sobre ele...»

E não se pense que é por snobeira. Ele não vai à bola com os snobes, que também não compreendem nada:

«Alguns artistas contemporâneos um bocado snobs dizem: “Está bem, Hitchcock é isto tudo e tal e tal, mas se era assim tão bom porque é que não fez directamente objectos de arte? Porque é que se camuflou por baixo de simples histórias de crime?” A minha ideia é que o tipo de tensão dos filmes de Hitchcock só funciona se ficar ao fundo da superfície. Se ele dissesse “vou-me livrar da história dos detectives e fazer arte”, perdia-se tudo.»

É curioso que, para Zizek, os snobes que se referem assim aos filmes de Hitchcock são artistas e não críticos de cinema. Não admira que não percebam grande coisa, pois são macacos em galho alheio.

O que, contudo, deixa uma mente linear como a minha intrigada é Zizek dizer que afinal sem a narrativa se perde também o Real ausente. Mas se ele é ausente, como pode perder-se? Ok, talvez Zizek queira dizer que, sem as histórias de detectives, Hitchcock não teria feito os filmes que fez. E se não tivesse filmado histórias de detectives, não poderíamos saber como os filmou, montou, como usou a cor, os sons, etc. Nisso concordo sem reservas com Zizek: se Hitchcock se tivesse livrado de fazer filmes, Hitchcock não teria feito filmes. Zizek é genial!

Quem não gostaria de ser amigo de alguém tão genial como Zizek?

Na verdade, até parece não ser assim tão difícil. Basta dizer, como o entrevistador, que Lubitsch é um grande realizador e que os seus filmes ilustram tudo aquilo que Zizek diz, para se abrirem as portas do mundo pessoal de Zizek:

«Ah, agora tenho a certeza que podemos ser amigos [ri-se e estende a mão]. Lubitsch é sagrado.»

Isto parece confirmar que nada pode unir mais as pessoas do que a crença nos mesmos deuses. Sobretudo se essas pessoas estiverem prontas a adorá-los sem reservas. Quem disse que em filosofia nada é sagrado e que tudo merece ser criticamente avaliado? Disparate! Talvez haja muitos filósofos a dizer tal coisa, mas os filósofos não percebem grande coisa de filosofia.

Olhem mas é para os filmes, que está lá a filosofia toda. Olhem, por exemplo, para os filmes mexicanos de Buñuel:

«Mas conheço mal os filmes mexicanos. Mas Lacan dizia que eram os filmes definitivos sobre o ciúme.»

E Zizek termina esclarecendo tudo isto de forma definitiva:

«Oh meu Deus, tenho que ver esse filme. No fundo nada me interessa mais do que o sexo.»

Pelos vistos, Zizek está sempre a interessar-se por muitas coisas. Mas serão essas coisas filosófica ou intrinsecamente interessantes?

Bah, qual a relevância disso? O que é relevante é que Zizek se interesse por elas.
Seja como for, a última afirmação do pensador oferece-nos a chave para a compreensão do pensamento filosófico zizekiano.

Vejamos.

Disse no início da entrevista que o que mais o interessa como problema filosófico é a estreita linha entre o materialismo e o idealismo. E agora termina declarando que no fundo nada mais o interessa do que o sexo. Portanto, o problema da linha entre o materialismo e o idealismo é um problema sexual.

E depois há quem pense que os Gato Fedorento são criadores geniais de humor. São o tanas! Eles passam é o tempo todo a copiar. O que vale é que os Zizekes são uns tipos porreiros e descontraídos, caso contrário os gatos ainda apanhavam com um processo em cima.

14 comentários:

  1. Descobri que não estou sozinho!!! Sempre vi nos textos de Zizek autênticos guiões de humor, agradeço ao Aires Almeida a confirmação, através da desmontagem de vários argumentos (??!!), dessa minha percepção!

    :)

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  2. Aires,

    Obrigado por me alegrares a manhã, e eu que já estava aqui todo taciturno...

    É preciso desmascarar estes peidos impensantes, e os seus "objectos pensantes". Agora só te falta esperar as críticas dos devotos, que invariavelmente serão assim: "não, você não está a compreender MESMO o que o nosso oráculo quis REALMENTE (traumaticamente) dizer." Nunca é possível dizer aquilo que eles querem que se diga, pois aquilo que se pretende é inominável, e só é inominável porque é inaceitável chamá-lo pelo nome: as pessoas querem ser profundas à viva força e querem que os outros as vejam de certo modo, sejamos nós um oráculo a dar aulas em Ljubljana e a escrever sobre Deleuze, Foucault e Fistfucking, quer sejamos um menino prodígio numa universidade tuga, a fingir que é um intelectual parisiense envolvo em fumos existenciais de cânhamo e pretensiosismo.

    Abraço

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  3. Caro Aires,
    Em tempos, levado pela euforia da moda, comprei dois volumes de Zizeck. Não acabei nenhum deles, mais ou menos pela razão que apontas neste teu texto: é que, na 5ª página, já não sabes bem do que está a falar. Mas há um aspecto na obra do autor que deve explicar o seu sucesso: experimenta ler uma ou duas páginas e vê como é sedutora a forma como escreve!!! Filosoficamente é um autor desinteressante.
    Abraço

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  4. Pois é Rolando, eu li um texto dele sobre a filosofia no séc XX, de vinte e poucas páginas, no qual ele só ficava falando de um relógio!! Isso é que é cara sedutor - acho que é a pior coisa que já li, ao ponto de colocá-lo ao lado de Deleuze e Derrida.

    Essa questão da figura do intelectual profundo, adorador de cinema e fã de psicanálise é muito comum nos meios acadêmicos brasileiros, principalmente na filosofia. Lembro-me de ter colocado em um mural da universidade um texto seu Rolando, muito engraçado "A relação entre a filosofia e o bom gosto" http://rolandoa.blogs.sapo.pt/51069.html

    Coloquei o cartaz às 10 da manhã, quando olhei de novo, às 14:00, já tinham arrancado. : )

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  5. Agora um problema sério nessa gozação toda: a convivência acadêmica. De um lado temos um grupo de "filósofos" continentais que adoram repetir gente como Derrida e Zizeck, não sabem o que é um argumento válido e não tem um pingo de rigor com suas crenças. De outro lado temos filosofia bem feita com elevado padrão de rigor em que a avaliação crítica é tudo o que importa. Isso gera conflitos, sei de alguns casos no Brasil em que departamentos de filosofia ficaram rachados por causa disso. Em alguns casos, os "filósofos" continentais, aproveitam-se do fato de que são maioria e tentam acabar com a fil. analítica. O que vamos fazer a respeito? Mesmo que não critiquemos abertamente esses absurdos, como o Aires fez de modo admirável, eles ainda ficam irritados com a boa filosofia, pois esta não respeita guru nenhum, questiona grandes filósofos, etc. É claro que este é um problema de países atrasados filosoficamente, como é o caso de Brasil e Portugal. O que fazemos então?

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  6. mostramos ao público o que a filosofia é. Divulgamos, discutimos, traduzimos, e pelo caminho vamos expondo os ridículos, os zizecos, e todos os dantas que há por aí...

    morra o dantas morra, pim!

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  7. Caro Matheus,
    Obrigado pela referência ao meu texto. O que temos a fazer é:
    1) pensar e filosofar;
    2) divulgar a filosofia
    Eu situo-me mais pela segunda tarefa. Pela minha experiência as pessoas gostam de aprender filosofia com rigor. O problema são as deformações existentes. O importante é ir trabalhando.
    abraço

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  8. Entendo Rolando

    normalmente eu nem me preocupo com isso: falo o que penso e critico o que me parece embuste. Estou pensando mais sobre essa questão do convívio com essa pseudofilosofia toda porque estou procurando emprego e tenho visto muita desonestidade e injustiça nas seleções de professores, seja nas escolas do ensino médio, seja no ensino superior. Parece que não tem jeito mesmo, temos que continuar trabalhando.

    abraço

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  9. Vitor Guerreiro disse:

    "morra o dantas morra, pim!"

    hehehe : )

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  10. Matheus,
    Pensava que no Brasil, tal como em Portugal, os professores tem de fazer um concurso público para o qual conta a média de curso e o tempo de serviço.
    Boa sorte e abraço

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  11. Obrigado pelos vossos comentários,

    Caro Peter of Pan,

    Às vezes fico a pensar se não será humor negro, dado o impacto que aquelas inanidades estão a ter entre nós.

    Caro Vítor,

    Não tentei fazer humor no meu texto. A sério. O problema é que não consegui falar daquilo de outra maneira, pois trata-se de algo sem ponta por onde se lhe pegar. Nem sequer se pode dizer que o Zizek diz falsidades. Para se dizer isso, teríamos de saber o que ele está a dizer e o truque de tipos como o Zizek é embrulhar tudo e mais alguma coisa de forma completamente vaga e imprecisa, de modo que se torne impossível mostrar que aquilo é falso. Assim, fica sempre infantilmente protegido da discussão aberta e racional.

    Caro Rolando,

    Já experimentei ler Zizek, claro. Até por mera curiosidade (o tempo que habitualmente passo na Fnac gasto-o a ler estes cromos). Mas posso dizer-te que aquela treta não consegue estimular um único dos meus neurónios, pelo que deve ser óptimo para as insónias, coisa de que não padeço. Acho tudo francamente desinteressante: o estilo, o tom, o conteúdo, as referências. E não me venham dizer que para avaliar aquilo é preciso primeiro ler bastante para entrar no seu universo. Também não é preciso beber o vinho todo de uma pipa para saber se o vinho é bom ou mau, como bem observava o Oscar Wilde.

    Caro Matheus,

    Esse tal intelectual que refere também existe muito em Portugal. Só talvez a psicanálise já tenha passado um bocado de moda por cá. No fundo não se trata bem de intelectuais (na verdade, temos muita falta de verdadeiros intelectuais, mas produzi-los dá muito trabalho). São antes pessoas que gostam de passar por intelectuais e que pensam que um intelectual é uma pessoa que fala de tudo com muito à vontade porque tem muitas frases decoradas e nomes na cabeça. Esse falso intelectual fica em pânico só de pensar que o podem tomar por inculto. Por isso precisa de entupir a cabeça com todos os nomes de autores, cineastas, artistas, etc. que lhes dizem ser importantes. Trata-se de esponjas que absorvem tudo isso sem depois saber o que fazer com o entulho que acumularam e que lhes atrofia as ideias. Não há da parte deles estudo paciente e minucioso, pois isso dá trabalho e não serve para dar espectáculo.

    A propósito, esses intelectuais começam a formar-se nas nossas faculdades de letras e, mal lá entram, infantilmente começam logo a imaginar-se como grandes cabeças prontas a debitar os maiores disparates. Recordo-me de, há já muitos anos, ter colegas no curso de filosofia que diziam as maiores barbaridades e ficavam incrédulos como eu não conseguia atingir aquilo. Mas depois íamos para as aulas de lógica e não conseguiam fazer uma simples derivação, a ponto de pedirem ajuda. Não acha fantástico?

    Abraços

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  12. Caro Aires, que belo texto! Estou em crer que as razões que o moveram a escrevê-lo não são para rir, mas não pude conter as gargalhadas. :)))

    Devo confessar que andava a algum tempo a pensar que andava com problemas de compreensão por ser incapaz de ler o "Bem vindo ao deserto do real" do autor esloveno. Após a leitura deste texto, pude, finalmente, respirar de alívio.

    Um abraço

    P.S. Parabéns aos autores do blogue!

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  13. Caro Rolando

    os professores das escolas particulares não são selecionados por concurso, só por indicação.


    os professores do ensino superior deveriam, idealmente, serem selecionados por concurso, mas aí entra muita desonistade na maioria dos casos - o concurso é fachada.


    os professores do ensino público são selecionados por concurso, ou, são efetivados depois d X horas aula. O correto é que somente professores com licenciatura em filosofia dessem essas aulas, mas como muitas vezes os concursos não abrem, gente incopetente toma a vaga por um tempo e depois fica com a vaga. Na minha cidade, por exep., estão repleta de ex-seminaristas que fizeram uma semi-pseudo-quase nehuma-filosofia no seminário, não têm licenciatura nenhuma, mas dão aulas normalmente. Depois arrumam um "comprovante" de licenciatura a médio prazo (em alguns meses) e pegam a vaga - depois de um tempo são efetivados. Olhe que só estou falando daqueles que têm alguma relação com filosofia, nem estou mencionando aqueles que tem formação em história, geografia ou outro curso qualquer que assumem essas vagas tb (arranjam o "comprovante"). Resultado: tenho que ficar atento quando surge concurso, se bem que não sei se aqui ainda tem alguma vaga, ou ficar atento com as chamadas: as vezes alguns desses professores não vão dar aulas, posso substitui-los nesse curto período de tempo. Isso foi o que aprendi em um mês de tentativas por aqui.

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  14. Caro professor Aires de Almeida,

    Parabéns pelo divertidíssimo texto. Ri muito com as texturas, linhas paralelas, ontologias abertas contingentes e precisas, com o não-filme hitchcockiano...

    Este autor produz a sensação que está a falar sobre coisas profundas. Ele mesmo fala o tempo todo, e o senhor assinala isso no seu comentário, que quer ir além de meras opiniões que se tornaram comuns acerca de determinada obra, ou filme, ou questão. Mas será que está indo mesmo além ou só produzindo ficções? Como neste vídeo no youtube onde ele diz que não quer nem a pílula azul, nem a vermelha, do filme Matrix, não quer ver a realidade por detrás da ilusão, mas ver "a realidade na ilusão em si mesma". Para explicar isso ele usa seus famosos exemplos. No caso é o filme The Birds, de A. Hitchcock.

    Clip from The Pervert's Guide To Cinema: Part 1
    http://www.youtube.com/watch?v=8sFqfbrsZbw

    Uma nova epistemologia que se desenvolve bem abaixo dos olhos e narizes de todos.

    Daniel

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