22 de agosto de 2008

Subjectividades

Recordo uma conversa muito informal entre um aluno e um professor de filosofia na qual o aluno coloca a questão:
- Acha que a tese CVJ é ainda uma tese insuperável na filosofia do conhecimento?
Ao que o professor responde:
- A minha formação não se inscreve na tradição analítica.
Esta resposta, a ser levada a sério, pode sugerir que existem filosofias ao gosto de cada um. Escolhe-se a filosofia que mais convém e parte-se para a sua investigação. A realidade é que se torna difícil expressar de um modo claro o que é a filosofia e qual o seu objecto de estudo. Mas a resposta a esta questão, o que é a filosofia?, só não é mais clara porque, tal como todo o problema filosófico, não é passível de demonstração empírica. Em regra parece ser esta particularidade que define a filosofia que faz confusão às pessoas. Acontece que os filósofos devem estar habituados a essa circunstância e não se devem mostrar afectados por ela, pois a prova empírica nem sempre constitui uma vantagem em termos de estudo. Na filosofia não apresenta mesmo qualquer vantagem. E esta circunstância não devia dar a liberdade de pensar que a filosofia é o que nos aprouver segundo o plano de estudos que elegemos, mas a verdade é que é esta circunstância que abre espaço a todo o tipo de respostas malabaristas. Ainda que o problema seja difícil de analisar, independentemente de qualquer filiação a tese da CVJ aparece na obra de Platão, teeteto e não temos qualquer razão para pensar que não está lá.

5 comentários:

  1. Desculpem-me, mas não compreendo esta definição de CVJ. Não entendo o que significa conhecimento como crença, primeiramente. Que crença é essa? Crença é todo tipo de preposição afirmativa? Todo saber que? Sei que não existem bruxas, mas que há, há. O que esse exemplo mostra? Que apesar de existir o conhecimento é preciso que alguém que conheça acredite nisso que conhece? Não são dois sentidos de crença distintos? 1) Crença como qualquer tipo de afirmação, exemplo, creio que Aristóteles era grego. 2) Crer naquilo que se conhece, acreditar na efetividade do conhecimento empírico.

    Depois também não entendo a definição de verdade presente nessa definição. Que verdade é essa? Não sei qual é o correspondente em português do Brasil para factivo. Queria saber quando alguém diz que não se pode conhecer que o céu é verde o que essa pessoa está querendo dizer sobre a verdade? Que a verdade é o quê? A verdade é como as coisas são no mundo, se as coisas não são, então não há verdade? Uma posição, será que posso dizer assim, realista simples acerca da verdade? Não entendo também o que significa dizer quando se fala que Joãozinho que descobriu a raiz de quatro no chute, por acaso, na verdade não sabia quanto era a raiz de quatro. Mas não sabia porque não tinha uma justificação correta? E sobre a verdade, sua crença era verdadeira? Como devemos entender a noção de crença verdadeira seja nesse exemplo, seja no exemplo do apostador da mega-sena?

    Por fim, a noção de justificação. O que é justificação? Como se justifica? Como é possível dizer que Ptolomeu mesmo não dispondo dos métodos contemporâneos de experimentação apresentou justificativas errôneas para sua tese sobre a imobilidade da Terra? Afinal, apresentou justificativas errôneas ou falou inverdades? Como distingüir uma da outra?

    Não entendo qual é a relevância dessa definição de conhecimento. Parece algo tão bobo que não explica coisa alguma. Algo tão vago e sem grande força para ajudar a se entender melhor o conhecimento.

    Obrigado.

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  2. As suas interrogações são evidentemente demasiadas para poderem ser respondidas numa caixa de diálogos. Aconselho as seguintes leituras:

    -- Dicionário Houaiss, onde encontra a definição de "factivo" (com c, sim: apesar de se escrever "fato", no Brasil, escreve-se à mesma "factivo"), e a diferença entre "preposição" e "proposição"

    -- Dicionário Escolar de Filosofia online, de acesso gratuito.

    Num post responderei a algumas das suas perguntas.

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  3. Rolando, você diz que "[e]m regra parece ser esta particularidade [isto é, o fato de os problemas filosóficos não serem passíveis de demonstração empírica] que define a filosofia". Como você situa então a lógica e a matemática e as outras ciências parcialmente formais, como a físico-matemática? Se você estivesse certo, então as pessoas deveriam ter dificuldades também com essas disciplinas.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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