25 de setembro de 2008

Kurt Baier

As explicações teleológicas não são, seja em que sentido for, acientíficas. São correctamente rejeitadas nas ciências da natureza mas não, contudo, por serem acientíficas, mas porque nenhumas inteligências ou propósitos se encontram envolvidos nesses domínios. Por outro lado, as explicações teleológicas têm pleno lugar na psicologia, pois encontramos inteligência e propósito envolvidos em grande parte do comportamento humano. Não só não é acientífico dar explicações teleológicas de comportamento humano deliberado, como seria perfeitamente acientífico excluí-las.

6 comentários:

  1. Quem é o Kurt Baier? Parece ser um guru filosófico, uma espécie de sacerdote cheio de máximas.

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  2. Parente:

    Se você pegar num texto de qualquer pessoa, filósofo ou não, e citar excertos, afirmações, separadas da argumentação, todas elas, invariavelmente, lhe parecerão aforísticas porque um aforismo é isso mesmo: uma afirmação com premissas ocultas. Daí que a expressão "pensamento místico" seja uma treta: no fundo são apenas afirmações sem premissas. Claro que podem ser verdadeiras: podemos reconstruir as melhores premissas possíveis para sustentar essa conclusão... ou não.

    Claro que não podemos exigir às pessoas que pressuponham a argumentação do autor. Mas também não podemos citar um livro inteiro. Então o que podemos fazer? Citar estas afirmações em jeito de estímulo, para que as pessoas comecem autonomamente a procurar premissas que sustentem ou refutem a conclusão. Estas poderão ser piores ou melhores do que as premissas que eventualmente o autor descreve no livro. Mas não importa. Porque a filosofia é esta actividade de procurar as premissas. Não é o facto de se ter a conclusão na mão nem é um saber que se absorve de outra fonte. É uma actividade, portanto, faz-se, não se "sorve".

    Agora tente ver objectivamente o seu comentário como se fosse eu a tê-lo escrito. Não é informativo, nem útil. É uma mera boca. Qualquer coisa pode "parecer" isto ou aquilo. Só faz sentido pensar desta maneira se você está interessado em fazer o mesmo que os políticos fazem ao discutir: impressionar a mente de quem os ouve e predispo-los para um preconceito acerca de x (positivo ou negativo). Filosofar é rasgar este véu de merdosa sofística entre nós e as coisas.

    Não entenda esta observação como hostil. Somos todos falíveis e as nossas convicções podem estar erradas. Acho que podemos beneficiar com todas as opiniões e todos os autores, independentemente de eles terem crenças (afirmações separadas das premissas) contrárias às nossas. Ouvi-los e procurar premissas autonomamente é como ser vacinado, talvez, torna-nos mais fortes.

    Seja ou não verdade que Kurt Baier "is full of shit" (só tretas) em que nos ajuda isso? Imaginemos que é mentira... ficamos na mesma. Imaginemos que é verdade... ficamos na mesma. Porque o maior idiota do mundo podia ainda assim ter tropeçado numa afirmação verdadeira, mesmo que a sustente com premissas inadequadas. Continuamos a ter de fazer uma de duas coisas:

    a) pensar e reconstruir as premissas

    b) disparatar e barafustar

    Os argumentos ad hominem só têm um problema: subsumem-se em b) e não servem para coisa alguma. Ficamos todos na mesma. Uma afirmação sem premissas ainda nos pode fazer pensar. "João é totó" não nos faz pensar seja no que for.

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  3. Vitor Guerreiro

    O meu comentário não era informativo nem procurava ser útil. Era genuinamente interrogativo. Quando fiz a pergunta não fazia nenhuma ideia sobre Kurt Baier. Tenho-o visto abundentemente citado e isso despertou-me a curiosidade.

    Lembrei-me depois da wikipedia e dei uma espreitadela. Pelo menos fiquei com uma pequena ideia da biografia.

    Não tenho opinião sobre Kurt Baier e não formo opiniões preconceituosas sobre o que não conheço. Utilizei apenas a ironia, fiz uma pequena graçola, uma brincadeira inocente.

    Vou acelerar as minhas leituras para abrir o meu site filosófico amador. Estou mais confiante, tenho lido tantas barbaridades em blogue que escrevem sobre economia e finanças (a minha especialidade) que não me parece vir mal nenhum ao mundo se eu escrever umas tontices sobre filosofia.

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  4. Seguramente. Tontices todos dizemos constantemente, a nossa falibilidade dá-nos o direito ao disparate.
    Mas agora pense no bem que vem ao mundo quando procuramos fazer o contrário. Se já há tantos tontos por aí, para quê deitar mais achas à fogueira? Kurt Baier, como todos nós, como os meus antigos professores, como os autores que deixei de ler e aqueles de quem passei a gostar e como toda a gente, são humanos, portanto, para usar aqui o mote do Desidério, umas valentes bestas que por cada ideia decente que temos debitamos uns vinte disparates.
    Tirado isto do sistema, ficamos com duas coisas: o direito ao erro e o dever de evitar as tontices quando já as reconhecemos bem.

    Pense num exemplo musical. Virá mal ao mundo por causa de mais um disco pimba? Não. Mas já há tanto pimba por aí que sempre que um de nós faz o exacto oposto do pimba é um alívio e uma lufada de ar fresco.

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  5. Eu sou dotado de um bom senso, Vitor. Escrever ajuda-me a clarificar as ideias e a exposição mais ou menos pública é motivo suficiente para sermos cuidadosos como o que escrevemos. Na caixa de comentários é mais ao correr do teclado...

    Vai ver que como amador não envergonharei os filósofos profissionais que andam na blogosfera.

    Esta noite não posso porque tenho uma reunião na paróquia mas no fim-de-semana começo.

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  6. Desidério,

    a não ser que se considere a biologia como uma ciência não natural, temos aí um exemplo de uma ciência natural que não existiria sem a noção de teleologia.

    É claro que a físico-química não precisa da noção de teleologia — afinal, não parece haver finalidade alguma naquilo que não tem vida.

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