16 de setembro de 2008

Lógica para filosofar


Theodore Sider vai publicar um original livro de introdução à lógica, especificamente pensado para estudantes de filosofia e disponibiliza as primeiras provas em PDF aqui (via Pedro Galvão).

A ideia é excelente. Muitas vezes se esquece que as necessidades que um estudante ou filósofo tem, no que respeita à lógica, diferem muitíssimo das necessidades de alguém que está interessado na lógica em si, ou na sua aplicação à computação ou ao que quer que seja. Sider explica assim a sua intenção:
This book is an elementary introduction to the logic that students of contemporary philosophy ought to know. It covers i) basic approaches to logic, including proof theory and especially model theory, ii) extensions of standard logic (such as modal logic) that are important in philosophy, and iii) some elementary philosophy of logic. It prepares students to read the logically sophisticated articles in today’s philosophy journals, and helps them resist bullying by symbolmongerers. In short, it teaches the logic necessary for being a contemporary philosopher.
Quando escolhi publicar o livro de Newton-Smith em Portugal, entre tantos outros que havia na altura, foi precisamente por 1) ser um livro escrito por um filósofo, 2) abordar conteúdos particularmente importantes para estudantes de filosofia e filósofos, que outros livros não incluíam, e 3) não ter o defeito de ser formalista, isto é, de perder o contacto com a argumentação filosófica. O livro de Sider promete ser uma escolha certeira para leccionar a lógica. Darei mais tarde notícias.

3 comentários:

  1. Repare-se na deliciosa expressão do Sider:

    "help them resist bullying by symbolmongerers"

    Onde é que temos por cá esta liberdade linguística, esta leveza de espírito? Se eu fizesse algo semelhante caía-me logo os revisores, o carmo e a trindade e a guarda nacional republicana em cima, a imporem-me antes a cópia morfológica de alguma doutorice tola, anglicismo ou galicismo fossilizado.

    Isto remete para a situação dos prefixos genuínos. O que o Sider ali faz é um exemplo da mesma liberdade que eles mostram no uso dos prefixos genuínos, por contraste connosco, palermas e idiotas, que preferimos tentar copiar marrecamente o "non" com "não-" em vez de fazer em português exactamente o que eles fazem em inglês: ser livres porra, matar o cabrão do espectro do velho botas de uma vez por todas.

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  2. Excelente ideia. Muito obrigado por partilhar o link. Irei fazer o download, sem dúvida, até porque o meu livro do Kahane (Logic & Philosophy) já está velhinho...

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  3. Eu sei que é um rascunho, mas é um rascunho tão bem acabado... que é difícil pensar que não seja o livro já pronto — e podemos baixá-lo de graça... das mãos do próprio autor. Este tipo de coisa juro que não entendo.

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