O Prémio Schock de Lógica e Filosofia de 2008, da Real Academia Sueca das Ciências, foi este ano atribuído a Thomas Nagel. O prémio cita "a sua investigação sistemática da tensão entre as perspectivas subjectivas e objectivas da realidade e de como esta tensão levanta problemas filosóficos fundamentais". Os outros laureados deste prémio foram W.V. Quine, Michael Dummett, Dana S. Scott, John Rawls, Saul Kripke, Solomon Feferman e Jaakko Hintikka.Um colóquio para discutir algumas das suas ideias terá lugar no dia 21 de Outubro, em Estocolmo, com a presença de John Broome e Thomas Scanlon, além de Nagel.
Sempre apreciei o modo como Nagel faz filosofia. Com rigor e cuidadosamente informado, mas sem ceder ao tecnicismo estéril; abrangente mas sem se perder em mistificações linguísticas. O seu livro de introdução à filosofia, publicado em Portugal com o título Que Quer Dizer Tudo Isto? (Gradiva) e no Brasil com o título Introdução à Filosofia (What Does it All Mean? no original) é das mais bem conseguidas introduções socráticas à filosofia: um livro que nos obriga a pensar e nos transmite a experiência de fazer filosofia, ao invés de nos apresentar resumos das ideias dos outros. A mais devastadora crítica que alguma vez li a Rorty foi feita por Nagel numa recensão de um dos seus livros, afirmando que só alguém que nunca sentiu na carne a realidade e urgência dos problemas da filosofia pode pensar que estes não passam de "narrativas" inventadas pelos filósofos. Nem mais.
Boa notícia!
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