Aquando do encerramento do curso de Filosofia de Évora, o tema foi discutido no
Café Filosófico de Évora. Talvez o comentário mais significativo tenha sido
este, de um ex-aluno do curso, Edgar Cavaco. Muitos de nós fizemos cursos de Filosofia noutras universidades do país, mas a memória que nos ficou não difere em muito do que Edgar relata.
Foi uma longa discussão de facto, daquelas em que vinhamos a toda a hora e ja tinhamos 20 novos comentarios, maravilhas da internet, penso que todos os autores de comentarios estao de parabens apenas pela participaçao que mesmo assim nao chegou a muita gente. Os profissionais de filosofia continuam mesmo assim muito alheados, sem se preocupar com a sua profissao.
ResponderEliminarps- foi bom chegar ao blog da critica para saber que ha novos comentarios relativos a este tema, la vamos passar os 200 comentarios...
Não sei porquê o título de "opinião polémica"... polémico seria dizer o contrário do que ali é dito e que, como já muitos afirmaram, não é exclusivo de Évora.
ResponderEliminarPeter,
ResponderEliminarEssa é a razão que torna a opinião polémica. É que ninguém, como o Edgar, o assume. Prova disso é a leitura dos comentários dessa discussão em que os próprios alunos do curso teimam em não admitir a verdade.
Impressionante como a picaretagem no ensino de filosofia é a mesma em toda parte. Muitas das críticas que o Edgar(ex-aluno de Evora), Rolando, Vitor e uma série de outros formados em filosofia de Portugal fazem se aplica também ao ensino de filosofia aqui no Brasil: principalmente a puxação de saco dos professores, o salto-alto destes e a arbitrariedade na escolha do conteúdo das disciplinas. Parece que a arrogância dos filosófos picaretas é uma lei da natureza. Já enviei e-mails pra professores de universidades conhecidas aqui no Brasil e não recebi nenhuma resposta. Curiosamente, também enviei um e-mail para John Searle (um dos filósofos contemporâneos mais influentes) e ele respondeu gentilmente no dia seguinte. O provincianismo acadêmico é terrível e as universidades brasileiras estão entupidas disso: repletas de professores que não fazem nenhum trabalho filosófico reconhecido internacionalmente, mas que se acham semi-deuses. O curioso é que quanto mais renomada a universidade é, piores são os professores. Não que os professores picaretas das universidades menos conhecidas sejam melhores, mas pelo menos eles não têm um elemento a mais para satisfazerem seus egos: ser o professor da Universidade tal, como se isso significasse alguma coisa dado o baixo nível dos cursos de graduação pelo país afora.
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ResponderEliminarUma coisa é certa: como ex-aluna do curso de Filosofia de Évora não vi a preocupação dos nossos professores, nem dos nosso colegas mais velhos pelas nossas saídas profissionais, pela nossa vida e pelo exercício prático da filosofia. De fActo só quando já estávamos bastante avançados em termos de plano de estudos é que percebemos que o nosso curso nem sequer serviria para leccionar.
ResponderEliminarAliás nas saídas profissionais que constavam no panfleto universitário do curso, qual slogan, afirmava-se que o ensino era uma das saídas profissionais, mas obliterava-se que essa era uma formação que deveria ser feita extra-curso. Desculpem, mas isto é publicidade enganosa.
Ora sendo assim, bem vistas as coisas, a licenciatura em filosofia teria também como saída profissional a montagem de sistemas eléctricos em habitações: basta para isso depois da conclusão do curso, inscrever-se e concluir com sucesso uma licenciatura em engenharia electrotécnica. POrque é que não apareceu esta saída profissional nesse panfleto e no próprio site da u.e.?
Será o curso de filosofia um mero produto sujeito às leis de marketing?
Em algumas universidades a componente pedagógica e profissional está já integrada na licenciatura o que permite aos estudantes de filosofia ficarem aptos para agir no mundo real e para sobreviverem.
Não é escandaloso que não haja nas universidades portuguesas e na comunidade académica a preocupação com o futuro dos supostos investigadores? Que filosofia é esta? A mim sempre me disseram que a investigação era um caminho promissor. Promissor na medida em que aquilo que fizémos durante o curso foi pagar a factura de um sistema universitário obsoleto! Bem vemos o país que temos. Não há mercado para investigadores científicos em filosofia. As universidades portuguesas continuam a enganar os seus financiadores - os alunos.
Os alunos não devem servir apenas para financiar honrarias e postos de trabalho de uma aristocracia em decadência, porque aquilo que se conseguirá num futuro muito próximo é a miséria de parte a parte.
Muitas vezes preocupo-me com os meu antigos colegas. Que será feito deles? O que fizeram os intelectuais universitários connosco? No final do curso abandonaram-nos à nossa sorte. Não houve a preocupação da utilidade em termos sociais, culturais. Não houve no nosso curso atitudes empreendedoras para dinamizar a importância da filosofia (de uma outra filosofia)na ajuda à comunidade. Para que serve então esta filosofia académica? Para realização pessoal? Bem se for para isso já é bom, mas não chega. Não precisaríamos de nenhum atestado oficial que exibisse o nosso grau. Ficaríamos sós, nós e o nosso regozijo. E então até poderíamos ser mais felizes e realizados com uma licenciatura em pesca desportiva e uma pós-graduação em golf (atenção esta pós-graduação existe mesmo)!
Cumprimentos,
Sílvia Ferreira