3 de novembro de 2008

Filosofia e literatura


Tenho a sorte de ter feito a minha profissonalização como professor de filosofia na Universidade Aberta. A avaliar pelo que vários colegas me garantiram, fui muito provavelmente poupado a tarefas pedagógica e filosoficamente tão excitantes como elaborar tabelas com planificações minuciosas de aulas, conceber muitas transparências coloridas, colar cartolinas nas paredes para dinamizar a escola e sobretudo dar um ar de grande azáfama pedagógica.

Assim, tinha umas quantas aulas através da TV - que, tal como fiz no meu longínquo ano propedêutico, nunca vi - e um exame final em cada disciplina. A minha nota mais baixa foi em Didáctica da Filosofia. Havia uma espécie de manual com muitos textos em que se destacavam os nomes de Lyotard e Cerqueira Gonçalves. Lyotard defendia basicamente que a reflexão filosófica é essencialmente um exercício solitário de recolhimento. Cerqueira Gonçalves defendia não haver uma distinção essencial entre o texto literário e o texto filosófico, sendo didacticamente desejável recorrer ao texto literário nas aulas de filosofia. Pareciam-me ser estes os temas centrais do programa de Didáctica da Filosofia.

Uma das perguntas mais cotadas da prova de exame era precisamente sobre a importância didáctica do uso de textos literários nas aulas de filosofia. A minha resposta foi que era completamente irrelevante que o texto fosse literário ou não; o que interessava era simplesmente se o texto era filosófico e se, além disso, era claro e adequado ao nível dos alunos.

Há uma coisa que me parece verdadeiramente intrigante entre tantos professores e estudantes de filosofia, que é ler, por um lado, os filósofos do ponto de vista literário e, por outro lado, ler os romancistas e poetas do ponto de vista filosófico. Será isto razoável? Não será muitíssimo mais fácil, plausível e eficaz aprender filosofia com os filósofos e literatura com os poetas e romancistas? Não será mais razoável aprender música com os músicos profissionais do que com os cineastas e mais fácil aprender cinema com os cineastas do que com os músicos?

Será que aqueles que substituem os filósofos pelos poetas e romancistas se interessam realmente por filosofia? E, já agora, será que aqueles que substituem os poetas e romancistas pelos filósofos se interessam realmente por literatura? O que acham?

29 comentários:

  1. Ó Aires,
    Isso chama-se fugir com o rabo à seringa, isso de ler a filosofia como se fosse texto literário e a literatura como se de filosofia se tratasse. No meu curso lia-se Heinrich Von Kleist, Goethe, Peter Handke e uma enorme quantidade de padres filósofos. Mas ainda há quem ache que contestar isto é ideologia..

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  2. Hmmm, não sei se concordo completamente. Não vejo mal nenhum em que se leiam filósofos do ponto de vista literário (afinal, alguns deles eram excelentes escritores: Platão, Descartes, Nietzsche - não falo sequer dos analíticos, tão desconsiderados, e mal, nesse particular) nem em que se leiam escritores do ponto de vista filosófico (Kafka, Orwell...). O que eu acho mal é que NÃO se leiam filósofos do ponto de vista filosófico! E, muitas vezes, é esse o caminho que se tem feito.

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  3. Concordo com o Peter Pan. O problema não é ler textos literários de um ponto de vista filosófico, nem ler textos filosóficos de um ponto de vista literário, mas o facto de este tipo de actividade cancelar a leitura literária do texto literário e a leitura filosófica do texto filosófico.

    Isto ocorre, penso, por causa da teoria do susto. Mas eu explico depois melhor o que é a teoria do susto.

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  4. Não é errado usar, em determinadas circunstâncias, textos não filosóficos numa aula de Filosofia: textos literários, jornalísticos, científicos, etc. Tal como não é errado usar, em determinadas circunstâncias, fotografias, banda desenhada, vídeos, etc. Que circunstâncias são essas? Talvez haja outras, mas a principal é quando queremos dar exemplos.
    Para ilustrar o que é o “saber-fazer” podemos simplesmente dar exemplos como “saber andar de bicicleta” ou “saber encher um pneu”, mas podemos também acompanhar esses exemplos de uma das divertidas e inteligentes tiras em que o pai do Calvin (Calvin & Hobbes, de Bill Watterson) realiza essas actividades. Para ilustrar a ideia de que é errado tratar as pessoas apenas como meios podemos usar exemplos como a velha “promessa enganadora”, mas podemos também apresentar 4 ou 5 parágrafos do “3º Homem” de G. Greene (o diálogo na Grande Roda de Viena). Para ilustrar a ideia de que a ciência é falível podemos limitar-nos a dar o velho exemplo do geocentrismo, mas podemos também fornecer um excerto do livro Genoma - Autobiografia de uma espécie em 23 capítulos (Ciência Aberta, Gradiva) segundo o qual até 1955 os biólogos garantiam que os seres humanos tinham 24 pares de cromossomas.
    Nenhum desses recursos não filosóficos é indispensável numa aula de Filosofia. Não se trata de condições necessárias para uma boa aula de Filosofia (e muito menos de condições suficientes).
    O que se ganha então com isso?
    Ganha-se diversidade de meios e, por isso: mais interesse por parte dos alunos, mais possibilidades de compreensão, um eventual incentivo à leitura (a filosofia não implica que façamos esse incentivo, mas não é obviamente incompatível com ele). Pelo menos no ensino secundário, esse ganho não é desprezível.
    Não se trata, portanto, de substituir os filósofos por romancistas ou os argumentos por poemas.

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  5. Caros,

    Claro que não há problema algum em ler os filósofos do ponto de vista literário e os poetas do ponto de vista filosófico. Assim como não vejo problema algum em apreciar os livros apenas pelas capas (há livros de filosofia com capas muito bonitas).

    Referi no post, a propósito da minha resposta no exame, que é irrelevante se o texto que o professor usa na aula é ou não literário; o que importa é que tenha conteúdo filosófico.

    A minha perplexidade decorre não tanto do facto de se usarem textos literários em contexto filosófico, mas de isso ser tão frequente, a ponto de se ler quase tanto romancistas e poetas como filósofos nas aulas de filosofia. Não acreditam? Passem os olhos por alguns manuais do secundário e ficam esclarecidos (felizmente as coisas têm melhorado um pouco nos últimos tempos).

    Posso estar enganado, como é natural, mas a minha experiência de professor diz-me que, sempre que se trata de discutir questões filosóficas, os estudantes entendem muitíssimo melhor os livros de filosfia e preferem os textos dos filósofos aos textos literários. O que não é supreedente, pois é mais fácil encontrar as ideias filosóficas nos textos dos filósofos do que nos textos literários.

    Da minha parte, acho que comecei a entender melhor os problemas filosóficos quando comecei a ler os próprios filósofos (e mesmo assim, tive de começar com os mais acessíveis). Bem tentei ler os Jünger, os Kavafis, os Rilke, etc., como se fazia nas aulas de estética da minha universidade, mas acho que não consegui aprender filosofia alguma com eles.

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  6. Sim, Peter of Pan, o problema é esse que refere e era aí que eu queria chegar. Obrigado por me ajudar a tornar mais clara a minha ideia.

    Há, contudo, um aspecto que não me convence lá muito: quem vai ler Platão ou Descartes por razões meramente literárias? Sinceramente, acho um frete insuportável, mesmo que escrevam bem e sejam muito claros.

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  7. Caro Carlos Pires,

    «Para ilustrar o que é o “saber-fazer” podemos simplesmente dar exemplos como “saber andar de bicicleta” ou “saber encher um pneu”, mas podemos também acompanhar esses exemplos de uma das divertidas e inteligentes tiras em que o pai do Calvin (Calvin & Hobbes, de Bill Watterson) realiza essas actividades.»

    Certo, mas o que se ganha com isso? Quando quer dar um exemplo do que é saber-fazer não basta dizer que encher um pneu é um baser-fazer?


    «Para ilustrar a ideia de que a ciência é falível podemos limitar-nos a dar o velho exemplo do geocentrismo, mas podemos também fornecer um excerto do livro Genoma - Autobiografia de uma espécie em 23 capítulos (Ciência Aberta, Gradiva) segundo o qual até 1955 os biólogos garantiam que os seres humanos tinham 24 pares de cromossomas.»

    Mas para dar este exemplo precisa do excerto do livro para quê? Não é que veja mal algum nisso, mas não encontro aí vantagem alguma.

    «O que se ganha então com isso?
    Ganha-se diversidade de meios e, por isso: mais interesse por parte dos alunos, mais possibilidades de compreensão, um eventual incentivo à leitura (a filosofia não implica que façamos esse incentivo, mas não é obviamente incompatível com ele).»

    Acho duvidoso que a diversidade de meios que referiu estimule, só por si, o interesse dos alunos ou incentive a leitura. Muitas vezes parece-me até que isso os distrai e os leva a perder de vista o essencial, mas talvez esteja enganado.

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  8. Acho que o Aires Almeida de facto está enganado. A distracção só ocorre se houver exagero, multiplicação desse género de exemplos. Seja como for, trata-se de exemplos. Eu não disse que os tais exemplos "por si só" estimulem o interesse dos alunos - são um extra, um complemento. O essencial são as ideias e os argumentos que os exemplos (desse género ou doutro) ilustram.

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  9. Devo confessar que a primeira vez que eu vi um uso legítimo de coisas como banda desenhada, imagens, etc., no ensino da filosofia foi no blog do Carlos. Até então, só tinha visto coisas muito mal feitas, porque os conteúdos eram sempre cientificamente muitíssimo frágeis; mas talvez tenha visto mal. O que encontramos no blog do Carlos e da Sofia é um domínio sólido dos conteúdos filosóficos centrais, e depois uma apresentação diversificada desses conteúdos.

    Eu precisaria de ver um estudo, ou pelo menos alguns resultados cuidadosamente apresentados, para me convencer de que mesmo fazendo isto bem, como é o caso do Carlos e da Sofia, se obtém melhores resultados do que ensinando apenas filosofia sem essa diversidade de exemplos.

    Alguém conhece estudos desses? De algum modo parece-me que se tornou um lugar-comum pedagógico, e talvez enganador, dizer que é preciso diversificar as ilustrações, abordagens, etc. Terá este lugar-comum pedagógico tem alguma sustentação empírica? Será mesmo verdade que os estudantes do Carlos e da Sofia teriam piores resultados se eles não fizessem o trabalho excelente que fazem, optando por uma abordagem mais tradicional, digamos?

    Eu precisaria de ver resultados empíricos para ter uma opinião mais fundamentada; mas a minha impressão inicial é que os estudantes aprenderiam igualmente bem sem essa diversidade. Estarei enganado?

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  10. Caro Desidério Murcho:
    tenho 3 actas (enfim...) para fazer e um montão de testes para corrigir, por isso uma justificação mais longa da utilização ("económica" e criteriosa) de recursos não filosóficos nas aulas de filosofia terá de esperar para outro dia.
    Mesmo assim uma questão:
    Na sua opinião, a quem cabe realmente o ónus da prova?
    Já agora: A co-autora do DM chama-se Sara e não Sofia. E obrigado pelos elogios. Como parte do que sabemos se deve a si (Filosofia Aberta, Crítica...) é um prazer agradecer-lhe.
    Um abraço.

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  11. Oops, peço desculpa à Sara! Não penso que algum dos lados tenha o ónus da prova. Apenas me parece que era bom ter bases empíricas reais para saber se realmente a diversificação permite ter resultados melhores do que teríamos sem ela, com os mesmos alunos.

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  12. concordo com o Desidério num aspecto: o blog do Carlos é um bom exemplo de como usar recursos extra filosóficos para ensinar filosofia, coisa que exige inteligência, muita mais do que ao contrário se pensa. Os exemplos do Carlos tem-me feito pensar outra vez algumas coisas que já escrevi a esse respeito. O que me parece é que o que o Carlos - como exemplo - anda a fazer é contrário do que toda a gente costuma fazer, que é ensinar bem e com rigor com a banda desenhada, os textos literários, etc., mas tomando-os como ponto de chegada do estudo que faz e não como ponto de partida.
    O Stephen Hawking escreveu recentemente um romance científico fantástico para adolescentes (que já está publicado em português). O Sagan escreveu o Contacto (que por acaso é das únicas obras dele que nunca li). Mas não parece ser isto que o Aires abordou no apontamento que fez no post. O que o Aires falou é uma inversão total das coisas, é vender gato por lebre que consiste em fazer pensar que estamos a aprender filosofia profundamente ao analisar textos literários.
    Por outro lado tenho a crença e procuro justificá-la que a filosofia deve-se aprender pelos textos dos filósofos, pois o que interessa são os argumentos e não as metáforas. Isto não invalida que não se possa ter bons insights filosóficos em textos literários. Acontece que 1) se os textos literários procuram ter bons insights filosóficos é porque na realidade a intenção não era fazer literatura mas sim filosofia 2) se o texto literário apresenta bons insights sem pretender ser texto filosófico, trata-se de um acidente possível, mas pouco comum e que não perfaz a regra.
    Durante a licenciatura li mais literatura que filosofia e costumo dizer que fiz o curso com o que aprendi na literatura. Não me sinto arrependido por isso, é certo que ganhei um background interessante que conservo até hoje, mas fica-me sempre a questão se não seria mais adequado ter lido, discutido, objectado, livros de filosofia. Por outro lado, uma questão que sempre me incomodou muito e que o Aires não refere, é que éramos capazes de passar um semestre inteiro a analisar 10 páginas de Heidegger ou de Kant só porque era tão profundo tão profundo que devíamos ver ali a cavidade das cavidades filosóficas, enquanto o mundo continuava a girar e nos escapava todo o resto. Não nego que este tipo de investigação pudesse ser interessante para níveis como doutoramentos mas numa licenciatura, onde os conhecimentos são ainda tão vagos, é uma palermice trabalhar desse modo. Este comportamento estava na base de dezenas de falsos pensadores profundos seguidores acéfalos do mestre incapazes do mais elementar em filosofia, mas capazes de analisar o parágrafo 33 da obra X (muitas das vezes numa descontextualização próxima do delírio). E o Aires tem razão no que referiu num outro post: eu tive professores absolutamente ridículos na forma como se comportavam face à vida intelectual.

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  13. preparei um texto longuíssimo que acabou de se perder com as tretas do browser...

    O fundamental da opinião é que a literatura tem para a filosofia o mesmo interesse que a música tem para a filosofia da música. Mas a música não é filosofia, nem a literatura o é.

    Uma das razões por que isto é às vezes dificil de ver é a psicobalda portuga: a mania de tudo ver pelas lentes do "mais ou menos prontos coiso". Uma prova disto é o facto de a expressão "filosofia da música " ainda ser uma coisa bizarra entre nós, quando muito evocativa de Pitágoras, Boécio ou de umas exortações ditirâmbicas que nada dizem sobre a natureza da música, apenas sobre alguns estados mentais de alguns indivíduos que pensam desorganizadamente acerca de música.

    Aconselho o livro do Peter Kivy "Introduction to a Philosophy of Music", no primeiro capitulo "philosophy of..." ele trata esta questão com clareza exímia: explica por que não há uma filosofia do basebol embora haja filosofia da arte e filosofia da música. É que não basta algumas frases axiomáticas ou alguns truísmos "sapienciais" para fazer uma filosofia. É preciso um sistema de inferências, de argumentos, de razões a favor de afirmações substanciais acerca da natureza daquela actividade. No caso em concreto, da música.

    Também elogiei o blogue do carlos e da sara, por fazerem da filosofia o elemento fundamental, nunca se perdendo a diferença entre a ilustração e o que realmente importa.

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  14. Quando perdemos de vista a relação hierarquica que tem de haver entre a ilustração e aquilo que é ilustrado, caímos no absurdo.

    Pessoalmente desagrada-me a ideia de passar tacitamente o preconceito que as questões filosóficas em si são uma coisa tão maçuda e desinteressante que só ilustrando com literatura as podemos tornar suportáveis.

    Quem vê as coisas desta maneira nunca se entusiasmou por uma questão filosófica nem teve alguma vez experiência do que é o fascínio, a paixão, da filosofia. Quem vê as coisas desta maneira vê a filosofia como um frete, como algo com que se "apanha" e que até fica bem saber-se mandar umas bocas e tal... mas que no fundo no fundo é uma valente seca.

    Quem sente assim nunca teve experiência da filosofia como actividade, apenas como... no máximo... um cagalhão fossilizado atrás de uma vitrina de museu, horrível mas venerado por causa do preceito social, por muito que o indivíduo se sinta enojado com a sua textura.

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  15. Vitor,
    Estou de acordo com o geral das tuas afirmações. Só não penso que o fenómeno da "treta" seja uma exclusividade lusa. Infelizmente essa realidade é transnacional :-)Mas é para isso que cá andamos. Para, na medida que nos for possível, devolver alguma honestidade ao pensamento, à filosofia e ao conhecimento. Se o pudermos fazer, deixamos uma boa obra, mesmo que não passe no imediato dos horizontes do nosso bairro. É que estas coisas de divulgar a filosofia é algo mais lento do que vender gelados. E olha que eu também acho importante vender bem os geladinhos. No fundo temos de fazer o nosso trabaalho, mesmo que, em muitos momentos, atitudes pedantes, nos enervem q.b.
    abraço

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  16. «Pessoalmente desagrada-me a ideia de passar tacitamente o preconceito que as questões filosóficas em si são uma coisa tão maçuda e desinteressante que só ilustrando com literatura as podemos tornar suportáveis.

    Quem vê as coisas desta maneira nunca se entusiasmou por uma questão filosófica nem teve alguma vez experiência do que é o fascínio, a paixão, da filosofia. Quem vê as coisas desta maneira vê a filosofia como um frete, como algo com que se "apanha" e que até fica bem saber-se mandar umas bocas e tal... mas que no fundo no fundo é uma valente seca.»

    Muito bem visto, Vítor. Na maior parte das vezes é também isso que me parece.

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  17. Caro Aires Almeida,

    O estabelecimento de fronteiras entre as diferentes disciplinas, sendo essencial, não deixa de ser um pouco ilusorio na medida em que deve existir uma grande interdisciplinaridade. Sobretudo para quem tem uma formação filosofica. Contudo, elas devem existir para o bem da dita interdisciplinaridade pois a sua riqueza encontra-se precisamente na possibilidade que cada dominio tem de dar um olhar novo.

    Sobree a relação entre a filosofia e a literatura, penso que a questão não se encontra em saber se podemos tratar filosofos como poetas ou romancistas ou então poetas como filosofos. O essencial, penso eu, é termos a capacidade de ver se uma ideia é susceptivel ou não de ser trabalhada filosoficamente, venha ela de onde vier.

    Cumprimentos

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  18. Caro David Duarte,

    Parece que estamos, no essencial, de acordo.

    Só mais uma achega: para haver interdisciplinaridade tem de haver primeiro disciplinaridade. Não concorda? É que às vezes parece que se começa com a interdisciplinaridade, que é mais ou menos o mesmo que começar a namorar sem ter namorado(a).

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  19. O estabelecimento de fronteiras é essencial. Apenas tentei evidenciar que elas não devem ser "muros" que impeçam a passagem entre as disciplinas.

    Cumprimentos

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  20. Espero que não venha a promover um questionamento muito pueril. Será que é realmente importante essa discussão: ler, literariamente, um texto filosófico ou filosoficamente um texto literário? Penso que o importante seja ter a condição para ler, antes de tudo, e filofar sobre qualquer texto lido. Entendo que devamos ter uma noção dos "terrenos sobre os quais estamos pisando", mas não podemos reduzir o objeto literário e filosófico a uma discussão do tipo: Qual o sexo dos anjos?

    Armistrong Souto
    armistrong.asouto@hotmail.com

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  21. Me irrita um pouco essa questão de ponto de vista. Porque o texto nao foi para ser lido sob pontos-de-vista de certas pessoas. O texto esta acima de quaisquer perspectivas. Agora, ha de se entender que a Filosofia perpassa por todas as maneiras de se olhar o mundo. Na verdade, nao existe um ponto de vista filosofico, senao que se pode filosofar a respeito de qualquer propostas, ja seja politica, artistica, cientifica, etc.

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  22. É importante destacar que um texto filosófico não é, a priori, uma narração, mas uma dissertação e uma dissertação argumentativa, não-expositiva. Nesse sentido, ele não visa a transmitir informações como por exemplo um texto jornalístico. O texto filosófico, de um modo geral, propõe uma tese e a defende através de argumentos. Ele não é um texto literário e a elegância de estilo, além de não ser obrigatória, pode constituir uma inimiga do rigor e da precisão.

    http:/wwwauroras.blogspot.com/

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  23. Creio que o verdadeiro filósofo tem um ponto de vista flexivel, podendo muito bem estudar poesia, literatura, música, cinema e etc.Creio que para o melhor do entendimento deve-se conhecer tudo que for possível e imaginavel, mas não acredito que os conhecedores de filosofia substituam sues mestres para estudar literatura, poesia, ou outra coisa, acredito que simplesmente eles dão um tempo, pois as vezes tal livro filosófico não consegue ser entendido´pelo sujeito, então o mesmo se volta para outros asuntos, procurando clarear a mente.

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  24. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  25. Vá lá que não tiveste de ler livros do Sócrates, literário ou filosófico, que ele não escreveu nenhum. Mas o grande Cerqueira Gonçalves, esse deve ter sido lixado, pois deixou volumosa obra escrita.

    *referia-me ao Socrates grego.

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  26. Gostei do teu texto! Muito bacana!

    Escrevi um sobre Descartes, descontraído e informal.

    Legal a tua postagem,! deem também uma olha na nossa em http://nerdwiki.com/2014/01/12/o-discurso-do-metodo-rene-descartes/ Obrigado.

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