30 de novembro de 2008

O melhor de 2008

Respondendo à sugestão do Rolando, aqui vai a minha lista dos melhores livros de filosofia publicados em Portugal neste ano de 2008 (era bom que o mês que falta para o ano terminar trouxesse boas surpresas neste campo, mas isso não costuma acontecer).

A lista inclui apenas um livro de autores portugueses, pois é o único que conheço (ainda não li o livro do Pedro Galvão, pelo que não me posso pronunciar, se bem que tenha muito boas razões para acreditar que deve ser filosofia de excelente qualidade).

Dada a escassez de bons livros de filosofia publicados no nosso país, a lista que elaborei deve ser algo relativizada: alguns deles só aparecem na lista por falta de competição. A lista não está ordenada de forma rigorosa, mas os que considero mais importantes estão nos primeiros cinco.

1. Bertrand Russell, Os Problemas da Filosofia (Ed. 70, trad., introd. e notas de Desidério Murcho).
Este é um clássico que já estava a merecer uma tradução que fizesse jus ao estilo de Russell e à subtileza filosófica que o caracteriza. A introdução e as notas do Desidério ajudam muito nesse sentido. Ao comparar esta tradução com a bolorenta tradução de António Sérgio, até parece que estamos a falar de livros diferentes.

2. George Dickie, Introdução à Estética (Bizâncio, trad. de Vitor Guerreiro).
Uma excelente introdução à estética e filosofia da arte, escrita por um dos mais destacados filósofos da arte e com uma tradução muito cuidada e rigorosa do Vítor. Dickie aproveita também para apresentar algumas das suas próprias ideias, dado que estas têm sido amplamente discutidas na filosofia da arte contemporânea.

3. Alexander George, Que Diria Sócrates? (Gradiva, trad. de Cristina Carvalho).
Respostas de filósofos profissionais a pessoas comuns sobre praticamente todos os grandes temas da filosofia. É um livro muito acessível, sem prescindir do rigor filosófico.

4. Peter Singer, Escritos Sobre uma Vida Ética (Dom Quixote, trad. de Pedro Galvão, Teresa Castanheira e Diogo Fernandes).
Mais um livro de um dos grandes nomes da ética contemporânea, no qual se compilam alguns dos textos mais importantes de Peter Singer. A tradução está à altura do autor.

5. Gareth Matthews, Santo Agostinho (Ed. 70, trad. de Hugo Chelo).
Uma excelente discussão da filosofia de Santo Agostinho, à luz da discussão filosófica actual. Surpreendente.

6. Daniel Dennett, Quebrar o Feitiço - A Religião como Fenómeno Natural (Esfera do Caos, trad. de Ana Saldanha).
Não se trata do melhor Dennett (a primeira parte é escrita a pensar principalmente no grande público americano, mais dado a grandes emoções quando se trata de discutir questões sobre religião), mas Dennett raramente decepciona e vale sobretudo pela sua leitura naturalista da história da religião.

7. João Cardoso Rosas (org.), Manual de Filosofia Política (Almedina).
Um exemplo que muitos filósofos e académicos portugueses deviam seguir. Este manual é constituído por diversos ensaios de investigadores e filósofos portugueses, alguns deles bastante jovens. Os ensaios não têm todos o mesmo nível, mas o nível geral é bastante bom. Destaco os textos do organizador, João Rosas (da Universidade do Minho), e de Pedro Galvão (da Universidade de Lisboa). Além disso trata-se de um manual de filosofia política contemporânea, o que é de saudar.

8. George Orwell, Por Que Escrevo e Outros Ensaios (Antígona, trad. de Desidério Murcho).
Não é bem um livro de filosofia, mas há lá mais filosofia do que em alguns livros de filósofos badalados. Se a filosofia é a avaliação crítica dos nossos preconceitos, então este livro transpira filosofia a cada página.

9. Karl Popper, Busca Inacabada - Autobiografia Intelectual (Esfera do Caos, trad. de João Duarte).
Popper explica-se a si mesmo. Interessante.

10. Thomas Cathcart, Daniel Klein, Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar…. (Dom Quixote, trad. de Isabel Veríssimo).
Um livro divertido e inteligente, que brinca com algumas das nossas intuições filosóficas. É pena a tradução ser bastante descuidada.

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