(apaguei o comentário anterior porque estava cheio de erros.)
olá, desidério!
escreveste:
«O multiculturalismo contemporâneo é mais um passo na mesma direcção desumanizadora: um cigano ou um negro ou um árabe não é visto como uma pessoa como as outras, com as suas diferenças e idiossincrasias, mas meramente como um anúncio da sua etnia ou nacionalidade ou cor da pele. Este racismo pós-modernaço e de consciência tranquila é pior do que o racismo de antigamente porque não parece racismo, e como tal não parece valer a pena combatê-lo.»
Se é assim, tens de meter no mesmo saco Peter Singer e todos os outros que, como ele, defendem a acção afirmativa/discriminação positiva. Dado o que defendes, como podes evitar dizer que quem defende isso é um racista dissimulado que adopta a atitude desumanizadora de classificar as pessoas como insectos?
Eu tenho realmente uma grande desconfiança relativamente à acção afirmativa, por duas razões. A primeira é que me parece insultuosa. Se eu entrar para uma universidade por ser desta ou daquela etnia, isso parece-me um insulto: não entrei por alguém ver as minhas competências, mas por alguém não ver as minhas competências, mas sim a cor da minha pele. A segunda é que me parece uma maneira de não enfrentar os verdadeiros problemas da discriminação: o facto de as pessoas serem tratadas de maneira diferente em função do grupo a que se pensa que pertencem. Portanto, eu diria que o multiculturalismo é uma forma disfarçada de racismo. Isto só não é óbvio porque as pessoas que escrevem e falam sobre isto nunca se põem na pele das pessoas de diferentes etnias ou religiões ou seja o que for. Essas pessoas são sempre vistas como o Outro, e não como pessoas reais como tu e tu. Peter Singer ficaria muito incomodado se a sua contratação nos EUA tivesse sido facilitada pelo facto de ser Australiano, por exemplo, passando por isso à frente de um norte-americano. Eu compreendo que o multiculturalismo é bem-intencionado. Mas a história já nos mostrou que as melhores intenções podem esconder horrores.
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ResponderEliminar(apaguei o comentário anterior porque estava cheio de erros.)
ResponderEliminarolá, desidério!
escreveste:
«O multiculturalismo contemporâneo é mais um passo na mesma direcção desumanizadora: um cigano ou um negro ou um árabe não é visto como uma pessoa como as outras, com as suas diferenças e idiossincrasias, mas meramente como um anúncio da sua etnia ou nacionalidade ou cor da pele. Este racismo pós-modernaço e de consciência tranquila é pior do que o racismo de antigamente porque não parece racismo, e como tal não parece valer a pena combatê-lo.»
Se é assim, tens de meter no mesmo saco Peter Singer e todos os outros que, como ele, defendem a acção afirmativa/discriminação positiva. Dado o que defendes, como podes evitar dizer que quem defende isso é um racista dissimulado que adopta a atitude desumanizadora de classificar as pessoas como insectos?
abraço,
pedro
Eu tenho realmente uma grande desconfiança relativamente à acção afirmativa, por duas razões.
ResponderEliminarA primeira é que me parece insultuosa. Se eu entrar para uma universidade por ser desta ou daquela etnia, isso parece-me um insulto: não entrei por alguém ver as minhas competências, mas por alguém não ver as minhas competências, mas sim a cor da minha pele.
A segunda é que me parece uma maneira de não enfrentar os verdadeiros problemas da discriminação: o facto de as pessoas serem tratadas de maneira diferente em função do grupo a que se pensa que pertencem.
Portanto, eu diria que o multiculturalismo é uma forma disfarçada de racismo. Isto só não é óbvio porque as pessoas que escrevem e falam sobre isto nunca se põem na pele das pessoas de diferentes etnias ou religiões ou seja o que for. Essas pessoas são sempre vistas como o Outro, e não como pessoas reais como tu e tu. Peter Singer ficaria muito incomodado se a sua contratação nos EUA tivesse sido facilitada pelo facto de ser Australiano, por exemplo, passando por isso à frente de um norte-americano.
Eu compreendo que o multiculturalismo é bem-intencionado. Mas a história já nos mostrou que as melhores intenções podem esconder horrores.