1 de dezembro de 2008

2008 Best Of

A filosofia é o meu trabalho. Nesta lista inclui livros que me dão muito prazer conhecer e ler, mas também que me são muitos úteis para proceder aos devidos upgrades profissionais.

1 – Bertrand Russell, os problemas da filosofia,Ed. 70 ( trad Desidério Murcho)
Era inevitável que a tradução do Russell não viesse à cabeça desta minha lista, já que se trata de uma renovada tradução de um dos clássicos da filosofia contemporânea que pode ser lida tanto pelos profissionais da filosofia como pelos não especialistas.

2 – Michael Lacewing, Philosophy for AS, Routledge
O ensino da filosofia está no centro das minhas preocupações pelo que é natural que alguns dos livros de filosofia mais significativos para mim sejam manuais. Para além de tudo aprende-se muita e boa filosofia por manuais quando eles são bem feitos. Este de Michael Lacewing, apesar de não estar traduzido na língua portuguesa, foi um dos melhores livros que comprei em 2008 e certamente é uma útil e sempre presente ferramenta de trabalho

3. Vários Autores, A Arte de Pensar 11, Didáctica Editora
Já é publica a minha preferência assumida por este manual de filosofia para o ensino secundário. Apesar de ser um manual e destinado a estudantes do ensino secundário, acaba por ser das melhores introduções à filosofia que temos escrita exclusivamente por autores portugueses. Creio mesmo que é a única. É uma obra escrita numa linguagem compreensível e, na minha opinião, é talvez a maior revolução para o ensino da filosofia das últimas décadas permitindo mudar toda uma forma de encarar a filosofia inspirada em modelos que já provaram a sua caducidade.

4 – George Dickie ,Introdução à estética, Bizâncio, trad. Vitor Guerreiro
Era importante termos disponível em língua portuguesa alguma obra de George Dickie, um filósofo que protagoniza uma das mais relevantes teorias contemporâneas da filosofia da arte, a teoria institucional da arte. Mas esta obra é particularmente interessante porque Dickie escreve uma pequena história da filosofia da arte, até chegar à sua tese como que a mostrar ao leitor o percurso que conduz o filósofo a defender a sua tese.

5 – Kwame Anthony Appiah, Cosmopolitismo, ética num mundo de estranhos, trad. Ana Catarina Fonseca
É já a segunda obra que leio deste filósofo ganês, radicado nos EUA, país onde exerce a docência universitária na filosofia e confesso que é um autor que me tem interessado,não tanto pela especificidade das suas teses, mas mais pelo modo como escreve e apresenta a filosofia. A obra merece a 5ª posição na minha lista, mas a tradução e a edição em si nem sequer daria lugar a esta obra numa lista que se preze. Esta tradução merecia uma revisão completa. Nesta obra Apiah defende a tese cosmopolita de inspiração kantiana. Esta defesa não é exclusiva de Apiah em filosofia. A Filosoficamente da Bizâncio teve a oportunitade de traduzir uma obra de Louis Pojman onde é feita uma defesa aproximada a esta de Apiah.

6 - Peter Singer, Escritos sobre uma vida ética, D. Quixote, Trad. Pedro Galvão, Maria Teresa Castanheira, Diogo Fernandes
Seria muito difícil não mencionar uma qualquer obra de Singer já que é um filósofo por quem tenho uma grande admiração, mesmo que não subscreva toda a sua argumentação. Esta obra é uma espécie de best of de Peter Singer e vale sobretudo para quem quer compreender muitas das principais teses que o filósofo defende em formato que garante economia de tempo, sem qualquer deslize dos seus argumentos mais explorados numa ou outra obra.

7 - Alexander George, que diria Sócrates?, Gradiva, trad. Cristina Mateus de Carvalho
Este livro tornou-se a materialização em formato livro do trabalho desenvolvido no site Ask Philosophers. É divertido, rigoroso, impecável. É uma obra de filosofia que estabelece muito bem a ponte entre a filosofia e a vida mais quotidiana. E é mais um volume de uma das mais belas colecções de filosofia em língua portuguesa, a Filosofia Aberta.

8 - Peter Singer e Jim Manson, Como comemos, trad. Isabel Veríssimo, D Quixote
Este não é um livro típico de filosofia. Parte de uma investigação no terreno dos autores e essa investigação é que acaba por constituir as premissas para defender uma tese mais central, a que que temos uma obrigação moral no que metemos na boca para nos alimentar. Li-o com muito prazer durante o verão de 2008, mas com muito choque também e fiquei com a noção de que a generalidade das pessoas praticamente não tem grande noção que quando come esse acto pode ter implicações morais muito sérias. Precisaríamos de alguma continuidade na publicação deste género de obras em língua portuguesa.

9 – Gareth B. Matthews, Santo Agostinho, Ed. 70, Trad. Hugo Chelo
Desde os tempos de faculdade que não lia um livro inteiramente dedicado a Santo Agostinho. Pensava que já sabia tudo o que havia para saber do filósofo medieval e que esse que havia para saber nem era grande coisa. Enganei-me até começar a ler o excelente livro de Gareth Matthews um dos maiores especialistas da actualidade em S. Agostinho.

10 - Daniel C. Dennett, Quebrar o Feitiço, a religião como fenómeno natural, Esfera do Caos, trad Ana Saldanha
A filosofia é isto mesmo, ousadia intelectual. Dennett propõe nesta sua obra que se leia a religião como resultado da evolução e essa evolução conduzir-nos-á, inevitavelmente, ao ateísmo. Interessante. Esta edição é também assinalável pois vem repor alguma justiça na disponibilidade de obras de ateus em língua portuguesa. A versão de Dennett parece-me mais completa que a de Richard Dawkins.

2 comentários:

  1. Caro Rolando, obrigada pelo utílissmo serviço que nos prestou nos montando essa lista de indicações já com seu parecer sobre cada obra.
    Indicações bastante objetivas q nos poupam tempo e q mostram q ainda se faz e bem filosofia.

    Meus cumprimentos.

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  2. Obrigada Márcia,
    Esteja também atenta às sugestões dos meus colegas.
    Até breve

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