1 de dezembro de 2008

Os melhores de 2008 no Brasil

Eis uma lista do que considero que de melhor se publicou no Brasil de filosofia em 2008. A lista tem com certeza muitas omissões por puro esquecimento meu. Além disso, a lista não tem em conta a qualidade ou falta de qualidade das traduções.
  1. Uma Nova História da Filosofia Ocidental: Filosofia Antiga, de Anthony Kenny (Loyola)
  2. Uma Nova História da Filosofia Ocidental: Filosofia Medieval, de Anthony Kenny (Loyola) Com estes dois primeiros volumes da nova história da filosofia, estudantes e professores podem preparar melhores aulas de graduação de história da filosofia. Os volumes dividem-se sempre em duas partes: na primeira, faz-se uma apresentação histórica mais geral das ideias e contextos históricos do período em causa; na segunda, discute-se em maior profundidade, e tematicamente, os problemas, teorias e argumentos do período em causa.
  3. Estética: Fundamentos e Questões de Filosofia da Arte, org. Peter Kivy (Paulus). Trata-se da tradução do Blackwell Guide to Aesthetics. Com artigos sobre diversos aspectos da estética e da filosofia da arte, da autoria dos filósofos que hoje trabalham nesta área, é uma obra preciosa para professores e estudantes interessados nesta área de estudos.
  4. Compêndio de Epistemologia, de John Grecco e Ernest Sosa (Loyola). Outra tradução preciosa de mais um original da série Blackwell Philosophy Guides. Os filósofos contemporâneos que trabalham na área da teoria do conhecimento apresentam neste livro vários artigos sobre vários aspectos centrais da área. Um instrumento crucial para o ensino universitário.
  5. O Básico da Filosofia, de Nigel Warburton (José Olympio). Não há uma introdução à filosofia mais simples do que esta, sem contudo deturpar indevidamente a área. Imprescindível para o ensino médio e para alunos dos primeiros anos de graduação.
  6. Para Que Serve a Verdade?, de Pascal Engel e Richard Rorty (UNESP). Uma discussão lúcida sobre um tema que costuma ser muito mal compreendido. Rorty é um defensor do perspectivismo nietzschiano, segundo o qual a verdade é um conceito meramente religioso, que devemos abandonar como abandonámos os deuses gregos. Mas Engel está longe de concordar com esta perspectiva e apresenta a sua perspectiva alternativa.
  7. Liberdade e Neurobiologia, de John R. Searle (UNESP). Searle regressa neste livro a temas que já ocuparam uma parte importante das suas preocupações: a compreensão do livre-arbítrio num universo aparentemente determinado.
  8. A República de Platão: A Boa Sociedade e a Formação do Desejo, de Martha Nussbaum (Bestiário) Este excelente livrinho é de 2004, mas passou aparentemente despercebido, pelo que o incluo nesta lista. É uma apresentação obrigatória para quem quiser compreender bem a República de Platão, a sua relevância para a filosofia política contemporânea e para a nossa concepção de sociedade. Uma prosa clara como água e uma belíssima tradução.
  9. Incompletude: A Prova e o Paradoxo de Kurt Gödel, de Rebecca Goldstein (Companhia das Letras). Não é um livro de filosofia, mas de divulgação científica e filosófica, que apresenta alguns aspectos do famoso lógico que pensava ter acabado com as ilusões empiristas dos positivistas lógicos. Na verdade ninguém lhe ligou na altura e continuaram alegremente a ser nominalistas.
  10. Santo Agostinho, de Gareth B. Matthews (Jorge Zahar) Este livro foi publicado em 2007 no Brasil mas é um milagre de história da filosofia tal como devia ser feita, pelo que vale a pena recordá-lo. Apresentando as ideias de Agostinho simultaneamente com rigor exegético e à luz da filosofia contemporânea, é das melhores coisas que li sobre um filósofo do passado.

2 comentários:

  1. Ainda divulgando, a editora idéias e letras lançou duas traduções de Hilary Putman:O Colapso da Verdade e outros ensaios e Corda tripla.
    http://www.ideiaseletras.com.br

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