13 de dezembro de 2008

Peter Cave e paradoxos


Comprei este livro esta manhã. Nem sabia da sua publicação, mas apressei-me a ir a uma livraria assim que o leitor Luís Gonçalves o incluiu na sua lista de preferências dos melhores livros do ano. Já conhecia o nome de Peter Cave, um habitual da revista Philosophy Now da qual sou subscritor e dos seus livros que vi na Amazon. Mas nunca tinha lido qualquer dos seus livros. Estranhamente não me lembrava que o autor tivesse escrito um livro com o título Duas vidas valem mais que uma?. E não escreveu mesmo. Quando peguei no livro na livraria, mesmo sabendo que o ia comprar e analisar em casa, fiz algo que sempre faço quando pego em qualquer livro que é ver quem o traduz e saber qual a edição original que serviu de base à tradução. Curiosamente a edição portuguesa não menciona o original. Li o prefácio e introdução e apercebi-me que, apesar do livro ter tido revisão, merecia outra já que escaparam algumas gralhas. Ainda que não me pareça muito importante dadas as características do livro em causa, fica sempre bem uma edição sem gralhas. Se os livros se vendessem bem cá no burgo, de certeza que o editor iria reparar nessas gralhas para rever na 2ª edição. Acho que este aspecto também depende de nós, leitores. Se comprarmos livros e os lermos, os editores tem sempre a possibilidade de, com mais dinheiro, fazer melhor trabalho. Quanto ao título original, uma pesquisa na Amazon deu para perceber que se trata da tradução de Can a robot be a human? 33 perplexing philosophy puzzles. Fico sem perceber o que estará por detrás da opção do editor em alterar o título original, pelo que não tenho opções de objectar, muito embora pessoalmente não goste de ver este tipo de coisas acontecer nem vejo, à partida, qualquer espécie de vantagem em alterar o título. Talvez a nossa falta de cultura científica nos condicione a que nos preocupemos menos com robôs do que com crimes e se justifique – mal – daí a opção. Mas o que nos traz este livro? Ele coloca-nos perante 33 paradoxos e mostra-nos o quanto interessante, mas complicado pode ser pensar em cada um deles. De uma forma claramente intencional, o livro destina-se aqueles que querem pensar mas que desconhecem as ferramentas e como os problemas se devem colocar de um modo organizado. O livro não traz respostas mas constitui um excelente auxiliar para nos revelar o comprometimento que as pessoas comuns tem, mesmo sem saber, com problemas que são sofisticadamente discutidos por filósofos profissionais. Acima de tudo fico feliz que este género de livros e autores sejam divulgados e traduzidos entre nós já que é com eles que desmitificamos muitos mitos que enevoam a filosofia tal como ela tem sido mal praticada no nosso país. Livros como este são muitas vezes um princípio de acesso à filosofia e é a razão que me faz acreditar que eles são bem necessários. Recentemente a edição de Como diria Sócrates?, pela Gradiva é talvez o exemplo mais aproximado a este de Peter Cave, apesar que a edição da Gradiva é mais cuidada. Ainda assim, como já expliquei, trata-se de uma agradável e divertida forma de começar a pensar alguns problemas filosóficos de áreas que pensávamos inacessíveis, como a metafísica. Existe um poadcast com o autor no blog de Nigel Warburton. Ah, e o livro lê-se de uma assentada numa esplanada de café. Como na cidade onde vivo o inverno pouco se faz sentir, foi essa a opção que tomei. Uma bica e enigmas filosóficos.
Peter Cave, Duas vidas valem mais que uma? Enigmas filosóficos que o vão surpreender, Academia do Livro, 2008, Trad. Maria A. Campos

4 comentários:

  1. Tenho o original Can a Robot be Human? (adquirido em Fevereiro na Fnac) e é de longe o melhor livro de Filosofia que li este ano. Excelente, pelo que obriga a pensar e pelo humor com que está escrito.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Peter,
    Sem dúvida que é um livro entusiasmante. Li-o de uma vez só.

    Joedson,
    Não sei se tem publicação no Brasil, mas talvez o Desidério possa ajudar.

    abraços

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  4. Mais uma nota: nesta edição portuguesa Stuart Mill é tratado por Mills. Mais um descuido!

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