29 de dezembro de 2008

John Shand: O que é a filosofia?


Há uma anedota recorrente entre muitos filósofos profissionais, que envolve um deles a ser encurralado durante uma festa por alguém que ao saber que se trata de um filósofo lhe pergunta: "Bom, o que é então a filosofia?" A piada reflecte na verdade o desconforto de muitos filósofos e a desconfortante consciência de não serem capazes de dar uma resposta directa e clara. Mais...

28 de dezembro de 2008

Rui Daniel Cunha: Últimos Escritos sobre a Filosofia da Psicologia, de Ludwig Wittgenstein


Quando iniciei a licenciatura em Filosofia, em meados dos anos 80, não existia em Portugal — sinal do nosso atraso filosófico — uma única obra de Wittgenstein traduzida para a nossa língua (embora no Brasil, honra lhe seja feita, já existissem algumas edições). Foi a Fundação Gulbenkian quem quebrou esta lamentável situação e inaugurou as traduções portuguesas de Wittgenstein, com a publicação do Tractatus e das Investigações Filosóficas, mesmo no final de 1987, e é desta mesma editora que nos surge agora, em edição modelar, os Últimos Escritos sobre a Filosofia da Psicologia. Mais...

Biblioteca de Babel

Os estudantes de Filosofia da Universidade do Minho acabam de inaugurar o seu novo blog, intitulado Biblioteca de Babel. Bem-vindos à rede!

22 de dezembro de 2008

Alvin Plantinga

É inteiramente correcto, racional, razoável e adequado acreditar em Deus sem quaisquer indícios ou argumentos.

21 de dezembro de 2008

William James

Se acreditamos que não há em nós quaisquer sinos a tocar a rebate quando a verdade está perante nós, parece que pregar tão solenemente que temos o dever de aguardar pelo toque do sino não passa de uma excentricidade vã.

18 de dezembro de 2008

O Pai Natal e a filosofia


P
“É moralmente errado dizer às crianças que o Pai Natal existe? Independentemente da imensa alegria e excitação de que os miúdos usufruem por acreditar no mito do Pai Natal, trata-se de uma mentira descarada! Quando estão crianças em causa, devemos colocar-nos sempre num patamar moral superior, ou devemos contemplar a possibilidade de excepções? Quando eles descobrem a verdade, não estaremos a ensinar aos nossos filhos que não se pode confiar em ninguém, nem mesmo nos próprios pais?”

R
MARK CRIMMINS: É uma pergunta interessante, sobre a qual não tenho uma posição definitiva: fiquei aliviado quando o nosso filho cedo, e com ardil, nos levou a admitir a verdade. É provável que quando os miúdos descobrem a Grande Mentira do Pai Natal a disposição deles para partir do princípio de que os pais lhes dizem sempre a verdade completa e literal sofra um certo abalo. Mas decerto a grande questão da confiança não se coloca ao nível de saber se se pode contar com o facto de os pais dizerem sempre a verdade completa e literal, mas sim se se pode contar com o facto de agirem de acordo com os melhores interesses dos seus filhos. Faltar deliberadamente à verdade com as crianças, de um modo tal que é certo que, mais cedo ou mais tarde, elas acabarão por descobrir o logro pode, em circunstâncias normais, minar a confiança delas nos pais (razão pela qual fazê-lo parece ser, em regra, má ideia), mas não vejo razão para partir do princípio de que seja sempre má ideia. Na verdade, estou convencido de que é frequente os miúdos reagirem à sua própria percepção crescente de que a magia não existe, de que o Pai Natal não existe, e assim por diante, não com ressentimento por terem sido levados a acreditar no contrário, mas tentando, com secreta esperança, manter a ficção só mais um bocadinho. Desde que o pai ou mãe em questão seja, em regra, um pai/uma mãe em quem o filho possa confiar, especialmente quando é de facto importante que possa confiar nele/a, transmitir-lhe uma crença falsa cujas consequência nefastas são irrisórias e que gera, como diz, alegria e excitação, pode ser perfeitamente aceitável. Pessoalmente, posso garantir que não guardo qualquer ressentimento contra os meus pais por causa disso.

R
LOUISE ANTONY: Tenho uma opinião bastante vincada sobre este assunto, uma opinião que dá azo a grandes discussões com alguns dos meus melhores amigos: penso que não há bons argumentos para que se ensine uma criança a acreditar no Pai Natal, nem para que não se lhe diga a verdade da primeira vez que ela pergunta se ele existe.

Prima facie, uma pessoa não deve mentir aos seus filhos. Mais grave ainda, uma pessoa tem o dever de não tentar convencê-los positivamente de coisas que estão para lá de falsas – de coisas que são absurdas. Agora, que razão é suposto poder invocar-se para que inculcar a crença no Pai Natal seja uma excepção a esta proibição? O facto de a criança experienciar alegria durante o período em que acredita no Pai Natal? Regra geral, não se pode recorrer a este argumento para inculcar crenças absurdas, dado que há muitas crenças absurdas que trariam alegria a uma pessoa, estivesse ela disposta a acreditar nelas: a crença em que é a pessoa mais inteligente do mundo, em que vai viver para sempre, ou em que não há calorias nem colesterol no fettucine alfredo. Mais ainda, o facto de acreditar em coisas absurdas expõe aqueles que nelas acreditam a certos riscos, alguns das quais já apontadas pelo Mark Crimmins. No caso do Pai Natal, o risco de perder a confiança no testemunho dos próprios pais não é, em minha opinião, um risco de somenos. Por último, quando um pai (ou uma mãe, bem entendido) tenta activamente que a criança não tome em linha de conta argumentos perfeitamente correctos contra uma determinada proposição, esse pai/essa mãe corre o risco de a própria racionalidade vir a ser desvalorizada, e de que a criança apreenda a mensagem de que fazer sentido não é um elemento crucialmente importante. “Mas as renas voam?” “É magia!”

Portanto, não é líquido que a alegria de que as crianças beneficiam por acreditar no Pai Natal compense os eventuais resultados negativos induzidos põe esta crença. No entanto, o ponto decisivo desta questão reside no facto de as crianças não precisarem de acreditar no Pai Natal para experienciar a “alegria” que refere na sua pergunta. As crianças podem retirar enorme prazer de fingir que o Pai Natal existe, do mesmo modo que retiram grande alegria de fingir que o Poupas, ou o Super-Homem, existem. Tenho fortes suspeitas de que não é a alegria dos miúdos, mas sim a alegria dos graúdos, que está aqui em questão. São os pais que se comprazem com o facto de os filhos serem suficientemente “inocentes” para acreditar em tudo o que lhes é dito, ou que se deleitam com as coisas “amorosas” que os miúdos dizem e fazem quando acreditam em coisas que os adultos sabem ser absurdas. Ora, os adultos não têm direito a tais prazeres, e deviam abdicar deles.
Não, Virginia, o Pai Natal não existe. E é muito bom que o tenhas descoberto.
Alexander George, Que Diria Sócrates? (Gradiva)

17 de dezembro de 2008

Da miséria da vida estudantil

Apesar de não constituir o propósito principal deste blog, acontece que ocasionalmente, principalmente nos comentários, acabamos por referir a nossa experiência de licenciatura em universidades portuguesas. Para mim essa questão está já um pouco consolidada mas reveste-se de particular interesse se pensar que a licenciatura em filosofia constitui na maioria dos aspectos uma forte desilusão para as expectativas que eu tinha do curso. Não foram raras as vezes em que me convenci que não conseguia ler os textos dos filósofos já que eles só eram acessíveis ao professor, que até lia alemão, e àquela meia dúzia de alunos que frequentavam o seminário de alemão. Normalmente quando abordava um ou outro aspecto do filósofo “o tal”, respondiam-me que não era nada disso, que eu não estava a compreender o problema. Parecia que existia sempre algo mais profundo que eu era incapaz de alcançar. Naturalmente resvalei para outros quadrantes com alguma facilidade, nomeadamente com a hipótese bastante plausível de aquela malta sofria de um pedantismo insuportável e que existia ali algo infantil de afirmação social e pessoal. Curiosamente quando conversava com estudantes de outros cursos ficava na dúvida: 1) ou eles também são como eu e não passam a tal barreira só ultrapassável pelos eleitos, como os fulanos que até aprendem alemão e dinamarquês ou 2) afinal os que aprendem alemão e dinamarquês são mesmo uns pedantes. Bem, por nenhum passo de mágica passei a saber mais filosofia. O que futuramente me haveria de acontecer foi pegar num manual escolar escrito para adolescentes e perceber que me tinha escapado todo um mundo. Desde então a caminhada tem sido 1) lenta, 2) difícil e 3) não fosse a internet, muito solitária. Hoje mesmo estava a pensar nisto tudo e, sobretudo, nas dificuldades que tenho sentido. Estava também a pensar como é que tanta e tanta gente prefere viver na fantasiosa mentira e não admitir a sua deformação de base e recordei que, pelo segundo ano de faculdade, tinha eu uns 19 anos de idade, andava a distribuir em fotocópia um libelo que me tinham passado e que era a pedrada no charco daquilo que eu sentia em relação à universidade e aos estudantes. Trata-se de um libelo da Internacional Situacionista e que foi traduzido do francês por Júlio Henriques, publicado pela Fenda. Ainda guardo comigo dois exemplares originais impressos em folhas cor-de-rosa. Uma busca na internet e encontrei esse libelo. Estive a relê-lo e sob muitos aspectos ele ainda diz algo sobre a realidade dos estudantes universitários e o meio académico, pese embora os anos o tenham já politizado e desactualizado em alguns pontos. Mas vale a pena lê-lo, sobretudo para quem anda ainda nas universidades, que já não é o meu caso. Para aceder basta clicar AQUI.

16 de dezembro de 2008

Avaliar argumentos indutivos

Gostaria de lançar aqui um desafio muito simples, que é avaliar cada uma das seguintes previsões indutivas, tendo em conta as regras de avaliação de argumentos indutivos. A primeira previsão é a seguinte:

José Sócrates nunca teve uma dor de cabeça até hoje.
Logo, José Sócrates não terá uma dor de cabeça amanhã.


A segunda é a seguinte:

No último ano José Sócrates teve todos os dias dor de cabeça.
Logo, José Sócrates terá dor de cabeça amanhã.


Vamos supor que as premissas dos argumentos são verdadeiras e que, portanto, não há contraexemplos. O curioso é que a amostra indicada na premissa do primeiro argumento é maior do que a do segundo. Contudo, aceitamos mais facilmente o segundo argumento do que o primeiro. Ou não? Porquê?

13 de dezembro de 2008

Um pedido de ajuda

Alguns dos nossos leitores conhecem a terminologia espírita? Os termos ingleses que não sei como se dizem em português são os seguintes:
  • Sitter: uma pessoa que quer contactar com um morto e que para isso contacta com um médium.
  • Proxy sitter: uma pessoa que faz os preparativos e se encontra com um médium em nome do sitter.
  • Control: o espírito associado ao médium, que lhe permite contactar com o mundo dos mortos.
  • Communicator: o espírito do morto com o qual o sitter quer comunicar.
  • Sitting: uma sessão espírita.
  • Seance: isto presumo que se diz "sessão espírita", mas não tenho a certeza.

Agradeço a ajuda! Esta terminologia ocorre num livro de filosofia da religião de Rowe que estou a rever.

Peter Cave e paradoxos


Comprei este livro esta manhã. Nem sabia da sua publicação, mas apressei-me a ir a uma livraria assim que o leitor Luís Gonçalves o incluiu na sua lista de preferências dos melhores livros do ano. Já conhecia o nome de Peter Cave, um habitual da revista Philosophy Now da qual sou subscritor e dos seus livros que vi na Amazon. Mas nunca tinha lido qualquer dos seus livros. Estranhamente não me lembrava que o autor tivesse escrito um livro com o título Duas vidas valem mais que uma?. E não escreveu mesmo. Quando peguei no livro na livraria, mesmo sabendo que o ia comprar e analisar em casa, fiz algo que sempre faço quando pego em qualquer livro que é ver quem o traduz e saber qual a edição original que serviu de base à tradução. Curiosamente a edição portuguesa não menciona o original. Li o prefácio e introdução e apercebi-me que, apesar do livro ter tido revisão, merecia outra já que escaparam algumas gralhas. Ainda que não me pareça muito importante dadas as características do livro em causa, fica sempre bem uma edição sem gralhas. Se os livros se vendessem bem cá no burgo, de certeza que o editor iria reparar nessas gralhas para rever na 2ª edição. Acho que este aspecto também depende de nós, leitores. Se comprarmos livros e os lermos, os editores tem sempre a possibilidade de, com mais dinheiro, fazer melhor trabalho. Quanto ao título original, uma pesquisa na Amazon deu para perceber que se trata da tradução de Can a robot be a human? 33 perplexing philosophy puzzles. Fico sem perceber o que estará por detrás da opção do editor em alterar o título original, pelo que não tenho opções de objectar, muito embora pessoalmente não goste de ver este tipo de coisas acontecer nem vejo, à partida, qualquer espécie de vantagem em alterar o título. Talvez a nossa falta de cultura científica nos condicione a que nos preocupemos menos com robôs do que com crimes e se justifique – mal – daí a opção. Mas o que nos traz este livro? Ele coloca-nos perante 33 paradoxos e mostra-nos o quanto interessante, mas complicado pode ser pensar em cada um deles. De uma forma claramente intencional, o livro destina-se aqueles que querem pensar mas que desconhecem as ferramentas e como os problemas se devem colocar de um modo organizado. O livro não traz respostas mas constitui um excelente auxiliar para nos revelar o comprometimento que as pessoas comuns tem, mesmo sem saber, com problemas que são sofisticadamente discutidos por filósofos profissionais. Acima de tudo fico feliz que este género de livros e autores sejam divulgados e traduzidos entre nós já que é com eles que desmitificamos muitos mitos que enevoam a filosofia tal como ela tem sido mal praticada no nosso país. Livros como este são muitas vezes um princípio de acesso à filosofia e é a razão que me faz acreditar que eles são bem necessários. Recentemente a edição de Como diria Sócrates?, pela Gradiva é talvez o exemplo mais aproximado a este de Peter Cave, apesar que a edição da Gradiva é mais cuidada. Ainda assim, como já expliquei, trata-se de uma agradável e divertida forma de começar a pensar alguns problemas filosóficos de áreas que pensávamos inacessíveis, como a metafísica. Existe um poadcast com o autor no blog de Nigel Warburton. Ah, e o livro lê-se de uma assentada numa esplanada de café. Como na cidade onde vivo o inverno pouco se faz sentir, foi essa a opção que tomei. Uma bica e enigmas filosóficos.
Peter Cave, Duas vidas valem mais que uma? Enigmas filosóficos que o vão surpreender, Academia do Livro, 2008, Trad. Maria A. Campos

12 de dezembro de 2008

Empirismo e filosofia da mente, de Wilfried Sellars



Acaba de ser publicado no Brasil o livro Empirismo e Filosofia da Mente, de Wilfried Sellars, pela Vozes, com tradução de Sofia Stein (Universidade de Caxias do Sul).

11 de dezembro de 2008

A voz dos leitores: Os 10 mais de 2008

Dando voz aos nossos leitores relativamente ao desafio lançado há dias pelo Rolando, aqui vai a lista que Luís Gonçalves nos enviou com aqueles que ele considera os melhores dez de 2008.

10 Mais de 2008 – Luis Gonçalves

Informação empírica para a discussão da ÉTICA AMBIENTAL

Calma - Cool it!, Bjorn Lomborg (Estrela Polar)
Lomborg, depois do seu “ O Ambientalista céptico – Revelando a real situação do mundo”, de 2002, na Editora Campus, volta a reafirmar a sua análise crítica do debate sobre o aquecimento global, mostrando de uma forma clara, realista e baseada em dados científicos, como enfrentar os dilemas da discussão climática, dando o seu forte contributo para enfrentar as posições ecologistas radicais, nomeadamente aquilo a que ele chama a “ladainha ambientalista”.

Quente, Plano e Cheio, T. Friedman (Actual Editora)
Friedman, depois de “O Mundo é Plano – Uma história breve do século XXI”, de 2005, também na Actual Editora, onde já deixara a sua marca na análise do mundo contemporâneo, no que concerne ao papel das mudanças económicas, sociais e políticas nas organizações, nas sociedades e nos indivíduos, vem agora defender a necessidade de uma revolução verde, ou como ele próprio afirma: “E o que fizermos relativamente aos desafios da energia e do clima, da conservação e da preservação, dirá aos nossos filhos quem somos nós na verdade. São decisões sobre quem somos, o que valorizamos, em que tipo de mundo queremos viver e como queremos ser recordados.”

FILOSOFIA POLÍTICA

Manual de Filosofia Política, João C. Rosas (org.) (Almedina)
Uma discussão dos principais modelos teóricos políticos e de alguns dos problemas políticos mais marcantes deste tempo em que vivemos, de uma forma organizada, sustentada e motivadora. É um excelente instrumento de trabalho numa área da filosofia menorizada nos programas actuais de filosofia no secundário.

O Político, Platão, na tradução do grego por Carmen Soares (Círculo de Leitores / Temas e Debates)
É caso para dizer: finalmente o “outro Platão” vem à luz . Numa tradução cuidada, cotada e anotada, Carmen Soares permite-nos a leitura na língua de Camões de um texto essencial para se perceber o Platão tardio, o Platão pós-República, sob uma forma mais comum ao Platão socrático – a troca dialéctica de argumentos sob a inspiração da tentativa de resposta à dupla pergunta a que o Estrangeiro, em 285d dá voz: “Qual é a nossa posição face à investigação sobre a figura do político? Foi-nos ela suscitada pelo político propriamente dito ou porque nos queríamos tornar melhor dialécticos em qualquer matéria?"

O Mundo Pós-Americano, F. Zakaria (Gradiva)
Uma análise lúcida e pertinente do actual estado do mundo político no século XXI, no pós-11 de Setembro. O declínio político americano (a dita “potência única” após a queda do Muro de Berlim, nos finais dos anos 80 do século XX) combinado com a emergência dos BRIC´s (Brasis, Rússias, índias e Chinas) gera novos desafios mas também problemas não expectáveis que exigem uma reflexão cuidada de todos e sobretudo uma postura política nova, uma nova ordem política à escala global, partindo da casa “América.”

Dicionário de Relações Internacionais, Fernando Sousa (dir.) (Edições Afrontamento)
É bem vinda esta nova edição (2ª, revista e aumentada) deste dicionário, numa área das ciências sociais e políticas que diariamente vê os seus conceitos revistos, reformulados e até substituídos por outros, em função dos protagonistas dessa teia constantemente refeita que são as relações internacionais.

ÉTICA

Duas vidas valem mais que uma?, Peter Cave (Academia do Livro)
33 dilemas para desafiar os nossos valores, as nossas convicções, baseados em situações do nosso quotidiano, de uma forma bem disposta e que recoloca a filosofia no centro das decisões que temos de tomar constantemente.

ESTÉTICA

Introdução à Estética, George Dickie (Bizâncio)
Excelente meio para penetrar num mundo com o qual mantinha um passado de incompreensões e alguns mal entendidos.
Um bom livro de começo para quem quer saber o que é a Estética e quais as suas principais teorias.

FILOSOFIA TOTAL

Que diria Sócrates?, Alexander George (org.) (Gradiva)
O subtítulo do livro diz tudo: “Os filósofos respondem às suas perguntas sobre o amor, o nada e tudo o resto“, ou como surpreender a filosofia na rua, na sala de aula, em casa ... desafiando-nos a pensar melhor e a analisarmos criticamente as nossas ideias.

Os Problemas da Filosofia, Bertrand Russell, tradução de Desidério Murcho (Edições 70)
Finalmente a tradução em português legível, de uma das obras mais importantes de um dos filósofos marcantes da filosofia ocidental contemporânea, não só inglesa mas global. Para além da introdução que é um valor acrescentado da tradução.

8 de dezembro de 2008

Sugestões musicais



Eis, para variar, algumas sugestões musicais. Sugiro três discos que me parecem exemplificar diferentes tipos de beleza musical. Nenhum deles apresenta música que possa ser considerada revolucionária ou inovadora; trata-se antes de música que foi capaz de levar fórmulas já bem conhecidas quase ao seu mais alto grau de perfeição. E isto não está ao alcance de todos.

A primeira sugestão é a gravação das Quatro Últimas Canções, de Richard Strauss, por Jessye Norman, acompanhada pela Gewandhausorchester de Leipzig, dirigida pela maestro Kurt Masur. Richard Strauss escreve para orquestra como poucos conseguiram fazer, dando brilho a todas as suas secções sem dar a impressão que está a abrir um mostruário. A sua música é incrivelmente melodiosa, mas as melodias são quase sempre imprevisíveis e sinuosas - por vezes parece até que vão descambar e que nos estamos quase a perder, o que faz parte do seu encanto. As Quatro Últimas Canções são o exemplo mais perfeito disso e são das canções mais belas que alguma vez se criaram. É-me muito difícil dizer qual das quatro prefiro. Por vezes prefiro a segunda, September, que começa com as cordas a acriciar-nos o ouvido e termina com um longo pianíssimo de Jessye Norman, rematado com o som quente e suave da trompa a fazer-nos quase levitar. É música do outro mundo. Outras vezes prefiro Beim Schlafengehen, a mais empolgante de todas. E, por vezes, a que mais me apetece ouvir é Im Abendrot, que começa com uma longa, lenta e planante melodia nas cordas, em que estas se desdobram num colorido irresistível, com os metais muito suavemente no fundo. De todas parece ser a mais introspectiva. Os entendidos dizem que a interpretação de Elizabeth Schwarzkopf é imbatível. Mas eu, que não sou entendido, já a ouvi várias vezes e prefiro esta de Jessye Norman. O som é simplesmente espectacular e é para ser ouvido bem alto.

Outro disco que sugiro é Largo, do pianista de jazz Brad Mehldau. Largo é um disco de jazz que consegue a leveza e a ingenuidade da melhor pop, sem deixar de ser jazz, e em que se encontra frequentemente a energia do rock, sem ser rock - tem uma versão de Paranoid Android, dos Radiohead, que é um bom exemplo disso e onde não falta o improviso controlado do melhor jazz. Outras músicas excelentes são When It Rains, Franklin Avenue e Dusty Mc Nugget, as minhas preferidas.

A minha terceira sugestão é de um songwriter pop como há muito não aparecia: Rufus Wainwright. O disco Release the Stars, é do melhor que Wainwright fez e tem canções pop estranhamente lânguidas, como Not Ready to Love - a lembrar o injustamente esquecido songwriter inglês Roy Harper - muito fora dos padrões habituais, além de ter uma voz poderosa e invulgarmente musical. Pode vir a ser um clássico da pop.

6 de dezembro de 2008

Wikicensuras

Verifiquei agora que o texto reformulado do Desidério no Wikipedia (ver post anterior) foi novamente censurado. Desta vez não o apagaram, pois isso entraria em contradição gritante com a existência de uma entrada inglesa no mesmo site. A técnica usada corresponde às minhas expectativas: usar directamente o termo inglês, para tentar suavizar o impacto. Contudo, o que salta mais à vista é a perda significativa de conteúdo e o português de cortar à faca, com frases mal construídas e uma «espansão» para traduzir «expanding» (De uma banda chamada «Incredible Expanding Mindfuck»).

O argumento do censor, segundo o qual "psicofoda" peca por referir um mero acontecimento mental é refutado pelos exemplos de palavras "consagradas": psicotrópico - substância que altera estados mentais e não "mudança mental" (seguindo a sua lógica). Nada há de "imaginário" ou "meramente mental" na "psicologia" ou na "psiquiatria". O "psicossocial" não é uma sociedade imaginária e as doenças "psicossomáticas" não são ficcionais. O "psicofísico" não é meramente psíquico e as "psicopatias" não são inventadas por romancistas.

Para equilibrar os exemplos em que o segundo componente da palavra composta é um substantivo: "psicoterapia" não é uma terapia "dentro da cabeça", é algo que se faz no mundo exterior e que tem efeitos nos estados mentais do paciente.

Além disso, o poema de William Blake "The Mind Traveller", foi traduzido para português com o título "O Psiconauta" (não se trata de um viajante imaginário, embora viaje mentalmente) - isto para atestar a flexibilidade de formação de palavras compostas. Se o inglês tem essa flexibilidade, por que razão o português não pode ter?

O censor afirma que não há conotação assexual para "foda" em português. Os dicionários Houaiss e Aurélio afirmam o seguinte:
Foda (Houaiss)
n substantivo feminino Uso: tabuísmo. 1 m.q. cópula ('ato sexual') v substantivo masculino Uso: tabuísmo. 2 aquilo que se suporta com dificuldade; dureza Ex.: o f. é ter de trabalhar no feriado
Foda (Aurélio) [Dev. de foder.] Substantivo feminino. Chulo 1.Cópula (2). 2.Coisa desagradável ou difícil de executar ou suportar: Trabalhar 15 horas por dia é foda.
Porto Editora:
substantivo feminino 1. vulgarismo relação sexual, cópula;
2. vulgarismo coisa desagradável, coisa insuportável;

O censor distingue arbitrariamente "baixo calão" de "alto calão". Isto é simplesmentei incompreensível e incientífico. A etimologia do termo, que é mais clara do que "fuck" atesta-o: "terram fodere", o latim para "escavar". O termo germânico de que deriva "fuck" não parece ter uma etimologia tão clara, à parte uma ressonância com o latim "pugnus" - "punho" (segundo o Oxford Dic).


De resto, o "fuck" em "mindfuck" não só não elimina como pressupõe a conotação sexual. McGinn di-lo diversas vezes no seu livro.


Não há qualquer bom argumento que sustente a «correcção» a não ser um vago puritanismo linguístico, fruto de um salazarismo residual. 

Como é que o nosso censor conciliaria o seu eufemismo «atrapalhar» com as referências do McGinn ao «significado sexual do termo»:

Há locuções relacionadas que ajudam a esclarecer o significado do nosso termo e também destacam a suposição de negatividade. A mais próxima é talvez «foder a cabeça a alguém». Temos mais uma vez a ocorrência de «foder», só que neste caso usamos «cabeça» como variante idiomática de «psique», embora isto tenha uma conotação mais corpórea e sugira sem dúvida a felação. A felação é pura e simplesmente um tipo de foda cefálica (como na expressão inglesa «giving/getting head»)

(do primeiro capítulo do livro)

Se algum leitor conseguir compatibilizar isto com uma objecção que não seja meramente baseada no pudor ou nas nossas psicofodas linguísticas inargumentativas... Peço-lhe que nos esclareça.

5 de dezembro de 2008

«Psicofoda» censurada na Wikipédia

O mundo português está ainda a milhas de se libertar das psicofodas linguísticas e culturais que nos afligem e tolhem o passo. Há muito que existe uma entrada para o termo «Mindfucking» no site da Wikipedia. Esta entrada é referida pelo próprio McGinn no seu livro: Mindfucking, a Critique of Mental Manipulation. Hoje o Desidério publicou um Wiki português para «Psicofoda», que foi apagado por um administrador, dando lugar a uma segunda publicação pelo Desidério, desta vez contendo a ligação para o Wikipedia inglês. Será que a censura se vai manter? Seria curioso tentar explicar a atitude argumentativamente.

Este post é uma versão abreviada do que publiquei aqui.

4 de dezembro de 2008

Generalizações e previsões


Descobri hoje numa aula do 11º ano que alguns alunos, ao avaliar argumentos, confundiam sistematicamente os argumentos indutivos por generalização com as previsões (que também são argumentos indutivos). Na verdade, eles sabiam distinguir perfeitamente generalizações de previsões. O problema surgia quando se tratava de os avaliar. Por exemplo, a generalização

Até hoje o Sol nasceu todos os dias.
Logo, o Sol nasce todos os dias.

foi por eles avaliada como um mau argumento, o que considero correcto. Mas também a previsão

Até hoje o Sol nasceu todos os dias.
Logo, o Sol irá nascer amanhã.

foi por eles avaliada como um mau argumento, o que é incorrecto. Diziam alguns deles que ambos os argumentos eram maus pelas mesmíssimas razões. Mas o conhecimento científico disponível mostra que a premissa da generalização é irrelevante para o que se quer concluir, ao passo que não o é para a conclusão da previsão.

O que acha o leitor?

1 de dezembro de 2008

2008 Best Of

A filosofia é o meu trabalho. Nesta lista inclui livros que me dão muito prazer conhecer e ler, mas também que me são muitos úteis para proceder aos devidos upgrades profissionais.

1 – Bertrand Russell, os problemas da filosofia,Ed. 70 ( trad Desidério Murcho)
Era inevitável que a tradução do Russell não viesse à cabeça desta minha lista, já que se trata de uma renovada tradução de um dos clássicos da filosofia contemporânea que pode ser lida tanto pelos profissionais da filosofia como pelos não especialistas.

2 – Michael Lacewing, Philosophy for AS, Routledge
O ensino da filosofia está no centro das minhas preocupações pelo que é natural que alguns dos livros de filosofia mais significativos para mim sejam manuais. Para além de tudo aprende-se muita e boa filosofia por manuais quando eles são bem feitos. Este de Michael Lacewing, apesar de não estar traduzido na língua portuguesa, foi um dos melhores livros que comprei em 2008 e certamente é uma útil e sempre presente ferramenta de trabalho

3. Vários Autores, A Arte de Pensar 11, Didáctica Editora
Já é publica a minha preferência assumida por este manual de filosofia para o ensino secundário. Apesar de ser um manual e destinado a estudantes do ensino secundário, acaba por ser das melhores introduções à filosofia que temos escrita exclusivamente por autores portugueses. Creio mesmo que é a única. É uma obra escrita numa linguagem compreensível e, na minha opinião, é talvez a maior revolução para o ensino da filosofia das últimas décadas permitindo mudar toda uma forma de encarar a filosofia inspirada em modelos que já provaram a sua caducidade.

4 – George Dickie ,Introdução à estética, Bizâncio, trad. Vitor Guerreiro
Era importante termos disponível em língua portuguesa alguma obra de George Dickie, um filósofo que protagoniza uma das mais relevantes teorias contemporâneas da filosofia da arte, a teoria institucional da arte. Mas esta obra é particularmente interessante porque Dickie escreve uma pequena história da filosofia da arte, até chegar à sua tese como que a mostrar ao leitor o percurso que conduz o filósofo a defender a sua tese.

5 – Kwame Anthony Appiah, Cosmopolitismo, ética num mundo de estranhos, trad. Ana Catarina Fonseca
É já a segunda obra que leio deste filósofo ganês, radicado nos EUA, país onde exerce a docência universitária na filosofia e confesso que é um autor que me tem interessado,não tanto pela especificidade das suas teses, mas mais pelo modo como escreve e apresenta a filosofia. A obra merece a 5ª posição na minha lista, mas a tradução e a edição em si nem sequer daria lugar a esta obra numa lista que se preze. Esta tradução merecia uma revisão completa. Nesta obra Apiah defende a tese cosmopolita de inspiração kantiana. Esta defesa não é exclusiva de Apiah em filosofia. A Filosoficamente da Bizâncio teve a oportunitade de traduzir uma obra de Louis Pojman onde é feita uma defesa aproximada a esta de Apiah.

6 - Peter Singer, Escritos sobre uma vida ética, D. Quixote, Trad. Pedro Galvão, Maria Teresa Castanheira, Diogo Fernandes
Seria muito difícil não mencionar uma qualquer obra de Singer já que é um filósofo por quem tenho uma grande admiração, mesmo que não subscreva toda a sua argumentação. Esta obra é uma espécie de best of de Peter Singer e vale sobretudo para quem quer compreender muitas das principais teses que o filósofo defende em formato que garante economia de tempo, sem qualquer deslize dos seus argumentos mais explorados numa ou outra obra.

7 - Alexander George, que diria Sócrates?, Gradiva, trad. Cristina Mateus de Carvalho
Este livro tornou-se a materialização em formato livro do trabalho desenvolvido no site Ask Philosophers. É divertido, rigoroso, impecável. É uma obra de filosofia que estabelece muito bem a ponte entre a filosofia e a vida mais quotidiana. E é mais um volume de uma das mais belas colecções de filosofia em língua portuguesa, a Filosofia Aberta.

8 - Peter Singer e Jim Manson, Como comemos, trad. Isabel Veríssimo, D Quixote
Este não é um livro típico de filosofia. Parte de uma investigação no terreno dos autores e essa investigação é que acaba por constituir as premissas para defender uma tese mais central, a que que temos uma obrigação moral no que metemos na boca para nos alimentar. Li-o com muito prazer durante o verão de 2008, mas com muito choque também e fiquei com a noção de que a generalidade das pessoas praticamente não tem grande noção que quando come esse acto pode ter implicações morais muito sérias. Precisaríamos de alguma continuidade na publicação deste género de obras em língua portuguesa.

9 – Gareth B. Matthews, Santo Agostinho, Ed. 70, Trad. Hugo Chelo
Desde os tempos de faculdade que não lia um livro inteiramente dedicado a Santo Agostinho. Pensava que já sabia tudo o que havia para saber do filósofo medieval e que esse que havia para saber nem era grande coisa. Enganei-me até começar a ler o excelente livro de Gareth Matthews um dos maiores especialistas da actualidade em S. Agostinho.

10 - Daniel C. Dennett, Quebrar o Feitiço, a religião como fenómeno natural, Esfera do Caos, trad Ana Saldanha
A filosofia é isto mesmo, ousadia intelectual. Dennett propõe nesta sua obra que se leia a religião como resultado da evolução e essa evolução conduzir-nos-á, inevitavelmente, ao ateísmo. Interessante. Esta edição é também assinalável pois vem repor alguma justiça na disponibilidade de obras de ateus em língua portuguesa. A versão de Dennett parece-me mais completa que a de Richard Dawkins.

Ideias e letras


A editora brasileira Idéias & Letras, divulgada por um leitor, tem alguns títulos muito importantes para o ensino. Destaco os seguintes:
  • Filosofia Medieval, org. por McGrade. Trata-se da tradução do Cambridge Companion to Medieval Philosophy. É uma obra crucial para preparar boas aulas de graduação de filosofia medieval.
  • Primórdios da Filosofia Grega, org. A. A. Long. Mais uma tradução, desta feita do Cambridge Companion to Early Greek Philosophy, que abrange os chamados pré-socráticos (designação algo enganadora porque alguns deles são ou contemporâneos ou posteriores a Sócrates). Crucial para aprofundar este período da filosofia num curso de graduação, quer numa cadeira de Filosofia Grega, quer numa cadeira electiva dedicada apenas aos pré-socráticos.

Os melhores de 2008 no Brasil

Eis uma lista do que considero que de melhor se publicou no Brasil de filosofia em 2008. A lista tem com certeza muitas omissões por puro esquecimento meu. Além disso, a lista não tem em conta a qualidade ou falta de qualidade das traduções.
  1. Uma Nova História da Filosofia Ocidental: Filosofia Antiga, de Anthony Kenny (Loyola)
  2. Uma Nova História da Filosofia Ocidental: Filosofia Medieval, de Anthony Kenny (Loyola) Com estes dois primeiros volumes da nova história da filosofia, estudantes e professores podem preparar melhores aulas de graduação de história da filosofia. Os volumes dividem-se sempre em duas partes: na primeira, faz-se uma apresentação histórica mais geral das ideias e contextos históricos do período em causa; na segunda, discute-se em maior profundidade, e tematicamente, os problemas, teorias e argumentos do período em causa.
  3. Estética: Fundamentos e Questões de Filosofia da Arte, org. Peter Kivy (Paulus). Trata-se da tradução do Blackwell Guide to Aesthetics. Com artigos sobre diversos aspectos da estética e da filosofia da arte, da autoria dos filósofos que hoje trabalham nesta área, é uma obra preciosa para professores e estudantes interessados nesta área de estudos.
  4. Compêndio de Epistemologia, de John Grecco e Ernest Sosa (Loyola). Outra tradução preciosa de mais um original da série Blackwell Philosophy Guides. Os filósofos contemporâneos que trabalham na área da teoria do conhecimento apresentam neste livro vários artigos sobre vários aspectos centrais da área. Um instrumento crucial para o ensino universitário.
  5. O Básico da Filosofia, de Nigel Warburton (José Olympio). Não há uma introdução à filosofia mais simples do que esta, sem contudo deturpar indevidamente a área. Imprescindível para o ensino médio e para alunos dos primeiros anos de graduação.
  6. Para Que Serve a Verdade?, de Pascal Engel e Richard Rorty (UNESP). Uma discussão lúcida sobre um tema que costuma ser muito mal compreendido. Rorty é um defensor do perspectivismo nietzschiano, segundo o qual a verdade é um conceito meramente religioso, que devemos abandonar como abandonámos os deuses gregos. Mas Engel está longe de concordar com esta perspectiva e apresenta a sua perspectiva alternativa.
  7. Liberdade e Neurobiologia, de John R. Searle (UNESP). Searle regressa neste livro a temas que já ocuparam uma parte importante das suas preocupações: a compreensão do livre-arbítrio num universo aparentemente determinado.
  8. A República de Platão: A Boa Sociedade e a Formação do Desejo, de Martha Nussbaum (Bestiário) Este excelente livrinho é de 2004, mas passou aparentemente despercebido, pelo que o incluo nesta lista. É uma apresentação obrigatória para quem quiser compreender bem a República de Platão, a sua relevância para a filosofia política contemporânea e para a nossa concepção de sociedade. Uma prosa clara como água e uma belíssima tradução.
  9. Incompletude: A Prova e o Paradoxo de Kurt Gödel, de Rebecca Goldstein (Companhia das Letras). Não é um livro de filosofia, mas de divulgação científica e filosófica, que apresenta alguns aspectos do famoso lógico que pensava ter acabado com as ilusões empiristas dos positivistas lógicos. Na verdade ninguém lhe ligou na altura e continuaram alegremente a ser nominalistas.
  10. Santo Agostinho, de Gareth B. Matthews (Jorge Zahar) Este livro foi publicado em 2007 no Brasil mas é um milagre de história da filosofia tal como devia ser feita, pelo que vale a pena recordá-lo. Apresentando as ideias de Agostinho simultaneamente com rigor exegético e à luz da filosofia contemporânea, é das melhores coisas que li sobre um filósofo do passado.