5 de janeiro de 2009

Livros para ler em 2009


Alvin Plantinga & Michael Tooley, Knowledge of god

7 comentários:

  1. Era interessante começar-se a traduzir para português as obras de Plantinga. Pelo facto de não existir estas obras traduzidas, pode constituir uma carência na área de filosofia da religião em português.

    Saudações cordiais,

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  2. Na filosofia da religião contemporânea temos toda a carência. Praticamente não temos nada traduzido. Recordo-me somente de uma obra de Denett e uma outra de Swineburne e nada mais.

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  3. Também existem pelos menos duas obras traduzidas de Keith Ward: "God, Chance and Necessity" (1996) e "God, Faith and the New Millennium" (1998).

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  4. A boa notícia é que vamos ter uma boa introdução à filosofia da religião na minha colecção das Quasi: o livro de Rowe, da Wadsworth, com tradução de Vítor Guerreiro e revisão minha. No meu entender, é das melhores introduções a esta área.

    E na Bizâncio estou a organizar uma pequena antologia sobre a epistemologia da fé, com uma introdução generosa escrita por mim. A antologia será com os textos clássicos de Clifford, a resposta de William James e a nova epistemologia reformista de Plantinga. Tradução também de Vítor Guerreiro.

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  5. A notícia do segundo livro, o da Bizâncio é excelente. Em relação ao Rowe é sem dúvida alguma uma belissíma introdução à fil da religião. Conheço o livro. É conciso e preciso.

    Domingos,
    nunca li os livros do Keith Ward.

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  6. Quanto ao Rowe é preciso dizer que está estruturado como um curso introdutório à filosofia da religião, com tópicos de estudo complementar e questões práticas no final de cada capítulo. Quando tive filosofia da religião durante um ano inteiro não tive o benefício de um trabalho tão sistemático e disciplinado. Mal aprendi como deve ser o argumento ontológico. Mas neste volume temos um tratamento sistemático dos principais argumentos tradicionais: o cosmológico (e suas variedades), o ontológico e do desígnio. A questão da experiência religiosa e mística como indício a favor da crença em deus, o problema do mal nas suas formas lógica e indiciária, o problema da relação entre fé e razão, a vida depois da morte, a presciência divina e a liberdade humana, e finalmente o problema das muitas religiões.

    O estudo é imparcial, rigoroso, isento, como deve ser um estudo filosófico. Não tenta impingir refrões nem frases musicais ao leitor. Faz filosofia, ou seja, concentra-se no processo de justificação das crenças e procura dar sempre a versão mais robusta da tese que escrutina, especialmente quando se trata de a criticar. Uma coisa que raramente se vê fazer.

    Do meu ponto de vista será um dos livros mais interessantes este ano... para quem gosta de filosofia. Por ser uma discussão competente e rigorosa, ao mesmo tempo que agradável e acessível a qualquer pessoa, sem ser preciso ter lido os textos da tradição.

    Isto difere substancialmente do que nos habituamos a fazer na faculadade. Saímos de lá com a convicção de que não é possível explicar cabalmente o argumento ontológico, por exemplo, a qualquer pessoa que não tenha lido 50 livros em latim, algumas estrofes de 20 poetas que nada têm a ver com o caso, e consiga fazer beicinho quando vocaliza expressões como "santo agostinho, no de magister diz..." (Ok, estou a exagerar... mas é algo por aí!)

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  7. Vitor, acho que nao estás mesmo nada a exagerar!

    Quando tive filosofia da religião, em cuja cadeira depositei muitas expectativas, li tudo o que pouca relevância tem para a filosofia da religião ela mesma. Exceptuando textos de história da filosofia que são importantes se olharmos a filosofia numa perspectiva hermenêutica (que foi apenas o que tive na universidade). No entanto, desde a teologia no feminino (ou lá o que era) apenas porque a professora era feminista e outras irrelevancias filosóficas, ou senão, as predilecções da professora, esquecendo-se que estava formar futuros profissionais de filosofia. No entanto, também estudei numa universidade em que cheguei a ouvir, poeticamente, um professor que todos são filósofos, desde o camponês ao retalhista. Enfim! Assim, aguardo a edição e outras que se seguirão, pois a filosofia da religião é bem mais interessante do que ficarmo-nos colados aos teólogos medievais ou místicos românticos do séc.XIX.

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