14 de janeiro de 2009

por que nunca devíamos ter abandonado o latim (1)

Considere-se a expressão inglesa "an eventual merging with a higher reality".
O verbo "to merge" vem directamente do latim "mergere", que significa "mergulhar". Palavras ingleses que partilham a mesma fonte são "submerge", "immerge", emerge", "emergency", etc.
Em português, temos todas estas últimas, a partir da mesma fonte: "submergir", "imergir", "emergir", "emergência", etc.
Contudo, ao traduzir o termo "to merge", "merging", etc., vemo-nos obrigados a usar "amalgamar" ou "fundir", "amálgama", "fusão", ou outras variantes. Mas acontece que em inglês também temos "fusion" e "amalgam".
A solução lógica para isto era termos também o verbo "mergir" e traduzir a expressão inicial por: "uma eventual mersão com uma realidade superior". Pois o mesmo acontece em português com outras palavras que descendem directamente de formas latinas. De resto, não faz sentido haver formas com o verbo latino prefixadas mas não a forma imprefixada, que supostamente é o que dá sentido às primeiras.

3 comentários:

  1. Pois é Vitor

    a solução lógica é essa e também é a melhor tradução da palavra no caso. O problema é convencer as pessoas disso. Confesso que já estou desiludido de tentar mostrar para os meus colegas da filosofia que "sentence" se traduz por "frase" e não "sentença". Nos inúmeros livros em português sobre filosofia da linguagem (traduzidos ou não) assim como nos artigos acadêmicos de modo geral só se usa "sentença". Eu não sei se essa reação é pura preguiça de mudar um uso corriqueiro da palavra ou é dogmatismo mesmo. Em qualquer dos casos eu estou desistindo, não tenho vocação para santo!

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  2. Matheus, em Portugal não é assim tão habitual ver "sentence" traduzido por "sentença". Por exemplo, nos livros da colecção Filosofia Aberta e em outros traduz-se antes por "frase". Mas é verdade que nos livros brasileiros que conheço se usa sempre "sentença". De qualquer modo não vale a pena desistir, tem de se insistir pacientemente.

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  3. Pois é Aires,

    sei de algumas pessoas (Vitor Guerreiro e Desidério, por exep) que têm feito um trabalho sério e muito profissional nas traduções. Mas uma coisa é ter que vencer resistências nas traduções dos livros (com os editores, por exep) e outra bem diferente, é aplicar tais traduções no dia a dia da filosofia. Eu escuto cada coisa: que como todos traduzem "sentence" por "sentença" o uso linguístico já nos autoriza a traduzir deste modo, enfim. Acho que é melhor ter bastante paciência e continuar insistindo, como você mesmo disse.

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