9 de fevereiro de 2009

fixação de termos

Venho lançar o desafio aos leitores: qual a melhor adaptação portuguesa do termo "free rider" comummente usado na filosofia política e na filosofia moral?

A tradução mais "clássica" e talvez mais correcta seria "parasita" - literalmente: aquele que se senta ao lado de... (à mesa, depreendemos). Equivale ao nosso vernáculo "pendura" mas com uma conotação gastronómica mais evidente. O que é bom, devido à associação implícita entre o "free rider" e o "free lunch" - não há refeições de borla, apenas transferência de custos.

Pessoalmente, gosto do "parasita". Mas tem os seus problemas: é um termo com uma história longa e portanto tem muitas associações diferentes: será que todos os parasitas são "free riders"? O termo grego parece mais lato. "Free rider", tanto quanto sei, é um termo jovem.

Tenho especial curiosidade em saber se os economistas portugueses, dado que este termo tem de surgir na bibliografia da área, pelo menos na de língua inglesa, usam uma adaptação ou se, à semelhança do que fazem os "designers", usam simplesmente o termo em inglês.

3 comentários:

  1. De acordo com a minha experiência pessoal, na literatura económica é comummente utilizado o termo em inglês - aliás esta parece ser a norma, utilizar os termos em inglês em vez de procurar adaptações na língua de Camões. No entanto, há duas adaptações ao termo free-rider que surgem amiúde entre os economistas portugueses: "borlista" e "passageiro clandestino".

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  2. O professor Fernando Araújo que apesar de ser jurista (é professor de economia política na FDL) tem um manual de economia política onde, salvo erro, traduz a expressão "free rider" por "efeito de boleia" ou simplesmente "boleia".

    Nessa Faculdade são bastante críticos quanto ao uso de expressões anglo-saxónicas não traduzidas para Português. Em trabalhos escritos mais avançados, pede-se, normalmente, que se dê uma definição da expressão em inglês e que se encontre um sucedâneo na nossa língua.

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  3. É sempre possível arranjar boas adaptações. Acontece que nem sempre há a paciência para isso.

    "efeito boleia" ou "boleia" não me parecem bem porque por um lado complicam o original mais do que é e não são fiéis, por outro, o "free rider" é aquele que anda à boleia e não a própria boleia.

    De resto, uma pessoa que ande à boleia não é necessariamente um free rider, por exemplo: se dou boleia a alguém porque me sinto aborrecido durante uma longa viagem e acabo por encurtar o tédio com uma bela conversa, o que anda à boleia compensou-me. Não houve "free riding",isto é, transferência de custos.

    A transferência de custos ocorre quando alguém dá parte da sua riqueza (tempo, esforço, dinheiro, etc) e nada recebe em troca.

    Por isso me inclino para "parasita", mas também não me agrada completamente. A razão é não ser uma tradução evidente de "free rider". Gostaria de um termo que remetesse imediatamente para a bibliografia relevante sobre o assunto, e não um termo que obriga a fazer muitas inferências para aí chegar.

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