14 de fevereiro de 2009

O Segredo

Dado o sucesso do self-help “como ser um bom mau pensador em cinco lições e meia” convém aqui revelar o segredo por trás do mesmo. Tem-se perguntado sobre o que torna estas cinco regras práticas conducentes a um bom mau pensador e nem sempre é claro o porquê. Para mais, dado que uns pensadores são melhores nuns pontos que noutros é difícil de os classificar. Um pensador, por exemplo, um filosofo marxista, pode ser exímio no ponto 5 “Pregue altivamente contra qualquer coisa abstracta” e apresentar deficiências graves no ponto 2 “Nunca argumente.” Enquanto um outro pode ter um domínio completo sobre esta última regra.
Uma dificuldade contígua é a de que ser bom a alguma coisa requer esforço e para que nos esforcemos devidamente convém saber o fim, o objectivo do nosso esforço.

A esta altura, decerto que ao bom mau pensador já lhe ocorreu que o objectivo pretendido é o de ser mau pensador, pelo que esta prelecção seria ociosa. O que decerto é um raciocina exemplar para um bom mau pensador na medida em que evita qualquer compreensão maior da questão. No entanto como queremos ajudar todos aqueles que sonham com ser grandes maus pensadores, convêm excepcionalmente e com precaução tentar iluminar a questão.
Este segredo não deve continuar nas mãos de uns poucos privilegiados. Todos os grandes maus pensadores a souberam, se não explicitamente, implicitamente. Está, afinal de contas ao alcance de qualquer um que seja diligente.

O segredo, a regra de ouro, de qualquer bom mau pensador é a procura activa do estreitamento mental. Evitar activamente qualquer compreensão, iluminação, clareza ou contacto com a realidade na actividade intelectual. O segredo está em evitar, nos discursos, nos livros ou artigos que se publica que causem qualquer aumento cognitivo no leitor. O que, como todos sabemos não é fácil. As distracções saem caras e por vezes mesmo nos livros dos grandes maus pensadores se encontra passagens de verdadeira inteligência e insight. Mas no mundo competitivo em que vivemos ser realmente bom a qualquer coisa não é fácil.

Como exercício deixo ao leitor o trabalho de demonstrar como da regra de ouro se podem extrair as cinco regras mencionadas em “como ser um bom mau pensador em cinco lições e meia”

1 comentário:

  1. Olá Miguel,
    Não sei se percebi bem a tua posta. O segredo deve ser completamente particular, depende de bom mau pensador para bom mau pensador ou então, o que é mais objectivo, é alimentado pelas boas más universidades e pelo bom mau ensino. Aliás acho que esta é mesmo a principal causa. Se notarmos as universidades portuguesas, em filosofia, estão cheias de bons maus pensadores e raramente aparece um filósofo que seja assim assim.
    Claro que um bom mau pensador por vezes acerta no alvo, tal como um astrólogo às vezes acerta e tal como eu às vezes acerto no último prémio do euro milhões.
    Gosto sempre de ler as tuas postas
    abraço

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