17 de março de 2009

Falácia papal

Tenho prestado pouca atenção às notícias, por causa do sufoco dos testes. Mas um aluno (Rafael Vieira) chamou-me a atenção para esta.
O Papa Bento XVI, que se encontra em África, mostrou que não é uma autoridade qualificada no que diz respeito à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Segundo Sua Santidade, a solução para o problema da sida não passa pela utilização de preservativos, mas sim por um "despertar espiritual e humano" e pela "amizade pelos que sofrem".
Recordo ao leitor que em África já morreram milhões de pessoas devido à SIDA e que segundo algumas estimativas existem actualmente 22,5 milhões de africanos seropositivos.
Quem invocar a opinião papal para justificar a recusa do preservativo incorre, portanto, na falácia do apelo à autoridade e infringe pelo menos uma das regras que asseguram a validade dos argumentos de autoridade: a autoridade invocada tem de ser realmente especialista na matéria. O que, manifestamente, não é o caso.

32 comentários:

  1. "O Papa Bento XVI, que se encontra em África, mostrou que não é uma autoridade qualificada no que diz respeito à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis."

    Viva, Carlos
    O Papa não necessita de mostrar tal coisa, porque efectivamente não é uma autoridade sobre o assunto. Em relação ao que o Papa refere, é, para mim, um hino à mais pura das "sagradas" ignorâncias.

    Pedro Dinis

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  2. Bem, e ainda por cima não sei como o actual papa se desloca, mas o anterior promovia esse tipo de ideia em África e deslocava-se dentro de um preservativo gigante, o papa móvel, que serve precisamente para preservar a vida. Contradições.

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  3. felizes os pobres de espírito porque vão ganhar a corrida e ficar com o triciclo.

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  4. Será que estaremos a ver a totalidade dos argumentos do papa? Será que é apenas aquilo que vem na comunicação social?
    Pelo menos pela comunicação social ainda não percebi bem a argumentação do papa. E espero que seja melhor explicita em algo mais formal do que indirectamente pelos meios de comunicação.

    Se tiver um silogismo claro (e sem ser por vias informais e indirectas), então, será possível criticar com mais rigor.

    Podemos correr o risco de falar daquilo que ainda não sabemos (neste caso ainda não sei clara e directamente o que é o papa pensa com rigor e precisão).

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  5. e mesmo assim... é preciso saber o que se quer dizer por "despertar espiritual e humano" e "amizade pelos que sofrem". Temos que perguntar ao papa o que significa isto. É preciso aqui clarificar muita linguagem.

    Por isso, rigorosamente não posso fazer um comentário destrutivo ou construtivo, uma vez que ainda existe muita linguagem que é preciso clarificar, bem como é preciso atender qual é afinal o argumento preciso para se chegar à conclusão que vem expressa nos meios de comunicação.

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  6. ... desta forma, Carlos Pires,
    Como poderá concluir que o que o papa disse é uma falácia (papal - lol), se ainda não sabemos rigorosamente, claramente, e directamente o que ele pensa?

    Ou será que você já sabe toda a argumentação que está implícita e para si todas as palavras que o papa disse são totalmente claras e óbvias?

    Penso que em primeiro lugar temos que perguntar ao papa como é que fundamenta a seguinte afirmação: "Não se pode resolver (o problema da sida) com a distribuição de preservativos".
    Quando souber realmente qual é a argumentação, então, aí poderemos dizer se é falácia ou não.

    Por agora apenas estamos a "falaciar" o que ainda não pode ser "falaciado".

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  7. Considero que um título mais correcto seria:
    "Falácia papal???" em vez de "Falácia papal".

    Quando tivermos tudo claro, aí sim podemos dizer se é realmente uma falácia ou não.
    Fico à espera que o papa esclareça o que disse.

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  8. Teófilo:

    Se alguém disser "2+3=8" devemos dizer que está errado ou esperar que a pessoa se explique melhor?

    O que o Papa disse é tão errado como "2+3=8". A Sida é provocada por um vírus - qual é o "despertar espiritual" que permite combater um vírus?

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  9. É melhor pedir que a pessoa se explique melhor; ou seja, é melhor que a linguagem esteja clara (como recomenda wittgenstein), para então poder fazer uma séria e rigorosa critica.

    Agora, o que se está a fazer é apenas preconceitos.

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  10. Caro Teófilo,
    Há séculos que a argumentação dos papas é conhecida.
    abraço

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  11. Teófilo,

    Qual é a utilidade de estar a tentar tapar o Sol com uma peneira e convencer os outros de que à milésima vez vai mesmo resultar?

    Só um gajo que viva completamente alienado do mundo não sabe o que vai naquelas cabecinhas, o que sai daquelas mãos e o que defendem aqueles palhaços.

    O que é doloroso é que se se tratasse de qualquer outra doença que não envolvesse transmissão sexual, logo que não burilasse com preconceitos idiotas explorados pelo clero, qualquer pessoa que tomasse uma posição similar à do papa e da igreja, seria criticado por qualquer cristão na posse das suas faculdades mentais.

    O ónus da prova recai sobre o papa. Se ele quer ser bem compreendido que se exprima claramente. Não sou eu que tenho de aceitar provisoriamente a verdade do que ele afirma, aguardando que lhe apeteça esclarecer-se ou pedindo-lhe que se esclareça. Não tenho de o fazer isso. É a igreja quem está a propor a tese mais dispendiosa em termos morais, a proposta mais extravagante, logo é a igreja que tem de se explicar e justificar perante as pessoas cuja miséria moral estimula para manter o maldito domínio sobre a mente das pessoas através dos seus medos e preconceitos.

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  12. É curioso que a Igreja ache imoral algo tão inócuo como o preservativo e não ache imoral as mortes evitáveis que a sua recusa provoca.

    Faz lembrar aquilo que aconteceu recentemente no Brasil: os médicos que fizeram um aborto a uma menina violada (pelo próprio pai, salvo erro) foram excomungados, mas o violador não.

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  13. Teófilo,
    E a falácia que o Carlos levanta é clara: quem invocar o papa para argumentar sobre o problema comente um apelo à autoridade falacioso. E se eu quiser fazer amor espiritual, com fé, em que ficamos?
    Creio que também não é claro que seja em si imoral amar uma mulher na cama sem intenção de reproduzir. É isto claro? Á luz de quê? Do que o papa diz? Se assim é, caímos em arbitrariedade, já que se o papa dissesse que somos todos uns camelos, teríamos de aceitar somente porque o papa diz. Isto não faz sentido, Teófilo. E também me parece que quem está imbuído no preconceito é o papa e o Teófilo, já que está a usar conceitos pré feitos para argumentar racionalmente. Só que as teses mais absurdas não tem de parecer estranhas quando argumentamos. É que podem não ser assim tão absurdas.
    abraço

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  14. Independentemente de ser o papa ou não, a questão crucial é esta: alguém conhece algum argumento cogente contra o uso de preservativos?

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  15. Rolando,

    Pode-me dizer então em que preconceito estou imbuído? Será que foi só por pretender que a linguagem seja esclarecida antes de podermos criticar? Ou será antes preconceito criticar aquilo que ainda não sabemos claramente e portanto apenas fazemos uma caricatura?

    Hermeneuticamente, interpreto as palavras do papa que parecem referir-se ao facto dos preservativos não serem uma condição suficiente para o combate da sida. O preservativo é uma condição necessária, mas existem também outros factores necessários (humanização da sexualidade e a responsabilidade sexual, etc) como parece aludir o papa.

    A igreja está a trabalhar para combater a sida; basta ler: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=70818&seccaoid=4&tipoid=243

    O Rolando diz que: "Creio que também não é claro que seja em si imoral amar uma mulher na cama sem intenção de reproduzir." O que quer dizer com isto? Não estou a defender nada do que o Rolando está a relatar. Aliás, se se está a referir à "humanae vitae" tenha em conta que qualquer matéria moral ou dos costumes não poderá ser dogma de fé. Por isso, a Igreja nunca poderá impor, mas apenas recomendar. E uma pessoa não deixa de ser cristã por não aceitar determinada regra moral ou dos costumes (como é o exemplo da "Humanae vitae").

    Carlos Pires, diz que "Igreja ache imoral algo tão inócuo como o preservativo". LOL. Por ventura já perguntou aos grandes estudiosos de bioética da Igreja (como o padre jesuita Juan Messiá) se o preservativo é imoral?
    O preservativo em si não é bom nem mau. Poderá ser mau ou bom consoante desumanize (provoque dano) ou humanize (respeite o outro e os seus interesses).

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  16. Desidério,

    O preservativo não é bom nem mau em si. As atitudes perante o outro (dar atenção aos interesses do outro ou não) é que talvez o qualificaram de moral ou imoral.

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  17. Teófilo,
    antes de tudo peço desculpa se estou a perceber mal a sua defesa e em consequência disse algum disparate. Mas vamos esclarecer uma coisa: se o uso do contraceptivo não é bom nem mau em si, por que razão o invocou o papa. na verdade, segundo a informação clínica que temos disponível, evita-se a infecção pelo virus da sida evitando comportamentos de risco. Acontece que o contraceptivo é talvez a forma mais eficaz da propagação do virús, até porque há pessoas infectadas que nem sequer sabem que estão infectadas. Para além do mais a contracepção a par da prevenção (que inclui a contracepção) é dos combates mais eficazes e mais baratos e disponíveis ao virus da sida.
    O preconceito é evidente: os preceitos católicos não aceitam a sexualidade com outro fim senão a reprodução. A doutrina católica nega o prazer que obtemos com o nosso corpo. Acontece que não temos qualquer razão suficiente para pensar que a nossa alma é mais preciosa que a nossa pila, a menos que um qualquer cânone o determine e aceitemos passivamente, de modo acrítico. Essa passividade orientará todas as nossas opções futuras e isso é que se chama pre conceito, que é precisamente pensar de acordo com uma ideia que nos foi incutida e aceitamos sem pensar uma segunda vez no que nos incutiram.
    Pensei que o meu exemplo, o de amar uma mulher sem ter de ser para reprodução fosse claro, jã que sabemos que a igreja e a sua doutrina condenam tal acto. Mas, para ser mais claro, o que quero dizer é que nada há de imoral, ao contrário do que a igreja defende, em fornicar uma mulher por fornicar e a mulher fornicar-nos a nós. Mas a igreja condena tal acto.
    Não é verdade que a igreja só recomende os seus preceitos e receitas morais. Tem uma doutrina e ensina-a dogmaticamente sem deixar espaço crítico a quem a aprende, a quem é endoutrinado. E tempos houve em que essa doutrina foi imposta pela força, como de resto sabemos.
    hermeneuticamente creio que o Teófilo está a interpretar mal, já que os preservativos não são um meio suficiente para combater a sida, mas são talvez o melhor e mais acessível meio para o fazer.
    até breve

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  18. Caro Rolando,

    Refere que: "os preceitos católicos não aceitam a sexualidade com outro fim senão a reprodução. A doutrina católica nega o prazer que obtemos com o nosso corpo". Está a falar do platonismo ou do catolicismo? Eu sou católico e não me identifico em nada com as suas críticas.
    É óbvio que se sexualidade = reprodução, então, estamos a castrar o todo que é a sexualidade.
    A doutrina católica não nega o prazer; mas pelo contrário; pois, todo o mistério da incarnação faz valorizar e dignifica tudo o que é corpóreo (ao contrário do platonismo), incluindo o prazer. Mas, a doutrina católica negava o prazer quando andava misturada com o platonismo, maniqueísmo, etc...

    A igreja católica não aceita a seguinte afirmação sua: "Não é verdade que a igreja só recomende os seus preceitos e receitas morais. Tem uma doutrina e ensina-a dogmaticamente sem deixar espaço crítico a quem a aprende, a quem é endoutrinado. E tempos houve em que essa doutrina foi imposta pela força, como de resto sabemos."
    Qualquer bom teólogo lhe dirá que matéria sobre moral e costumes não é objecto dogmático, mas apenas recomendações ou propostas (as quais são sempre limitadas e finitas - por isso passíveis de erro).

    Por exemplo, eu sou católico e não me torno menos católico por não aceitar a humanae vitae. Aliás, sempre que a igreja tentou meter-se debaixo dos lençóis quase sempre disse disparates.

    Do mesmo modo, o católico não é formatado ou endoutrinado; mas o católico é uma pessoa que apenas pretende viver a "forma de vida" de JC, a qual se resume na meta-ética do amor, e (ponto). Tudo o resto, como as recomendações, etc, são coisas secundária (que às vezes paradoxalmente não têm nada haver com o amor proposto por JC).

    A Igreja muitas vezes diz disparates como qualquer um de nós diz disparates. Afinal não somos todos finitos, imperfeitos, limitados até pelas categorias espacio-temporais?

    Textos como as "orientações educativas sobre o amor humano" parecem-me muito mais felizes do que a infeliz "humanae vitae".

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  19. Então e o dogma da infalibilidade papal? Estou a gozar!

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  20. Começamos a transbordar para o domínio da conversa fiada. A questão é apenas uma:

    há ou não há um bom argumento que mostre que é moralmente incorrecto usar preservativos, ou, no caso de só ser incorrecto em dadas circunstâncias, que argumento é esse, e que circunstâncias são essas. Claramente e sem meias remissões ou alusões.

    Qual é o problema, o preservativo também objectifica "o outro"? Então quando um cirurgião calça luvas de latéx para não infectar um doente também o está a objectificar.

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  21. caro Vitor,

    Eu não disse que o preservativo objectifica "o outro"; mas aliás defendo que até pode humanizar e dignificar o outro.

    Quem objectiva ou humaniza o outro somos sempre nós, e nunca um preservativo.

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  22. Vitor

    E em princípio um cirurgião atende aos interesses do doente (curar algo); mas um pedófilo não atende aos interesses da criança que ele abusa (independentemente de usar preservativo ou não).

    Ou também queres dizer que é moral objectualizar e abusar sexualmente de uma criança???

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  23. "também queres dizer que é moral objectualizar e abusar sexualmente de uma criança???"

    Passámos oficialmente para o domínio da treta. Duvido que saibas sequer o que estás a tentar defender ou a tentar mostrar ou a tentar sugerir que os outros defendem.

    Não havia mais pontos de interrogação?

    Não compreendo sinceramente de onde surgiu agora a pedofilia. Vai perguntar sobre isso aos teus amigos padres, que aparentemente são bem versados na matéria, a julgar pela quantidade de evangelizações precoces que andam por esse mundo.

    Dado o que afirmaste antes, fica-se sem perceber então qual o problema em volta dos preservativos e porquê esta treta toda.

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  24. O colega Teófilo escreve que:

    “O preservativo não é bom nem mau em si. As atitudes perante o outro (dar atenção aos interesses do outro ou não) é que talvez o qualificaram de moral ou imoral.”

    Pois não é exatamente o mesmo com relação ao sexo?

    *Qualquer* sexo?

    Desde que seja feito entre adultos sãos por consentimento mútuo, então o sexo é tão amoral quanto os preservativos. Mesmo o sexo por prazer, mesmo o sexo entre pessoas do mesmo sexo “só” por prazer.

    Sexo dá prazer e é algo completamente natural. Logo, desde que nas ditas condições, por quê não?

    Naturalmente haverá pessoas a se desrespeitarem ao fazer sexo (ainda não estamos falando de violência de uma para com outra), mas a maioria, aparentemente, não tem faltado ao respeito para com seus parceiros (se os satisfaz plenamente é outra questão – há muita gente que transa “por amor”, casadas há bons anos, que ainda assim não está satisfeita sexualmente).

    Exata e simplesmente porque sexo não tem a ver com “amor” apenas. Nem precisa ter – tanto melhor se tiver, mas não exige que tenha.

    Mas, evidentemente, não é esta a posição da ICAR a respeito do sexo.

    Como não é essa a posição da ICAR a respeito dos preservativos. Isso é mera retórica.

    Sds
    Alex.

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  25. Caros amigos,

    Em suma, interpreto as palavras do papa não como uma PROIBIÇÃO ao preservativo, embora a comunicação social diga que é só e apenas uma proibição. Mas, o que o papa quer dizer é que o preservativo não é a condição suficiente para o cambate da sida. O preservativo pode ser uma condição necessária, mas também é condição necessária a educação (sexual, humana, etc) entre outros factores. Dizer que só e apenas o preservativo é a única solução não tem sentido. É preciso também educar (para uma sexualidade humanizadora e responsável [que é boa em si mesma])!

    Portanto, como refere o teólogo e filósofo Alfredo Dinis "o problema aqui não está no preservativo, embora pareça que sim. Está na instrumentalização da sexualidade e na sua desumanização".

    http://companhiadosfilosofos.blogspot.com/2009/03/novo-tsunami-sobre-declaracoes-do-papa.html

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  26. Estas são as palavras do papa, em fonte directa:

    “Afirmo que não se pode superar este problema da Sida apenas com frases publicitárias. Se não há ânimo, se os africanos não se entreajudam, não se pode resolver o flagelo com a distribuição de preservativos: pelo contrário, o risco é de aumentar o problema. A solução só se pode encontrar num duplo empenho: primeiro, uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que inclua um novo modo de comportamento das pessoas umas em relação às outras; segundo, uma verdadeira amizade também e sobretudo para com as pessoas que sofrem, a disponibilidade, mesmo com sacrifício, com renúncias pessoais, a estar com os que sofrem. Reafirmo, pois, esta nossa dupla força de renovação interior do ser humano, de lhe dar uma força espiritual e humana que o leve a um comportamento justo para com o próprio corpo e o corpo dos outros; e reafirmo também esta capacidade de sofrer com os que sofrem, de permanecer presente nas situações de prova. Parece-me ser esta a resposta justa, e a Igreja dá essa resposta, oferecendo assim um contributo muito grande e importante. Agradeço a quantos assim procedem” (fonte: www.vatican.va)

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    Portanto, o que vocês cometeram foi uma falácia "ad hominem"; limitaram-se a atacar a pessoa do papa, em vez de avaliar qual é realmente o argumento do papa. Portanto, o preservativo é uma condição necessária, mas não é suficiente. Esta passagem é bastante clara: "Afirmo que não se pode superar este problema da Sida apenas com frases publicitárias. Se não há ânimo, se os africanos não se entreajudam, não se pode resolver o flagelo com a distribuição de preservativos". Portanto, para além de preservativos é necessário entreajuda e ânimo, bem como uma educação para a humanização e felicidade.

    Como diz Wittgenstein no tratactus: sobre aquilo que não sabemos devemo-nos calar...

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  27. O Papa não disse que o preservativo é uma condição necessária. Extrair essa ideia da frase “Afirmo que não se pode superar este problema da Sida apenas com frases publicitárias" envolve doses extraordinárias de imaginação. de resto, este Papa e outros responsáveis da Igreja já fizeram noutras ocasiões críticas explicitas ao uso do preservativo.
    O uso de preservativos não é certamente uma condição suficiente no combate à Sida. É preciso acrescentar outras coisas - só que essas outras coisas nada têm a ver com a "humanização do sexo" e a "verdadeira amizade" de que fala o Papa, mas com coisas mais prosaicas como: informação, medicamentos, etc.
    Essas expressões usadas pelo Papa destinam-se a esconder uma visão preconceituosa e "moralista" do sexo.
    Escrevi a palavra entre aspas pois na verdade o sexo voluntário entre pessoas adultas tem muito pouco a ver com moral. A pobreza, a eutanásia ou a pena de morte são problemas morais - o sexo não.
    Não estou a ver, portanto, onde está a falácia "ad hominem". Quanto ao facto de só devermos falar do que sabemos, o Teófilo tem razão. Mas pergunte-se se, neste assunto da Sida e do preservativo, essa máxima do Wittgenstein não se aplica a si. E à Igreja Católica.

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  28. Algum dos senhores comentadores é especialista em preservativos?

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  29. Caro Carlos,

    O papa diz que "Afirmo que não se pode superar este problema da Sida apenas com frases publicitárias. Se não há ânimo, se os africanos não se entreajudam, não se pode resolver o flagelo com a distribuição de preservativos".

    O que é que estas palavra têm alguma coisa haver com o título dado pelo JN: "Bento XVI diz que preservativos agravam combate à sida". Por ventura o papa disse isso?
    O papa não disse que os preservativos agravam combate à sida, mas sim que ter os preservativos como condição suficiente para o combate à sida é absurdo.

    Pois, existem outras condições necessária: "humanização do sexo", etc... Ou queres que aja uma "desumanização do sexo" até ao ponto de se promover a pedofilia ou algo parecido? Ou será que o ser humano com quem fazes sexo é como só e apenas uma "máquina masturbatória" ou "vibrador"? Aí talvez ficasse mais barato e prático usar a "máquina masturbatória" ou "tocar com a mão" em vez de reduzir a totalidade do ser humano a um mero objecto que se pode manipular como bem entendermos. Que antropologia filosófica defendes tu? Ainda estás na mónada isolada de Descartes?

    Se o sexo não tem nada de moral então porque não é permitido a prática sexual da pedofilia? Não será que é por ser imoral?

    A tua falácia "ad hominem" está em derrubar sem mais a opinião do Ratzinger sem sequer tu conheceres realmente o que ele disse. Isso não é intelectualmente honesto. Em vez de tentares procurar aquilo que o papa realmente disse, limitaste-te a copiar uma infeliz e falaciosa notícia do JN.

    Como cristão e católico considero absurdo esta tua passagem: "Essas expressões usadas pelo Papa destinam-se a esconder uma visão preconceituosa e "moralista" do sexo". Mas, o que os cristão actualmente defendem, ao contrário do que defendiam quando estavam misturados com o platonismo, é que a sexualidade é uma coisa boa em si mesma, é bom o prazer, é bom a união corporal. No entanto, a desumanização da sexualidade (como é o exemplo da pedofilia) é algo muito mau. Será isto um preconceito? Ou não serás tu que andas a ver demasiados preconceitos onde eles não existem? Ou será antes que será melhor viver uma sexualidade desumanizante?

    Em suma, a tua crítica (pseudo-filosófica) não tem qualquer crédito!

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  30. "Algum dos senhores comentadores é especialista em preservativos?"

    Primeiro gostaria de saber o que é um "especialista em preservativos"?

    Em segundo lugar, é fácil antever a resposta que o António espera à sua pergunta: não.
    E como aqui ninguém é "especialista em preservativos" (seja lá o que isso for) ninguém tem as habilitações necessárias para comentar as afirmações do papa - esse sim, uma verdadeira autoridade em preservativos e doenças virais - estarei certo?

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  31. "Pois, existem outras condições necessária: "humanização do sexo", etc... Ou queres que aja uma "desumanização do sexo" até ao ponto de se promover a pedofilia ou algo parecido?"

    Eis o que Vitor já apontava como treta pura e simples. "Humanização do sexo" é algo suficientemente vago e geral para permitir qualquer malabarismo.

    Não se trata de uma crítica à pedofilia, não não (até porque envolveria uma *auto*crítica severa), mas à "desumanização" do sexo. A qualquer momento, pode virar uma crítica à prostituição, ao sexo gay, à "promiscuidade" e daí passar ao aborto, ao divórcio etc. etc. etc.

    De fato, todos sabemos as posições da ICAR sobre o sexo e o que está por trás das suas posições sobre os preservativos.

    "Se o sexo não tem nada de moral então porque não é permitido a prática sexual da pedofilia? Não será que é por ser imoral?"

    Se os preservativos não tem nada de moral, e o Teófilo o disse, então por que não distribui-los a torto e a direito?

    A pedofilia é um problema, é claro que é. Mas tem a ver com "o sexo", dito assim? Então diminuir um pouco o sexo talvez ajudasse? Mas por que há tanta gente que não faz sexo que se mete com pedofilia? Parece que o problema não é exatamente o sexo, hã?

    Torna-se explícito o que já esperávamos: apenas mais uma excusa para pregação. Nenhuma ideia nova, nenhum bom argumetno, apenas uma tentativa de ter atenção para pregar a ladainha de sempre.

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    Quanto à crítica de Carim ao António: de fato, bastava perguntar a este se ele é especialista em argumentação. Simultaneamente duas falácias: a da irrelevância e a do apelo à autoridade.

    Aposto que o António não é especialista em relógios. E que no entanto, ao lhe perguntarem as horas, ele responde...

    Sds
    Alex.

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  32. Está errado, Carim. Nós, os não especialistas, podemos comentar sobre tudo. Não podemos é reservar esse direito para nós e negá-lo aos outros.

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