19 de março de 2009

Filosofia e abertura de espírito

No excerto "Filosofia e Abertura de Espírito", de Daniel Kolak e Raymond Martin, retirado do livro Sabedoria Sem Respostas (Temas e Debates), os autores defendem a necessidade de ter abertura de espírito para fazer boa filosofia. Ou seja, trata-se de considerar seriamente, e com honestidade, ideias que nos podem parecer à partida falsas, inadequadas ou até ofensivas. Tendo a concordar com os autores, até por pensar que não há métodos que possam garantir por si a qualidade da argumentação, num qualquer debate: é preciso que quem está a argumentar esteja genuinamente interessado em procurar a verdade e não interessado em vindicar as suas ideias mais confortáveis e queridas. O que pensa o leitor?

3 comentários:

  1. Vou dar o pontapé de saída, até porque li este livro com muito agrado há uns anitos.A questão é se poderia ser de modo diferente? Parece de todo impossível fazer filosofia sem ter a mente aberta para colocar em causa as crenças mais aconchegantes. Recentemente reli a tua tradução dos problemas da filosofia e o Russell tem uma frase que eu fiz o favor de não anotar :-) em que diz com uma clareza que lhe é própria que em filosofia devemo-nos habituar a pelo menos considerar as ideias que nos pareçam absurdas. De resto esta é talvez uma das pontas onde filosofia e ciência se tocam, já que em ciência também as ideias mais excêntricas podem ser excelentes hipóteses. Estou certo? :-)

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  2. Muito bem! Desidério termina com uma pergunta, solicitando o leitor a participar.

    A atitude de perguntar e duvidar é reveladora de espíritos inquietos, prontos para derrubar certas verdades bem estabelecidas. O desafio da pergunta desencadeia a incerteza, o que leva a mais averiguações. Estas, surpreendentemente, muitas vezes evidenciam os erros. Portanto, para além da procura da verdade, também podíamos falar na procura do erro através das perguntas mais apropriadas. Não com o objectivo de vencer o interlocutor, mas no sentido de conseguir com maior eficácia detectar o erro. É a decepção pela ausência de um porto seguro da verdade, mas também a angústia da incerteza e do erro, que faz crescer a paixão pela filosofia.

    Não me importo se disserem que fui buscar isto ao célebre parteiro. O conhecimento maduro é sempre fruto de um processo longo e laborioso de cogitações. Ele dedicou-se a desenvolver um método de conhecimento anti-retórico, partindo das situações vividas. Assim, a pergunta instaura entre os interlocutores um pacto de interesse pela verdade, que se move pela polémica.

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  3. O novo link do excerto: http://criticanarede.com/sabedoriasem_excerto.html

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