5 de março de 2009

Hilary Putnam

O respeito pelas pessoas como agentes morais autónomos exige que lhes concedamos o direito de escolher uma posição moral para si próprias, por mais repulsiva que possamos achar a sua escolha. Segundo a filosofia do liberalismo político, exige-se também que insistamos que o governo não comece por ocupar as escolhas morais individuais estabelecendo uma religião de estado ou uma moralidade de estado. Mas a oposição intransigente a todas as formas de autoritarismo político e moral não deve comprometer-nos com o relativismo moral ou com o cepticismo moral. A razão pela qual é errado o governo ditar uma moralidade ao cidadão individual não é que existam dúvidas acerca de quais são as formas de vida satisfatórias e quais são as formas de vida não satisfatórias, ou de algum modo moralmente erradas. (Se não houvesse tal coisa como o moralmente errado, então não seria errado o governo impor escolhas morais.) O facto de algumas pessoas recearem, ao admitirem abertamente algum tipo de objectividade moral, encontrar algum governo a impor-lhes a sua noção de objectividade é, sem dúvida, uma das razões pelas quais tanta gente subscreve um subjectivismo moral ao qual não dá um assentimento real.
Razão, Verdade e História

2 comentários:

  1. Os ‘valores’, em filosofia moral, uma questão exclusivamente antropocêntrica, são determinados e condicionados pelos nossos desejos. Não existe qualquer critério objectivo, tal como existe no conhecimento da Natureza através da ciência (com o devido respeito por Quine que afirmou ser impossível distrinçar o que é objectivo daquilo que é convencional ou linguístico). Daí parecer fazer pouco sentido, na questão dos ‘valores’, o conceito de objectivo, ou o seu inverso subjectivo. Faz mais sentido falar em [convenção, acordo, compromisso] moral ou contrato social. No mundo dos ‘valores’ somos mais importantes do que a Natureza, que não tem de ser boa nem má. Os valores antropocêntricos, ao contrário das teorias científicas da Natureza que não têm de ser boas ou más, são bons ou são maus, à revelia da Natureza. É um artefacto resultante do nosso convencionalismo antropocêntrico, o que não tem de ficar diminuído em relação à objectividade da Natureza, porque não deixa de ter ‘valor’ mesmo que não se aplique o conceito dicotómico objectivo/subjectivo, pelo simples facto de estarmos a falar de desejos.

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  2. Olá, Dias

    Está equivocado, por ter uma noção exclusivamente factualista de objectividade, coisa que não é obrigatório ter. Isso faz parte da mentalidade positivista, mas podemos ter uma perspectiva diferente, e no meu entender mais plausível, da objectividade. Nem na ciência a objectividade resulta dos factos. A objectividade resulta dos processos de justificação. O que significa que tanto podemos ter objectividade na ciência como na ética, por exemplo. Sobre este tema aconselho as seguintes leituras:

    — A Última Palavra, de Thomas Nagel
    — http://criticanarede.com/eticaobjectividade.html
    — http://criticanarede.com/html/fil_objectietica.html

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