17 de março de 2009

Impessoal ou reflexivo?

Na língua portuguesa gera-se muitas vezes uma confusão entre o reflexivo e o impessoal. Isto dá origem a alguma discussão entre os gramáticos, dado que supostamente os linguistas se limitam a registar o modo abandalhado como as pessoas realmente escrevem e falam. Já li algumas explicações que roçam o ininteligível, o que é surpreendente porque esta matéria deveria ser bastante simples.

Será correcto “deve-se falar com simpatia” ou “deve falar-se com simpatia”? A segunda alternativa é, na melhor das hipóteses, ambígua entre o uso do impessoal e do reflexivo, ao passo que a primeira é um uso claro do impessoal. Intuitivamente isso vê-se mudando do impessoal para a terceira pessoa do plural: “devemos falar com simpatia” e não “deve falarmos com simpatia”. Por outro lado, o reflexivo é adequado em casos como “O João veste-se com gosto”, pois é o João que se veste a si mesmo.

Nunca será possível destrinçar completamente o reflexivo do impessoal, excepto pelo contexto da restante frase ou frases. “Conhece-se”, por si, tanto pode ser reflexivo (“Sócrates conhece-se a si mesmo”) como impessoal (“Conhece-se pintura medieval interessante”). Mas a regra informal de tentar inserir a terceira pessoa do plural mostra-nos inequivocamente se estamos realmente perante um impessoal ou um reflexivo. Assim, “Diz-se geralmente que” (pois “Dizemos geralmente que”), “Pensa-se muitas vezes que” (pois “Pensamos muitas vezes que”), etc.

Espero que esta nota ajude revisores, tradutores e autores a escrever um português mais claro e lógico.

4 comentários:

  1. Á questão:
    devemos escrever "pode-se ver" ou "pode ver-se", "pode-se verificar" ou “pode verificar-se"?

    Segue-se a resposta:
    Não se trata de um verbo auxiliar, mas, sim, de um verbo modal. Ambas as construções se podem usar, facto confirmado pela própria gramática. O clítico ("se") pode seguir-se ao verbo modal (poder) ou à própria forma verbal infinitiva (ver, verificar).
    (Ciberdúvidas - http://ciberduvidas.sapo.pt/resposta.php?id=11007)

    Então em que ficamos?

    Té,

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  2. Imagine-se que eu pergunto a alguém se um dado rio mede 10 km ou apenas 8 km. Acontece que essa pessoa faz mapas e responde-me que mede 8 km porque o mapa diz que mede 8 km. Mas isto é uma resposta irrelevante, pois se o rio medir 10 km o mapa está pura e simplesmente errado.

    Responder que a gramática confirma que tanto faz onde se põe o -se é como a resposta do cartógrafo. O que nós queremos saber é se a gramática está bem como está ou não.

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  3. Corrijo algumas imprecisões:

    Ciber(dúvidas):

    “Estão ambas correctas”
    http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=19987

    A primeira é “mais comum” (no gerúndio)
    http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=16074

    “Alguns puristas da língua defendam que se use apenas” a segunda construção. http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=19206

    Consideremos então as hipóteses para o comprimento do rio:
    1. Há mapas que indicam 10 Km e 8 Km simultaneamente.
    2. Há mais mapas (brasileiros) a indicar 10 Km.
    3. Alguns cartógrafos mais escrupulosos indicam 8 km.


    té,

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