27 de março de 2009

Louise Antony - Opiniões

Há alguma razão lógica para que a maioria das pessoas prefira as suas próprias opiniões às de outra pessoa?

LOUISE ANTONY: Eis uma razão conceptual: se eu «preferisse» a sua opinião à minha, isto é, se eu entendesse que a sua opinião fosse mais susceptível de ser verdadeira do que aquela que eu defendo no momento presente, o que presumivelmente aconteceria seria eu alterar a minha opinião tal que ela passasse a coincidir com a sua, caso em que a sua opinião passaria a ser a minha opinão.

2 comentários:

  1. Um exemplo de confusão categorial no uso comum da linguagem: a maioria das pessoas, ou seja, a classe que tem por elementos mais do que um certo número de pessoas x, não tem preferências. É cada uma das pessoas que é elemento da classe que tem preferências, pelo que a expressão correcta será:

    a) as pessoas, na sua maioria, preferem

    ou então

    b) a maioria das pessoas preferEM


    Os ingleses usam b, ao contrário do que sucede na nossa gramática, por exemplo, "the majority were likely to vote..." em que "were" é plural, porque se refere aos elementos da classe "maioria" e não à própria classe.

    Será que esta singularidade gramática também é uma emanação da mentalidade centralista que tudo vê como emanações do estado com E? Ou seja, até os indivíduos são emanações da maioria ou de seja qual for o grupo em que se inserem, desde que seja um coiso-maior-do-que-eu, que justifica o acto de respirar e falar. A classe fala pelos indivíduos que a constituem. É uma inversão curiosa: não é o facto de cada um dos indivíduos que forma a classe acreditar em x que faz com que haja uma crença maioritária em x. É o facto de haver uma maioria que acredita em x que tem por epifenómeno uns gajos individuais que acreditam em x.

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  2. hahahaha
    É bem verdade... por isso acredito no consenso e tento mantê-lo vivo nos papos. Se não couber na situação, só um respeitinho básico já resolve.

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