15 de março de 2009

nonadas que fazem a diferença

I viventi non umani, escrevem os italianos para traduzir "nonhuman animals". E os nossos irmãos linguísticos da Galiza escrevem animais non humanos. Aqui há tempos interrogava-me por que razão poderiam os ingleses usar o prefixo latino "non" ao passo que em português nos limitamos a imitar com um equivalente a "not-human" em vez de "nonhuman" - "não-humanos". Hoje deparei-me com três palavras que muito me alegraram, pois emprestam a força do preconceito (a única que alguns reconhecem) ao que já podíamos sustentar com argumentos independentes.

As palavras"nonato", "nones" e "nonada", que significam respectivamente: "nascido por cesariana", "plural de "non", número ímpar, "pares e nones"(também o nome de um jogo tradicional: pares-e-nones)", e "ninharia, futilidade", constam tanto no dicionário de português da Porto Editora como no dicionário Houaiss. Todas têm por base a mesma partícula latina: non.

Têm a vantagem adicional de me dar, além da legitimidade lógica, a legitimidade do hábito anterior, o único tipo de força que os nossos púdicos e baldas reconhecem, para escrever, com todas as letras, animais nonumanos. Para não falar na aplicação da partícula non noutras circunstâncias. O mais divertido é ver que o "inglês" none é afinal familiar ao "nosso" léxico.

Mas para que isto não fique registado como caso isolado, recordemos outros exemplos de palavras que, mutatis mutandis, são tanto do nosso léxico como do inglês: "exires" (exits), "eliciar" (elicit), "umbrela" (umbrella), todas de raiz latina. A lista continua.

Infelizmente, é indício característico de uma língua incultivada estas coisas passarem-nos ao lado e serem barbaramente "corrigidas" quando as tentamos fazer circular onde elas pertencem. Hábitos que talvez não teríamos perdido não fosse as sucessivas mentiras políticas do afastamento artificial entre o "português" e o resto da Ibéria. Talvez assim se perceba que a motivação necessária para cultivar a língua é a oposta à motivação dos acordos ortográficos e as palermices políticas subjacentes. A motivação deve ser a de recuperar os elos de sensatez perdidos, e não de fabricar diferenças à força.

5 comentários:

  1. Não esqueçamos que "nonada" é a palavra de abertura do "Grande Setão, Veredas", de Guima Rosa:
    "-Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. O senhor ri certas risadas... Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente - depois, então, se vai ver se deu mortos."
    =)

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  2. Ops, "Grande SeRtão...", claro.
    GuimaRães Rosa, por certo.

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