2 de março de 2009

O maior filósofo vivo



Parece que lhe tomámos o gosto. Por isso, voltamos a questionar os nossos leitores para saber o que pensam do estado actual da filosofia. Trata-se apenas de uma forma descontraída de lançar a discussão. Pouco mais do que isso. Assim, perguntamos no questionário que se encontra na coluna ao lado, qual é o melhor, mais importante, mais interessante, mais influente, ou simplesmente o vosso filósofo vivo preferido.

Como não podia deixar de ser, a lista reflecte as nossas escolhas pessoais e é, por isso mesmo, discutível. A caixa de comentários está aberta para isso mesmo. Se der origem a uma discussão fundamentada, melhor. A ideia é mesmo essa e não simplesmente expor os nossos preconceitos filosóficos.

Quem escolher "outro", pode dizer na caixa de comentários qual foi e, já agora, porquê.

Errata: enganámo-nos a escrever na lista dos filósofos o nome de Putnam. (aparece Putman e não Putnam) Não alteramos já que é impossível editar a lista após o primeiro leitor votar para não viciar os resultados.

Aires Almeida

13 comentários:

  1. Agora ficou ainda mais difícil.

    Difícil porque, como você colocou no outro tópico, Aires, há muitos grandes filósofos no séc. XX (e concordo em que foi o mais profícuo da história). Então segue a minha, com todas as limitações que pode ter e esperando todas as sempre bem-vindas críticas:

    1. Saul KRIPKE

    2. Hilary PUTNAM

    3. Thomas NAGEL / John SEARLE

    4. Timothy WILLIAMSON

    5. Peter SINGER

    6. OUTRO: Alvin PLANTINGA

    7. OUTRO: Michael DUMMETT ?

    8. Daniel DENNETT

    9. Noam CHOMSKY

    10. OUTRO: Simon BLACKBURN ? / Mary MIDGLEY ?

    Um que morreu recentemente (2006) mas me sinto quase obrigado a citar é Peter STRAWSON. Jürgen HABERMAS vem depois ainda de outros; já
    George STEINER eu não conheço.

    Abs
    Alex.

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  2. Caro Lennine,

    A resposta desta vez pode ser mais idiossincrática, digamos assim (uff, grande palavrão!). Isto porque o elevado grau de especialização da filosofia contemporânea torna alguns filósofos muito familiares a umas pessoas e quase desconhecidos para outras. Assim, cada pessoa terá a tendência para achar mais importante e influente o filósofo (ou filósofos) da lista que trabalham as mesmas áreas de interesse.

    Por exemplo, uma pessoa mais familiarizada com a ética, tenderá para considerar Singer mais importante do que Searle. Outra pessoa mais familiarizada com a filosofia da mente e a filosofia da ciência, escolherá antes Dennett ou Searle, ou até o Nagel. Quem se interesse mais pela epistemologia, poderá pensar sobretudo em Williamson. Na filosofia da linguagem há o Putnam, o Kripke ou até o Chomsky. E poderia continuar pelas diferentes disciplinas.

    De fora ainda ficam muitos filósofos de primeira linha, além dos que referiu (Dummett, Plantinga e Blackburn), mas também McGinn, Nussbaum, Fodor, Chalmers, Armstrong, Foot, Dworkin, Taylor, Dretske, Fine e tantos outros, em todas as áreas.

    Dos da lista, penso que estão mesmo os mais populares. Não estarei enganado se disser que, neste momento, os filósofos mais populares em todo o mundo são Singer, Dennett e Searle. E Kripke, claro. Se bem que este há muito tempo não publique. Mas o seu livro Naming and Necessity foi uma das obras de filosofia mais marcantes e discutidas dos últimos 30 anos.

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  3. Peter Kivy, Roger Scruton na Filosofia da música.

    Acho intrigante que um nome incontornável não apareça também na anterior lista. Theodor Adorno!...

    A estética anda assim tão mal cotada?...

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  4. Caro Musicólogo,

    Felizmente, há excelentes filósofos na filosofia da música como na filosofia da matemática, filosofia da biologia, filosofia da psicologia, filosofia da religião, filosofia da física, etc. Como referi num comentário anterior, o séc. XX está recheado de bons filósofos, como nenhum outro século antes.

    Há, contudo, disciplinas filosóficas mais centrais, que têm implicações em muitas outras disciplinas, como a metafísica, a epistemologia ou a ética. É natural que os filósofos inovadores nessas áreas acabem por ser mais influentes e discutidos do que os filósofos que trabalham em áreas mais especializadas, ainda que muito interessantes e filosoficamente igualmente dignas.

    Pense, por exemplo, na discussão sobre que tipo de entidade é uma obra musical. Esta é uma discussão de ontologia da música, cujas ferramentas conceptuais, digamos assim, se vão buscar à metafísica. Digamos que essa é uma discussão metafísica aplicada (mais precisamente de ontologia aplicada). É, pois, natural, que a discussão desse problema não seja filosoficamente tão central e influente como a discussão sobre o problema dos universais. E isso nada tem de errado, nem significa qualquer desvalorização da filosofia da música, que é, ela própria, uma área especializada da filosofia da arte.

    Além disso, são raras as pessoas que conhecem Peter Kivy e nem sequer há alguma coisa dele publicada em Portugal. Pode dizer-me que quase se passa o mesmo com Timothy Williamson, por exemplo. Mas, neste caso, temos de ter em conta que Williamson é um dos filósofos actuais mais discutidos e prestigiados a trabalhar em áreas centrais da filosofia.

    Pessoalmente até acho que Kivy e Scruton têm mais interesse filosófico do que Habermas ou do que 50 Steiners juntos (ai..ai..., que heresia...). Mas a verdade é que, seja por que razão for, Habermas e Steiner são, por muitos, considerados grandes filósofos da actualidade e o que conta não é só a minha opinião.

    Quanto a Adorno, não creio que seja um filósofo "incontornável" do séc. XX. Nem pouco mais ou menos. Antes de incluir Adorno na lista anterior, teria de incluir dezenas de filósofos mais influentes, mais inovadores, mais discutidos e até mais conhecidos.

    A título pessoal, corro o risco de o escandalizar, dizendo-lhe que considero Adorno um filósofo secundário, mesmo na área da filosofia da Arte. Fiz o frete de o ler, e até de o discutir, e confesso-lhe que conclui que tudo aquilo é confuso e filosoficamente pouco profundo, mais a dar para a sociologia de biblioteca do que para a filosofia.

    Mas podemos discutir o assunto. Por que razão acha Adorno assim tão importante?

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  5. Por ordem decrescente : Singer, Dennet e Habermas
    Luis Gonçalves

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  6. Opa!

    Eu citaria Ernst Tugendhat, pelo seguinte motivo: ele tentou elaborar uma concepção teórico-sistemática (e prática) de filosofia analítica da linguagem tão fundamental quanto a ontologia tradicional e a filosofia da subjetividade o foi (assim, seria possível substitui-las). Quero dizer, há a pretensão de construir um paradigma filosófico ou, ainda, uma posição filosófica (algo parecido com o que se denominava "filosofia primeira") (veja suas "Lições Introdutórias à Filosofia Analítica da Linguagem). E este seria um dos critérios que colocaria para considerar um grande filósofo da atualidade. Não quero ser polêmico, mas a pergunta que me colocaria diante de caras como G. Steiner, J. Habermas, P. Singer ou N. Chomsky é se eles se utilizam ou conseguem reformular as principais "categorias filosóficas" da história da filosofia. Não estou julgando aqui a qualidade de seus textos (Steiner é o ensaísta mais fantástico do mundo[!]), mas é uma pergunta que tenta entender o campo específico da filosofia e os requisitos básicos para poder filosofar de modo coerente.

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  7. «Mas a verdade é que, seja por que razão for, Habermas e Steiner são, por muitos, considerados grandes filósofos da actualidade e o que conta não é só a minha opinião.»

    Aí está a minha razão para o Adorno. Sinceramente não tenho o senhor em muito grande consideração para mim próprio, já que é difícil digerir o que o senhor escreveu. Mas quando vamos a qualquer lado procurar por uma Teoria Estética o que é que aparece de caras? Adorno. Na faculdade em musicologia o que me espetaram? Adorno. Os livros que curiosamente faltam na biblioteca (alguém os terá levado): Adorno! Quando falo com alguém que tirei um mestrado em estética perguntam-me logo: E deste Adorno?

    Acho que Adorno é incontornável por já ser um lugar comum. Goste-se ou não, toda a gente o conhece e fala dele. O homem fez-se notar. E tem escritos que se fizeram notar em todas as bibliotecas e pelos vistos muita gente os reconhece.

    Se são úteis ou têm valor intrínseco será outra coisa.

    Mas o mesmo se pode dizer de Deleuze que tem uma legião de fãs e também não me lembro de alguma vez conseguir digerir um livro do senhor. Outro que foi esquecido.

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  8. Ok, compreendo. Mas o musicólogo estudou musicologia e aí é, de certo modo, compreensível que o Adorno seja popular, dado que ele próprio foi musicólogo. Talvez até na estética o seja, sobretudo porque dá a ideia que nos cursos de estética e filosofia da arte portugueses ainda estamos no início do séc. XX. Salvas raras excepções, o desconhecimento da estética e filosofia da arte contemporâneas é tremendo.

    Assim, quando se fala de estética, o que vem à cabeça das pessoas é Adorno, Benjamin e pouco mais, o que acaba quase por ser anedótico.
    Mas se pensarmos na filosofia em geral, e não apenas na estética, dificilmente as pessoas se lembram de Adorno.

    Mas seria interessante perguntar a muitas pessoas que falam de Adorno quais são as suas principais ideias e se as acham plausíveis ou filosoficamente interessantes. Concordam, por exemplo, com a perspectiva marxista de Adorno, segundo a qual a arte serve fins políticos e sociais? Será que a sua tese de que a arte popular não é mais do que pão e circo e que a massificação da arte tem por base um projecto de adestramento das pessoas, impedindo-as de ter um pensamento crítico e individual é realmente uma tese filosófica? Será que a música difícil e vanguardista do atonalismo, precisamente por ser difícil e por desafiar os cânones do gosto popular, é que tem valor estético? Será que a música atonal e a arte vanguardista contribuiu uma verdadeira revolução política e social, como ele esperava?

    Algumas destas teses não são bem filosóficas e têm de ser confrontadas com a realidade. De resto, quase não toca nos problemas centrais de filosofia da arte.

    Quanto a Deleuze, ele já morreu. Por isso não cabe na lista. Mas também praticamente não tem influência na filosofia; a sua influência é sobretudo exterior à filosofia (arquitectura, estudos sobre o género, etc.)

    Mas posso estar completamente enganado, claro.

    Cumprimentos

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  9. Agradeço novamente, Aires.

    Já agora, e porque a brincadeira é útil e provocadora e esclarecedora: que acha de um 'ranking' dos maiores filósofos em língua portuguesa?

    (Tenho certeza que só a proposta pode suscitar interessantes reações...)

    Abs
    Alex.

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  10. Lennine, está a pensar em filósofos de língua portuguesa mortos ou também vivos? Bom, se quer que lhe diga, teria grande dificuldade em fazer uma lista dessas, talvez por ignorância minha.

    Mas pode aproveitar esta caixa de comentários e dar a suas sugestões, de preferência com alguma justificação para as suas escolhas.

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  11. Penso que os mais influentes são;
    1. Habermas
    2. Chomsky
    3. Kripke
    4. Putnam
    5. Searle
    6. Plantinga
    7. Apel
    8. Arthur Danto
    9. Peter Singer
    10. Tugendhat

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  12. Não muito conhecidos, nem muito impactantes, mas defendem uma das causas mais importantes: a da libertação animal! Outro: 1. Gary L. Francione (criador da teoria dos Direitos Animais), 2. Sônia T. Felipe, filósofa que trouxe o movimento de defesa animal para o Brasil, voz ativa no PL que visa regular a vivissecção no Brasil, argumentando a favor do abolicionismo.

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  13. Por maior influência na sociedade:
    01. Jürgem HABERMAS
    02. Tomas NAGEL
    03. Peter SINGER
    04. William L. CRAIG
    05. Gary FRANCIONE
    06. André COMT-SPONVILLE
    07. Luc FERRY
    08. Michel ONFRAY
    09. Alvin PLANTINGA
    10. Daniel DENNET

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