1 de março de 2009

O que é a pornografia?



Estive arredado da discussão, que eu próprio iniciei, sobre a pornografia. Como diria um amigo meu, vai contra a minha religião intervir numa discussão que eu próprio iniciei. Uma vez que terminou, aqui estou para a relançar.

Agora a sério, não gostaria de deixar de dar o meu contributo para a animada discussão que dura há alguns dias. Daí (ou "donde"?) esta minha posta, insistindo no assunto. A esclarecedora imagem é um pormenor de um dos templos Kajuraho (Índia), classificado pela UNESCO como património mundial. Será esta imagem pornográfica?

A pornografia não é uma espécie natural, como água, ouro ou cisne. Para sabermos o que significa a palavra “pornografia”, temos de estar atentos ao modo como ela é usada, sendo certo que não é usada sempre da mesma maneira: as pessoas costumam divergir acerca do que é ou não é pornográfico. Isto significa que qualquer definição de pornografia é altamente discutível.

Mesmo assim, talvez haja algumas características necessárias para que algo seja classificado como pornográfico. De um modo geral, o uso do termo “pornografia” costuma aplicar-se aos casos em que:

1) há representação explícita de actos ou órgãos sexuais;
2) essa representação tem exclusivamente em vista provocar excitação sexual no observador.

Vale a pena dizer mais alguma coisa sobre cada uma das condições anteriores. Em 1) diz-se, por um lado, que é a representação do acto sexual que é pornográfica e não o próprio acto sexual. Neste caso, não há pornografia quando duas pessoas têm simplesmente relações sexuais, mas haverá pornografia se filmarem ou fotografarem a sua sessão sexual. A ideia que parece estar subjacente a isto é a de que é a exibição do acto sexual que é pornográfica e não o acto em si. Por outro lado, são excluídas do âmbito da pornografia a mera sugestão e a representação indirecta e não explícita do acto ou dos órgãos sexuais. Este é um dos aspectos (há outros, como se verá adiante) que leva muitas pessoas a traçar a distinção entre a pornografia e o erotismo.

Por sua vez 2) indica que se a representação tem outra finalidade além da excitação sexual do observador, então ela não é pornográfica. Por exemplo, representações de órgãos ou actos sexuais com fins educativos ou científicos (aulas de anatomia e medicina, por exemplo) não são pornográficas, ainda que possam excitar quem as observa. Do mesmo modo, não é pornográfico um filme em que haja a representação explícita de actos sexuais com a finalidade de provocar qualquer efeito estético ou de transmitir, através dessa representação, qualquer ideia ou mensagem. Este é outro dos aspectos que leva muitos a fazer a distinção entre pornografia e erotismo, defendendo que o erotismo visa sempre qualquer efeito estético ou artístico. Neste caso, não há, por definição, pornografia na arte. A imagem acima não é, neste sentido, pornográfica.

Claro que isso não significa que não se possa discutir se uma dada obra (filme, fotografia, pintura, etc.) é ou não pornográfica e, portanto, se pode ou não ser arte. Pense-se na discussão acerca das fotografias de Robert Mapplethorpe: é arte ou simplesmente pornografia? Se as fotos de Mapplethorpe tiverem como finalidade chocar o observador, fazendo-o reflectir sobre o que vê, então não são pornográficas. Podem, então, ser arte. Ou nem uma coisa nem outra. Ou má arte, etc.

Esta caracterização da pornografia pode não ser inteiramente satisfatória, mas está de acordo com um uso generalizado do termo e permite compreender a distinção tão frequente entre pornografia e erotismo. Permite ainda perceber por que razão tantas pessoas toleram em obras de arte certas representações sexuais que não toleram fora dela, ainda que sejam exactamente iguais.

Dito isto, cabe perguntar: o que há de errado na pornografia? Na posta seguinte apresentarei alguns dos principais argumentos contra a pornografia e tentarei mostrar que são todos muito fracos.

78 comentários:

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  3. A condição 2) parece-me excessivamente forte, pois para ser verdadeira teríamos provavelmente de concordar em descatalogar muita coisa como "pornografia". Muita coisa como, por exemplo, filmes que actualmente quase ninguém negará que são pornográficos.

    Isto porque aquela condição para que haja pornografia requer que exista uma certa intenção exclusiva na "representação explícita de actos ou órgãos sexuais". Isto implica que basta haver qualquer outra intenção nessa representação para que a mesma não seja pornográfica.

    Suponha-se que o realizador do filme "Eu, O meu marido e sá Leão" não tem a intenção exclusiva de que a representação explícita de actos ou órgãos sexuais no seu filme tenham em vista provocar excitação sexual no observador. Logo, por 2), este filme não é pornográfico.

    Reparem que para esta conclusão não é necessário admitir-se que o Sá Leão não tem a intenção de que a representação explícita de actos ou órgãos sexuais no seu filme tenham em vista provocar excitação sexual no observador. É suficiente que ele tenha esta intenção mais outra qualquer (por exemplo, levar as pessoas a comprarem o filme e através disso provocar um aumento na sua conta bancária).

    Portanto, ou admitimos 2) e negamos muitos casos que intuitivamente são casos de pornografia, ou aquela condição não serve para alcançar o conceito de pornografia.

    Através de 2) pode-se distinguir subtilmente erotismo de pornografia, mas o problema da condição parece ser a sua força. Leva-nos a excluir casos que gostaríamos de ter incluídos na definição.

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  8. Vítor,

    «Mas por que razão só aplicamos esta restrição quando se fala de sexo?»

    Não sei porquê, nem é isso que está aqui em causa. O que interessa aqui é que é esse o uso comum de pornografia, mesmo que haja quem, como tu, ache que não devia ser assim.

    Pensa no caso da arte. Tu podes ter uma definição normativa de arte, caso em que é arte tudo o que esteja de acordo com a tua definição. Assim, podes defender que muitas das coisas que geralmente são classificadas como arte não o são. Mas quando se trata de saber por que razão algo é classificado como arte, nenhuma teoria normativa te serve de grande coisa. Tens mesmo de procurar ver o que leva um objecto a ser classificado como arte. Além disso, dado que não se trata de um termo que se aplica a qualquer espécie natural, tens mesmo de ter em conta o modo como o termo é usado.

    Tu dizes, o termo devia ser usado de outro modo ou é mal utilizado. Mas isso não ajuda nada neste caso.

    Muita gente pensa que o termo arte é muito mal utilizado quando aplicado ao urinol de Duchamp. Ainda por cima, há urinóis que são visualmente indistinguíveis do urinol do Duchamp e não são arte.

    Podes perguntar: o que há de errado em utilizar os outros nas casas-de-banho em vez de os exibir numa galeria ou museu. Bom, a resposta é que a finalidade de um e de outros é diferente. Tudo o resto é exactamente igual.

    Do mesmo modo, se fores a guiar o teu carro na rua e galgares o passeio de propósito contra o teu inimigo que vai a passar nesse momento, matando-o, és um assassino. Mas se isso acontecer sem querer, ou porque te estás a desviar de outro carro que vem de frente contra ti, já não és um assassino.


    «Em primeiro lugar, provocar tesão é um efeito como qualquer outro. Quando se trata de evocar sentimentos idílicos ou deleites pastorais, não aplicamos esta restrição: "se a imagem procura, através da sugestão idílica ou pastoral, provocar um efeito estético adicional, então não é pornográfica." Parece que estamos a proscrever o "dar tesão" como se fosse um efeito pária entre os outros efeitos que benevolamente toleramos na arte.»


    Não estamos a proscrever seja o que for, pá. Muitas obras de arte podem dar tesão e recorrem a imagens que são visualmente indistinguíveis da pornografia. Qual é o problema? Acho que o exemplo do Duchamp e tantos outros são perfeitamente esclarecedores a este respeito.


    Por que não aplicar simplesmente a distinção má arte/boa arte, e esquecer o pornográfico?

    Ok, talvez fosse uma boa proposta para reformular o nosso vocabulário. Mas não é isso que acontece realmente. Lembraste-me uma pergunta que um aluno me fez há algum tempo: por que razão não aplicamos apenas a distinção bonito/não bonito para classificar uma pintura como arte e esquecemos tudo o resto? Bom, respondi, é uma questão de convencer as pessoas, incluindo os especialistas em arte, a esquecer o resto.

    De resto, ninguém está a dizer que a pornografia tem algo errado por não ser arte. Os urinóis também não têm algo errado por não serem arte. Bem pelo contrário, são tão úteis como o urinol do Duchamp. Assim, também não consigo ver algo errado em representações concebidas exclusivamente para dar tesão. E talvez seja tão útil como utilizar uma representação semelhante para nos fazer dar conta da nossa condição de seres sexuais ou seja lá o que for.


    «Depois há outro problema: obras como a cona de Courbet são produzidas com a intenção de ser pornográficas, isto é, de chocar os pudores das pessoas.»

    Mas, como se depreende do que eu disse na minha posta: se é pornográfico, então a intenção não pode ser outra (nem mesmo chocar os pudores das pessoas) a não ser dar tesão. Mesmo que choque os pudores das pessoas.

    Portanto, o quadro Courbet pode ser arte precisamente porque, entre outras coisas, procura um efeito que não é meramente dar tusa.


    «A obra pornográfica não tem de ter apenas a ver com a ideia de provocar tesão.»

    Ok, estou a ver onde queres chegar. O que se passa é que o artista pode usar a pornografia como, digamos assim, matéria-prima. Como outros usam a cor ou a geometria ou o lixo. Mas isso não significa que as obras de arte produzidas com lixo sejam lixo, etc. Assim também um artista pode usar a pornografia para fazer obras que não são pornográficas.


    «Uma obra pode muito bem ser pornográfica precisamente no sentido de chocar ou denunciar as limitações mentais e morais das pessoas.»

    Não é por chocar que é pornográfica, pois há carradas de obras que nos chocam e que não são pornográficas. A pornografia refere-se sempre à representação sexual explícita. Que isso choca muitas pessoas é inegável, mas não é por as chocar que são pornográficas. É porque são pornográficas (porque exibem o sexo com o objectivo de dar tusa) que essas pessoas ficam chocadas. Há pancadas para tudo.

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  9. «Toma o exemplo da obra exibida na fotografia. Por que raios não pode ser simplesmente um grupo de gajos a foder? Será que para ser arte tem de ter ali um significado transcendente redentor? As pichas e as ratas têm de ter uma carga simbólica divina? Ou talvez conotem uma intenção terrena, mundana, desde que assexual?»

    Eh, eh, estás imparável, rapaz! Mas não tem de haver seja o que for de transcendente ou redentor na arte ou nas figuras citadas. Por exemplo, se tu dizes uma falsidade a alguém com o intuito de enganar essa pessoa, o que disseste é uma mentira; mas se disseres exactamente a mesma coisa sem qualquer intuito de enganar a pessoa (porque achas que não se trata de uma falsidade, apesar de o ser), então o que disseste não é uma mentira. Nada de especial, como se vê. A não ser a intenção, que não tem seja o que for de transcendente ou de redentor.

    Por acaso as imagens daquele templo de Kahjuraho ilustram uma perspectiva religiosa sobre a vida. Apesar de as dezenas de templos que existem naquela região estarem pejados de esculturas, tanto no exterior como no exterior, só no exterior são representadas cenas sexuais.

    «Mas se fosse uma representação de uma batalha, um panteão de criaturas mitológicas ou quimeras... nem sequer pensávamos nessa restrição. Porquê?»

    Porque estás enganado, Vítor. O romance Guerra e Paz de Tolstoi é uma obra de arte em que encontras representações de batalhas. Mas há representações de batalhas (relatos históricos, documentários, etc.) que não são arte. As restrições estão lá na mesma.

    Há, de resto, carradas de exemplos nesse sentido. O filme Voando Sobre Um Ninho de Cucos, de Milos Forman, representa a situação das pessoas internadas num manicómio e é, alegadamente, uma obra de arte; mas a reprotagem que vi há dias na TV sobre o hospital do Lorvão, que mostra a mesma realidade, não é uma obra de arte.


    «Por que é que um grupo de gajos a foder, cuja representação dá deleite visual e evoca a tesão, não pode simplesmente ser o que é e continuar a ser arte, ou seja, ser simplesmente uma boa obra de arte com esse conteúdo, em vez de outro qualquer?»

    Como já disse, pode haver boas obras de arte que recorrem à pornografia. Mas não costumam ser classificadas como pornográficas. Qual é o problema, afinal?

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  11. Caro r,

    Obrigado pelas objecções. Antes de mais, devo dizer que a minha teoria está ainda a ser testada, pois comecei a pensar nisso de forma mais sistematizada há relativamente pouco tempo, ajudado por algumas leituras (por acaso, não me parece haver muito sobre o assunto).

    «A condição 2) parece-me excessivamente forte, pois para ser verdadeira teríamos provavelmente de concordar em descatalogar muita coisa como "pornografia". Muita coisa como, por exemplo, filmes que actualmente quase ninguém negará que são pornográficos.»

    Consegue dar-me exemplos concretos muito claros? Note-se que haverá sempre casos de fronteira nestas coisas, o que não chega para estabelecer ou refutar o que quer que seja.

    «Isto porque aquela condição para que haja pornografia requer que exista uma certa intenção exclusiva na "representação explícita de actos ou órgãos sexuais". Isto implica que basta haver qualquer outra intenção nessa representação para que a mesma não seja pornográfica.»

    Percebo. Parece sugerir que se substitua o termo "exclusiva" por algo como "central", "principal" ou algo do género.

    «Suponha-se que o realizador do filme "Eu, O meu marido e sá Leão" não tem a intenção exclusiva de que a representação explícita de actos ou órgãos sexuais no seu filme tenham em vista provocar excitação sexual no observador. Logo, por 2), este filme não é pornográfico.»

    E depois? Isso não mostra seja o que for. Está a pressupor que um filme por ser do Sá Leão é, por definição, um filme pornográfico? Como assim?

    «Reparem que para esta conclusão não é necessário admitir-se que o Sá Leão não tem a intenção de que a representação explícita de actos ou órgãos sexuais no seu filme tenham em vista provocar excitação sexual no observador. É suficiente que ele tenha esta intenção mais outra qualquer (por exemplo, levar as pessoas a comprarem o filme e através disso provocar um aumento na sua conta bancária).»

    Acho que há aí uma ideia errada do que conta como intenção. Se formos por aí, então há sempre carradas de intenções em todas as obras. Há, por exemplo, a intenção de que o filme seja visto por outras pessoas; a intenção de que o seu trabalho seja bem feito; a intenção de que seja realizado dentro do orçamento previsto, etc, etc.

    Neste caso, poderíamos também dizer que quando o operário de uma fábrica carrega no botão da máquina que tem pela frente não tem apenas a intenção de pôr a máquina a funcionar, mas também a intenção de receber o salário ao fim do mês pelo facto de ter carregado, nesse e em outros dias, no botão.

    O que o r está a fazer é esticar a noção de intenção, de modo que ela perca o seu significado habitual.

    «Portanto, ou admitimos 2) e negamos muitos casos que intuitivamente são casos de pornografia, ou aquela condição não serve para alcançar o conceito de pornografia.»

    Teria de me apresentar contraexemplos mais claros.

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  14. «O meu argumento é o seguinte: se há algo de mal no segundo há algo de mal no primeiro. Basicamente, estou a defender que "dar tesão" é um efeito tão legítimo como "evocar a beleza de um pôr-do-sol". Se a mera evocação da batalha ou a mera evocação do por-do-sol não são pornográficos pelo facto de não terem qualquer conteúdo cognitivo adicional, por que razão uma representação de uma vulva é pornográfica se não tiver esse conteúdo adicional mas deixa de ser pornográfica se o tiver?»

    Parece-me que estás a misturar aqui coisas diferentes e vais buscar aspectos irrelevantes, Vítor.

    Em primeiro lugar, não se trata de haver algo de mal ou não. Não há mal algum em uma dada representação não ser uma obra de arte.

    Em segundo lugar, a mera representação de um pôr-do-sol não é necessariamente uma obra de arte. Tenho aqui no meu computador carradas de exemplos disso.

    Em terceiro lugar, provocar tesão é um efeito tão legítimo como evocar um pôr-do-sol. Mas evocar um pôr-do-sol nunca pode ser pornográfico, ao passo que provocar tesão pode ser. Porquê? Pá, porque só costumamos utilizar o termo "pornografia" para representações com conteúdo sexual. Isto parece-me evidente.

    Claro que podes protestar contra o uso habitual do termo, como podes protestar por se chamar "astronomia" àquilo que se devia chamar "astrologia".

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  16. «O que estás então a dizer é que a soma das partes da obra que são descrições de batalhas, etc, não perfazem a obra. Cada uma das descrições que a obra contém não é arte, mas o todo é arte.

    O uso da linguagem que o romancista faz ao descrever a batalha é artisticamente neutro? Se esse uso não conta quando ele está a descrever a batalha, então quando começa a contar?»

    Imagina que cortas cuidadosamente a escultura "As três Graças" de Canova em cem pedaços e dás um pedaço a cada um dos teus vizinhos. Será que cada um deles tem em casa uma obra de arte?

    Imagina que Van Gogh ao pintar "Céu Estrelado" fez cem pinceladas. A partir de quantas pinceladas há uma obra de arte?

    «Por que razão um documentário não pode ter valor artístico?»

    Eu não disse isso. A questão não é não poder ter valor artístico, mas antes poder não ter valor artístico. Faz toda a diferença, pois não estou a negar a possibilidade de ter, mas a afirmar a possibilidade de não ter (repara no âmbito da negação na tua e na minha afirmação).

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  18. «Imagina três fotos exactamente iguais, uma num manual de medicina, outra numa revista "hardcore" e outra numa montagem fotográfica exibida na parede de um museu. Todas representam órgãos sexuais e são iguais em todas as propriedades.

    Uma é pornografia, a outra é arte com pornografia e a outra não é pornografia nem é arte. No entanto são iguais.»

    Exacto! Mas qual é a surpresa? Pá, pensa em Fonte, de Duchamp. Duchamp foi a uma fábrica de loiça sanitária e comprou sete urinóis. Esses sete passaram a ser arte depois de exibidos no contexto adequado e os outros, indistinguíveis destes, continuaram a ser meros urinóis. Há carradas de outros exemplos no mesmo sentido, mas este é sobejamente conhecido.

    «Onde está a diferença? No facto de chocarem as pessoas de uma certa maneira, num certo contexto. Se mostrares uma fotografia de um polinésio há 100 anos com a picha de fora na sua aldeia, onde todos fazem o mesmo, a um visitante de um museu que é púdico, ele dir-te-á que é pornografia porque fica chocado.»

    Pois, como pode dizer que aquilo não é arte, etc. E o, que não tem a noção de pornografia, não lhe chama pornográfico. Como não chamará "fotografia" a uma fotografia.

    «Se mostrares a mesma foto a um polinésio primitivo, talvez não te compreenda se tentares dizer que a imagem é pornográfica. Para ele é trivial.»

    Sim, e depois? De resto, parece-me que estás sistematicamente a pressupor que eu acho que ser pornográfico é mau ou algo assim.

    Há quem se escandalize com a pornografia e há quem não se escandalize. Como há quem se escandalize com a homossexualidade e quem não se escandalize. Mas a homossexualidade não deixa de ser homossexualidade pelo facto de não me escandalizar. Pessoalmente, acho que quem se escandaliza com estas coisas tem algum problema (embora as pessoas tenham direito a ter problemas).

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  19. «E o, que não tem a noção de pornografia, não lhe chama pornográfico. Como não chamará "fotografia" a uma fotografia.»

    Queria dizer: "E o polinésio, que não tem..."

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  22. «Pareces aceitar o seguinte:

    a) a pornografia pode fazer parte da arte mas»

    Sim.

    «b) a arte não pode ser pornográfica,»


    Pode apenas no sentido em que usa a pornografia como matéria ou assunto.


    «c) o conteúdo que o artista procura comunicar não pode ser pornográfico. Tem de ser outra coisa para poder ser artístico.»

    Pode ter conteúdo pornográfico, mas não pode ser só isso.

    «Mas se um poema pode simplesmente ser pastoral ou bélico e não precisa de fazer algo mais para ser arte, por que razão não poderá um poema ser pornográfico?»

    Não, não basta ser pastoral ou bélico, tem também de ser poético. Caso contrário, não lhe poderias chamar poema.

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  24. Caro Aires Almeida,

    Comecemos pelo que me parecia ser o mais óbvio: supunha eu que não julgasses que o meu exemplo de filme pornográfico pudesse ser essencial para o meu argumento. Se esse filme do Sá Leão não é pornográfico, então pegue-se noutro qualquer que se aceite como tal e suponha-se que o seu realizador não tinha a tal intenção exclusiva ou central ou principal. Deixamos de considerar tal filme como pornográfico só porque lhe falta essa intenção?

    Ou esqueça-se o cinema. Há por aí umas imagens que vocês consideram pornográficas, certo? Pegue-se numa delas, retire-se ao seu autor a dita intenção da condição 2). Deixamos de considerar tal imagem como pornográfica?

    Se suposermos, por exemplo, que dois pintores pintam dois quadros altamente semelhantes nos quais são representadas, por exemplo, duas conas, mas só um deles tem aquela intenção exclusiva, central ou principal de causar excitação no observador do quadro, então só o quadro deste é que é pornográfico?

    Portanto, longe de mim pensar que qualquer filme do Sá Leão é pornográfico só porque é realizado por ele. Se pensasse isto já tinha algum critério para sugerir como definição de pornografia, mas não tenho (sim, neste assunto estou mais inclinado para criticar do que para apresentar sugestões).

    A minha questão é que como não temos acesso à definição de pornografia do mesmo modo que temos acesso, por exemplo, à de número primo, ao sugerirmos condições precisas para a definição temos de a testar com respeito ao que consideramos pornografia sem acesso a uma definição. E testá-la é ver se abrange todos os casos que pretendemos abranger e se deixa de fora aqueles que queremos deixar de fora.

    Em segundo lugar, concordo que pode de facto haver aqui alguma divergência em relação ao que entendemos por “intenções”. Então teremos de tentar explicitar o que entendemos pelo termo. Da minha parte entendo justamente o que descreves nas tuas palavras (talvez criticamente) sobre o operário da fábrica:

    “poderíamos também dizer que quando o operário de uma fábrica carrega no botão da máquina que tem pela frente não tem apenas a intenção de pôr a máquina a funcionar, mas também a intenção de receber o salário ao fim do mês pelo facto de ter carregado, nesse e em outros dias, no botão.”

    O operário quando carrega no botão tem de ter alguma intenção exclusiva, central ou principal, que se relacione directamente com o efeito mais evidente (ou imediato) de carregar no botão – pôr a máquina a funcionar? Parece-nos claro que o operário pode nem ter a intenção de pôr a máquina a funcionar quando carrega no botão, tal como um autor de uma obra pornográfica pode não ter a intenção de causar tesão. A tesão é um efeito comum da pornografia, tal como o funcionamento de uma máquina o é do carregamento de um botão; analogamente, a intenção de provocar tesão pode estar presente em muitos autores de pornografia, tal como a intenção de pôr uma máquina a funcionar pode estar presente em muitos operadores de botões; mas não é necessária (nem suficiente, já agora).

    Portanto, tal como dizes, aceito que “há sempre carradas de intenções em todas as obras”. Daí que julgue a condição demasiado forte para não excluir casos pertinentes. E assim, de modo a evitar que esteja para aqui a contra-argumentar no alvo errado, se puderes explica melhor então qual a noção de intenção que está subjacente à condição 2) e como distinguir essa intenção das outras carradas de intenções.

    Quanto aos exemplos concretos não vejo necessidade de os apresentar porque até termos uma definição precisa de pornografia julgo que poderemos sempre discordar razoavelmente acerca de cada exemplo se é ou não pornografia. Daí que mais vale que se pense em casos já aceites e depois supor que a condição 2) não é satisfeita para ver se se continua ou não a aceitar tal caso como pornografia.

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  28. «Há uma coisa na qual continuo a discordar do Aires, que é a definição de pornografia. Se as pessoas ficassem chocadas com uma imagem por esta ser pornografia significa que a própria imagem seria pornográfica antes de ter qualquer valor de choque. Antes de a situarmos num contexto social qualquer. Ao contrário da definição de "ciência", as fronteiras da "pornografia" são socialmente arbitrárias.»

    Mas uma imagem não pode ser pornográfica ou não consoante choca ou deixa de chocar, caso contrário afirmares coisas como "A mim a pornografia não me choca". Repara que temos estado a discutir também se há algo errado na pornografia. Se o ser pornográfico dependesse de ser capaz de chocar, não faria muito sentido estarmos a discutir estas coisas.

    Acho que a ideia é simples e completamente neutra: a pornografia é a representação explícita de actos sexuais com o fim de excitar sexualmente. O chocar ou não vem depois, consoante as pessoas reagem mal à representação de actos sexuais ou não. Umas pessoas lidam mal com o sexo ou têm algum problema com isso ou o diabo a quatro; outras nem tanto e outras nada.

    Se tivesses que definir a pornografia em função disso, então seria praticamente falarmos de pornografia e ninguém se entenderia quando falamos disso. Precisamos de uma noção de pornografia que seja partilhada por quase todos nós.

    Isto é, mais ou menos, como a beleza. Toda a gente tem uma ideia semelhante do que é a beleza: ninguém contesta que é algo agradável aos sentidos, que é apelativo, etc. Mas quando se trata de dizer se um dado objecto é agradável ou apelativo, etc. as pessoas acabam por discordar.

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  29. r,

    «Se esse filme do Sá Leão não é pornográfico, então pegue-se noutro qualquer que se aceite como tal e suponha-se que o seu realizador não tinha a tal intenção exclusiva ou central ou principal. Deixamos de considerar tal filme como pornográfico só porque lhe falta essa intenção?»


    A expressão "deixamos de considerar" neste contexto é algo traiçoeira, dado que estamos já a partir do princípio que é pornográfico. Creio que, para o exemplo funcionar, temos de falar de um filme com as características tal e tal, sem qualquer referência a pornografia. Essas características seriam: 1) sexo explícito e 2) intenção principal de produzir um dado efeito estético (ou para utilizar em aulas de educação sexual, ou para denunciar a brutalidade e violência sexual a que supostamente as mulheres são submetidas, etc.)

    Neste caso, embora o filme recorra a material pornográfico, não é um filme pornográfico, tal como um filme que represente situações de racismo não tem de ser racista.

    Mas aceito que isto seja discutível e não faço questão de ter razão. Apenas pretendo boas razões para rever esta posição.

    «Ou esqueça-se o cinema. Há por aí umas imagens que vocês consideram pornográficas, certo? Pegue-se numa delas, retire-se ao seu autor a dita intenção da condição 2). Deixamos de considerar tal imagem como pornográfica?»


    O exemplo é estranho, pois não percebo muito bem como funciona isso. Quer dizer que pensávamos que a intenção era uma quando afinal era outra? Ok, estou a ver. Preciso de afinar e esclarecer melhor a noção de intenção em causa. Quando falo de intenção refiro-me à intenção percebida pelo observador. Não pode ser o estado mental do autor quando realizou o filme, até porque ele pode nunca se ter pronunciado sobre isso, pode ter morrido, etc.

    Não se pense que a noção de intenção percebida é uma invenção ad hoc da minha parte; é uma ideia corrente na filosofia da arte e não só. Portanto, não é a intenção do autor que está em causa e talvez eu tenha deixado isso no ar.

    Penso que isto responde ao que me pergunta e ao pedido para explicar melhor a noção de intenção que tenho em mente.

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  34. Oops, um dos meus últimos comentários quase não se percebe, pois saiu truncado. Peço desculpa.

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  35. Há vídeos com gravações de sexo explícito feitos exclusivamente para excitar sexualmente, mas em contextos médicos, para tratamento de pessoas que sofrem de dificuldades sexuais. Ninguém classifica tais vídeos como pornográficos. Para algo ser pornográfico não basta que seja feito com a intenção exclusiva de excitar. Na verdade, nem a pornografia é feita com a intenção única de excitar, mas também de ganhar dinheiro, por exemplo, ou fazer um efeito interessante.

    A pornografia parece-me indissociável do pudor. É porque há um pudor relativamente a certas coisas que quando se faz alguém olhar para essas coisas com muito pormenor elas parecem pornográficas -- daí que muitas pessoas sentiam-se tentadas a falar de pornografia quando apareceram os filmes de homens absurdamente musculados nos ano 80, como o Arnold Schwarzenegger. Filmar intensamente com muito pormenor aqueles músculos era sentido como quasi-pornográfico por muitas pessoas. Claro que não era pornografia, mas isto parece revelar um aspecto crucial da pornografia: desviar o olhar para algo que as pessoas não querem ver intensamente.

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  36. Desidério,

    «Há vídeos com gravações de sexo explícito feitos exclusivamente para excitar sexualmente, mas em contextos médicos, para tratamento de pessoas que sofrem de dificuldades sexuais. Ninguém classifica tais vídeos como pornográficos.»

    Certo. Mas por que razão ninguém os classifica como pornográficos, se o seu conteúdo é visualmente idêntico a outros filmes que classificados como pornográficos? Bom, a razão é que os vídeos que referes têm um objectivo terapêutico, a saber, tratar de uma disfunção sexual, como dizem os médicos.

    Portanto, não acho que se trate de um verdadeiro contraexemplo. O caso que referes é curioso e singular, pelo facto de haver aí uma coincidência entre a terapia e a excitação sexual.

    «Para algo ser pornográfico não basta que seja feito com a intenção exclusiva de excitar. Na verdade, nem a pornografia é feita com a intenção única de excitar, mas também de ganhar dinheiro, por exemplo, ou fazer um efeito interessante.»

    Já esclareci este aspecto em resposta a outro comentário. Pode haver carradas de intenções na mente de quem faz esses filmes, mas dificilmente temos acesso aos estados mentais dessas pessoas. Quando falo de intenção, refiro-me à intenção principal percebida pelo observador. É porque os vídeos que referes são encarados como tendo principalmente como objectivo resolver problemas de saúde sexual que não os classificamos como pornográficos.

    De resto, quando falas do objectivo de produzir um efeito interessante, estás a entrar no domínio estético ou artístico. Esse tipo de representações, embora utilizem material geralmente considerado pornográfico, não são classificadas como pornografia.

    «A pornografia parece-me indissociável do pudor. É porque há um pudor relativamente a certas coisas que quando se faz alguém olhar para essas coisas com muito pormenor elas parecem pornográficas -- daí que muitas pessoas sentiam-se tentadas a falar de pornografia quando apareceram os filmes de homens absurdamente musculados nos ano 80, como o Arnold Schwarzenegger. Filmar intensamente com muito pormenor aqueles músculos era sentido como quasi-pornográfico por muitas pessoas. Claro que não era pornografia, mas isto parece revelar um aspecto crucial da pornografia: desviar o olhar para algo que as pessoas não querem ver intensamente.»

    Não, em rigor a pornografia não é indissociável do pudor. A censura da pornografia é que é indissociável do pudor. Se fosse como dizes, não haveria pornografia para aquelas pessoas que não têm qualquer pudor em relação a isso. Por exemplo, os actores pornográficos desconheceriam a pornografia, o que não faz muito sentido.

    Além disso, o pudor só por si nunca poderia explicar a pornografia. Temos de ter em conta o objecto do pudor: neste caso é simplesmente a exibição do sexo pelo sexo.

    E também não é o facto de obrigar a desviar o olhar para algo que as pessoas não querem ver intensamente. Ainda ontem passei na rua ao lado de um vómito de cão que, de modo algum, quero ver intensamente. E isto nada tem que ver com pudor ou pornografia. O pudor que leva algumas pessoas a censurar a pornografia é a incapacidade de aceitar o sexo pelo sexo.

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  41. «A maior parte das pessoas só aplica essa distinção rígida entre "pornografia-que-não-é-arte" e "pornografia-que-é-arte" por causa da moldura, como lhe chamou o Zappa naquele comentário. O facto de estar num museu, num evento onde as pessoas exibem uma certa postura e comportamento, etc. Se vissem as mesmíssimas fotografias noutro contexto, presumiriam tratar-se de pornografia-sem-ser-arte.»

    Qual é a novidade, Vítor? O mesmo se passa quando se trata de classificar certos objectos como arte. Já falei aqui repetidamente de Fonte, de Marcel Duchamp. Só lhe chamamos arte porque está num museu. Isto porque, quando o urinol passou para o museu, o seu objectivo passou a ser diferente dos outros urinóis que ficaram na fábrica onde ele o foi comprar.

    Utilizando aqui o pensamento de Zappa, o artista meteu uma moldura à volta do urinol e este deixou de ser um urinol, passando a ser uma obra de arte.

    E poderia dar muitos outros exemplos. A hóstia é, na boca do padre durante a missa, um símbolo. Mas não passa de um alimento na boca do puto que foi roubar hóstias à sacristia para comer. afinal a hóstia é um símbolo ou é um alimento?

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  42. «O termo "pornografia" só pode ter sido criado precisamente por causa do pudor, Aires.»

    Mas por que razão as pessoas têm pudor da pornografia e não têm pudor da astronomia, Vítor? Não achas que tens de ir mais atrás para explicar isto?

    É isso que eu tenho feito e vejo que mais ninguém aqui quer fazer.

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  43. «Se não fosse o pudor, uma foda e uma natureza morta eram descritos com a mesma neutralidade. Não era preciso criar um termo específico para representações de fodas. O que raios tem uma foda de tão especial que uma natureza morta não tem? Não são objectos físicos como quaisquer outros?»

    Pá, as palavras não referem apenas indivíduos e espécies naturais. Estás irritado por pornografia ser um termo social? Tás tramado... :-)

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  46. «Estás a usar "pornografia" num sentido meramente classificativo e a dar zero importância ao facto de na maioria das situações as pessoas usam-na com um sentido valorativo e não classificativo. Tal como raramente usam "arte" com sentido classificativo e sim valorativo. "Isto é arte" é normalmente sinónimo de "isto é bom". Embora na realidade isto não seja assim. "Pornografia" idem, é normalmente sinónimo de "isto é imoral" e não de "isto é sexo explícito com o fim de dar tesão". Para isso já tens uma expressão: "sexo explícito com o fim de dar tesão", tal como tens "natureza morta com gavagai".

    O que estou a dizer é que o sentido valorativo de "pornografia" é precisamente aquilo que cria as propriedades pornográficas. Ao contrário do que acontece com as propriedades da água ou de um gavagai.»


    Não entendo. Estás a querer dizer que não existe um sentido classificativo de arte? Claro que existe,tal como tem de existir um sentido classificativo de pornografia. Agora vejo mais claramente a tua confusão: estamos a definir pornografia e tu pensas sistematicamente no sentido valorativo de pornografia. Mas esta distinção tem de funcionar e temos de pensar qual dos sentidos está em causa.

    A questão do coelho e do gavavai não mostra nada, a não ser que "pornografia" não é um termo para referir espécies naturais; é um conceito social, tal como arte ou desporto.

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  49. Vítor, não estou interessado em qualquer metafísica do porno nem numa sociologia do porno nem seja o que for desse género. Claro que a minha proposta de definição pode ser errada, mas a verdade é que essa definição é independente dos preconceitos das pessoas, como acho que tem de ser.

    Isto também não significa que esteja à procura de uma definição essenscialista. A definição que dou é contextualista, à maneira das definições institucionalistas da arte, dado que uma das condições necessárias é ser percebida como tendo a excitação como objectivo principal (ok, talvez não exclusivo, como já esclareci).

    Repara que o que tens dito significa que não há pornografia para quem não vê algo de mal na pornografia. Por exemplo, para ti, a pornografia não existe, dado que não tens qualquer preconceito em relação a isso. Mas isto não faz sentido, pois estás todo o tempo a falar de uma coisa que achas que não existe.

    A minha definição é utilizável tanto para quem não tem qualquer preconceito em relação à exibição do sexo pelo sexo como para quem é preconceituoso em relação à exibição do sexo pelo sexo e acha que isso é muito mau.

    Definir um conceito de maneira a aplicar-se a penas a uma das partes é que é cair na falácia da definição tendenciosa.

    Em suma, primeiro há a pornografia, ou seja, a exibição do sexo para dar tesão, e só depois é que se acrescentam (ou não) os preconceitos. Não faz é sentido falar da pornografia como se a pornografia não existisse. Existe e, quanto a mim, não há mal algum nisso.

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  50. Aires,

    Se a intenção é a do observador, então a condição 2) deve ser afinada para algo do estilo:

    2) essa representação é percepcionada pelo observador como algo que tem exclusivamente em vista provocar-lhe excitação sexual.

    Assim, desde que o observador não julgue que uma representação tenha como fim provocar excitação sexual, tal representação não será pornográfica.

    É isto? Se for, implicará isto que tal representação não é pornográfia para ele apenas mas poderá sê-lo para outrem?

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  52. «Se a intenção é a do observador, então a condição 2) deve ser afinada para algo do estilo:

    2) essa representação é percepcionada pelo observador como algo que tem exclusivamente em vista provocar-lhe excitação sexual.»


    É isso, Vítor. Obrigado. Não tinha ainda afinado isso por preguiça.


    Assim, desde que o observador não julgue que uma representação tenha como fim provocar excitação sexual, tal representação não será pornográfica.

    Pá, estou a falar do observador em geral. Nesta matéria, como na arte, há sempre casos duvidosos e discutíveis. Não há como evitar isso. Mas é muito mais vulgar do que pareces supor encontrar-se algum consenso na matéria, sem contar obviamente com as pessoas que usam o conceito em sentido valorativo. O Desidério falou dos vídeos de terapia sexual que, apesar de recorrerem a imagens pornográficas, ninguém diz tratar-se de pornografia.

    Não sei se conheces as fotografias mais ousadas de Mapplethorpe, que apesar da exibição explícita de práticas sexuais, qualquer pessoa reconhece procurarem chocar e questionar preconceitos em vez de procurarem excitar. Até pelo contexto onde são exibidas se percebe o que se pretende com elas (já agora, um aparte de carácter pessoal: a arte que procura chocar aborrece-me normalmente e, na maior parte das vezes, acho-a má arte, como essas fotos do Mapplethorpe, apesar de ter outras muito boas).

    É isto? Se for, implicará isto que tal representação não é pornográfia para ele apenas mas poderá sê-lo para outrem?

    O que disse atrás penso que responde à tua pergunta. Que isto não é isento de dificuldades é natural. Trata-se, afinal, de um problema filosófico. Não esperes que eu resolva aqui esse problema e acabe com a discussão. O que não posso é largar esta definição em troca de nada ou de outras ainda mais defeituosas. Encontra-me uma melhor, que eu abandono esta com todo o gosto.

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  53. «Ora essa, o que passamos a vida a fazer em filosofia da religião? A discutir a metafísica do inexistente. A teologia então é toda ela acerca do inexistente.»

    Boa, bem metida! :-)

    Ok, digo de outra maneira: queres dizer que a pornografia não existe?

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  59. Vítor, só duas curtas notas sobre os teus mais recentes comentários.

    1. Claro que há água benta. Tal como há pessoas baptizadas. Água benta é água que foi benzida por um padre e que algumas pessoas acreditam ter poderes especiais por isso mesmo. E isto existe, sem margem para dúvidas. A água tem mesmo a propriedade de ser benzida por um padre.

    2. No essencial, o que disseste é consistente com o que eu tenho andado a dizer sobre a pornografia.

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  61. Não. A água benta não é água benzida por um padre apenas. A água benta é a água que adquire certas propriedades depois de benzida por um padre. E essa água não existe porque não aquire tais propriedades: fica na mesma, antes e depois de ser benzida.

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  62. Claro que adquire outras propriedades, Desidério. Adquire propriedades simbólicas, não físicas nem sobrenaturais.

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  63. Mas essas não são as propriedades relevantes que, no entender das pessoas que acreditam na água benta, a água adquire. E o que faz a água ser benta, no seu entender, não é o facto de elas pensarem que é benta, mas o facto de ter certas outras propriedades, que na realidade não tem.

    Isto é importante porque algo se análogo se passa na pornografia. Nada parece haver na representação do sexo ou na intenção com que se representa o sexo que faça as pessoas classificar certas coisas como pornográficas e outras não, excepto a completa arbitrariedade do preconceito e do contexto em que estão inseridas.

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  64. Como não são relevantes? São tão relevantes como o que acontece a um homem depois de ser ordenado padre. Apesar de continuar a ser exactamente o mesmo homem, com as mesmas características, passou a estar simbolicamente investido com o poder de perdoar os pecados aos crentes, coisa que não podia antes.

    Passa-se exactamente o mesmo com a água que, depois de benzida por um padre, tem a propriedade simbólica de purificar os crentes quando se benzem com ela. Se não houver diferença entre a água benta e a água que não é benta, então também não haverá diferença entre um padre e um não padre.

    E algo do género se passa também com muitas obras de arte. Um exemplo esclarecedor é o da enorme rocha transportada do leito do rio em que se encontrava (Trás-os-Montes) para a sala de exposições do CCB, onde o artista Alberto Carneiro a expôs como obra sua durante dois meses (ou por aí), voltando a devolvê-la ao seu lugar anterior, no rio. Foi durante dois meses uma obra de arte (há variadíssimos exemplos destes na arte), pela simples razão de ser exibida no contexto adequado.

    Que o contexto determina em parte se uma imagem é pornográfica ou não é o que ando a dizer desde o princípio. E isto é completamente independente da questão de saber se a pornografia é imoral ou não. O que depende dos preconceitos é considerá-la imoral ou não. O que acho que não podemos fazer é dizer que a pornografia tem que ver com x ou y e evitarmos dar uma definição de pornografia.

    Quando dizemos "Qual é o mal em ver pornografia?" estamos a reconhecer que há pornografia, mesmo quem não vê qualquer mal nisso.

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  65. Ponto prévio: devo retirar as citações de VG, pois são agora partes truncadas de um todo que o próprio retirou?

    Para AA o termo “pornografia” costuma aplicar-se aos casos em que:
    ”1) há representação explícita de actos ou órgãos sexuais;
    2) essa representação tem exclusivamente em vista provocar excitação sexual no observador.”
    O ponto dois passou da intenção do autor para a percepção do observador:
    “2) essa representação é percepcionada pelo observador como algo que tem exclusivamente em vista provocar-lhe excitação sexual.” (r com acordo de AA)
    Em 28 de Fevereiro de 2009 13:31 perguntava:
    Is pornography “in the eye of the beholder?”
    VG e DM também tendem para aí:
    VG – “A distinção entre "pornografia" e "erotismo" parece algo especiosa e depende mais de convenções do que de propriedades dos próprios objectos. Imagens que num contexto se rotula "eróticas" são rotuladas "pornográficas" noutros contextos.”
    DM – “Nada parece haver na representação do sexo ou na intenção com que se representa o sexo que faça as pessoas classificar certas coisas como pornográficas e outras não, excepto a completa arbitrariedade do preconceito e do contexto em que estão inseridas.”
    Afinal não estarão os três de acordo?

    Reponho a terceira questão que me parece trazer elementos pertinentes para a discussão:
    3- “O Courbet fez aquele quadro [“a cona”] com a intenção explícita de ser pornográfico. […] A intenção era precisamente ofender as alminhas singelas que fazem esse tipo de separações arbitrárias.” VG
    Não será a história d’“A Origem do Mundo” paralela à história da própria pornografia, servindo também de explicação para o teor desta última?
    (http://www.musee-orsay.fr/fr/collections/oeuvres-commentees/recherche/commentaire/commentaire_id/lorigine-du-monde-125.html)
    Enfatizo: Não será a história d’“A Origem do Mundo” (passando da colecção do embaixador turco Khalil Bey, para a colecção de Jacques Lacan e depois para a exposição no Museu d’Orsay), um paralelo com a história da própria pornografia (do domínio privado - era vitoriana -, para os olhos da psicanálise e depois para os olhos do mundo - Internet)?

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  66. Mais duas questões (associadas à questão 3):
    a)
    - H2 O não explica totalmente o que é a água benta.
    - Uma “cona” não explica totalmente o que é a “Origem do Mundo” de Courbet.
    - Um urinol não explica totalmente o que é a “Fonte” de Duchamp.
    - Uma “representação explícita de actos ou órgãos sexuais” não explica totalmente o que é a pornografia.
    No caso deste tipo de objectos, em que as suas propriedades intrínsecas não parecem ser o suficiente para explicar o que são, não será necessário compreender o seu valor simbólico?

    b)
    A questão “o que há de errado nisso?” (que pode pressupor uma juízo sobre a sua produção ou o seu consumo – o que ninguém aqui contestou) parece ser sobreposta por outra questão mais complexa (e mais incómoda): o que há de errado na sua divulgação?

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  67. Não, Aires, quem acredita que a água é benta não acredita que a água adquiriu apenas a propriedade relacional de ser considerada benta. Estás a confundir o modo como tu descreves a propriedade relacional que a água efectivamente adquiriu (ser considerada benta) com o que faz as pessoas que a consideram benta considerá-la benta. Topas? Seria ridículo alguém acreditar que a água é benta neste sentido: acreditar que essa água é tratada de uma certa maneira por ele mesmo, e não de outra. Não. Essa pessoa acredita que a água adquiriu propriedades que não se confundem com a propriedade relacional de ele considerar a água benta, e na verdade, são as propriedades que segundo ele justificam que ele considere que a água é benta.

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  68. Desidério, nenhum crente acredita que a hóstia que toma na missa é o corpo de Cristo. No que os crentes acreditam é que, naquele contexto cerimonial, aquele pedaço de farinha prensada representa ou simboliza o corpo de Cristo. Nenhuma outra propriedade é atribuída à hóstia pelos próprios crentes.

    Passa-se algo idêntico com numerosas obras de arte, que não o eram antes de serem apresentadas para apreciação do contexto adequado, apesar de as suas propriedades físicas serem exactamente as mesmas antes de serem classificadas como arte.

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  69. Isso é falso. Oficialmente, a hóstia transubstancia-se e torna-se literalmente, e não apenas simbolicamente, o corpo de Cristo. Mas podes usar qualquer outro exemplo; magia, ou telepatia, ou astrologia. As pessoas que acreditam nestas coisas não têm o tipo de crença que estás a descrever. Ao invés, acreditam que certas coisas têm certas propriedades que nós acreditamos que não têm.

    Analogamente, parece-me que uma pessoa pode ver a classificação de algo como pornográfico ou não nesses termos: como uma tentativa falhada de classificar algo em termos de propriedades que a pessoa pensa que tem, mas que não tem realmente.

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  70. Oficialmente é isso, mas duvido que os crentes saibam tal coisa e acreditem realmente nisso. Ok, mas ponhamos de parte o exemplo da hóstia, pois há muitos outros, como as obras de arte do género das que referi em comentários anteriores.

    Mesmo no caso da água benta, em que não há qualquer transubstanciação, quais seriam essas tais propriedades que referes? A propósito, aproveito para esclarecer que nunca disse que a água é benta por alguém "acreditar que essa água é tratada de uma certa maneira por ele mesmo, e não de outra". Claro que isso seria ridículo. O que eu disse é que a água é benta porque alguém (um padre) lhe conferiu propriedades simbólicas, benzendo-a. É porque foi benzida por um padre que os crentes lhe chamam benta; não é benta porque os próprios crentes lhe chamam benta.

    Não me empurres para os exemplos da magia, da telepatia ou da astrologia, que são muito diferentes dos que dei. Podemos, então, concentrar-nos nos exemplos de obras de arte como o urinol do Duchamp. Como é que aquilo é arte e os outros urinóis exactamente iguais que ficaram na fábrica não? Eu digo que é pelas mesmas razões que uma imagem pode ser pornográfica num contexto e não o ser noutro.

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  71. “…parece-me que uma pessoa pode ver a classificação de algo como pornográfico ou não nesses termos: como uma tentativa falhada de classificar algo em termos de propriedades que a pessoa pensa que tem, mas que não tem realmente.” (DM)

    1 – Mas isso não significaria então que a pornografia não existe?

    2 – Isso não seria, também, usar o termo “pornografia” como se apenas se ajustasse a um preconceito sexual, ou moral, em vez de usá-lo como mera classificação, do tipo: “para adultos”, ou “material que poderá ferir a sua susceptibilidade” ou “material com conteúdo pornográfico”?
    2.1 – Ou seja, não seria também um modo preconceituoso de usar o termo, como se este possuísse, invariavelmente, uma carga pejorativa?
    2.2 – Então como poderíamos entender esta aplicação do termo: “Eu gosto de consumir pornografia!”? Se o uso do termo implica 1) “a representação explícita de actos ou órgãos sexuais” e que 2) “essa representação é percepcionada pelo observador como algo que tem exclusivamente em vista provocar-lhe excitação sexual”, não poderá isso ser pornografia?

    3 – Inversamente, se AA considera que a pornografia “é percepcionada pelo observador como algo que tem exclusivamente em vista provocar-lhe excitação sexual”, porque não considerar também que a pornografia pode ser percepcionada pelo observador como algo que tem exclusivamente em vista provocar-lhe aversão sexual?

    Ainda quanto à afirmação de DM e na sequência das analogias:
    4 – O que afirma não equivale então a dizer que a “Fonte” de Duchamp é apenas um urinol (com propriedades idênticas a todos os urinóis – nem mais nem menos do que os restantes) só porque haverá quem considere que aquilo não é arte (e que quem acredita no contrário apenas partilha de uma crença)?

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  72. A pornografia existe, mas é uma classificação arbitrária que algumas pessoas fazem, baseada em preconceitos. Não corresponde a propriedades intrínsecas dos objectos.

    O mesmo acontece com a arte: se considerarmos que é arte tudo o que as pessoas consideram arte, tornamos desinteressante o conceito. Das duas uma: ou quando as pessoas classificam algo ocmo arte têm em mente propriedades dos objectos, e não a mera propriedade relacional aleatória de ser classificado por eles como arte, ou não. Se não, então tal classificação é arbitrária e a arte é desinteressante. Se sim, então o que queremos saber é com base em que propriedades as pessoas classificam algumas coisas como arte e outras não.

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  73. Desidério Murcho,

    Se o pornógrafo cria objectos de carácter pornográfico e o artista cria objectos de carácter artístico, não temos de admitir que ambos conferem determinadas propriedades a esses objectos que os torne, respectivamente, pornográficos ou artísticos?

    até,

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  74. Sim, Zé, mas, no caso da arte, seja qual for a concepção que temos de arte, ela não pode ter a consequência ridícula, como acontece hoje em dia com as definições institucionais, de ser impossível errar ao considerar algo uma obra de arte, desde que quem o faça pertença ao mundo da arte. Isto torna a classificação arbitrária, uma pura convenção sem qualquer coordenação com a realidade. Mas isto é uma opinião polémica que tenho sobre essas teorias, talvez o Aires não concorde.

    No caso da pornografia, não podemos fazer duas coisas simultaneamente. Por um lado, não podemos querer ser descritivistas, como o Aires, e ao mesmo tempo querer tirar do conceito a sua carga negativa. Pois se formos descritivistas aquilo que mais obviamente está associado ao conceito que a generalidade das pessoas tem da pornografia é que é algo de negativo, imoral ou sujo — ou seja, um preconceito associado ao sexo em si, que depois contamina as suas representações. A minha opinião é que o conceito de pornografia é então vácuo. Há pessoas que fazem coisas com o fim principal de ganhar dinheiro, e só podem ganhar dinheiro se isso que fazem for sexualmente estimulante para quem o consome. Nada disto tem qualquer classificação moral associada. Depois outras pessoas olham para isso e conferem-lhe uma carga moral fortemente negativa.

    Mas o mais interessante, e penso que é mais isso que interessa ao Aires, é saber se haverá na pornografia algo que seja característico da pornografia, distinguindo-o, por exemplo, da arte. Mas este algo só é interessante se for estilístico. Se não o for, parece banal que a pornografia tem por fim excitar sexualmente, se bem que nem tudo o que tem por fim excitar sexualmente seja pornográfico.

    O que pensam os leitores?

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  75. “… seja qual for a concepção que temos de arte, ela não pode ter a consequência ridícula, como acontece hoje em dia com as definições institucionais, de ser impossível errar ao considerar algo uma obra de arte, desde que quem o faça pertença ao mundo da arte.” (Desidério Murcho)
    Não poderia perder a oportunidade de colocar esta questão:
    1 – Seria ou não interessante ver alguém aprofundar/sistematizar esse pensamento?
    1.1 – Será esta questão um desafio para um artigo?!


    “…haverá na pornografia algo que seja característico da pornografia, distinguindo-o, por exemplo, da arte. Mas este algo só é interessante se for estilístico.”
    2 – Quando a artista se apropria da pornografia, não estará a identificar os traços estilísticos que a definem ou não estará a denunciar a linguagem própria do pornógrafo? E, nesse sentido, não põe a nu as propriedades que o pornógrafo confere ao objecto pornográfico?

    Até,

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  76. PESSOA QUE QUER RESPOSTA ÁS PERGUNTAS QUE FEZ!!!21 de janeiro de 2013 às 20:12

    nao persebi nada e preciso de ajuda para o trabalho de TIC no dia 23 de janeiro de 2013.
    Alguém me pode dizer o que é a pornografia, o vírus e o antivírus?
    Por favor!
    Please!
    Peço!
    por favor!
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    ...mais que tudo por favooooooooooor!

    ResponderEliminar
  77. For instance most companies charge a base rate close
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    that is merely a little bit of information about the procedure for improving
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    Also see my page: payday loans

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