18 de março de 2009

Plágio

Por estranho que possa parecer, há professores que não sabem bem o que há de errado com o plágio. Diz-se por vezes que o problema é o aluno estar a enganar-se a si mesmo, ou a enganar o professor. Mas nenhum destes problemas é o problema. O problema é que o aluno está a enganar os colegas que não fazem plágio, porque vai obter um grau académico ou uma classificação que não é a dele. É passar à frente dos outros, ou pôr-se a par deles, de maneira ilegítima e indefensável. A indústria do plágio, contudo, floresce, sobretudo hoje, usando os meios da Internet. No artigo “Cheating Goes Global as Essay Mills Multiply” Thomas Bartlett faz o ponto da situação. O que pensa o leitor?

3 comentários:

  1. É esse o grande problema, como é também a cópia nos testes, nos exames.

    A moscambilha tem perna curta. Depressa se apanha, e penso que nestes casos os professores e as instituições de ensino deveriam agir com mais firmeza.

    Há tempos alertei um bloguista para uma situação de plágio em que estava a incorrer (que ele desmente, apesar das evidências), e o que aconteceu foi o indivíduo tentar lançar areia para os olhos de quem o seguia e arranjar uma série ilusões para tentar não ser desmascarado.

    E como nestas coisas da net as pessoas acreditam em tudo o que lhes servem, sem se darem sequer ao trabalho de analisar, confirmar, ou reflectir, a mentira passa muitas vezes por verdade.

    Quem incorre em plágio constrói um universo em torno da trapaça, a partir de uma mentira constrói uma falsa verdade. E o universo inventado passa a fazer sentido para quem o criou. Em alguns casos é patológico.

    Pior do que plagiar, é ser desmascarado e não reconhecer o que se fez.

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  2. Qual é o critério de plágio? Eu sei que há, deliberado e grave claro, que deve ser punido. Mas há a questão do critério. Percebo perfeitamente quando temos reprodução palavra por palavra de uma passagem etc

    Mas o que acontece em áreas, por exemplo a filosofia, em que o autor de um ensaio ou recensão oferece e desenvolve autonomamente uma intuição, e parte do que é referido é muito próximo ao que é escrito por um autor num dado livro ou paper?

    Será incomum, no estudo da filosofia ao longo do tempo confrontarmo-nos com posições que são pelo menos em parte muito próximas com intuições e reflexões em geral autónomas, em que ficamos até por vezes algo surpreendidos por lermos o que já tinhamos ( embora certamente com menos densidade e sofisticação) reflectido e considerado como via interessante de abordar um problema ou argumentar?

    Será incomum esta sinergia, que não tem nada a ver com plágio, entre intuições, indentificação de problemas ou vias argumentativas , ou maneiras de tentar iluminar e descrever melhor o que está em questão?

    E isto não pode ocorrer facilmente em muitas àreas? Na psicologia e sociologia, em estudos culturais e estudos ligados à arte e à literatura, na filosofia, na ciência política etc..presumivelmente até em algumas das chamadas ciências duras quando se está a abordar um problema de um determinado ângulo.

    Qual é então o critério de plágio fiável? Simplesmente cruzar dados com o auxílio de software para identificar reproduções completas de passagens? Há meios para identificar mesmo com alguns "retoques" o plagiador? E se há critérios mais vagos como garantir que se trata de facto de plágio?

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  3. Nova ligação para o artigo: http://digitizingamerica.shanti.virginia.edu/sites/shanti.virginia.edu.digitizingamerica/files/Cheating%20Goes%20Global%20as%20Essay%20Mills%20Multiply%20-%20Students%20-%20The%20Chronicle%20of%20Higher%20Education.pdf

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