9 de março de 2009

Robotnik

Considere-se a seguinte lista de substantivos adjectivos: amniota; anamniota; déspota; diortota; estradiota; gólgota; hidrópota; hilota; iota; patriota; sota; acraniota; agiota; poliglota; aloglota; cipriota; compatriota; eucariota; idiota; janota; monoglota; procariota; siciliota.

Todos têm em comum a propriedade de ou pertencer ao género masculino, ou, segundo o dicionário, poder pertencer simultaneamente ao género masculino e feminino.

Considere-se o termo inglês «robot». Substantivo formado a partir do termo checo «robota» (plural «roboti»), que significa «trabalhador», «servo» e ainda «autómato». A adaptação foi feita com a tradução do romance do checo Karel Capec, RUR (Rossumovi Universálni Roboti ou, na versão inglesa, Rossum's Universal Robots), de 1920.

Considere-se a seguinte ideia: se nos colocássemos no lugar do tradutor original que trabalhou na obra de Capec, o que faríamos seria adaptar o termo checo para português, segundo a nossa maneira natural de formar palavras. Dito de outra maneira, se os ingleses adaptam do checo, nós adaptamos do checo também, desde que isso nos permita uma adaptação mais congruente com a nossa maneira de formar palavras.

Considere-se os termos em uso «robot» ou «robô». A última forma é normalmente usada em galicismos ou adaptações de palavras francesas com terminação em «ot». A primeira forma vem da familiaridade dos filmes e livros de ficção científica em inglês, que vão buscar o termo ao checo. Não é preciso mais para construir o argumento inteiramente plausível e convincente de que devíamos substituir o uso de «robot» e «robô» pelo substantivo masculino, bem formado, «robota», «robotas».

Por fim, considere-se o termo «poliglota» e derive-se dele o adjectivo «poliglótico». Agora experimente-se com «robota» para obter «robótica». Mais duas para a estrada: «nauta», «náutica»; «hermeneuta», «hermenêutica». Concluindo, considere-se a relação entre «avô» e o adjectivo «avoengo». Agora aplique-se isto à palavra «robô» para obter «roboengo» em vez de «robótico».

Será preciso mais para convencer que «robota» é uma opção sensata?

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