29 de abril de 2009

W. v. O. Quine

Uma conotação adicional que muitas vezes investe a palavra “facto”, tanto na filosofia como no uso corrente, é a de objectividade nua juntamente com alguma acessibilidade à observação. No uso filosófico esta conotação é por vezes adoptada e alargada de um modo tal que os factos acabam por ser postulados como algo que corresponde a todas as verdades “sintéticas”, sendo apenas recusados às “analíticas”. Assim intromete-se aqui a mesma dicotomia analítico-sintético que considerámos tão dúbia; e intromete-se de um modo absoluto maximamente implausível, ao que parece independentemente de toda a escolha de linguagem. O tom desarmante de lugar-comum da palavra “facto” acaba até por dar à dicotomia um ar espúrio de inteligibilidade: as frases analíticas (ou proposições) são as verdadeiras que não têm conteúdo factual.

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