22 de maio de 2009

Fernando Pessoa

Um indivíduo qualquer, desconhecedor do que seja o cálculo diferencial, não diz, ao folhear um livro sobre o assunto: «isto é incompreensível», ou, «este homem não sabe o que diz»; diz simplesmente, «não compreendo isto.» Mas o mesmo indivíduo, se for também desconhecedor de metafísica, já vulgarmente não diz, ao folhear um livro sobre esse assunto: «não compreendo isto»; a sua tendência é para dizer: «que confuso que é este homem!», ou, «isto é incompreensível».

6 comentários:

  1. De que fonte foi retirada esta citação?

    ResponderEliminar
  2. Será de retirar daqui a diferença entre ciências exactas e ciências humanas? Será que é por não ser reconhecido qualquer papel sério e universal à metafísica? Desidério, Como interpreta a afirmação?

    ResponderEliminar
  3. O que penso disto está em grande parte explicado aqui: http://criticanarede.com/html/ed136.html

    Não tenho a fonte da citação, faz parte das Nota Bene que desde há anos são usadas na Crítica e eu retiro-as sem anotar a fonte. Não me lembro de que obra tirei esta.

    ResponderEliminar
  4. Já percebi! É relevante o dado de que em Portugal, apesar de haver Filosofia no ensino secundário, lê-se muitos poucos livros de Filosofia. Pelo contrário, nos países anglo-saxónicos, a Filosofia é leccionada nas universidades o que, a par da maturidade dos alunos, lhe confere uma base intelectual, legitimando-a como saber. Obviamente que a minha experiência se cinge a Portugal, o que é extremamente redutor. Mas parece-me que há países, com uma maior tradição analítica, que levam a sério a metafísica. Mas também lhe devo dizer que, certa vez, conheci uma pessoa que, apesar de não possuir conhecimentos científicos, afirmava que sabia por em causa as teorias de Einstein.

    ResponderEliminar
  5. Julgo que a citação se poderá encontrar aqui:
    LOPES, Teresa Rita. (1990). Pessoa por Conhecer – Textos para um Novo Mapa. Lisboa: Estampa, p. 85.

    Té,

    ResponderEliminar