12 de maio de 2009

Quanto mede o sentido da vida?

Na semana passada fiz uma formação profissional na área da gestão e empreendedorismo. Numa das sessões o formador, um gestor profissional e professor universitário na área de economia, indicava que tudo é quantificável. Para choque da plateia indicou que até o casamento é quantificável, que a prostituição deveria ser legalizada já que também é quantificável. Pressupõe-se que alguém formado em gestão, quando se refere a quantificável, quererá dizer que dá dinheiro. Mas parece que nem tudo é quantificável ao poder do dinheiro. Como é que podemos quantificar o sentido da existência, por exemplo? Ou como quantificamos o problema metafísico da identidade? Se estes contra-exemplos funcionam então o gestor não tem razão quando refere que tudo é quantificável. Além do mais se a prostituição deve ser legalizada (eu penso que sim, mas por outras razões) porque é quantificável, por que razão não legalizamos os assaltos a bancos que até dão muito mais lucro?

3 comentários:

  1. Rolando, gostava de perceber em que contexto ele referiu que tudo era quantificável.
    Imagino alguns contextos em que dizer que o casamento é quantificável possa fazer sentido (eu, por exemplo, estou casado há 10 anos, outros estarão há mais, outros há menos).

    Pressupões que um gestor quando diz quantificável fala em dinheiro. Mais uma vez desconheço o conceito, mas parece-me um pressuposto arrojado. Eu sou gestor e falo amiúde de "quantificações" que não se prendem com dinheiro.

    Claro está que também não entendo o salto da quantificação da prostituição (seja em euros ou não) para a sua legalização.

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  2. Caro Jaime,
    O formador em causa possui uma visão estrita da gestão. Essas questões foram colocadas.
    A questão da prsotituição julgo ser compreensível do ponto de vista do negócio: é que se trata de um comércio altamente lucrativo, mas paralelo, pelo que legalizá-la seria uma mais valia desse ponto de vista.

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  3. Agora que penso, talvez o problema do sentido da vida seja o maior de todos os problemas, porque nos toca pessoalmente, é relativo à nossa própria existência no Universo e coloca-nos perante a nossa pequenez e o aparente sem sentido que tudo tem. Evoca um sentimento sublime, simultaneamente matemático e dinâmico, porque se apresenta infinito e poderoso, não pacífico. Penso que esse sentimento está bem exprimido na Bíblia, em Eclesiastes 1, 4-11.

    Não conhecendo o Existencialismo mais do que sobre ele li na SEP, penso que este texto o antecipa, não obstante a resposta bíblica ser o recurso a uma entidade talvez ficcionada, como espécie de purga para os nossos tormentos, o que, a não ser verdade, é reconfortante.

    Penso que é impossível quantificar o problema porque diz respeito ao sentimento "estável" que temos perante a vida, não a humores. Dizendo respeito a sentimentos, não é quantificável, porque os sentimentos são infinitos (não sei se isto será já uma quantificação), ou este sentimento particular é-o.

    Assim, penso que uma resposta objectiva ao problema do sentido da vida será formal, só se tornando substancial quando encarada na primeira pessoa.

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