7 de Junho de 2009

Adolf Hitler

Estamos no final da era da razão [...]. Um novo período de explicação mágica do mundo está a nascer, uma explicação baseada mais na vontade do que no conhecimento. Não há verdade, nem no sentido moral nem científico [...]. A ciência é um fenómeno social e, como tal, é delimitada pelos benefícios e malefícios que possa causar.

4 comentários:

  1. E depois é o absolutismo sobre a verdade que gera intolerância...

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  2. É um dos casos, Alexandre, em que a filosofia — adequadamente praticada — parece poder desempenhar um papel público. As ideias a que aludes podem ser bem intencionadas, mas são fruto de confusão conceptual. Nomeadamente confunde-se sistematicamente o conceito de verdade com o conceito de convicção profunda e dogmática. São duas coisas inteiramente diferentes. O que está do lado da opressão é o segundo conceito e não o primeiro. Na verdade, para denunciarmos o segundo conceito precisamos de não aceitar a ideia de que a verdade não é relativa ao que nos apetece.

    Sobre este tema, leia-se o seguinte:

    http://blog.criticanarede.com/2008/08/o-carcereiro-libertrio.html
    http://criticanarede.com/html/ed64.html

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  3. Tenho na Crítica um texto onde abordo o problema do relativismo ideológico do nazismo e o problema da verdade em: http://criticanarede.com/hitler.html

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  4. Desidério,

    A leitura de um dos textos aconselhados ("Lógica e amizade") despertou uma imediata correspondência:

    Filosofia/Amizade –> Pintura/Amizade

    Assim, mesmo correndo o risco de fugir ao tema central, passo a expor:

    Leon Battista Alberti no seu tratado renascentista sobre pintura (De Pictura, Livro II), citando Cícero (De Amicitia, 7, 23), compara a arte do retrato à amizade: “Pois a pintura contém em si uma força tão divina que não só, como dizem da amizade, faz presentes os ausentes, como também apresenta como vivos os que já morreram há séculos de modo a serem reconhecidos pelo espectador com prazer e suma admiração pelo artista.”

    Retomando o seu texto e trocando o filosofar pelo pintar teríamos:

    O Retrato pressupõe e gera amizade.

    O Retrato pressupõe a amizade porque sem a disposição afável que resulta da amizade temos mais dificuldade em avaliar correctamente o retratado. Se não nutrirmos qualquer amizade pelas pessoas ou pelas ideias, o modo de retratar essas pessoas terá tendência para ser apressado, redutor, cego e falacioso.

    Além disso, o pintar um Retrato gera amizade porque ao avaliar cuidadosamente os traços alheios (físicos e intelectuais) contactamos com uma parte importante da humanidade dos outros. “Temos uma tendência natural para gostar de quem apresenta um pensamento honesto, límpido, aberto à crítica, e para nos afastarmos de quem usa os recursos do pensamento desonestamente, para manipular os outros, fechando-se em si mesmo e nunca se oferecendo à crítica alheia, apresentando-se falaciosamente como a Última Palavra ou a Verdade Absoluta.”

    E isto não seria apenas aplicável num domínio estritamente figurativo, senão veja-se:

    Podemos retratar fielmente alguém de quem não conhecemos a forma do rosto, mas reconhecemos a sua forma de pensar – ex. Sócrates (469–399 a.C)

    Podemos não conseguir retratar fielmente alguém de quem conhecemos a forma do rosto, mas não reconhecemos a sua forma de pensar – ex. Sócrates (1957)

    E assim, também se partilha a conclusão:

    A pintura é uma das actividades humanas por excelência e nela o retrato não se faz manipulando o retratado para que este se pareça com o modelo, o retrato faz-se para que o modelo seja reconhecido.

    (Numa aproximação ao tema geral) Isso implicaria que seja impossível retratar alguém por quem fosse impossível nutrir amizade? Não. Pois mesmo não reconhecendo a forma de pensar do modelo (ex. Hitler), o sentido humano do retratar poderia concentrar-se num outro fim, fazendo do retrato, e não da pessoa, um meio para esse fim (ex. preservar para a posteridade o rosto de um ditador para que a humanidade não esqueça as terríveis atrocidades por ele praticadas).

    Até,


    PS – podem-se encontrar versões on-line destes textos:
    De Pictura (em espanhol) – http://www.historia-del-arte-erotico.com/leon_battista_alberti/index.htm
    De Amicitia (em português) – http://upasika.com/docs/helenistica/Ciceron%20-%20Amizade%20PT.pdf

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