13 de Junho de 2009

Educação para a cidadania


Muitos dos nossos políticos, pedagogos e cientistas da educação enchem a barriga com a ideia de educação para a cidadania. Parece até que descobriram a pólvora. Mas que a educação serve para formar cidadãos é uma ideia tão velha quanto a própria ideia de educação. Os gregos chamavam-lhe paideia. Que ideia é essa? Bom, é a ideia de que formar cidadãos é ensinar-lhes a falar, a escrever, a contar, a argumentar, a avaliar, a pensar por si. Estas são as ferramentas necessárias para uma cidadania plena e esclarecida. Em suma, formar cidadãos plenos é ensinar-lhes bem Português, Matemática, Biologia, História, Filosofia, etc. Quem aprende bem estas coisas está em boas condições para se tornar um cidadão esclarecido. O resto é quase só ruído ideológico.

2 COMENTÁRIOS:

Desidério Murcho disse...

E o pior do ruído ideológico é que é, infelizmente, incompatível com uma verdadeira educação para a cidadania; pois consiste em repetir ideias feitas e dar lavagens ao cérebro aos estudantes (que felizmente não as ouvem), com base em princípios ecológicos, multiculturalistas, ou o que seja, sem consciência alguma de que não interessa que disco está a tocar: o que é incompatível com a educação para a cidadania é o espírito de gramofone, como escreveu Orwell.

António Daniel disse...

Também concordo. Estas ideias são difundidas por alguém que, certamente, tem muito a ganhar. Já alguém dizia que os saberes que mais nos enganam são os mais lucrativos. Esses saberes, imbuídos de paternalismo, fazem proliferar a ideia de que as pessoas não são autónomas e, por isso, são eternos pacientes à espera que lhe esclareçam sempre alguma coisa, quando, de facto, a ciência é que nos confere a verdadeira cidadania e capacitam as pessoas de instrumentos para o seu crescimento. Querem, por isso, fazer passar a ideia de que um professor é um amigo, um confidente, um psicólogo quando devia ser simplesmente...professor.

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