9 de junho de 2009

Filosofia e história no currículo de filosofia

Acabo de publicar aqui um artigo de Dídimo Matos sobre a preponderância da história da filosofia em alguns currículos de filosofia brasileiros. Está aberta a discussão.

5 comentários:

  1. Realmente há esta preponderância em muitos currículos, mas não é claro para mim que a simples mudança curricular tenha realmente efeitos notáveis e positivos sobre a formação dos graduandos em filosofia. Já vi muitas disciplinas temáticas terem por conteúdo a exegese de um autor. O simples fato de a disciplina se chamar "Epistemologia" não impede que um professor passe o semestre inteiro despejando Hume ou Kant exegeticamente aos seus alunos. O que se tem de fazer, seja em disciplinas históricas, seja em disciplinas temáticas, é ensinar os alunos a argumentar e a avaliar argumentos dos filósofos e os seus próprios.

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  2. A minaha sugestão é que os cursos de filosofia no Brasil deveriam ter as seguintes disciplinas no 1º período: lógica, metodologia filosófica e introdução aos problemas da filosofia. Depois de cursadas essas disciplinas, aí sim o aluno estaria em condições de prosseguir no curso de forma satisfatória.
    Nos períodos seguintes deveriam ser oferecidas disciplinas como metafísica, epistemologia e ética. Agora, uma vez que o aluno já possui domínio mínimo das principais áreas e problemas da filosofia, já pode se embrenhar em sua história.
    Dessa maneira, ao estudar Platão e Aristóteles o aluno poderá compreender muito melhor do que estavam a tratar esses filósofos. Poderá avaliar seus argumentos e suas teorias, reconstruir seus exemplos, levantar contra-exemplos, e o melhor de tudo: tentar refutá-los ou defendê-los.

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  3. Olá,
    Penso que o texto de Dídimo está de acordo com a minha vivência acadêmica. Não apenas há muito mais ofertas de disciplinas com nomes tais "história da filosofia grega" ou "história da filosofia moderna", como também está abarrotado de disciplinas seminários ou tópicos históricos. A consequência óbvia é a formação de "historiadores da filosofia", especialistas do pensamento de uma época.
    E honestamente, fazer historia da filosofia não é filosofar. Talvez seja de certo modo até diminuir o problema filosófico nele mesmo e enxergá-lo com menos validade por se situar em determinada época e ser fruto do seu contexto. Evidente que seu contexto é importante, como por exemplo saber que Galileu foi perseguido é importante historicamente, mas não é tratar do problema científico defendido por ele.
    O que seria esse tal filosofar? Não tenho resposta pronta e objetiva, mas desconfio profundamente que a relação é intríseca à pensar com autonomia. Pensar o pensamento do outro , por mais que o outro seja a "autoridade" sei que não é.
    Se sinto falta de mais aulas sistemáticas? Claro. Continuamente. As ferramentas que a minha formação acadêmica não dá eu busco, ou tento buscar.
    Não se trata de fazer apologia a eliminação da história da filosofia, mas da não redução da filosofia às disciplinas históricas. Dídimo está certíssimo.
    Abraço!

    Barbara Pádua (UFMG)

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  4. Olá Eros,

    Percebo perfeitamente o que dizes. Sei que as demais disciplinas são tratadas historicamente e acredito que tal coisa deva mudar, mas o aumento proporcional de disciplinas instrumentais já colocaria tal situação em xeque. Não tem como fazer exegese em lógica formal, por exemplo.

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  5. O novo link do artigo: http://criticanarede.com/ed142.html

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