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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2009

Nick Bostrom e David Pearce

Eis uma das minhas mais recentes traduções, para o filósofo inglês David Pearce.http://www.hedweb.com/transhumanism/portugues.htmlTrata-se de uma entrevista a Nick Bostrom e David Pearce, sobre o movimento transumanista, ou um projecto de abolição do sofrimento humano através da alta tecnologia, por oposição às panaceias tradicionais da revolução política e do desenvolvimento económico. Aqui se discute alguns argumentos pessimistas acerca do desenvolvimento tecnológico e a noção de «humanidade» que encontramos nesses argumentos.

O Caminho para a Servidão

O Caminho para a Servidão, de Friedrich Hayek, foi um livro que fez furor aquando do seu lançamento original, em 1944. O pensamento socialista estatista era então comum; Orwell, por exemplo, sendo um exímio defensor da liberdade, considerava que a economia teria de ser socialista, nacionalizando-se toda a rede produtiva. Eis que surge Hayek, defendendo de modo intransigente a liberdade, incluindo a liberdade económica, e procurando mostrar como a servidão resulta dos controlos estatais, incluindo sobre a economia. Este clássico está agora disponível em Portugal, nas Edições 70, com tradução de Marcelino Amaral e prefácio de João Carlos Espada. Na Crítica temos uma recensão de Amartya Sen, aquando dos 60 anos da publicação original do livro de Hayek.

Escolha um título, ganhe um livro

Eis um repto lançado pelas Edições 70, editora portuguesa de Cambridge Companion to Atheism, que acabei de traduzir: que título português escolheria o leitor? Faça a sua sugestão e se alguma for escolhida pelo editor, este oferece-lhe um exemplar da edição portuguesa. Aqui estão mais informações sobre o livro original, para o ajudar a pensar.

Cambridge Companion to Atheism

Acabei de rever hoje a minha tradução do Cambridge Companion to Atheism, org. Michael Martin (Cambridge University Press, 2006), a publicar em breve nas Edições 70. Trata-se de um volume que estuda o ateísmo e a religião do ponto de vista histórico, filosófico, antropológico, sociológico e psicológico. Publiquei na Crítica um dos capítulos mais interessantes, que descreve a investigação antropológica actual sobre a religião: "Teorias Antropológicas da Religião," de Stewart E. Guthrie. Ao contrário do que se afirma por vezes, a teoria antropológica de Durkheim está longe de ser hoje consensual entre antropólogos, havendo razões para pensar que é falsa, nomeadamente porque a distinção entre sagrado e profano não ocorre em todas as religiões.

Julian Dodd

Ao contrário de filósofos que consideram infeliz a filosofia da arte fazer-se «mais do lado da filosofia do que da arte» (por exemplo, Aaron Ridley, na série de entrevistas de Nigel Warburton a diversos filósofos britânicos, publicada com o título New British Philosophy), Julian Dodd apresenta-nos um trabalho de metafísica da música que parte deliberadamente da filosofia e das suas preocupações tradicionais: Works of Music: An Essay in Ontology, um título de 2007, da OUP. Eis uma recensão deste texto, por Franklin Bruno.

António Gedeão

Poema do Homem Novo

Niels Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade inteira saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.

Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até os pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão de vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.

Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.

Cá de longe, na Terra, num borborinho …

Fanatismo por crenças justificadas e discussão racional

Num interessante texto do excelente blog Problemas Filosóficos, Alexandre Machado argumenta contra o fanatismo por crenças justificadas, alegando que a justificação e o dogmatismo podem coexistir na mesma pessoa. Alexandre Machado aponta duas condições para o fanatismo por crenças justificadas: a crença na infalibilidade da justificação e a necessidade de se combater quem pensa de modo diferente. Concordo com a conclusão de Alexandre Machado, pois alguém que acredite justificadamente que P pode, ainda assim, ser dogmático quanto à infalibilidade da justificação de que P. É, de resto, essa possibilidade que alimenta uma parte importante da discussão filosófica. Se os filósofos procuram a verdade e se a justificação, só por si, garantisse a verdade das nossas crenças, grande parte dos filósofos teriam talvez de encontrar outra ocupação, pois o que não falta aí são crenças justificadas sobre praticamente tudo. O cepticismo metodológico característico da actividade filosófica pode por vez…

Deus, presciência e liberdade

Acabo de publicar o artigo "Será a onisciência divina realmente incompatível com o livre-arbítrio?", de Rafael Alberto S. d'Aversa . Trata-se de uma proposta de solução para um problema importante no âmbito da filosofia da religião: será compatível a suposta omnisciência do deus teísta com o nosso suposto livre-arbítrio? Se Deus sabe tudo a todo o momento, sabe agora o que farei amanhã depois do almoço; mas se ele sabe agora o que eu farei amanhã depois do almoço, amanhã não poderei escolher livremente fazer uma coisa diferente. Parece que ou temos de admitir que Deus não é omnisciente ou nós não temos livre-arbítrio, não sendo possível comer o bolo e ficar com ele ao mesmo tempo. Mas o Rafael defende precisamente isso: que podemos comer o bolo e ficar com ele ao mesmo tempo. Terá ele razão? Fica aberta a discussão.

Oliver Sacks

A perda de certas formas de memória é frequentemente um indício precoce de Alzheimer, e pode acabar por se desenvolver até às formas de uma amnésia profunda. Mais tarde, pode manifestar-se na incapacidade verbal e, através da afecção dos lobos centrais, poderão também perder-se as capacidades mais subtis e profundas, como a de julgar, de prever e de planear o comportamento. Posteriormente ainda, uma pessoa com Alzheimer pode perder alguns aspectos fundamentais da consciência de si e, em particular, a consciência das suas incapacidades. Mas a perda de consciência de si, ou de certos aspectos da própria mente, constituirá uma perda do "eu"?

Tento na língua

Sou só eu ou o leitor também considera uma tolice que se fale sistematicamente do ocidente (às vezes até com maiúscula!), quando na verdade se quer falar apenas (de partes) da Europa e dos Estados Unidos da América, esquecendo-se 1) a África, que tem países mais ocidentais do que muitos países europeus, e 2) o Japão, que lá por estar no oriente é mais parecido com a Europa e os Estados Unidos do que muitos países africanos? Não seria melhor deixar de usar um termo geográfico quando temos em mente uma classificação política e económica e social e cultural?

Christian Plantin em Coimbra

O grupo de investigação Ensino de Lógica e Argumentação (LIF / FCT) ─ a entidade organizadora do colóquio internacional "Rhetoric and Argumentation in the Beginning of the XXIst Century" realizado em Outubro do ano passado ─ organiza um seminário que Christian Plantin irá orientar na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com o título "L'Argumentation Aujourd'hui: État De L'art Et Questions Disputées", nos dias 17 e 18 de Setembro de 2009. Depois do seminário, no dia 18 pelas 15:00 horas, esse prestigiado Professor da Universidade de Lyon 2 e Director de Investigação no CNRS proferirá uma conferência pública. Os eventos aparecem anunciados aqui.

Filosofia da religião em português

Boas novidades não tão novas no que respeita à filosofia da religião: a antologia da Blackwell, organizada por Charles Taliaferro e Paul J. Griffiths, foi publicada em Portugal em 2008 pelo Instituto Piaget, sob o título Filosofia das Religiões (o título original é apenas Filosofia da Religião). Espero que a tradução não seja tão má quanto outras que esta editora tem publicado.

No Brasil, a Loyola publicou em 1996 a Introdução à Filosofia da Religião, de B. R. Tilghman, originalmente publicada na Blackwell.

Aquecimento global: o outro lado da discussão

A questão do aquecimento global alimenta grandes paixões. Mas se estivermos realmente interessados na verdade, convém olharmos para as coisas com alguma calma e distanciamento crítico, ouvindo com atenção todas as opiniões e os argumentos que as sustentam, sem fecharmos os olhos ao que não nos apetece ver.
Em certo sentido, a ciência também se faz com paixão. Mas aqui a paixão não é um método nem uma justificação para o que se afirma; é apenas a motivação que nos impele para a procura da verdade. Ora, na discussão sobre o aquecimento global (sim, a discussão existe) também é importante distinguir a paixão religiosa da pesquisa científica.
Dado que não há ciência sem confronto de ideias e de teorias, sugiro aos leitores que vejam o recente documentário sobre a polémica do aquecimento global, produzido para o Channel 4 britânico, o confrontem com outros documentários sobre o assunto e tentem tirar as suas próprias conclusões.
Aguardamos os comentários.

Eutanásia

O problema ético da eutanásia tem sido apresentado e discutido nas páginas da Crítica. Agora é a vez de Faustino Vaz nos trazer, com muita clareza, alguns elementos centrais que ajudem a estudar o tema, no artigo "O Problema Ético da Eutanásia". Outros materiais que se encontram na Crítica sobre o tema são os seguintes: Eutanásia, de Philippa FootO Erro da Eutanásia, de J. Gay-WilliamsDeve a Eutanásia ser Legalizada?, livro organizado por Alain Houziaux e apresentado por Francisco Costa

Trabalhar para fins mais elevados: sugestões musicais para as férias

Muitos dos leitores deste blog devem estar já a pensar em férias. Aproveitando o mote deixado por Grayling no post anterior, deixo aqui três sugestões musicais para alguns momentos de lazer. É nestes momentos que estamos mais disponíveis para apreciar verdadeiramente o que é bom, pois é quando temos a disponibilidade necessária para ouvir realmente música, em vez de nos limitarmos simplesmente a consumi-la.
Mais uma vez, trago três sugestões muito diferentes: música jazz, música clássica e música pop.
A primeira sugestão é o recentíssimo Bare Bones, da cantora jazz americana Madeleine Peyroux. Ao passo que nos três primeiros e excelentes álbuns Peyroux interpreta de forma muito pessoal músicas alheias -- de Leonard Cohen, Bob Dylan, Joni Mitchell, Serge Gainsbourg e Edith Piaf, entre outros --, este disco revela-nos uma compositora de canções perfeitamente à altura da excepcional intérprete e guitarrista que é. Muitas vezes associada a Billie Holiday, é inevitável não nos lembrarmos de…

A. C. Grayling

O tipo de férias que as pessoas habitualmente têm não são realmente exercícios de lazer, mas de descanso. Se se prolongassem para além das duas ou três semanas, tornar-se-iam aborrecidas e far-nos-iam sentir famintos de estímulo mental. Visto desta forma, o lazer não é o oposto do trabalho; é -- como Mark Twain e Aristóteles sugeriram -- algo melhor: a oportunidade de trabalhar para fins mais elevados.

Biblioteca básica de filosofia do cinema

Ainda a propósito de cinema e filosofia, deixo aqui uma sugestão do que poderia ser uma biblioteca básica de filosofia do cinema. Desta vez não estou a falar da utilização do cinema para ensinar filosofia. A filosofia do cinema é um ramo da estética e filosofia da arte que trata de problemas como:
O que distingue os filmes de arte dos filmes que não são arte (documentários, por exemplo)? Serão os filmes uma forma realista de comunicação? Qual o papel, se é que há algum, da imaginação daquele que vê filmes de ficção? Há realmente uma linguagem cinematográfica? Será que os filmes têm um autor? Há uma narrativa cinematográfica diferente das narrativas noutras artes (na literatura, por exemplo)?
É a discussão destes e de outros problemas filosóficos acerca dos filmes que se pode encontrar nesta pequena lista de livros (infelizmente, todos em inglês):
Noel Carrol e Jinhee Choi (eds.), The Philosophy of Film and Motion Pictures: An Anthology (Blackwell)Noel Carroll, Philosophy of Motion Pictures (…