4 de julho de 2009

Eutanásia

O problema ético da eutanásia tem sido apresentado e discutido nas páginas da Crítica. Agora é a vez de Faustino Vaz nos trazer, com muita clareza, alguns elementos centrais que ajudem a estudar o tema, no artigo "O Problema Ético da Eutanásia". Outros materiais que se encontram na Crítica sobre o tema são os seguintes:

2 comentários:

  1. Saudações!

    Congratulo o autor do ensaio. Uma vez abolido o princípio da santidade humana, parece-me que realmente há casos em que a eutanásia é um bem, isto é, quando esta for voluntária ou não-voluntária, e o paciente esteja num estado de sofrimento tal que as consequências da eutanásia sejam menos negativas do que as de não praticar a eutanásia.


    No entanto, tenho uma crítica relativamente à forma pela qual se justifica o princípio da simetria moral.
    A argumentação é a de que intuitivamente nós já respeitamos este princípio. O problema é que nos deixamos afectar por factores extrínsecos. Por exemplo, no caso da diferença entre atirar uma pessoa ao mar e deixá-la afogar-se, culpamos mais a pessoa que pratica o acto positivo, porque quem deixa o aflito afogar-se, para o salvar, poder-se-ia afogar também, por exemplo. Este tipo de factores extrínsecos é que, segundo o autor, toldam a nossa percepção e nos fazem crer que matar é pior do que deixar morrer quando não é bem assim.

    A crítica a este argumento é simples: intuitivamente, também os nossos antepassados pensavam que a escravatura era boa. Lá porque intuímos algo não significa que isso seja bom. Os nossos preconceitos podem muito bem estar errados. O mesmo se aplica ao argumento da diferença entre deveres positivos e negativos: até pode ser que intuitivamente os negativos nos pareçam mais importantes mas não é por aí que podemos justificar que eles são realmente mais importantes.

    Eu defenderia o princípio da simetria moral de outra forma: nas acções amorais (fora do âmbito da moralidade) não fazemos qualquer distinção entre um acto "passivo" e um acto "activo". Quando queremos fritar um ovo não o deixamos ao sol. Fritamo-lo efectivamente no fogão. Assim sendo, o ónus da prova está do lado de quem defende a excepção, de quem defende que há um certo tipo de acções (as morais) em que há uma diferença relevante entre a acção "passiva" e a "activa", entre matar e deixar morrer.

    Cumprimentos!

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  2. Os novos links dos artigos:
    - http://criticanarede.com/eticaeutanasia.html
    - http://criticanarede.com/eutanasia.html
    - http://criticanarede.com/errodaeutanasia.html
    - http://criticanarede.com/eti_eutanasia.html

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