12 de julho de 2009

O argumento ontológico

Acabei de publicar o artigo "O argumento ontológico e o problema da possibilidade da existência de Deus", de Pedro Merlussi, que expõe e avalia uma versão do argumento ontológico de Anselmo.

5 comentários:

  1. A comunidade filosófica, sobretudo analítica, é habitualmente sóbria nos comentários e parca em elogios, o que se compreende e justifica. Vou, no entanto, abrir uma excepção a essa regra tácita em prol deste artigo que, pela sua excelência, merece que se faça. Claro, sólido, rigoroso, muito bem articulado e defendido, é um óptimo exemplo de virtuosismo filosófico! Não conheço o autor, nem pessoal, nem impessoalmente, e ignoro se se trata de um aluno de licenciatura,de um licenciado, mestre ou doutor, nem isso tem qualquer importância para o caso! O mérito do ensaio é óbvio e isso é que interessa! Temos filósofo! Dito isto, gostaria apenas de fazer uma pequena nota crítica sobre uma possível ambiguidade ou confusão que me parece haver no artigo entre leis da ciência e leis da natureza: talvez se devesse distinguir mais claramente entre aquilo que são as leis da natureza tal como são descritas pela ciência actual (leis da ciência) e aquilo que estas são de facto, objectivamente(leis da natureza), sob pena de se confundir os níveis epistémico e ontológico e tomar-se por facto indiscutível o que as teorias mais ou menos consensuais do momento determinam. É provável que a teoria da relatividade esteja certa quando prevê a impossibilidade nomológica de viajar mais depressa que a luz e todos os testes parecem indicá-lo, mas..., pode estar errada! Assim, quer as leis da natureza sejam metafisicamente contingentes ou necessárias, há outra contingência a considerar aqui: a do nosso conhecimento das mesmas!

    ResponderEliminar
  2. João Carlos, muito obrigado pelos elogios e críticas. Mas vamos agora ao que interessa: à ambiguidade conceitual.
    Tive o cuidado de distinguir os conceitos de possibilidade nomológica e metafísica justamente para evitar tal confusão. A possibilidade nomológica é aquela que obedece as leis da ciência. Nomologicamente possível é tudo aquilo que é fisicamente possível (em sentido amplo, envolvendo a possibilidade das outras ciências, tais como a química, a biologia, etc.). Claro que a ciência pode se enganar. Por isso distingui-se a possibilidade nomológica da metafísica. Realmente possível, é aquilo que é metafisicamente possível (utilizei as possibilidades metafísica e real como sinônimas). Contudo, confesso que não tornei tão claro que as leis da ciência podem não descrever a realidade. As leis da natureza podem não ser aquelas descritas pela ciência, sem dúvida. Mas procurei evitar tal confusão ao distinguir a possibilidade nomológica da possibilidade metafísica (que é justamente a do real, como disse).
    Agradeço sua crítica e procurarei tornar o texto mais claro. Este é o tipo de confusão que eu não quero de maneira alguma causar! Agradeço muito. Um abraço!

    ResponderEliminar
  3. Não me parece que o Pedro tenha respondido cabalmente. Quando se fala de leis da física, podemos entender duas coisas diferentes.

    Uma são as leis que são ensinadas nos cursos de física.

    Outra são as leis verdadeiras da natureza, que podem ou não corresponder ao que os físicos hoje pensam que são as leis da natureza.

    Portanto, poderíamos reservar a expressão "leis da natureza" para o segundo caso, e usar "leis da física" exclusivamente para o primeiro. Mas não é isso que o Pedro faz no seu ensaio. Ele usa indiferentemente “leis da física” e “leis da natureza” para o segundo caso, o que pode provocar alguma confusão no leitor, pois é natural usar “leis da natureza” apenas para o segundo caso e “leis da física” para o primeiro.

    Nada disto, contudo, tem a ver com o facto de essas leis da física, no segundo sentido, serem ou não metafisicamente necessárias. Uma lei da física, no segundo sentido, pode mesmo assim ser metafisicamente contingente — saber se as leis da física, no segundo sentido, são ou não metafisicamente contingentes é um problema em aberto da metafísica.

    ResponderEliminar
  4. Salve!

    Tanto o texto acerca do Argumento Ontológico de MERLUSSI,P quanto a resposta à pergunta circular acerca do criador elaborada por SILVA,J.C. evidenciam a alta capacidade argumentativa da filosofia produzida em português.
    Os colegas estão de parabéns, solicito permissão para publicar parte de seus textos, com os devidos créditos.
    Tenho uma crítica quanto ao gênero de assunto abordado:
    Entendo que o tempo de lutar contra os mitos dogmático-religiosos já passou, temos mitos epistêmicos, linguísticos e metodológicos muito mais interessantes a serem desvelados.

    ResponderEliminar
  5. O novo link do artigo: http://criticanarede.com/argontologico.html

    ResponderEliminar