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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2009

Philosophy Talk nas redes sociais

Philosophy Talk é um programa de rádio feito por dois filósofos profissionais, John Perry e Ken Taylor da Stanford University. É um modelo de como se pode promover a filosofia sem deixar que ela se transforme numa moda efémera não lhe desgastando o estatuto. Bem pelo contrário. É uma delicia aprender filosofia com estes dois autores. Os programas são pagos, apesar de baratos. Já há algum tempo que não visitava o site, mas agora que o fiz descobri que podemos acompanhar as actividades do programa pelo Facebook, uma rede social. Este é mais um passo interessante para fazer a filosofia chegar às pessoas. Afinal se os problemas filosóficos são de todos por que não dar a oportunidade às pessoas de aprender mais um pouco? Bom exemplo a seguir.

Timothy Williamson

A natureza inexcepcional da filosofia é mais fácil de discernir se evitarmos a ênfase filistina numas poucas ciências da natureza, muitas vezes imaginadas de modos rudimentarmente estereotipados que marginalizam o papel dos métodos de poltrona nessas ciências. Nem todas as ciências são ciências da natureza. Seja o que for que os empiristas rudimentares possam dizer, se alguma coisa é uma ciência é a matemática; e se algo se faz de poltrona é a matemática. As questões matemáticas não são conceptuais em qualquer sentido proveitoso. Se a matemática é uma ciência de poltrona, por que não também a filosofia?

Será que a crença em Deus pode dar sentido à existência?

Um dos pontos do capítulo sobre o sentido da vida no livro Os problemas da filosofia (Gradiva, 2009) de James Rachels, aponta 3 hipóteses mais gerais para entender como a religião pode dar sentido à nossa existência. Examinemos brevemente essas hipóteses:1 – As nossas vidas têm sentido porque Deus tem um plano para nós. Esta hipótese parece não funcionar já que podemos pensar que também os pais têm um plano para os filhos e muitas das vezes esse plano acaba por ser frustrante para os próprios filhos. Não se vê assim por que razão o plano de Deus poderia conferir sentido à existência.2 – As nossas vidas tem sentido porque somos o objecto do amor de Deus. O que acontece nesta hipótese é que a maioria dos seres humanos já possui esse amor por parte dos familiares e amigos mais próximos. Mas, se ainda assim as nossas vidas parecerem absurdas, o que é que acrescenta o amor de uma entidade exterior?3 – O compromisso do próprio crente religioso. Rachels explica que este compromisso implica …

Escolaridade obrigatória alargada até ao final do 1º ciclo do ensino superior

O que acha desta ideia o leitor?
Não? Porquê? Não acha que o estado deve garantir (exigir mesmo) uma maior formação a todos os cidadãos?
Sim? Porquê? Acha que o estado deve ter o direito de interferir na vida de cada cidadão a ponto de decidir o que este tem ou não de aprender?
Por que razão uma pessoa com 17 ou 18 anos não haveria de poder decidir se quer ir à escola ou não?
Será que há aqui alguma questão filosófica de fundo a discutir?

Fantasiando o ocidente

Protestei polemicamente em "Tento na Língua" contra o uso ageográfico do termo "ocidental". Esta palestra fornece razões para pensar que esta divisão declaradamente ageográfica entre ocidente e o resto é pior do que um pontapé na gramática. É uma mentira política.


Papel electrónico renovado

No artigo “Papel Electrónico” falei dos novos leitores de livros electrónicos que usam uma tecnologia que permite ler à luz do dia, e quase sem gastar energia. Até agora, esses leitores tinham uma limitação: não faziam a reformatação de documentos em PDF, que assim ficavam difíceis de ler. Isto era particularmente mau para quem quer ler livros académicos dado que editores como a Cambridge University Press, Routledge e Hackett publicam quase tudo em formato PDF (ou ePub, que tinha o mesmo problema do PDF). Esse problema foi resolvido com a última actualização do firmware desses leitores, que permite agora ler PDF fazendo a reformatação do texto.

O resultado é impressionante. Podemos ler perfeitamente coisas como a New History of Western Philosophy, de Anthony Kenny, em PDF. Comprei o último livro de Sainsbury, Fiction and Fictionalism, em formato PDF, e lê-se agora perfeitamente bem. É como ter um aparelho novo, de facto. Se hesitava comprar um aparelho por saber que poucos livros acadé…

IEP de cara lavada

A Internet Encyclopedia of Philosophy (IEP) foi pioneira: quando a internet ainda era coisa de poucos, e bastante esotérica, já tinha surgido este projecto. Mais tarde, foi secundarizada pela Stanford Encyclopedia. Ao contrário desta última, contudo, alguns dos artigos da IEP são mais adequados para estudantes na fase inicial dos estudos. A IEP está agora de cara lavada, sendo muitíssimo mais agradável de ler e navegar. Viste-a aqui.

A traição aos gregos

Com a autorização do autor, acabo de publicar um capítulo do livro De Como Fazer Filosofia sem ser Grego, Estar Morto ou Ser Gênio, de Gonçalo Armijos Palácios (Goiânia, Editora UFG, 2004). O trabalho de transcrição do original foi realizado por Matheus Silva.

DEF 2.0

Está em fase de revisão de provas a segunda edição do Dicionário Escolar de Filosofia, org. por Aires Almeida. Praticamente com o dobro da dimensão, esta segunda edição continua a ser contudo um dicionário de consulta rápida que procura ajudar os estudantes do ensino secundário, assim como dos primeiros anos da universidade. A sua versão online foi actualizada, acrescentando-se vinte artigos novos da segunda edição, assim como um artigo inédito sobre consequencialismo.

Swinburne em Viseu, no 7º Encontro Nacional de Professores de Filosofia

A Sociedade Portuguesa de Filosofia, em colaboração com a Escola Secundária Alves Martins (Viseu) e com o apoio, entre outros, da Câmara Municipal de Viseu e da Escola Superior de Tecnologia de Viseu, organiza este ano o 7.º Encontro Nacional de Professores de Filosofia, um evento que visa facultar o intercâmbio de ideias e de práticas, quer do ponto de vista da Filosofia enquanto disciplina académica, quer do ponto de vista didáctico-pedagógico.As comunicações e sessões práticas serão apresentadas e organizadas por investigadores, docentes universitários e docentes do ensino secundário, no âmbito do tema «Filosofia e Religião».
Para a edição deste ano contaremos com um orador internacional convidado, o Professor Richard Swinburne (Emeritus Nolloth Professor of the Philosophy of the Christian Religion, Oxford; Fellow of the British Academy), um dos mais destacados especialistas mundiais no domínio da filosofia da religião, de quem está traduzida em português a obra Is There a God? (OUP…

Popper reeditado

As Edições 70 acabam de reeditar dois títulos de Karl Popper, que assim voltam a estar disponíveis, com nova capa, nas livrarias: O Conhecimento e o Problema Corpo-Mente e O Mito do Contexto. A tradução é, respectivamente, de Joaquim Alberto Ferreira Gomes e Paula Taipas.

Reflexão e aquecimento local

Nos últimos dias não tem faltado calor em Portugal, tendo as temperaturas ultrapassado mesmo os 40º C em alguns sítios. Será isto mau para os filósofos? Será que o calor é um obstáculo à reflexão filosófica?
Há quem defenda que as temperaturas baixas são mais favoráveis ao pensamento, com o argumento de que o frio, desde que não seja excessivo, convida ao recolhimento e à concentração. Mas será isto verdade? Se o for, então a filosofia está mesmo de férias por estas bandas.
O que acham os leitores que, apesar do calor, ainda conseguem pensar?

Filosofia da mente

Um leitor alertou-nos para esta bem-vinda nova edição da Artmed: Introdução à Filosofia da Mente, de K. T. Maslin, originalmente publicada pela Polity Press.

No artigo "A Importância dos Livros Introdutórios" defendo que é crucial publicar estes livros para a qualidade do ensino e da investigação, contrariando assim a posição comum nas zonas mais frágeis do mundo académico, que vê até com maus olhos a publicação destes livros. A proposição que defendo no artigo é esta: sem bons livros introdutórios, os alunos ficarão mal formados, e quando estes alunos se tornam mestres e doutores são profissionais de competências muitíssimo frágeis, o que por sua vez dá origem a mais um ciclo de maus profissionais porque são eles que formam os futuros doutores.

Sitemeter

O contador de visitas do Sitemeter foi retirado do blog e da Crítica, pois estava a colocar cookies ilegítimos nos nossos leitores. (Foi também retirado do DEF.) Esta decisão da empresa que gere o Sitemeter gerou muita polémica na Internet; alguns anti-vírus, já detectam e bloqueiam como adware os cookies ilegítimos.

Leo Strauss em português

Leo Strauss foi um filósofo que ganhou notoriedade quando se afirmou que seria um pensador que teria influenciado profundamente os neoconservadores norte-americanos próximos do presidente George W. Bush. Em Portugal chega-nos a sua primeira obra, com tradução e introdução de Miguel Morgado: Direito Natural e História(Edições 70).

O Livro dos Saberes

A ideia de O Livro dos Saberes, org. Constantin von Barloewen, é pôr alguns dos mais importantes intelectuais do nosso tempo a falar sobre os mais diversos temas. Entre outros, este volume inclui entrevistas com Carlos Fuentes, Nadine Gordimer, Stephen Jay Gould, Julia Kristeva, Michel Serres e Paul Virilio.

Substituir confusões

Um uso desmazelado da língua portuguesa introduziu uma confusão em alguns usos do verbo substituir e seus derivados, confundindo-se o que substitui o quê. Esta confusão não existe na língua inglesa, que distingue cuidadosamente entre substitute e replace.

To substitute A for B é pôr o substituto A no lugar de B, e não B no lugar de A. Mas é infelizmente comum interpretar erradamente “Substituir A por B” como se quisesse dizer que B passa a ocupar o lugar de A, caso em que seria B o substituto. O mesmo já não ocorre quando se diz que A substitui B, pois agora é evidente que é o substituto A que toma o lugar de B. Uma solução simples é evitar o uso de “substituir A por B” no sentido batateiro habitual, e passar sempre a escrever e dizer “fazer A substituir B.”

Curiosamente, no dicionário de inglês Collins podemos ler o seguinte: “Substitute is sometimes wrongly used where replace is meant: he replaced (not substituted) the worn tyre with a new one.” Esta confusão não é esclarecida nos dic…

M. S. Lourenço

A Morte da Literatura

A reflexão sobre a cultura está conspicuamente a tomar a forma de uma necrofilia. Esta já tem uma tradição centenária, se pensarmos que a primeira morte foi anunciada há um século quando Zarathustra anunciou então a morte de Deus e nos anunciou a visão do homem do futuro, o super-homem para além do bem e do mal, o qual representa uma transcendência ao mesmo tempo do humano e do divino.

A segunda morte teve lugar já no neste século [XX], após a Segunda Guerra Mundial, ao ser anunciada a morte do homem e, eo ipso, a inexequibilidade do projecto do super-homem. Estas duas mortes estão entre si relacionadas, uma vez que a morte de Deus foi causada pela ciência e a morte do homem foi causada por um produto da ciência, a máquina. Assim, enquanto a ciência levou à eliminação da percepção mágica do mundo, a máquina eliminou o comportamento mágico do homem e transformou-o num autómato.

Somos contemporâneos da terceira morte, a morte da Literatura, tal como ela é anunciada…

Algumas edições brasileiras

Matheus Silva acaba de me dar a saber algumas edições brasileiras que vale a pena investigar melhor: Ceticismo e Naturalismo: Algumas Variedades, de P. F. Strawson (UNISINOS)Filosofia da Tecnologia, de Val Dusek (Loyola)Ilustrações da Lógica da Ciência, de Charles Sanders Pierce (Idéias & Letras)A Filosofia da Musica, de Aaron Ridley (Loyola)Filosofia: Um Guia Para Iniciantes, de Evans e Teichman (Madras)O que os Filósofos Pensam, de Julian Baggini e Jeremy Stangroom (Idéias & Letras)Filosofia Contemporânea Em Ação, de Havi Carel e David Gamez (Artmed)
São bem-vindas recensões de quaisquer destes livros.