2 de agosto de 2009

Faleceu M. S. Lourenço

Acabo de receber a notícia triste de que faleceu M. S. Lourenço. Publiquei uma breve nota memorial, "Recordar M. S. Lourenço", e um texto do próprio M. S. Lourenço, "Filosofia, Ensino e Argumentação", retirado do seu A Cultura da Subtileza.

4 comentários:

  1. É, de facto, uma triste notícia (ainda por cima no dia do meu aniversário). Fui aluno de M. S. Lourenço e posso dizer que ele foi, em parte, responsável por eu não ter abandonado o estudo da filosofia. Apesar de algumas dificuldades em termos didácticos, as suas aulas de lógica fizeram-me perceber que a filosofia não era só um amontoado de metáforas e de paráfrases ocas, mas uma actividade de rigor e precisão, que exige profissionalismo e inteligência.

    Na verdade, M. S. Lourenço foi o grande responsável pela introdução do ensino da lógica nos cursos de filosofia portugueses, além de outras disciplinas exóticas entre nós, como a filosofia da matemática.

    De resto, é sempre estimulante ler o que M. S. Lourenço escreveu, seja sobre teoria da literatura, filosofia da cultura, música ou outro dos muitos temas que ele discutia com uma clareza e erudição impressionantes.

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  2. Também eu tive a sorte de poder ser aluno do professor Lourenço, já nos últimos anos em que leccionou.

    As suas últimas aulas no curso de filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa foram Tópicos de Lógica (ou Lógica II) e, no ano seguinte, A Lógica Matemática em Filosofia e Tópicos de Filosofia da Matemática. Se naquela primeira se notou, de facto, um choque didático, já nas segundas, notou-se um ensino muito cativante e esclarecedor.

    Estas cadeiras, ao contrário da primeira, eram opcionais, o que proporcionou turmas nas quais os alunos tinham um interesse particular nas matérias em questão. Daí que estas aulas, para mim as melhores de todo o curso e as que mais me ligaram à filosofia como a vejo hoje, fossem uma alegria e não um martírio, como terá sido Lógica para muitos ex-alunos do professor Lourenço.

    O professor Lourenço era, sem dúvida e como refere o Desidério, um intelectual. Uma pessoa extremamente culta, atenta a vários domínios do conhecimento, mas muito amável, atencioso, e capaz de ser terra-a-terra com os seus alunos. Como professor era sempre muito formal e conciso, mas não foram poucas as vezes que nestas turmas passámos momentos saborosos de discussão lateral, nas quais 'arrancávamos' algumas ideias do professor sobre outros assuntos.

    Fico com a ideia de ser detentor de um estranho humor, que sou incapaz de descrever e de apenas sorrir ao lembrá-lo. É com este sorriso e grande admiração que me lembrarei do professor Lourenço.


    Ricardo Miguel

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  3. Li o texto que escreveu na Crítica sobre o professor. Eu fui daqueles alunos que abandonou a sala por não perceber patavina (ele dava aritmética ou as suas fundações lógicas. Ainda comprei um livro seu de lógica, mas não percebi, tive de ir para o Newton Smith). Aprendi lógica com o professor Branquinho. Seja como for e apesar de o não conhecer pessoalmente, paz à sua alma.

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  4. Não fui seu aluno (embora tenha assistido, não me recordo porquê, a uma ou duas aulas, e tenha conhecido - em segunda mão - um pequeno anedotário (amável) sobre ele como professor), mas, como seu (esporádico) leitor, impressionou-me vivamente a precisão, a elegância e o refinamento da sua escrita. N' "A Cultura da Subtileza", por exemplo (de que foi mostrado um bom trecho - da introdução do primeiro capítulo da primeira parte), não são apenas os textos introdutórios que revelam um intelectual sagaz e erudito: a condução dos diálogos (com a sua atenção hospitaleira mas crítica aos interlocutores) é sempre estimulante.
    Dizer que vou modestamente homenageá-lo lendo um livro dele que está numa das prateleiras dos 'pendentes' talvez seja um pouco renhonó, mas é isso mesmo que me sinto tentado a fazer.

    Paulo Lopes

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