30 de agosto de 2009

Timothy Williamson

A natureza inexcepcional da filosofia é mais fácil de discernir se evitarmos a ênfase filistina numas poucas ciências da natureza, muitas vezes imaginadas de modos rudimentarmente estereotipados que marginalizam o papel dos métodos de poltrona nessas ciências. Nem todas as ciências são ciências da natureza. Seja o que for que os empiristas rudimentares possam dizer, se alguma coisa é uma ciência é a matemática; e se algo se faz de poltrona é a matemática. As questões matemáticas não são conceptuais em qualquer sentido proveitoso. Se a matemática é uma ciência de poltrona, por que não também a filosofia?

4 comentários:

  1. não haverá um conceito demasiado alargado de ciência?

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  2. Pelo contrário, parece-me que as pessoas tendem a ter um conceito positivista demasiado estrito de ciência, como se fosse uma coisa à parte dos nossos melhores esforços para conhecer melhor as coisas.

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  3. Essa tendência não se verifica só em relação à ciência mas à própria racionalidade em geral. Vemos tantas vezes falar de racionalidade como se se tratasse de algo meramente mecânico e algorítmico. E depois desdenha-se a razão precisamente por isso. Mas esta é uma visão deficiente e demasiado estreita da racionalidade.

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  4. "Para explicar um conjunto de dados temos de os organizar numa estrutura conceptual – um modelo – que vá além dos dados. Porque se não for não explica nada. Mas quando vamos além dos dados ficamos livres para incluir tudo. Fadas, assassinos, deuses, o que calhar. É o que acontece no criacionismo, na psicanálise, na astrologia, na teologia, na filosofia e até na matemática. Basta pensar no problema de ajustar uma linha a um conjunto de pontos. Há infinitas linhas."

    Ludwig Krippahl, blogue Que Treta!

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