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Ortografia e memória

As reformas sucessivas da ortografia portuguesa violam o direito de acesso do leitor comum, e até do menos comum, ao legado bibliográfico da sua cultura. Isto é particularmente patente quando se consulta a secção de língua portuguesa do Projecto Gutenberg: quase nenhum livro é legível. Como a ortografia portuguesa está sempre a mudar, eu não sei, ao ler um livro destes, se estou perante um erro de digitação ou uma variação ortográfica legítima. Isto não acontece com os milhares de livros de língua inglesa do Projecto Gutenberg. Na língua portuguesa, mesmo um livro relativamente recente, como Os Maias, de Eça de Queirós, publicado em 1888, ou a obra de Pessoa, publicada já no séc. XX, é quase ilegível ao leitor culto do séc. XXI, e completamente ilegível para o leitor menos culto. A ironia é que as sucessivas reformas ortográficas se fizeram várias vezes com argumentos educativos, o que constitui um caso interessante de mentira política.

Comentários

  1. VOCÊ PUBLICA TANTAS REFERÊNCIAS LEGAIS QUE FICAMOS COM ÁGUA NA BOCA. PENA QUE AQUI NO BRASIL, METADE DAS OBRAS NÃO É DISPONIBILIZADA. O PREÇO DE EXPORTAÇÃO DE PORTUGAL PARA O BRASIL É EXORBITANTE.
    MAS CONTINUE PUBLICANDO
    ABRAÇOS

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