20 de outubro de 2009

A ideia de Deus

Neste primeiro capítulo do seu livro Philosophy of Religion: An Introduction, William L. Rowe apresenta algumas das propriedades centrais do deus teísta, distinguindo-o de outras concepções do divino. A tradução é de Vítor Guerreiro.

9 comentários:

  1. O artigo / capítulo parece-me extremamente interessante e estou a ponderar comprar o livro.

    Victor, traduziste apenas o primeiro capítulo para a Crítica ou vai ser publicada uma versão integrar traduzida?

    Quanto à tradução, apenas um pequeno comentário:

    Estava eu a ler o texto e fiquei com a impressão que este livro era extremamente recente, afinal até era dado um exemplo com a eleição do Obama!
    Mais à frente, e quando estava a ler não relacionei os factos, achei curioso o exemplo com Évora e Lisboa, que deduzi ser uma adaptação ao público português. Interrompi a leitura para pensar um pouco sobre este tipo de adaptações / traduções e se serão correctas ou não, mas a verdade é que não sou nem pretendo ser especialista na matéria e não tenho opinião formada.

    Acontece que quando fui ver melhor o livro, a ponderar a sua aquisição ou não, verifico que foi publicado em 2000!
    E só aqui relacionei Obama com Évora e Lisboa - foram exemplos adaptados pelo tradutor para melhor entendimento do público alvo.

    Parece-me no entanto que este tipo de adaptação pode ser perigosa. Quantas vezes dou eu por mim a ler um livro e a retirar informação sobre o próprio livro ou sobre o mundo que não vem explicita nem foi conscientemente passada pelo autor.
    Neste caso eu retirei a informação, falsa, de que o livro tinha menos de um ano. Imagino também que será fácil que alguém que leia esta tradução daqui por 15 ou 20 anos fique com a impressão que em 2000 Obama já era presidente.

    Assim, pergunto até que ponto será legítimo uma tradução adaptar exemplos à realidade espacio-temporal do público alvo.

    um abraço,
    jaime

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  2. Jaime,

    A adaptação não foi obra minha, mas do Desidério, depois de eu lhe ter enviado o texto. O exemplo original é com Nixon.

    Normalmente mantenho os exemplos originais e só faço as adaptações quando o exemplo está tão longe do conhecimento comum do público-alvo (por exemplo, falar em Guy Fawkes a crianças de 10 anos) que dificulta a inteligibilidade daquilo que o exemplo procura esclarecer. Há uma condição adicional: a adaptação só deve ser feita quando o facto de ser ou não aquele exemplo não é importante para a progressão do argumento. Um exemplo em que não se pode adaptar ocorre em Theodore Sider e Earl Conee: Enigmas da Existência - no capítulo 3, sobre o Tempo, usa-se o exemplo de 2 filmes, Regresso ao Futuro e Exterminador 1. Como o autor explora as especificidades do argumento de cada filme, torna-se impossível adaptar para outros filmes mais conhecidos do público jovem.

    A minha posição sobre isto não é ideologicamente rígida, ou seja, não digo que não podemos adaptar em absoluto. Digo que não devemos adaptar a menos que não adaptar comprometa a inteligibilidade ou cause algum ruído que se meta no caminho da inteligibilidade. Por exemplo, a pessoa divide a energia mental entre tentar seguir o argumento e identificar as personagens do exemplo.

    No caso do Nixon, creio que qualquer pessoa com informação suficiente na cabeça para se interessar pela leitura do Rowe terá ouvido falar em Watergate, na guerra do Vietname e inevitavelmente em Nixon.

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  3. Será que o meu último parágrafo é presunção de um tipo que ainda não se apercebeu que já não tem 20 anos e que os cursos de história no liceu hoje são ainda piores do que no tempo dele, e que as pessoas saem da escola a saber ainda menos do que então?

    Eventualmente chegaremos a um ponto em que os livros de português, por exemplo, serão apenas livros de colorir com figuras dos escritores. No passado ainda tínhamos a vantagem de sair da escola com preconceitos sobre as coisas na cabeça... a tragédia actual é que parece que já nem preconceitos os putos têm. Zero, nicles, nada, rien, niet.

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  4. Olá, Jaime

    Efectivamente, poderá ter havido excesso de zelo da minha parte, adaptando para um presidente que hoje toda a gente conhece, ao passo que Nixon não é um presidente que os adolescentes portugueses conheçam, na sua maior parte. Noutros casos, é claro que tem de haver adaptação, porque se trata de exemplos de jogadores de basebol totalmente desconhecidos do leitor português.

    Mas tanto num como noutro caso, só sou partidário destas adaptações quando se trata de livros introdutórios e não quando se trata de livros de autor.

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  5. Estava a pensar: pá, em adolescente já tinha pelo menos visto filmes como "nascido a 4 de julho"... mas de repente apercebo-me - porra, esse filme já tem 20 anos.

    De facto. à luz deste pensamento, a minha deixa sobre ter informação na cabeça parece muito mais deslocada do que no momento em que a escrevi.

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  6. Vitor, isto faz-me lembrar aqueles jogos do Trivial Pursuit há 20 anos, com os meus pais ou outros adultos, em que eles sabiam coisas, e davam-nas como básicas, que eu não fazia ideia (um clássico eram os nomes dos magriços, dos 5 vilinos e outras coisas do género). Quando eu perguntava como é que eles sabiam aquilo, respondiam-me algo do género: "tens que ver as notícias e ler os jornais". Mas a verdade é que a imprensa já tinha largado os magriços e os 5 violinos há muito tempo...

    Percebo a ideia de adaptar os exemplos, apenas alerto para o facto de alguns leitores poderem ler um pouco para além do que está escrito. Ao alterar um exemplo por outro, que para o que se pretende exemplificar até serve, altera-se também um conjunto de informação tácita (não explícita) que está incluída no exemplo.

    Aproveito para relembrar a primeira pergunta que coloquei, que terá passado despercebida: o livro vai ser editado em português brevemente ou mais vale comprar a versão original?

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  7. Infelizmente, não sei se o será nem quando nem por quem.

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  8. Proposta: no caso de se adaptar, usar o nome de um presidente português que estivesse no mandato quando o livro foi publicado, neste caso o Sampaio. A chatice é que o Rowe pode ter escrito o capítulo, ou o texto de onde vem o capítulo, muito antes da publicação do livro. Mas em todo o caso, na adaptação isso deixa de ser importante.

    Em alternativa, e como não podemos usar um exemplo espanhol - só indo às regiões autónomas: que diria o Rowe se usássemos como exemplo o Jordi Pujol? - talvez se possa recorrer a outro país da europa do sul.

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