13 de novembro de 2009

Casamento entre homossexuais?

A vontade de impedir a legalização do casamento entre homossexuais e da adopção por parte de homossexuais deriva, em grande medida, de uma tendência lamentável para tentar impor aos outros o estilo de vida que consideramos melhor — uma tendência infelizmente entranhada na sociedade portuguesa.
Tendo a concordar com esta afirmação que Pedro Madeira faz no artigo "Homossexuais: Casamento e Adopção", e com os seus argumentos. E o leitor?

18 comentários:

  1. Defende-se o impedimento da adopção por parte dos casais homossexuais como garantia dos direitos das crianças. É justo pensar nos direitos das crianças, mas será mesmo essa a questão? A meu ver não. A questão é mesmo a defesa de um tradicionalismo reaccionário e decadente, desfasado dos dias que correm e de uma sociedade informada e livre. Nada mais distante de supostos direitos das crianças.
    Defende-se que um casal Homossexual irá educar uma criança segundo os seus ideias, como se existissem ideais homossexuais. A meu ver o que existe é a liberdade de escolha e respeito pelo próximo. Se assim fosse os casais heterossexuais (ao que me parece são todos os capazes de produzir por si descendência) nunca teriam filhos homossexuais.
    Será que não se pensa que esta é uma oportunidade de crianças terem uma família (o conceito de família evolui muito).
    A meu ver impedir a adopção por estas novas famílias é puro egoísmos.
    Não sou homossexual mas sei-me colar no lugar dos meus concidadãos que tomaram essa opção sexual.
    Um dos problemas de alguns Portugueses e não se saberem colocar no papel dos outros seus semelhantes.

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  2. Só agora li o artigo de Pedro Madeira pelo que esta mensagem será um comentário a esse artigo. Acho que deve ser perceptível que o que afirmei anteriormente em nada tem a ver com o argumento apresentado por Pedro Madeira no final do seu artigo, o argumento de que as crianças adoptadas são gozadas por outras crianças. É ridículo achar que o problema são "só" as outras crianças, porque se o problema fosse "só" esse seria óptimo.
    Pedro Madeira refere que é óbvio que para uma criança as condições de acolhimento por parte um casal de homossexuais são preferíveis às condições de uma casa criada para esse efeito. Poderia perguntar se essa afirmação não revela também um certo preconceito. De qualquer das formas, compreendo o que quer dizer mas a questão é esta, na nossa sociedade qual é a situação mais "vergonhosa", ser-se criado numa instituição ou com um casal de homossexuais? Acho que a resposta a esta pergunta é, ela sim, óbvia - é necessário argumentar que é o segundo caso? Ninguém (ou quase ninguém) acha mal a existência de tais instituições , mas quantas pessoas não acham a homossexualidade uma espécie de aberração da natureza?

    O principal problema em questão é, justamente, o preconceito contra a homossexualidade. É esse o problema que deve ser resolvido sendo que quando o for tudo o resto surgirá naturalmente.

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  3. Pelos vistos não foi exibido o comentário que tinha escrito anteriormente. O que afirmei foi:
    Se o único problema na adopção de crianças fosse a presumível replicação de "ideias homossexuais" concordaria com a adopção, contudo, o problema é bem mais complexo do que essa análise faz parecer. Existe, efectivamente, um grande preconceito na nossa sociedade em relação à homossexualidade e, por isso mesmo, se deverá considerar que se um homossexual está constantemente a ser atacado psicologicamente e fisicamente, se está sujeito a uma tensão constante à sua individualidade, é possível (minimamente) imaginar o trauma e a agressão a que uma criança estaria sujeita. Um casal homossexual tem por natureza o direito a adoptar uma criança. Isto é, tem o direito de lhe poder proporcionar uma vida de carinho e boa educação. Contudo, porque o principal aspecto a ter em conta é, justamente, o bem estar da criança pretender que o prazer de a ter se sobreponha às reais condições socioculturais para esse efeito é esquecer a criança e pensar somente no prazer pessoal.

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  4. Jorge, concordo que, ao se resolver o problema contra a homosexualidade, todo o mais se resolverá. Entretanto, não posso concordar com a sua idéia de que:

    "Existe, efectivamente, um grande preconceito na nossa sociedade em relação à homossexualidade e, por isso mesmo, se deverá considerar que se um homossexual está constantemente a ser atacado psicologicamente e fisicamente, se está sujeito a uma tensão constante à sua individualidade, é possível (minimamente) imaginar o trauma e a agressão a que uma criança estaria sujeita."

    Não penso que isso seja um bom argumento porque se fosse, não apenas os homossexuais não poderiam adotar, mas membros de outras minorias também. É de se pensar no trauma de crianças adotadas por casais negros? Pessoas racistas poderiam achar que seria bastante maléfico para uma criança branca ser adotada por um casal negro, mas nem por isso, até onde tenho conhecimento, existem leis que restringem a adoção para casais com a mesma cor da criança.
    Outro exemplo seria de que não há, igualmente, nenhuma lei que proíba adoção de crianças por minorias religiosas. É notório que uma minoria religiosa enfrenta preconceito, que vão desde as agressões verbais até às agressões físicas, e que podem ser vistas como "nefastas" ou "fundamentalistas" e até "aberração da natureza" por muitos membros da sociedade. Mais uma vez, não há nenhuma lei que proíba tais pessoas de adotar uma criança.

    Dito isso, para afirmar que a adoção de crianças por homossexuais é ruim porque elas podem sofrer preconceito seria necessário estender o raciocínio a todas demais minorias

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  5. Refletindo mais um pouco, parece que o exemplo da minoria religiosa é ainda melhor que o do racismo, pois alguém poderia ter a seguinte objeção:
    " A cor da pele é uma característica física, equanto a homossexualidade é um comportamento"
    E ainda remete ao argumento irrelevante de que a homossexualidade não é uma escolha, tal qual a cor da pele. É irrelevante, pois a homossexualidade não é menos legítima se for uma escolha do que se for determinada pelo genes. Levantar a questão de que a homossexualidade é determinada pelo genes só complica e desvia ainda mais o debate, pois primeiro não há um consenso entre os cientistas de que isso é verdadeiro, segundo de que ainda que seja em parte determinada pelos genes podem haver fatores
    não genéticos, ou ser apenar uma pré disposição e não uma determinação. O que se discute aqui é a proibição arbitrária de direitos civis, não se um determinismo genético implica num direito e etc.
    Uma vez que a homossexualide é um comportamento, me parece que a analogia com a religião é mais aproximada, o que acham?

    O argumento de que serão influenciados é ainda mais refutado, afinal, a religião influencia muito mais uma criança do que o comportamento sexual.As crianças são levadas por seus pais aos determinados templos, e ainda não se tem notícia de um templo de homossexualidade , onde crianças são compelidas, para não dizer forçadas, a adorar uma entidade homossexual e a frequentar escolas de catecismo gay. Da mesma forma ninguém proíbe facistas de adotarem, ainda que no Brasil ainda existam elementos com esta mentalidade tacanha por aí, eles podem adotar livremente.

    Mas voltando ao argumento do preconceito, ninguém proibe anões de adotar, ou seguidores do bule gigante.

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  6. Apresentou objecções interessantes, Barbara, contudo discordo que se possa comparar a perspectiva que a população tem em relação à homossexualidade (em especial neste aspecto da adopção) a uma outra minoria quer seja étnica, religiosa ou, como também indicou, genética (o caso de nanismo). Porque não é a mesma coisa? A resposta mais directa seria dizer que o problema que se levanta não é contra a adopção por parte de minorias (como a Barbara disse ninguém proíbe a adopção por parte destas) mas sim por parte dos homossexuais. Só isto já é indicativo de que a maioria da população não considera que as duas sejam iguais e que, consequentemente, tem maior aversão e preconceito contra a homossexualidade. Os ataques desferidos contra a homossexualidade não são simplesmente contra certas crenças, comportamentos ou características genéticas diferentes do "normal", vão muito para além disto. Com efeito, são todas estas e mais alguma.

    Não é necessário estender o argumento a outras minorias porque claramente estas não são encaradas de igual forma. Se a homossexualidade fosse assim encarada aceitaria o contra-argumento e, desse modo, a adopção.

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  7. Jorge, eu entendo que os homossexuais são minoria, tanto quantitativa quanto representativa. Gostaria que indicasse em que medida a perspectiva da população em relação à homossexualidade é diferente, e em que medida essa diferença é relevante. A sua colocação:

    "Só isto já é indicativo de que a maioria da população não considera que as duas sejam iguais e que, consequentemente, tem maior aversão e preconceito contra a homossexualidade"

    Não está clara a sua colocação, mas pelo que entendi você argumenta que há uma especificidade no preconceito contra os homossexuais que é diferente do preconceito comum às minorias. Eu não saberia dizer se a sua informação procede, se de fato há uma especificidade no preconceito contra os homossexuais, não se sabe de uma pesquisa nesse sentido. E mesmo que haja de fato, em que ele constitui um argumento para a objeção contra a adoção?

    A agressão se houver, é culpa do agressor, daquele que possui o preconceito, não da vítima, que no caso seria tanto o casal homossexual quanto a criança. O que se faz, quando se apresenta esse tipo de argumento "é pelo bem das crianças que irão sofrer com o preconceito" é uma espécie de deslocamento da culpa da agressão do agressor para a vítima. Oras, quem tem que ser coibido, é o que agride. É o mesmo que pintar crianças negras de brancas para não sofrerem preconceito. Mais uma vez, ora, quem deve sofrer sanção são os agressores das crianças negras, e não as vítimas devem suprimir o que são. Lembra também aquele velho argumento do estupro "Mas a moça estava se vestindo de forma indecente..."


    Gostaria também que esclaressece esta frase:

    "Os ataques desferidos contra a homossexualidade não são simplesmente contra certas crenças, comportamentos ou características genéticas diferentes do "normal", vão muito para além disto."

    Se o preconceito contra o homossexual não é em relação ao seu comportamento, no caso sexual, é contra o que? Contra as roupas? Contra o time? Corte de cabelo?
    No meu entendimento, a única coisa que fizeram para sofrer preconceito é se comportarem de forma a exteriorizar o que são e o que desejam. Se a perseguição fosse estendida à aqueles que estão no armário, muitos conservadores e padres estariam em maus lençois.

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  8. Vou tentar ser o mais claro e simples possível. Não existe qualquer debate ou discussão sobre se um determinado grupo minoritário a, b ou c deve adoptar ou não crianças. Para quase ninguém isto é um problema, por isso é que não é discutido na "praça pública" e.g. não existe nenhum debate sobre se os muçulmanos ou africanos devem ou não adoptar crianças. O facto de existir este problema em cima da mesa sobre se os homossexuais devem adoptar ou não crianças é revelador da sua separação do resto das minorias pela maioria das pessoas. Não se trata de me estar a basear num estudo sobre as propriedades intrínsecas de um homossexual ou outra coisa qualquer. É a simples constatação de que a maioria das pessoas acha muito mal a adopção por parte dos homossexuais e em relação ao outro grupos tal problema nem sequer se coloca. Só o casamento entre homossexuais já gera controvérsia e não vê o mesmo problema a ser estendido a outro grupo.
    Em que medida isto contribui para o argumento? Precisamente porque é em virtude da maioria da população achar o que acha da homossexualidade que a criança iria ser vitima de uma agressão desnecessária. Se ela pode ser vitima de agressão porque é adoptada por um muçulmano (quando a maioria das pessoas na sociedade não acha isto particularmente mau) imagine-se o que seria se fosse adoptada por um homossexual (quando a maioria das pessoas, ainda por cima, acha lamentável que ela seja adoptada por estes).
    A frase que citou em relação aos "ataques desferidos contra a homossexualidade" são uma mera constatação de que o preconceito é extremo contra os homossexuais. A homossexualidade é ainda considerada como algo de nojento, como uma doença que deve ser erradicada, chega a ser comparada à pederastia etc, etc. Não há nenhuma minoria que seja vista de uma forma tão degradante como um homossexual.
    Barbara, isto é uma constatação em relação àquilo que a maioria das pessoas pensa. Acho que é óbvio que as pessoas têm um muito maior preconceito contra a homossexualidade do que contra outro grupo. E, repito, isto vê-se em especial agora que se fala da adopção. Ninguém anda por aí a questionar a legitimidade de um muçulmano, chinês ou africano (etc.) poder ou não adoptar mas fazem-no em relação aos homossexuais.
    O seu ultimo comentário parece revelar que me está a atribuir a mim um preconceito contra os homossexuais:

    "No meu entendimento, a única coisa que fizeram para sofrer preconceito é se comportarem de forma a exteriorizar o que são e o que desejam. Se a perseguição fosse estendida à aqueles que estão no armário, muitos conservadores e padres estariam em maus lençois."

    Eu estou de acordo, nunca afirmei o contrário. Mas não é isso que as pessoas pensam. O problema é esse.

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  9. A Barbara diz que "A agressão se houver, é culpa do agressor, daquele que possui o preconceito, não da vítima." e continua tomando esta asserção como comparável ao problema em causa. Interpretarei o seu exemplo (e julgo estar a fazê-lo da melhor forma) como equivalente a este argumento:
    "uma criança que seja adoptada por um casal homossexual irá ser "abusada" psicologicamente pela sociedade mas, porque o problema está no preconceito que existe e não no acto da adopção em si, a criança deve ser adoptada". Isto presumindo que concorda com "irá ser "abusada" psicologicamente pela sociedade"( visto que diz "A agressão se houver ") - o que a meu ver é obviamente verdadeiro.
    Este é um mau argumento. Compare com alguém que sabe que se percorrer uma determinada zona a uma determinada hora do dia irá ser de certeza assaltada ou pior, e que pensa " visto que o problema está no meu assaltante, porque ele é que está a infringir a lei, não há qualquer problema em percorrer a rua". Pense ainda em alguém que manda o filho percorrer essa mesma rua para comprar qualquer coisa e que pensa para si "bem, eu sei que o meu filho corre perigo mas como o problema está no agressor não deverei suprimir este mesmo acto". É necessário especificar o que está errado nestes exemplos?
    Quando diz que "quem deve sofrer sanção são os agressores das crianças negras, e não as vítimas devem suprimir o que são" está a incorrer no mesmo erro do pai que manda o filho percorrer a rua. O que se pretende é que ninguém se torne vítima e não deixar que alguém corra esse perigo baseando-se no raciocínio anterior. Isto não significa que se esteja a aceitar o acto do criminoso ou que este o possa justificar. O argumento que indica do estupro não funciona perante ninguém, mas é preferível não se ser vitima a ser-se e ter-se razão para condenar o agressor.

    Os meus dois exemplos acima servem também por outra razão: Quando o homossexual quer "percorrer uma determinada zona" o problema é dele. Quando quer mandar o filho "percorrê-la" já não, em especial se o filho é uma criança. Se sabe que o filho pode ser sujeito a uma agressão porque quereria este submetê-lo a isso? Porque o problema não está no acto de percorrer a zona perigosa mas no agressor que lá se encontra?

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  10. Jorge, seguindo seu exemplo, tentarei ser mais clara. O problema da adoção por homossexuais é debatido, e não o direito de outras minorias, porque o homossexual não possui oficialmente este direito, enquanto outras minorias já o possuem. O que é discutido é a aquisição de direito, não se irá discutir a aquisição de direitos de pessoas que já o possuem. O problema aqui é de ordem prática, pelo que entendo da situação legal da adoção por homossexuais não é que eles não possam adotar sozinhos, como qualquer solteiro poderia. O problema é que seu parceiro não será igualmente reconhecido como pai, ou mãe, da criança. O que está sendo negado é um direito civil, e não uma prática. Digo isso na intenção de evidenciar que essa prática já existe, embora não oficialmente. Se tais crianças de fato sofrem preconceito tamanho que a sua existência implicaria na não recomendação de que se permitisse esse direito legal, eu concordaria com você. No entanto este não é o caso. Casos de crianças filhas de homossexuais já existem, tanto adotadas por pais solteiro quantos filhas biológicas, e não há nenhum estudo que o comprove. Ou mesmo notícias de jornais, porque esta certamente seria uma noticia bem divulgada. Não estou desviando a questão, mas o caso é que você afirma existir um preconceito tamanho contra os homossexuais que a adoção por parte deles não deve se liberada, eu te convido a provar esta afirmação. Não é notório que as atuais crianças filhas de homossexuais já sofrem um tal preconceito que, a sua existência , indica que o impedimento legal para um casal homossexual adote conjuntamente uma criança se justifique.

    E Jorge, não é óbvio que as pessoas têm um preconceito maior contra a homossexualidade do que contra outro grupo. Não se vê realmente em discussão a legitimidade de um muçulmano, chinês ou africano adotarem, entretanto o que se coloca para este grupos pode ser ainda pior do que para os homossexuais. Em primeiro lugar, se é imigrante não pode adotar e ponto, se não é então pode, já é um direito adquirido, porque se discutiria? O que se discute desses grupos é, dentre outras coisas, a liberdade de usar adereços de sua fé em espaços públicos, como por exemplo o caso da muçulmanas e seu véu, e além de outras reivindicações. Minorias diferentes possuem bandeiras políticas diferentes, e essa é a especificidade de cada uma, e nada mais. Se não é observado por parte da população de discutir se um muçulmano ou africano pode adotar é porque essa não é uma bandeira política desses grupos, mas sim dos homossexuais. Da mesma foma ninguém discute o direito dos homossexuais não serem discriminados pela sua cor, ou apenas pela sua cor, e não há revindicações para os homossexuais poderem usar véu em espaços públicos. Tudo isso para tentar deixar claro que cada minoria possui suas reivindicações, e o fato de que o resto da população não discute se outras minorias devem possuir o mesmo direito reivindicado pelo homossexuais não prova que o preconceito contra os homossexuais é pior, apenas diferente, o que é natural.

    Pelo que entendi das suas colocações você não parece possuir, você próprio, preconceito contra os homossexuais. O meu comentário era uma resposta à sua observação de que o preconceito contra os homossexuais é algo além de ser apenas contra seu comportamento, o que me parece falso. É contra seu comportamento sim, e não se outra natureza. Tanto comportamento sexual quanto social.

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  11. Não, eu não concordo com a afirmação “"irá ser "abusada" psicologicamente pela sociedade"”. Ela pretende ser algo que não é, uma determinação. Não é uma determinação pelas razões expostas na minha resposta anterior.

    Continuei tomando “esta asserção como comparável ao problema em causa.” porque o que se discute não é a agressão? E “coibir uma agressão” está longe de ser uma justificativa adequada para impedimento legal .
    .O seu exemplo da rua está longe de ser adequado, porque não se sabe da existência leis que proíbam a circulação em ruas perigosas baseadas no argumento de que proibi-las é o melhor paras as pessoas, portanto a analogia não procede. Pode-se circular pela rua que desejar, se você não o faz em algumas porque as considera perigosa é uma questão do seu bom senso, mas está longe de ser claro que o governo deveria tomar essa decisão por você . E fica ainda pior a analogia quando se aprofunda a comparação.

    “Compare com alguém que sabe que se percorrer uma determinada zona a uma determinada hora do dia irá ser de certeza assaltada ou pior, e que pensa " visto que o problema está no meu assaltante, porque ele é que está a infringir a lei, não há qualquer problema em percorrer a rua". Pense ainda em alguém que manda o filho percorrer essa mesma rua para comprar qualquer coisa e que pensa para si "bem, eu sei que o meu filho corre perigo mas como o problema está no agressor não deverei suprimir este mesmo acto". É necessário especificar o que está errado nestes exemplos?”

    Eu vejo muitas coisas erradas neste exemplo. Em primeiro lugar uma alta probabilidade não é uma determinação, e mesmo esta “alta probabilidade” está longe de ser verdadeira. Eu te ofereço outra analogia, de que não devemos conceder licenças a direção para determinados grupos que frequentemente se envolvem em acidentes (como as empresas de seguro sabem, diga-se de passagem, esse grupo é o de homens jovens), uma vez que conceder essa licença aumentaria o número de acidentes. Ora, isso é obviamente falso. Embora a maioria dos acidentes automobilísticos envolva homens jovens, daqui não se segue que se deva arbitrariamente impedi-los. “Ora, ms pense nas suas crianças? Afinal elas tem a probabilidade de sofrer mais acidente quando acompanhando seus pais nos carros”. Como pode ver, essa é uma analogia mais aproximada a situação, pois a relação de conceder uma licença é muito mais próxima com permitir legalmente um casal homossexual de adotar uma criança que “andar numa rua perigosa”. Este exemplo da rua é bastante distante da situação, porque você pressupões uma série de coisas, como por exemplo de que uma criança filha de casal homossexual seria obviamente reconhecida por todas as pessoas como um filho de casal homossexual, e até onde se sabe elas não usam crachá de identificação. E, como eu já disse na resposta anterior, filhos de homossexuais já existem.

    Penso que essa discussão toda acontece pela razão já mencionada, você toma como certo e indubitável que uma criança adotada por um casal homossexual irá sofrer agressão. E uma vez que isso é inevitável, o melhor a se fazer é não legalizar a adoção por parte do casal homossexual. Esse fato está longe de ser certo e inevitável, o que é reforçado pelo fato de que crianças filhas de homossexuais já existem, tanto filhas biológicas quando adotadas por pais solteiros. A reivindicação é para que o casal possa adotar conjuntamente. Entendo que a a afirmação “"irá ser "abusada" psicologicamente pela sociedade"”, não é uma boa razão para o impedimento legal. Entretanto, se ainda assim este for o ponto que pretende sustentar, eu me retiro do debate. Já apresentei minhas razões pelas quais eu não concordo com a sua afirmação, e não há nada mais que eu possa acrescentar.

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  12. Admitindo, a título de hipótese, que as crianças adoptadas por homossexuais sofreriam pressões sociais e psicológicas profundas, isso seria razão para legislar e actuar contra essas pressões e não para impedir os homossexuais de adoptar crianças.

    Analogamente, quando um branco casava com uma negra nos EUA dos anos 50 do séc. XX, o casal era social e psicologicamente pressionado, e os seus filhos também. Isso não era uma razão para impedir tais casamentos, nem que tais casais tivessem filhos, mas antes para legislar e actuar por outros meios contra essas pressões preconceituosas.

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  13. Já existe legislação e, desse modo, forma de actuar contra o preconceito, o que não significa que ele diminua ou acabe.
    Não existe nenhuma lei que seja contra o casamento entre pessoas mais carenciadas e desfavorecidas ou qualquer impedimento para que estes tenham filhos. No entanto, um dos requisitos necessários para adoptar uma criança é o ter condições económicas viáveis , logo, a um casal desfavorecido e carenciado não seria permitida a adopção de uma criança. Do facto de se permitir uma coisa não implica que não se possa negar a outra. São claramente distintas o que, a meu ver, faz todo o sentido.

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  14. Barbara, retirar-me-ei também. Apenas um comentário ao seu.
    Do facto de já existirem casos de casais homossexuais que tomam a seu cargo a educação de uma criança (casos esses que conheço pessoalmente...) não significa que deverá ser permitido oficialmente. Utilizando o meu exemplo anterior, do facto de existirem casais "em dificuldade" que dadas as circunstâncias da sua vida tiveram a seu cargo uma criança para cuidar não dá razão a que se anule o princípio da condição económica.
    O que depois afirma e que, de certa forma, se pode articular com a sua afirmação de que as crianças não iriam andar com um crachá (etc.) reflecte um ponto crucial. O ponto em que discordamos. Não adiantarei muito mais também. A Barbara acha que não existiria pressão, eu acho que sim. Tanta pressão quanto a discriminação patente na sociedade portuguesa. Um homossexual também não anda com um crachá estampado na cara. Não anda explicitamente mas o crachá está implícito. Está implícito porque ainda se fala nos problemas que um homossexual tem em se assumir enquanto tal. Nenhum individuo de olhos verdes tem este problema de ter de se assumir enquanto indivíduo de olhos verdes, um homossexual tem um problema (que em certos momentos é um verdadeiro combate) análogo a esse. Só isto (digo só porque, mais uma vez, isto poderia ser extensamente desenvolvido) é indicativo de uma "etiquetagem" bizarra que tem imensas repercussões. Se consegue ver o crachá implícito terá, necessariamente, de o ver ser, "desnecessariamente",aplicado também aos filhos que adoptarem.

    Em relação ao parágrafo em que comenta o meu exemplo só duas coisas:
    1) Não pode afirmar que o meu exemplo é mau quando ele é uma reformulação do seu e escrito por forma a contrapor ou, dito de outro modo, interpretar sob outra perspectiva um aspecto específico que a Barbara estava a desenvolver. Não é um exemplo para ser aplicado como defesa do meu argumento como pretendeu interpretar.
    2) Mesmo que fosse, há vários erros na sua explanação. Não vou agora aqui esmiuçar tudo, caso contrário, seria entrar numa discussão paralela ao tema em causa. Apenas duas coisas:
    "O seu exemplo da rua está longe de ser adequado, porque não se sabe da existência leis que proíbam a circulação em ruas perigosas baseadas no argumento de que proibi-las é o melhor paras as pessoas".
    O que acabou de fazer foi tomar o exemplo, desonestamente, à letra. Mesmo assim reescrevo-o por forma a não poder objectar sem que com isso afirme algo falso: "há zonas cujo acesso, depois de se verificar que são perigosas, é interdito por parte de autoridades competentes."
    No seguimento disto novo erro de interpretação:
    A minha frase: “Compare com alguém que sabe que se percorrer uma determinada…"
    O seu comentário: "Em primeiro lugar uma alta probabilidade não é uma determinação, e mesmo esta “alta probabilidade” está longe de ser verdadeira"

    Onde é que, naquilo que escrevi, leu essa parte da "alta probabilidade"? Se eu digo que "alguém sabe que x" seria, quanto muito, determinação e não probabilidade.

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  15. Jorge, como eu disse, não discutirei o que parece ser um impasse. Entretanto a sua resposta exige uma reciprocidade da minha parte, e aqui está.

    Em relação a "alta probabilidade" é exatamente o que vc disse. Você queria passar através do seu exemplo a idéia de "determinação", que a agressão iria acontecer de qualquer jeito. O que eu quis explicitar é que isso não é determinado mas sim que é apenas uma "alta probabilidade".

    Se interpretei suas palavras de forma diferente do que pretendia dizer, não foi desonestidade, é o meu costume equivocado de pensar que as pessoas dizem o que querem dizer.

    PS. Eu também conheco casais homossexuais com filhos. Sem reticências.

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  16. Este comentário foi removido pelo autor.

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  17. Ainda bem que nem todos comentem esse seu "equívoco".
    Pelos vistos "equivocou-se" novamente quando destacou as minhas reticências. Não percebo porque o fez mas, ao contrário, de si não vou interpretar isso como quero.

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  18. Link do artigo actualizado: http://criticanarede.com/ed123.html

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