20 de novembro de 2009

Como estudar filosofia?


Acabo de publicar "Estudar Filosofia: Uma Abordagem", que contém algumas indicações para estudantes de filosofia. A ideia é apresentar uma abordagem do estudo da filosofia que seja esclarecedora, sabendo-se evidentemente que haverá muitas outras. O que pensa o leitor?

2 comentários:

  1. "É uma abordagem terrorista, puramente teórica, completamente instrumentalista: o texto do filósofo é um mero meio para a nossa investigação, e não um fim em si.(...)É uma leitura completamente desinteressante para quem vê a filosofia como uma subdisciplina da literatura ou da história".

    Sim, quero fazer filosofia e testar a força das teorias - todo o resto é mero detalhe. Concordo que essa concepção equivocada que vê a filosofia como subdisciplina da literatura tem todo o direito de existir (tanto quanto qualquer outro ponto de vista equivocado), mas seria interessante que um profissional da filosofia que acredite numa barbaridade dessas ao menos apresentasse argumentos para sustentar essa concepção, e isso raramente acontece.


    "A abordagem aqui proposta do estudo da filosofia opõe-se à seguinte ideia comum: para podermos discutir as ideias de um filósofo, como Kant ou outro, primeiro temos de dominar muito bem, muito bem, o que ele realmente defende, de preferência lendo-o na língua original; só assim garantimos que não estamos a compreender mal o filósofo.

    Considero que esta abordagem não funciona por dois motivos.


    Em primeiro lugar, porque pressupõe falsamente que é possível compreender bem os filósofos sem os submeter ao género de leitura activa aqui apresentada".


    Sim, assim entra ano sai ano temos enxurradas de teses sobre o conceito de ser em Aristóteles ou sobre o uno em Plotino, mas essas pessoas são incapazes de identificar ou explicar um argumento na teoria desse filósofo. Essa vergonha é ainda maior, pois se chama a esse tipo de teses de história de filosofia rigorosa e trabalho acadêmico de qualidade. Se isso é trabalho de qualidade o que será dos trabalhos ruins?




    "Em segundo lugar, porque pressupõe falsamente que a leitura activa é incompatível com o rigor histórico e interpretativo"

    Essa é outra queixa absurda que expressa bem o péssimo estado de coisas da história da filosofia tal como é feita, pelo menos na imensa maioria dos casos, no Brasil.




    "A esperança de que basta ler directamente os clássicos da filosofia para se aprender a filosofar parece-me uma ilusão, na maior parte dos casos. Parece-me que na maior parte dos casos se aprende apenas a parafrasear. O mesmo ocorre se uma pessoa sem preparação tentar aprender biologia lendo textos sofisticados de biologia: conseguirá parafrasear esses textos, mas será relativamente baixa a probabilidade de aprender a fazer biologia".

    Pensar que basta ler diretamente os clássicos da filosofia para se aprender a filosofar é como pensar que basta ouvir várias sinfonias para aprender a compor sinfonias ou ver vários quadros de grandes pintores para aprender a pintar como eles. Em todos esses casos se pressupõe a idéia tola de que basta ver e repetir para dominar uma área ignorando uma série de competências que são ensinadas por um profissional da área.

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  2. O link actualizado: http://criticanarede.com/estudarfilosofia.html

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