28 de novembro de 2009

Inovação na arte


Acabo de publicar a recensão de Rui Daniel Cunha à original história da arte, da autoria de Florian Heine, intitulada The First Time. E aproveito para perguntar: Será a inovação um valor central na arte? Porquê? O que pensa o leitor?

2 comentários:

  1. Aparentemente o que parece prevalecer no mundo da arte – como na ideia que justifica este livro –, é o valor da inovação. Mas deve-se considerar também o seguinte: depois desse acto inovador, se não houver uma sedimentação/generalização da ideia introduzida, o acto em causa não estará a ser devidamente valorizado. Ou seja, se não tivesse sido reconhecido o valor, por exemplo, do tipo de representação da figura humana patente no “Doríforo”, esculpido por Policleto – valor esse que seria enfatizado pela larga utilização do cânone por ele representado –, essa ideia inovadora ter-se-ia perdido (como sucedeu com o tratado e a escultura original que lhe deram corpo).

    O mais provável é que, ao longo do tempo, inúmeros actos inovadores tenham sido considerados completamente destituídos de valor e assim nunca “fizeram escola”. Poder-se-á pensar, então, que a originalidade e o cânone, a inovação e o modelo, em arte, andam lado a lado. Bom, aí o paralelo é imediato com qualquer área do conhecimento. São as boas ideias que são imitadas e não aquelas que são meramente diferentes.

    Considerando ainda a inovação como um momento quase instantâneo e o modelo como um lapso de tempo que outrora subsistia durante séculos, nessa sequência, o lapso de tempo correspondente ao modelo é agora cada vez mais curto – assim como em outras áreas de investigação. Hoje em dia a sucessão “modelo/inovação/modelo” é cada vez mais rápida. Terá então passado de “século/ 15 minutos/ século” para “1 minuto/ 15 minutos/ 1 minuto” e daí talvez se possa intuir que a tónica se deve deslocar também do modelo para a inovação. Mas essa perspectiva não deve subverter a realidade, como por exemplo, encontrando maior significado na distorção expressionista da representação da figura humana (a inovação) em detrimento dos séculos de aplicação, estudo e conhecimento do cânone de Policleto (o modelo). Provavelmente, perceber as razões que ainda permitem a subsistência desse modelo, apesar dos vários picos de inovação contraditória, servirá melhor para entender a representação da figura humana (de hoje e de sempre) do que as diversas motivações por detrás dos vários picos de inovação.

    Ou será esta uma visão demasiado conservadora?

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  2. O link actualizado do artigo: http://criticanarede.com/firsttime.html

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