23 de Novembro de 2009

Matar na guerra é moralmente errado?



Matar um indivíduo parece na maior parte das circunstâncias um acto moralmente errado. Mas e se tal acontecer numa situação de guerra? O leitor está numa guerra. O inimigo vai matá-lo. O leitor, para se defender, dá-lhe um tiro e mata-o. Tal parece ser moralmente aceitável. Jeff McMahan põe esta ideia em causa no seu mais recente livro, Killing in War, e podemos ouvi-lo num podcast sobre o problema.

6 comentários:

  1. Moralmente errado ou não, num mundo ideal (utópico dirão alguns) ninguém deveria jamais ter de enfrentar tal dilema. Mato ou morro?

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  2. Uma nota prévia: não li o livro, não ouvi o podcast e não estudei ainda ética a fundo.

    Posto isto, penso que matar em auto-defesea é uma questão diferente de matar numa guerra. Claro que a guerra propicia muitas situações em que teremos (para sobreviver, claro) de matar em auto-defesa.
    Assim de repente e numa resposta intuitiva não vejo que matar em auto-defesa seja moralmente mau, mas não me surpreendia se um estudo mais aprofundado revelasse outra coisa...

    Já a questão da guerra levanta outros problemas. Será que a guerra só por si dá legitimidade para matar?
    Será que depende da guerra? Uma guerra preventiva ao melhor estilo do Bush não daria, mas uma guerra defensiva, a 2ª guerra mundial por exemplo, já daria?
    Será que o critério da auto-defesa também se aplica às guerras? Numa guerra em que estamos no lado que está à defesa, é legítimo matar?

    Acho que assumir que algumas guerras no dão legimidade para matar vai levantar inúmeras questões muito dificeis. Temo que seja um beco sem saída. Quais as guerras em que é legitimo matar? E podemos matar qualquer pessoa? Ou depende da batalha propriamente dita? etc.

    Por outro lado, parece-me que combater e matar na 2ª guerra mundial, do lado dos aliados, seria legítimo. Continuo sempre a pensar nos heróis do dia D, e não consigo conceber que o acto que cometeram foi moralmente mau.

    Mas é de facto um tema dificil e extremamente interessante. Com jeito ainda compro o livro. Vale a pena, Rolando?

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  3. Jaime,
    Eu não tenho o livro. Divulguei-o pois parece-me uma boa aquisição e porque o problema me interessa (não estou a pensar ir para a guerra :-))

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  4. Eis uma primeira leitura sobre o tema, online:

    http://plato.stanford.edu/entries/war/

    Aqui explica-se a teoria tradicional que distingue as condições sob as quais é moralmente permissível entrar em guerra e o comportamento na guerra que é moralmente permissível.

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  5. Se a questao e' colocada do ponto de vista do individuo, entao a questao apropriada e' saber se aceitar participar numa guerra e' moralmente errado e/ou se e' moralmente errado desertar. Em que circunstancias?

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  6. Concordo com o comentário do Miguel:

    1. circunstâncias políticas:
    a- participar numa guerra por razões políticas (ex. soldados portugueses na I GGM);
    b- participar na consequência de actos políticos (ex. guerra na ex-Jugoslávia; quando vemos a nossa família, amigos e vizinhos a serem assassinados, nada fazemos? quando nós somos as próximas vítimas)

    2. circunstâncias biológicas:
    a- instinto de sobrevivência (as espécies têm sempre um mecanismo de urgência para este tipo de situações)
    b- este mesmo mecanismo leva-nos a utilizá-lo quando, por ex., um indivíduo opta por desertar, mas se for capturado (e aqui a pena costuma ser a de morte em alguns casos) poderá matar para defesa da sua consciência que diz 'não matarás por razões políticas'.

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