5 de novembro de 2009

O erro de Dawkins

The New Atheists have played into the evangelical/fundamentalist’s hands. Each side fans the flames of victimhood. “An atheist can never be president!” says one side. “A Christian never gets a fair shake in the New York Times!” claims the other. Each side is led by opportunists claiming to speak for a beleaguered minority.

Indeed, Dawkins needs the evangelicals and they need him. As the authors of An Evangelical Manifesto wrote, “striking intolerance shown by the new atheists is a warning sign.” Conversely, how would Dawkins’s followers use their Scarlet A pins to open their conversations if America weren’t full of evangelical/fundamentalists? The fundamentalists in both camps need to claim they are hated. The leaders push their followers to fear each other to maintain their identity—and lecture fees.
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4 comentários:

  1. Uma contra-resposta no blog Pharyngula:

    http://scienceblogs.com/pharyngula/2009/11/frank_schaeffer_throws_the_ath.php

    João Pedro

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  2. Muito obrigado pela referência!

    Curioso como Myers não leu o artigo com atenção. A acusação é que tanto Dawkins quanto a direita fundamentalista faz um discurso que se caracteriza por 1) nós ou eles, e se não nos aceitas a nós, então estás com eles, e 2) um sentido de urgência messiânica para salvar almas que de outro modo serão tomadas por eles. Isto é evidente em Dawkins e se Myers não o vê é porque tem precisamente a mesma atitude. Na verdade, o novo ateísmo joga exactamente o mesmo jogo de muitas intervenções políticas histéricas contemporâneas, que entendem a intervenção política como uma guerra hobbesiana de todos contra todos — sendo portanto uma questão de saber quem grita histericamente mais alto, e a verdade não tem qualquer tipo de interesse. Neste estado de coisas, é irrelevante que pessoas como o Dawkins até tenham razão em alguns argumentos, e que seja menos de esperar a mentira directa no caso de Dawkins do que no caso da direita fundamentalista. Mas a diferença é na melhor das hipóteses uma questão de grau e não de espécie. Ao atacar indiscriminadamente todas as pessoas religiosas e ao usar a ciência nesse ataque, Dawkins e os novos ateus cometem dois erros fundamentais:
    1) Mostram que não têm sensibilidade para ver que muitas pessoas religiosas são religiosas honestamente e são religiosas por pensar que a vida religiosa é uma vida dedicada à bondade;
    2) Fazem o jogo da direita fundamentalista, pois dão a ideia errada e inaceitável de que a ciência é para ser usada como arma de arremesso ideológico, que é precisamente o que a direita religiosa sempre afirmou da ciência — que estava ao serviço do diabo.
    De modo que não vi em Myers mais do que a confirmação da mentalidade idiota e bovina que vejo em Dawkins sempre que este fala de Deus — note-se que Dawkins é maravilho quando fala de ciência apenas. Mas se eu me colocar na pele de alguém que foi educado pela direita religiosa, tenho de admitir que não tenho qualquer razão para pensar que a teoria da evolução é uma teoria científica seriamente estabelecida sem objectivos políticos ou religiosas, pois Dawkins faz dessa teoria precisamente uma arma política e religiosa. Se hoje eu acredito na teoria da evolução — que, como a maior parte da população, não posso realmente verificar se é verdadeira ou não — é porque a minha formação científica, como leigo, começou muito antes de haver esta gritaria estridente da qual Dawkins é o principal representante. Não fosse isso, e eu hoje suspenderia o juízo, tal como suspendo o juízo quanto à existência ou não existência de aquecimento global, quanto à sua origem humana ou não, e quanto a ser possível fazer ou não alguma coisa a esse respeito que não seja pior a emenda do que o soneto.
    A instrumentalização ideológica e religiosa das ciências é das piores coisas que se pode fazer contra a ciência. Os juízes têm como máxima que não podem ser apenas imparciais; têm também de parecê-lo. Infelizmente, muitos cientistas ainda não se aperceberam da sabedoria desta máxima.

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  3. percebo a sua crítica ao dawkins, mas não foram os ateus que começaram a guerra ideológica

    (Ok, vai dizer-me que este facto é irrelevante, mas não é).

    como deve saber foi a direita conservadora, com a sua intenção de introduzir o criacionismo nas escolas.

    os ateus limitaram-se a responder na mesma moeda.

    Depois, desde marx que os assuntos religiosos se tornaram ideológicos. e se isso é um mal, a culpa não é certamente dos "novos" ateísta.

    quanto ao erro apontado por si em 1), não faz sentido nenhum: no mundo existem milhares de pessoas que cometem grandes borradas, honestamente, pensando que estão a fazer o maior dos bens. que fazer? ignorar? insistir para que eles permaneçam no erro? já agora, isso desculpa-as? desresponsabiliza-as?

    por último gostava de lhe dizer que essa sua implicação com os ateus é pouco racional, que não passa disso mesmo: uma implicação porque sim. :-)

    cumprimentos e obrigado por ser uma fonte de divulgação daquilo que de melhor se faz em filosofia.

    joaquim rocha

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  4. Obrigado pela crítica. Mas não se trata de uma irritação minha só porque sim. Em qualquer assunto político há sempre os histéricos, que querem irracionalizar o debate, e promover a força, ao invés da discussão sensata e tolerante. A pior resposta que se pode ter a essas pessoas é responder na mesma moeda. Isso é precisamente o que essas pessoas precisam.

    Não vejo qualquer necessidade de ofender as pessoas religiosas, nem de promover um estado de guerra irracional. Algumas das pessoas mais sensatas e que mais contributos fundamentais deram à humanidade eram e são religiosas. Algumas das pessoas mais tolas e assassinas eram e são ateias. A divisão entre o mal e o bem não coincide com a divisão entre religiosos e ateus. E essa divisão não é a preto e branco.

    O que está aqui em causa é uma irracionalização da vida pública e política, em que vale não a discussão serena, mas a gritaria irracional, o associativismo violento, o aparecer na televisão com um cartaz na mão e vários energúmenos lá atrás a gritar. E este não é um caminho que qualquer pessoa de bem, religiosa ou não, deseje para a sua própria sociedade.

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