10 de novembro de 2009

O mito dos argumentos coerentes

Pensa-se por vezes que a coerência é uma característica interessante e laudatória de um argumento.

Acontece que isto é falso. A coerência não é uma característica interessante e laudatória de um argumento. Um argumento coerente pode ser péssimo, tanto por inválido quanto por ser circular ou por ter qualquer outro defeito elementar.

O caso mais evidente é este:

Aristóteles era grego.
Logo, Platão era grego.

Este argumento é coerente, no sentido em que não se contradiz, mas é tolo porque a conclusão não se segue da premissa. E o mesmo ocorre com a maior parte das falácias, como a falácia da afirmação da consequente:

Se Aristóteles nasceu em Atenas, era grego.
Aristóteles era grego.
Logo, nasceu em Atenas.

Este argumento é inválido — as premissas não sustentam a conclusão — mas é perfeitamente coerente.

Portanto, a coerência não é uma característica interessante e laudatória de um argumento. Ao invés, é uma característica que os maus argumentos, na sua maior parte, têm.

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